Friendly Living
35 Capítulo XXXV. Jack.
Notas iniciais
JACK FROST
Jack não estava se sentindo bem. Talvez fosse por culpa do vinho que havia tomado, mas poxa, foi somente um gole! Ok, isso não importava no momento, o que importava era o fato de que todos estavam reunidos, felizes e esperando a contagem regressiva para o Ano Novo. E como no Natal, Jack estava em um canto, sentindo-se estranho e desconfortável segurando uma taça de vinho — que pelo milagre divino, Stoick conseguiu pegar para o rapaz.
Não tinha se resolvido com Hiccup. Ainda. Ele prometerá a si mesmo que falaria com seu melhor amigo, e então voltariam a serem melhores amigos. Oras, cara, eles eram desde para sempre, certo?
Certo?
O albino suspirou antes de sentir o corpo ficar mais pesado. Soltou a taça em cima da mesma que tinha próximo a si e então se aproximou um pouco mais. Havia conseguido tirar a tipóia — na verdade, ele não estava totalmente liberado da tipóia, mas resolveu tirar por conta própria. Seu braço não doía mais, e ele conseguia movimentá-lo normalmente. Só não conseguia pegar coisas pesadas, mas isso não era um problema.
Jack suspirou ao ouvir a contagem regressiva.
Não sentia diferença entre as mudanças de ano. Jack nunca via graça nisso. Por mais que a grande maioria fazia simpatias, usavam cores de superstição, ele não se incomodava com isso. Na verdade, vestiu a primeira roupa que viu ignorou a todos que falavam de simpatias, e por fim, fez tudo ao contrário do que pediam.
Jack realmente não estava no humor.
Assim que o 1 da contagem regressiva saiu da boca de todos, os fogos de artifícios foram estourados, todos gritaram e ergueram as mãos desejando um Feliz Ano Novo. Jack apenas ficou em seu canto, observando as pessoas se abraçarem.
— Hei, Jack.
O rapaz se virou ao ouvir a voz de Stoick. O homem sorria. Aproximou-se aos poucos, e sorriu para o rapaz, que ainda mantinha um rosto sério. Não havia falado com Rapunzel, e por algum motivo, isso lhe incomodava.
— Hei — respondeu quando o homem estava perto o bastante segurando uma taça de vinho cheia.
— Porque não está com seus amigos? — o ruivo perguntou, e Jack apenas deu de ombros. Gostaria de poder contar toda a verdade para Stoick, mas não estava com ânimo e vontade para fazer isso. Afinal, sua vida não girava em torno de si somente, mas girava em volta da vida de todos os seus amigos, que estavam uma bagunça, como a sua. — Você viu o Hiccup? Estou a horas o procurando e até agora não o acho — falou com os olhos rodando o local.
Jack até pensou na possibilidade de contar a Stoick que ele e Hiccup ainda não haviam feito as pazes, mas apenas suspirou. Isso poderia piorar a situação, e ele queria melhorá-la.
— Não faço ideia — respondeu dando de ombros e logo em seguida tomando um gole de vinho.
Stoick assentiu soltando um suspiro e afrouxando os ombros.
— Daqui a pouco nós vamos, ok? — falou olhando para o garoto e colocando uma mão no ombro do menino, que apenas assentiu. — E não tome muito vinho! — riu e então saiu dali, deixando o rapaz com seu copo de vinho e seu braço que começava a doer.
[...]
— Maneiro foi pouco — Kaio falou rindo e colocando a mão na boca, parecendo um grande idiota estúpido. Jack apenas revirou os olhos, sendo ignorado pelos três garotos do time: Kaio, Flynn, e por incrível que pareça, Henry.
— Você deveria repensar no que diz — Henry falou batendo a caneta na carteira. — Daqui a pouco a história chega ao ouvido da Emma, e ela termina com você — alertou. O rapaz fez cara de culpado e engoliu em seco, ajeitando a postura na sala de aula.
— Ok, não contem a ninguém o que eu disse — pediu num sussurro, no exato momento em que o professor de Geografia olhava para os três rapazes. Os olhos do professor se focalizaram em Jack por algum tempo, como se ele ainda fizesse parte daquele grupo de conversa, mas o rapaz apenas levantou o braço com a tipóia e deu de ombros.
Seus olhos azuis focaram-se na loira do outro lado da sala, que anotava as coisas em seu caderno. Merida lhe cutucava as costas com uma caneta, pedindo por alguma resposta, provavelmente. Jack, então, fitou a apostila com os exercícios e o caderno com a teoria recém copiada e suspirou, no exato momento em que o sinal tocou, anunciando um pequeno intervalo.
O rapaz esperou com que todos se levantassem e saíssem, para então, poder levantar e sair dali.
Adorava Geografia, mas odiava ter que chegar por último e ter que sentar atrás de Kaio e o escutar falar sobre como Emma dançou na festa de sexta que teve para os populares da escola — um grupo, o qual Jack não estava mais incluso. Ele não sabia o que mais magoava: estar brigado com Hiccup, ou então ter perdido toda a sua popularidade em um único jogo (ou ainda por cima, ter que usar aquela tipóia feia, que o médico o obrigou a usar até segundas exigências).
Saiu da sala segurando a mochila preta na mão, e caminhou por entre alguns alunos até um corredor praticamente vazio. Um casal conversava de forma dócil, e algumas garotas esperavam uma menina guardar seu material. Jack andou até seu armário, e então o abriu — de certa forma, abriu com medo de cair alguma coisa dele, já que em filmes, vivem fazendo isso —, mas graças a Deus, nada tinha. Guardou seu material e pegou o da próxima aula.
O saquinho marrom que Stoick preparou estava ali, com o seu lanche (pão, presunto, queijo, alface, tomate, maionese e o molho secreto) pronto para ser devorado. E mesmo sem um pingo de fome, decidiu por pegar o saquinho. Colocou a mochila nas costas, e então caminhou até o final de corredor, onde pegou uma escada. Por mais que o tempo fosse pouco, havia descoberto um canto onde poderia ficar quieto sem receber olhares de pena.
Subiu os degraus rapidamente, para não perder tempo, e então chegou a um andar vazio, a não ser por uma alma solitária. O rapaz focou seus olhos na garota que se apoiava na parede. Se não fosse pela roupa (calça jeans clarinha, casaco azul até o joelho, touca cinza e tênis brancos), Jack não teria reconhecido Rapunzel.
A menina tinha um braço na parede, com a cara na mesma, e o corpo todo parecendo mole demais. Jack se aproximou da garota, com certo medo de receber um fora — talvez isso fosse da sua imaginação, mas depois de quando combinaram de ir juntos no baile de Emma, os dois nem se falaram mais.
— Rapunzel — chamou num sussurro. Colocou o saquinho na mão do braço da tipóia e então com a mão livre colocou nas costas da menina. — Rapunzel, está tudo bem? — indagou.
— Me leva... — a garota ofegou, erguendo o rosto, com uma cara pálida. — Me leva...
— Te levar para onde? — o albino indagou fitando a garota, que respirava profundamente. A loira abriu a boca para falar, mas então seus olhos se fecharam, e seu corpo todo caiu para o lado de Jack. O rapaz não pensou duas vezes em soltar o lanche e tentá-la agarrá-la com um braço livre e o outro preso. — Rapunzel — chamou num tom forte, sacudindo o corpo da garota. — Rapunzel! — sua voz aumentou, e o rapaz a apoiou na parede, fitando o rosto da mesma, dando leves tapinhas. — Se isso for uma brincadeira de mal gosto...
Mas a garota não se moveu. Não falou, não se mexeu. E sua respiração começou a ficar leve demais, lenta demais. Jack entrou em desespero. Agarrou a garota do jeito que pode, e retirou a tipóia do braço. Que se dane esse braço e aquele médico idiota. Agarrou a garota, pegando-a no colo e então começou a descer as escadas com o maior cuidado do mundo. Chegou ao corredor, mas não encontrou ninguém. Andou mais um pouco até um grupo de alunos o ver.
Seus rostos surpresos.
— Ela desmaiou, me ajudem! — Jack gritou se aproximando do grupo. Dos meninos do grupo, um em especial agarrou Rapunzel e então saiu andando.
Jack o seguiu. A cada parte que eles passavam, o alvoroço era maior. Como Rapunzel Corona estava desmaiada? E claro, todos os olhares eram para Jack, como se alguma forma, o estivessem culpando. O rapaz que a carregava dobrou um corredor, e então Flynn viu a loira nos braços do garoto. Jack viu o desespero no rosto do moreno, e também viu o ciúme ao perceber que o albino estava ao lado da garota, mas apenas tratou de ignorar.
E parou de acompanhar Rapunzel no exato momento em que Flynn a pegou.
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