Friendly Living
30 Capítulo XXX. Merida
Notas iniciais

MERIDA DUNBROCH
Merida havia sido convidada.
A ruiva não tinha certeza sobre o casamento do pai de Emma com Gothel, mas quando a morena (juntamente com Rapunzel) bateram na porta da casa dos DunBroch, segurando um convite branco e bem decorado, a ruiva não teve dúvidas sobre o casório.
Gothel explicou a Elinor que o casamento seria simples, pois seria somente civil, já que os papeis para Miles casar-se novamente no religioso ainda não haviam ficado pronto e demorariam a ficar. Elinor ouviu tudo prestando a maior atenção, e sempre concordando e assentindo, o que deu certa graça para Merida, mas a ruiva não riu.
Depois da conversa, e sobre como o casamento seria, e sobre como Gothel estava animada, e depois delas terem aberto o convite; Gothel e Rapunzel foram embora, sorrindo. Elinor logo se exaltou, indo em direção ao seu quarto e mandando Merida se arrumar, pois elas logo sairiam.
Então o inferno começou.
Elinor foi primeiro ao centro, entrando em lojas dos mais variados tipos. Ligava de cinco em cinco minutos para sua casa, perguntando á Fergus como estavam seus meninos. O homem sempre respondia a mesma coisa: “eles estão bem”. E isso fazia Elinor se perguntar se eles realmente estavam bem.
Para Merida, como o casamento seria a noite, e a noite fazia certo frio, a ruiva se contentaria com uma calça jeans e uma blusa bonitinha com casaco. Não passaria frio e estaria tudo certo, mas, é claro, Elinor não concordou falando que era um casamento e isso exigia um vestido para se vestir. Ai ela partiu a procura de um vestido para Merida.
Depois de ficar no centro, partiram para o Shopping, onde Merida teve de provar mais alguns quinhentos vestidos até achar um que Elinor achasse que estava perfeito em sua filha e concordasse com o preço. Acharam um não muito feio, a ruiva tinha de admitir. Era todo preto, cheio de corações pequenos em branco e com uma gola branca no pescoço e com a cintura marcada. A ruiva até gostou, não achou que era todo chamativo, e que combinava com ela. E o preço estava bom.
Logo foram comer alguma coisa e Elinor ligou novamente para Fergus, deixando Merida sozinha na mesa se deliciando com suas batatas fritas e tomando sua Coca-Cola. A ruiva ficou ali esperando sua mãe por um tempo enorme, quando a mulher chegou sorrindo e avisando que havia encontrado o vestido perfeito para si. E elas foram até a tal loja, onde Elinor conseguiu encontrar um vestido verde, longo, simples, mas com um toque chique.
Quando chegaram a casa, Merida correu para seu quarto, largando o vestido no chão e ligando seu computador. É claro, ela recebeu uma bronca mais tarde pelo vestido, e Elinor a fez lavar a louça do jantar.
— X –
— Você está linda, filha! – Elinor exclamou enquanto admirava a sua obra prima. Merida estava com o cabelo preso uma trança lateral, com uma sapatilha preta nos pés (já que a ruiva não queria por um salto de jeito nenhum) e o vestido preto que sua mãe havia comprado. Elinor havia feito uma maquiagem leve na ruiva, já que a mesma não queria ficar muito aparente.
— Estou me sentindo...
— Uma princesa! – Fergus gritou do outro lado, fazendo sua filha revirar os olhos e baixar a cabeça, sentindo-se um pouco desconfortável. Queria ir com seu cabelo solto, mas sua mãe não deixou e acabou fazendo uma trança na menina (que Merida não fazia ideia de como Elinor havia conseguido fazer).
— Nós poderíamos ir, né? Vamos chegar atrasados! – a ruiva cobrou, e sua mãe assentiu, aproximando-se dos trigêmeos, que estavam todos arrumados com um terno preto cada e uma gravata de cada cor, já que eles não queriam ficar totalmente iguais.
— Nós ainda temos que passar na casa do Soluço, Fergus! – Elinor informou ao seu marido, que girava a chave do carro em seu dedo. O rapaz de fios ruivos assentiu abrindo a porta da casa dos DunBroch. – Merida, você sabe se a Astrid vai conosco, querida? – a morena perguntou fitando a filha que colocava um casaco preto, pelo frio que fazia do outro lado.
— Acho que sim – a ruiva falou. Soluço e Astrid eram grudados, era bem provável a loira ir, já que também tinha uma amizade com Gothel (por mais que fosse pequena).
— Meninos, vocês vão todos atrás! – Elinor gritou aos meninos que corriam em direção ao carro, já parado afronte a porta de entrada da casa deles. Merida fechou a porta atrás de si, sentindo o vento em suas pernas e se culpando por não ter colocado uma meia-calça. A ruiva trancou a porta e partiu em direção ao carro, vendo seus três irmãos sentados atrás, onde seria o bagageiro. Merida tinha de concordar que aquele carro de oito lugares fora um investimento muito bom.
O carro começou a andar, e não demorou muito para conseguir chegar a frente à casa de Soluço (e de Jack). Merida se interessou sobre Jack. Não sabia se o rapaz viria, mas duvidava de tal acontecimento. Agora que sabia que Jack e Soluço estavam brigados tinha certeza de que o rapaz de fios brancos não iria ao casamento (já que ele nem conhecia Gothel e Rapunzel não gostava dele).
Depois de algumas buzinas de Fergus, e de Elinor mandando-o parar que ficaria feio para eles, a porta se abriu e Soluço apareceu, sendo acompanhado por seu pai, que estava sorrindo levemente. Elinor e Fergus acenaram para Stoick, enquanto Soluço caminhava em direção a porta do carro. O pai do garoto devolveu o aceno, estando na porta até o carro partir em direção ao salão.
— Boa noite senhor e senhora DunBroch – o moreno cumprimentou logo após colocar o cinto e o carro começar a andar. – Merida – deu um leve sorriso a ruiva, que retribuiu. Os gêmeos lá trás disseram um ‘oi’ em concomitante fazendo Soluço rir e respondê-los.
— Boa noite Soluço – Elinor falou fitando o moreno. – E pode nos tratar somente como Elinor e Fergus, querido – respondeu dando um sorriso de canto. Soluço retribuiu.
— A Astrid não veio? – a ruiva perguntou chamando a atenção no amigo. Merida reparou que o rapaz estava muito bem arrumado, além de que exalava um cheiro de perfume maravilhoso. Seu cabelo estava muito bem penteado, mas sem nenhum sinal de gel ou algo do gênero. O menino usava um terno preto, como seus irmãozinhos e seu pai, mas tinha a gravata de uma cor clara.
— Não, não. Houve um contratempo, e ela não pode vir – o moreno respondeu dando um sorriso de canto, mas mostrando a sua insatisfação quanto a isso. A ruiva assentiu, não falando mais nada. É claro que estava curiosa quanto ao fato da menina não vir, e queria saber qual era o ‘contratempo’, mas se Soluço não havia tocado no assunto, não seria a ruiva que tocaria.
Eles chegaram ao salão alguns poucos minutos depois – o que para Merida pareceu ser uma eternidade. Fergus começou a reclamar que não tinha lugar perto do salão, e Elinor o mandou parar na entrada para todos descerem e ele ir procurar um lugar, o que resultou num Fergus que reclamou mais ainda e começou a bufar mais que um touro, o que para Merida foi até engraçado.
A decoração do lugar estava... Maravilhoso.
Na entrada do salão, tinha alguns sofás brancos com almofadas em tons de vermelhos, com detalhes dourados bem forte. Havia uma mesa entre dois sofás, no canto, lotada de docinhos que deixou Merida com água na boca. No meio de tantos doces havia um vaso dourado, luxuoso com flores brancas e vermelhas. Próximo a entrada, havia uma estante branca, com alguns detalhes em dourado, cheio de pequenos vidrinhos com – o que Merida acreditava ser – doce de leite. E perto de tudo isso, havia uma moça vestida elegantemente com um terno feminino preto e um sorriso agradável.
Ela indicou a entrada para Elinor, que puxou Hubert, que arrastava Harris, que agarrava na mão de Hamish, que parecia querer arrancar a gravata vermelha de seu pescoço. Merida foi logo atrás, se certificando de que Soluço a seguia.
Assim que viraram e adentraram a realmente ao grande salão retangular, Merida não acreditou no quão luxuoso estava aquele lugar. Havia várias mesas espalhadas pelo salão, todas com a decoração de uma mesa, com seus pratos, talheres, copos e guardanapos. No centro de casa mesa, havia umas duas velas, um pequeno vaso de vidro com algumas flores delicadas variando entre vermelha e branca.
Em um canto, próximo a entrada do salão estava uma grande mesa retangular, com alguns petiscos, onde algumas pessoas já se serviam, com seus pratos brancos e decorados. Desde a entrada do salão até a frente de todas as mesas havia um grande tapete vermelho, com pequenas velas apagadas colocadas em sua borda. Lá na frente havia um pequeno altar, onde estava uma mesa retangular ao lado de dois grandes vasos de flor e algumas outras coisas para se realizar o casório.
Elinor foi à frente, cumprimentando algumas pessoas, e sempre puxando seus filhos, que olhavam pela janela, vendo um grande campinho com um gramado bem verde e cortado, onde algumas crianças corriam, e bagunçavam toda a sua roupa e seu cabelo. Sentaram numa mesa próxima ao altar, onde havia uma moça de terninho (como a da entrada) dando alguns ajustes finais no local.
Elinor sentou-se, toda confiante de si, colocando um menino em cada cadeira, deixando-os entediados e irritados por não poderem ir lá fora brincar. Merida sentou-se na cadeira ao lado de sua mãe, indicando a cadeira ao seu lado para Soluço, que sentou e desabotoou o paletó, fazendo Elinor elogiá-lo, dizendo que o moreno era um menino muito bem respeitado e que Astrid deveria ser a mulher mais feliz por tê-lo como companheiro. Isso fez Merida revirar os olhos e Soluço ganhar um rubor nas bochechas que foi visto por todos ali, já que as luzes estavam acesas.
Fergus chegou algum momento depois, encantado com a decoração, e elogiando principalmente a mesa com os petiscos. Ele rapidamente pegou um prato branco pequeno e foi em direção a mesa, e voltou com o prato cheio, fazendo Elinor lhe dar uma bronca, dizendo que ele não poderia comer tanto assim, o que fez Merida rir, e Soluço baixar a cabeça, escondendo o riso.
— Hei! – Rapunzel gritou um pouco ao longe, acenando com a mão. Merida fitou a menina, que vestia um vestido branco tomara que caia, e um rendado por cima, e mangas comprimidas também brancas. Seu cabelo estava solto e com pequenas ondas e seu rosto com uma maquiagem bem montada. – Boa noite Dona Elinor – falou dando um sorriso amigável. A mulher devolveu o sorriso.
— Somente Elinor, querida – pediu com o sorriso. – Você está deslumbrante, Rapunzel! – admirou-a.
— Obrigada – agradeceu. – A senhora também está deslumbrante – acrescentou com um sorriso gentil, fazendo Elinor sorrir mais aberto, mas logo em seguida a morena se virou para seus trigêmeos e Rapunzel para seus amigos. – Hei, onde está Astrid? – indagou fitando Soluço.
— Ouve um contratempo – o rapaz falou novamente fitando Rapunzel, que assentiu. – Ela não pode vir, mas mandou felicidades á sua mãe, e pediu desculpas – acrescentou com um sorriso não muito animado.
— Não, tudo bem – falou sorrindo. – Eu vou dar uma volta, daqui a pouco volto – anunciou saindo de perto, acenando para algumas pessoas que Merida deduziu ser algum conhecido da loira.
— Ela está um pouco diferente, não acha? – Soluço sussurrou fitando a ruiva. Merida fitou o amigo, dando um sorriso.
— Achei que eu era a única a perceber.
— X –
Quando Gothel disse que o casamento seria bem simples, Merida acreditou. De verdade. Fato é, que ela negou um monte de vestidos, alegando que poderia estar mais chique que a própria noiva, mas olhando ao redor, a ruiva se perguntou se Gothel havia dito a verdade para eles.
Não demorou muito para uma música ressoar por todo o lugar, e todos viraram atentos para a porta de entrada do salão. Aqueles que estavam na mesa de aperitivo rapidamente correram para seus devidos lugares, enquanto duas moças de terninho preto foram acendendo as velas da borda do tapete vermelho.
Hubert correu na frente de Merida, que levantava, assim como todos os outros. Hamish pulou para a cadeira de Soluço, onde ficou em pé, olhando atento. Somente Harris que ficou ao lado de Elinor, a qual ajeitava a gravata do pequeno menino e ordenava a Fergus que se levantasse.
Na porta, um homem com cabelo preto, olhos claros e pele mais clara ainda estava acompanhado de uma mulher. Ele vestia um terno preto, tinha uma flor branca no bolso do terno e uma gravata prata. O braço da mulher estava enganchado no seu, e a mesma estava extremamente arrumada. O cabelo preso em um coque, os olhos claros bem definidos e a mostra, juntamente com o vestido escuro, que Merida achou ser um roxo, ou azul, já que as luzes haviam se apagado, e somente a luz do pequeno palco montado e das velas estavam acesas.
— Esse deve ser o futuro padrasto da Rapunzel – Soluço sussurrou próximo ao ouvido de Merida, o que causou uma série de arrepios na menina, que se sentiu extremamente desconfortável com isso. – Aparenta ser legal – o moreno sussurrou novamente, extremamente próximo ao ouvido da ruiva. A garota sentiu outra série de arrepios e então se afastou um pouco, se sentindo incomodada, e colocando Hubert entre os dois.
Depois da entrada do futuro padrasto de Rapunzel, noivo de Gothel e pai de Emma; juntamente com o que – Merida achava ser – sua mãe, avó de Emma; entraram mais dois casais muito bem arrumados, e que Merida não fazia ideia de quem seria. Por fim, depois da entrada deles, a música mudou, e todos já tinham em mente de que a noiva estava para entrar.
Gothel apareceu na porta.
A mulher estava radiante, maravilhosa, deslumbrante! Merida tinha de admitir, ela estava linda! O seu cabelo ondulado e preto estava preto em um coque baixo, com alguns fios soltos. Seu rosto tinha uma leve maquiagem, seus olhos não estavam tão marcados, mas estavam lindos, brilhantes, e seus lábios tinham uma cor clara e brilhosa. E seu vestido era a peça fundamental. Havia um tecido branco embaixo, tomara que caia, que lhe chegava até os pés, cobrindo seu sapato. Ele também estava um pouco cheio, a ruiva percebeu. Gothel, provavelmente, estaria usando um saiote por baixo. E por cima de todo tecido branco estava um rendado. Ele cobria todo o pano branco e um pouco acima do busto, fazendo duas pequenas mangas. Diferentemente do tecido branco, o rendado chegava até os pés, e criava uma pequena cauda atrás. O tecido branco e o rendado vinham rente até a cintura, onde tinha uma fita branca que definia a cintura da mulher. E por fim o buque de flores brancas. Merida pode distinguir mais de um tipo de flor, e dentre delas, conseguiu reconhecer algumas rosas.
Ao lado de Gothel estava um homem um pouco esquisito, que fez Hubert rir, e Merida colocar sua mão na boca do menino, mandando-o ficar quieto logo em seguida. Ele tinha o cabelo todo branco (o que fez Merida lembrar-se de Jack, vagamente), mas era perceptível que ele era velho, e o cabelo era da idade. Usava um terno preto, juntamente com uma gravata clara, mas não prata. Seus olhos estavam miúdos atrás de um óculos pequeno. E para completar tinha um bigode estilo Hitler.
Ambos caminharam até o palco, onde a cerimônia começou. Afronte dos noivos, estava um homem de terno preto também, e Merida se perguntou quem poderia ser o rapaz. Mas logo ignorou isso, e mandou Hubert ir se sentar. A ruiva sentou-se em sua cadeira habitual e então esperou ansiosamente pelo fim daquele casamento.
— X –
— Essa comida está deliciosa! – Fergus praticamente gritou enquanto devorava o seu prato. Merida revirou os olhos, ouvindo risadas da sua própria mesa. A ruiva levantou o olhar, procurando por Rapunzel, mas foi a encontrar conversando com certas meninas, entre elas, reconheceu Emma, que usava um vestido dourado, estava descalça, e segurava um copo que parecia ser alguma bebida alcoólica, já que a garota aparentava estar bem mais feliz.
Merida bufou, voltando a encarar seu prato já vazio. Parecia que Rapunzel estava se divertindo mais com aquelas garotas do que com seus melhores amigos que ficaram naquela mesa a cerimônia inteira mais o início da festa. A menina não conseguia entender o porquê de Rapunzel estar mais distante.
— Quer dar uma volta? – a voz de Hiccup retumbou em seus ouvidos, fazendo a ruiva fitá-lo. Soluço estava como havia chegado, exceto que seu cabelo estava um pouco mais bagunçado. – Estou um pouco enjoado de ficar sentado sem fazer nada – acrescentou rapidamente dando um sorriso meio torto.
Merida concordou, dando um sorriso de canto, e levantando. Soluço seguiu o movimento da menina. Por mais que estivessem sem a companhia de Rapunzel, eles ainda tinham um ao outro, e eram melhores amigos. A ruiva andou até a entrada oficial do salão e esperou pelo rapaz, que apanhava alguns docinhos colocando no bolso de seu terno. A ruiva riu.
— Roubar doces antes da hora é errado, viu? – Merida falou já do lado de fora, começando a andar na calçada, sentindo o vento frio em suas pernas. Xingou sua mãe mentalmente por não tê-la deixado colocar uma calça jeans e blusa e depois se xingou por não ter colocado uma meia-calça. Soluço riu.
— Não é errado se for uma dívida paga – o moreno sorriu torto, seguindo a ruiva, e colocando a mão nos bolsos da calça. Merida arqueou uma sobrancelha, não entendendo a fala do garoto. – A Rapunzel está com algum problema com a gente – o moreno sussurrou com a cabeça baixa. Merida fitou-o. – Ou comigo – falou de forma sarcástica e rindo.
— Acho que é mais comigo – a ruiva falou dando um sorriso triste. – Acho que eu fiz alguma coisa que ela não tenha gostado – deduziu prosseguindo a caminhada sentindo o vento frio em suas pernas.
— Você? – o moreno perguntou soltando uma risada sarcástica. Merida fitou-o, assentindo. – Vocês duas são melhores amigas, irmãs, eu tenho certeza de que ela não tem nada contra você – comentou com um sorriso animador. Merida sorriu voltando a fitar a calçada.
— Eu já acho ao contrário – a ruiva passou a mão no queixo. – Antes da festa dela, Rapunzel estava me tratando normal – Merida comentou fitando o chão. A garota sentiu a mão de Soluço em seu braço e fitou-o. O rapaz esticava um doce para ela. Merida pegou o docinho branco com uma flor prata em cima. – Depois da festa, ela simplesmente começou a ficar mais distante.
— Deve ter acontecido alguma coisa – o rapaz deu de ombros tacando um doce em sua boca e saboreando-o. Merida assentiu, dando uma pequena mordida no doce e fitando o chão.
— Mas eu só falei a verdade para ela! – a ruiva bateu o pé no chão, frustrada. – Eu falei tudo o que aconteceu comigo na festa, ou seja, eu não escondi nada. Então, ela provavelmente deve ter ficado mexida com alguma coisa que eu falei... – a ruiva deu outra mordida no doce e fitou Soluço, que comia outro docinho, olhando para a ruiva, escutando-a.
— O que você falou para ela, afinal? – o rapaz perguntou com a boca cheia, o que fez Merida torcer a boca e Soluço rir.
— Algumas coisas básicas – a ruiva comentou mordendo o lábio inferior e se sentindo na dúvida se contava, ou não, para o garoto.
— Bem... Se você não me falar, eu não vou poder te ajudar – Soluço respondeu dando um sorriso divertido e engolindo mais um doce. Merida soltou um suspiro pesado.
— Eu tenho um desafio, e Fred foi o único que pode me ajudar – a garota comentou e Soluço assentiu, logo em seguida fez uma careta. – É eu sei, o Fred – a garota revirou os olhos e ouviu uma curta risada vindo do moreno, que Merida tratou de ignorar. – E eu beijei alguém... – a garota comentou enquanto mordia o último pedaço do doce e jogava o papelzinho no chão, sem se preocupar com o meio-ambiente.
— Você... Ahn... – Merida fitou Soluço que tinha um doce em mãos, uma mão na nuca e as bochechas um pouco coradas; tentando formular uma frase. – Ahn... Beijou? Tipo... Beijo, beijo mesmo? – indagou olhando para baixo, e mandando um olhar rápido para a garota.
— É... – Merida sentiu suas bochechas esquentarem. A garota suspirou. – Eu não sei por que ela ficaria nervosa, ou brava comigo, até porque eu beijei alguém que ela odeia! – a garota comentou sentindo-se um pouco irritada. Soluço nada falou. – Será que ela ficou... Sei lá – a menina fez gestos indescritíveis com as mãos.
— Você deve ter beijado alguém que ela não queria que você beijasse – o rapaz comentou dando de ombros. Merida fitou-o e percebeu que o garoto estava com outro doce na boca, e tinha as mãos nos bolsos da calça, e o terno fechado.
— Eu duvido muito – a ruiva falou passando a mão em sua trança e a colocando lateralmente. – Afinal, porque diabos ela não gostaria que eu beijasse o Frost?! – falou repentinamente, se sentindo culpada depois. Soluço, que agora pegava um docinho qualquer do bolso do seu paletó, ergueu os olhos e fitou a garota, que tinha os olhos arregalados.
— Você... – o rapaz fitou-a. – Beijou o Jack? – indagou com os olhos um pouco semicerrados. A ruiva não respondeu. Engoliu em seco enquanto fitava o chão a procura de uma salvação. – O Jack? O Jack Frost? – o moreno perguntou forçando a garota a responder.
— Ele me beijou! Ele estava bêbado, eu não estava totalmente em sã consciência e fazia um tempão que eu não beijava alguém! – Merida protestou fitando os olhos verdes do amigo. – E eu também não fazia ideia de que vocês dois haviam brigado – a garota acrescentou sentindo seu corpo ficar tenso. – E além do mais, foi coisa de alguns minutos, ele não deveria ter feito aquilo! – a garota rebateu sentindo uma nervura subir seu corpo à medida que Soluço não mudava de feição.
— Finalmente achei vocês! – Rapunzel gritou ao longe, aproximando-se dos dois segurando um copo na mão. Merida se perguntou se aquilo era alguma bebida alcoólica, mas pelo caminhar perfeito da menina que tinha salto nos pés, ou parecia ser o primeiro copo de bebida alcoólica, ou não era. Merida optou pensar na segunda. – Hei, hei – falou parando de andar já ao lado dos dois. – Soluço você não está traindo a Astrid com a Merida, né? – a loira rapidamente indagou para o menino, que arregalou os olhos.
— O que?— o rapaz gritou para a loira, que deu um sorriso maroto. – Você está louca, Rapunzel? – Soluço perguntou um pouco irritado, e Merida se perguntou se uma parte desta irritação era porque ela havia beijado Jack Frost.
— Calmo ai, moreno! – a loira falou dando um sorriso divertido e passando seus dedos finos nos fios castanhos de Soluço, que revirou os olhos, irritado. – Vocês sabiam que a festa não é aqui, é lá? – indagou bebendo mais um gole do líquido misterioso para Merida.
— Estávamos um pouco entediados – a ruiva se apressou a dizer, e pela primeira vez na noite, recebeu o olhar de Rapunzel diretamente para ela. A loira arqueou uma sobrancelha. – Meus pais estavam nos fazendo passar vergonha, e você simplesmente ignorou-os a noite toda – a garota acrescentou, fazendo Rapunzel abrir a boca, mas foi calada por Soluço que foi mais rápido.
— Eu tenho que concordar com a Merida – falou dando de ombros e cruzando os braços logo em seguida. Rapunzel semicerrou os olhos na direção do rapaz.
— A Emma ficou falando que como nós somos ‘melhores amigas’ – Rapunzel fez aspas com a mão torcendo a boca de desgosto – teríamos de ficar juntas e tudo mais – a garota bufou. – Agh, como eu odeio-a!
— Você não é a única – Merida comentou enquanto dava de ombros e fitava a amiga.
— Mas agora ela está um pouco bêbada, e o pai dela está mó puto com ela – Rapunzel riu se divertindo com a desgraça da garota. Merida deu um sorriso divertido. – Agora eu tenho tempo para meus amigos lindos – a loira deu um sorriso divertido e se colocou entre os dois colocando um braço em volta dos ombros de cada um. – Vamos? – indagou sorrindo e começando a andar em direção ao salão.
Merida sorriu animada, acompanhando a amiga.
— X –
— Eu posso falar com você? – a ruiva questionou para a loira, que sorriu amigavelmente indicando a cadeira com a mão. Rapunzel tinha um copo em mãos e Merida se perguntou se aquilo era bebida alcoólica. Rapunzel bocejou.
— O que houve? – indagou virando todo o conteúdo do copo em sua garganta e virando-se para a amiga, esperando uma resposta.
— Ahn... – Fato é, que Merida não sabia como começar a falar. Tinha de ser rápida, essa era a verdade. Havia conseguido distrair Soluço, e fazer com que uma das amigas de Emma (Lisa, se Merida não estava enganada) forçasse Soluço a dançar, e estava dando certo, pois o rapaz estava na pista, um pouco desanimado, mas dançando. Elinor e Fergus também estavam lá, e os trigêmeos brincavam do lado de fora com algumas poucas crianças que sobravam.
— Merida, eu não tenho o tempo todo – a loira comentou seca. A ruiva assentiu, sentindo estar fazendo a coisa errada. Sabia que Rapunzel estava um pouco bêbada, pelo simples fato de ter sido seca com a ruiva. Não que a loira fosse obrigada a ser simpática com a garota o tempo todo, mas ela não era tão seca com a menina.
— Eu queria saber o porquê de você estar um pouco distante – a ruiva pediu brincando com seus próprios dedos e sentindo seu corpo todo ficar cada vez mais tenso.
— Eu não estou distante! – Rapunzel rebateu enquanto ajeitava a postura e franzia a testa, parecendo não entender o que a ruiva queria dizer. Merida suspirou.
— Você está distante – afirmou sentindo um pouco de raiva da amiga. – Depois da sua festa, e d’eu te contar que o Frost me beijou você vem reagindo estranho comigo! – Merida retrucou sentindo-se um pouco mais leve. – Por quê? O Frost me beijou uma vez, mas foi só isso! – a ruiva admitiu sentindo sua garganta se fechar um pouco. Merida fitou Rapunzel, que fitava seu copo vazio. – Nunca mais vai acontecer – sussurrou em meio à música agitada que tocava.
— Eu não te contei, mas... – Rapunzel deu um suspiro junto com um sussurro, e Merida se aproximou mais da menina, para poder ouvir o que fosse que ela falaria. – O Jack me beijou também – a loira sussurrou ainda fitando seu copo. Merida encarou a amiga, totalmente atordoada. – Na minha festa, ele simplesmente chegou ao meu quarto, e me beijou – a loira admitiu ainda fitando o copo. Merida encarou Rapunzel. – Depois que você me contou que ele tinha te beijado, eu fui tirar satisfações com ele, e nós brigamos – Rapunzel falou ainda fitando o copo.
Merida não falou nada. Afinal, não tinha nada a mais para se falar. Rapunzel e Merida (as duas melhores amigas) haviam ficado com o mesmo menino. Jack Frost, que havia brigado com o seu melhor amigo, Soluço, que namorava a Astrid. A ruiva soltou um suspiro e baixou a cabeça, tentando entender tudo o que havia em sua mente. Fato era, ela nunca se daria bem no amor. Soluço, que era um nerd, tinha alguém especial para ele, e ambos se amavam. Rapunzel tinha o Flynn (entretanto, Merida sabia que esse namoro não duraria por muito tempo); Jack Frost tinha a vida, e todas as meninas que quisesse (ou quase todas) e Merida não tinha ninguém.
Mas isso não a irritava, muito menos a deixava triste e deprimida. Isso fazia a garota pensar que ela não havia corrido atrás. Ela poderia ser a namorada de Soluço agora, se num passado distante tivesse dado uma chance para ele. Ela poderia estar namorando Fred, se num passado distante, tivesse retribuído o beijo dele, não dado um chute em seu membro inferior. Ou até então, ela poderia estar namorando Mike, que em vês de lhe fazer desafios, lhe daria beijos.
Entretanto, ela não quis nenhum deles. Ela nunca desejou nenhum deles. Merida só pensava em seu futuro, e via em um namoro algo que poderia estragar todos os seus sonhos e os seus objetivos. Via isso em sua mãe. Ela queria ser famosa, uma atriz! Mas não pode seguir seu sonho, pois ela amava Fergus, e este não queria que ela viajasse para longe, para longe dele. E ela ficou presa em Jerty junto dele. Para Merida, um namoro poderia resultar nisso.
Então, ela sempre negou.
Mas ali, sentada naquela cadeira, ouvindo High Hopes e vendo algumas pessoas cantarem, gritando a letra da música, enquanto alguns casais, ou amigos, dançavam juntos, a ruiva percebeu que fez somente besteira em sua vida amorosa. E no momento, ela poderia ter alguém ao seu lado, poderia não estar tendo essa conversa com Rapunzel muito menos repensando em toda a sua vida amorosa. Ela poderia ser feliz neste ramo. Ela poderia ter alguém.
— Você está brava comigo? – a ruiva ouviu a voz de Rapunzel próxima a si, e logo a fitou, dando um sorriso de canto. Nunca que estaria brava com Rapunzel porque ela havia selado um beijo com o mesmo garoto que roubou um beijo de Merida.
— Não – respondeu por fim com um sorriso, que fez o rosto de Rapunzel se iluminar. – Entretanto, para você retribuir o beijo do Frost, você teria de terminar com o Flynn, não? A propósito, eu não o vi por aqui – Merida comentou dando mais uma olhada ao redor antes de fitar Rapunzel, que soltava um suspiro longo.
— Eu não terminei com o Flynn. Ele realmente não pode vir – a loira comentou fitando a amiga. – Quanto ao Frost, bem... Digamos que ele acendeu algo em mim que não estava aceso – Rapunzel falou dando um sorriso. Merida fez uma careta não entendendo muito bem a frase da amiga. Rapunzel também fez uma careta. – Não, não era para sair desse jeito – falou fazendo outra careta. Merida riu.
— E você não pretende terminar com ele depois disso? – a ruiva indagou enquanto fitava a loira. Rapunzel deu de ombros. – Se eu fosse você, pensava bem antes de fazer qualquer coisa. Se você for continuar com ele, saiba bem que seja o que for que o Frost tenha te acendido irá apagar e não irá se reacender mais – Merida falou de uma forma sombria, entretanto Rapunzel não demonstrou nenhuma reação.
Merida não insistiu, afinal, não fazia ideia do que se passava na cabeça de sua amiga. Mas, fosse qual fosse a decisão dela, a apoiaria. Até porque, Merida era, e sempre seria, a melhor amiga e irmã de Rapunzel Corona.
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