Friendly Living
22 Capítulo XXII. Merida
Notas iniciais

MERIDA DUNBROCH
O som de Emma retumbava em seus ouvidos. A música não estava no último volume, no entanto, estava alto o suficiente para não escutar o que a Sra. Dummer falava. A ruiva deu um sorriso sarcástico e deixou com que a cabeça se apoiasse na parede ao seu lado. A letra praticamente se baseava na Emma que conhecia. Aquela rude e metida que seria a mais nova irmã postiça de Rapunzel.
A Senhora Dummer andou até a sua própria mesa e recolheu alguns papéis, deixando uma quantidade na primeira carteira de cada fileira. As folhas foram se passando até finalmente chegarem à mesa de Merida.
A menina deu uma olhada breve na folha e percebeu que a maioria dos alunos realizava os exercícios. A garota se preocupou. Com cuidado para não ser percebida, retirou os fones do ouvido, e os tacou dentro da blusa.
— O que é isso? – a ruiva sussurrou perto do corpo de Rapunzel, que estava sentada a sua frente. A garota percebeu o corpo da loira ficar rígido, e a menina mandar um olhar cuidadoso para a Senhora Dummer antes de responder.
— Prova surpresa – Rapunzel respondeu com outro sussurro. Merida engoliu em seco. Ótimo, agora velha me ferrou de vez. Merda!
Merida baixou a cabeça e passou a mão por sobre o cabelo solto. A garota encarou sua prova surpresa, e pegou a caneta de dentro do estojo azul escuro. Bufou uma vez e pensou seriamente se escreveria ou não seu nome.
— Algum problema, senhorita DunBroch? – a ruiva levantou o olhar para a Senhora Dummer, que se encontrava de pé, atrás de sua mesa. A ruiva percebeu alguns olhares sobre si e forçou um sorriso.
— Não, claro que não – falou enquanto voltava a encarar a prova e escrevia seu nome, antes de, finalmente ler a primeira questão.
— X –
— Merda!— Merida exclamou. – Porque existem provas surpresas? – perguntou tentando concluir a besteira daquele fato, e do idiota que criou aquilo. Mesmo, prova surpresa, não tendo um criador certo.
— Prova surpresa, ou não, isso não importa – Soluço sussurrou enquanto passava mais uma página do livro.
— É impressão minha, ou o nosso amigo está mais estranho que o normal? – Merida sussurrou para Rapunzel, que tirou o olhar do caderno vintage.
— Não é impressão sua – a menina sussurrou de volta enquanto retirava um fone da orelha e pausava a música que estava tocando. – Onde está Astrid? – Rapunzel perguntou á Soluço, que ergueu os olhos, meio desnorteado. Merida revirou os olhos. Porque tudo se referia a Astrid? – Onde está Astrid? – a loira retornou a perguntar quando percebeu que o amigo não havia escutado.
Soluço baixou os olhos, e voltou a folhear o livro que tinha em mãos. Merida soube imediatamente, que o garoto não estava assim por culpa de Astrid. Uma parte da garota ficou feliz, mas Merida tratou de ignorar isso.
— Ela faltou – o menino sussurrou.
— Certo, não é a Astrid – Rapunzel sussurrou para Merida, que revirou os olhos e baixou o olhar para seu sanduíche extremamente natural preparado pelas mãos de sua mãe.
— O que houve? – Merida perguntou antes que Rapunzel pudesse falar qualquer outra coisa. O moreno ergueu os olhos, meio confuso com a pergunta.
— Nada – respondeu, como se a resposta fosse a coisa mais óbvio de todo o mundo. Merida revirou os olhos, entediada com esse negócio de esconder sentimentos e segredos de seus amigos.
— Certo, e porque esse seu mau humor? – perguntou cruzando os braços e dando um sorriso de vitória, sem nem ter conseguido ela.
— Por nada, oras – o menino deu de ombros. Baixou seus olhos para o livro, e começou a folhear o mesmo, sem prestar atenção no que estava escrito.
— Aham... Claro – Rapunzel se pronunciou dando um sorriso pequeno. – E você está simplesmente folheando um livro sem nem ao menos ver seu conteúdo – falou com calma e depois deu um sorriso de vitória. Merida não sabia onde aquilo as ajudaria a descobrirem o que Soluço realmente tinha, mas deixou que a menina ficasse no comando quando viu o garoto fechar o livro.
— Jack está no time – Soluço falou encarando as duas. Seu olhar demonstrava fraqueza, mágoa, nervosismo, irritação, zanga, tinha tantas coisas que a garota ficou extremamente confusa. – Vocês sabiam disso? – perguntou, sua voz começando a se alterar. Eram nesses momentos que Merida queria a presença de Astrid.
— Achei que você soubesse – Rapunzel suspirou, parecendo meio triste. Merida a encarou.
— Você sabia? – Soluço perguntou com a voz meio abatida. – Você sabia que Jack estava no time e nem ao menos me contou? – a voz do moreno saiu frágil, fraca e dolorosa, mais dolorosa do que antes. Merida engoliu em seco, tentando não intervir na discussão dos dois.
— Ele me falou que contaria a você, que você ficaria feliz! – Rapunzel protestou, aumentando um pouco o tom de voz. – Foi por isso que eu ajudei-o! – sua voz saiu grave, o que fez Merida arquear uma sobrancelha para a loira. Rapunzel não o odiava?
— Você deveria ter me contado... Perguntado alguma coisa! – Soluço insistiu. O moreno soltou uma risada sarcástica, mas, mesmo assim, dolorosa. – Todo mundo agora resolveu esconder as coisas de mim! – exclamou erguendo os braços. Merida percebeu que algumas pessoas encaravam os três (principalmente os dois que estavam discutindo, mas como ela estava na mesa, considerava o fato de ser encarada).
— Soluço, se eu soubesse...
— O mundo resolveu me dar as costas! – Soluço gritou pegando seu livro. Em seus lábios tinham um sorriso fino e totalmente irônico, ao mesmo tempo em que estava triste e magoado.
— Do que você está falando? – a ruiva perguntou ao moreno, se sentindo totalmente curiosa em relação as frases do garoto. O mundo não estava dando as costas para ele. De onde ele estava tirando isso?
— Não é da sua conta – o garoto sibilou enquanto tacava o último livro dentro da mochila e fechava-a rapidamente. – Não é da conta de vocês duas!— berrou enquanto levantava do banco e saia andando com a mochila nas costas. Merida encarou Rapunzel.
— Se eu for atrás dele, acabo o matando – sussurrou enquanto deitava a cabeça na mesa. Merida soltou um sorriso e pegou a mochila. Ignorou o lanche de sua mãe. Inutilmente, vinha dizendo para a mesma, que essa coisa de ficar comendo somente natural a enojava. No entanto, parecia insistir para a parede, não para sua mãe.
A ruiva caminhou na direção a que Soluço tinha ido e encontrou o menino sentado no gramado, encostado na parede do ginásio, próximo á porta do mesmo. Merida achou isso meio irônico da parte do garoto, mas, ignorou isso.
A ruiva foi em passos lentos até onde o moreno estava. Sua sombra estava totalmente em Soluço, que mexia em seu celular, sem nem se importar com a presença de qualquer pessoa. Merida bufou, porque com Astrid era sempre diferente?
— Se fosse sua namorada você já estaria beijando os pés dela – a ruiva sibilou enquanto tacava a mochila no chão e recebia um olhar irritado de Soluço.
— Veio fazer o que aqui? – perguntou voltando a mexer no celular.
— Fazer papel de Rapunzel – respondeu enquanto bufava e se sentava ao lado do garoto, as costas apoiadas na parede do ginásio. – E, tentar entender o que diabos aconteceu com você – dessa vez sua voz saiu mais calma, mais tranquila, como de Astrid. Idiota!
— Não aconteceu nada – Soluço falou calmo e estranho, o que fez Merida arquear a sobrancelha para o nada. – Vocês que ficam colocando lenha onde não tem nada – vociferou ainda mexendo no celular de uma forma frenética.
— Aham, claro – Merida deu um sorrio de escárnio e raiva. – Até porque, fui eu que simplesmente pirei quando me perguntaram sobre meu mau humor! – exclamou irritada. O que diabos eu vim fazer? Rapunzel conseguiria entender melhor ele do que eu!— Depois eu que sou a cabeça dura...
— E você é – Soluço sussurrou. Merida semicerrou os olhos e encarou o moreno ao seu lado. – Você mesmo admitiu – Soluço respondeu enquanto fitava a ruiva com um sorriso de canto.
— Bom, demos um passo hoje – Merida sorriu, ignorando o fato de Soluço reforçar o fato dela ser cabeça dura. – Você sorriu – falou deixando seu sorriso escapar dos lábios. Soluço virou a cabeça, mas Merida pode ver que o garoto sorria.
— Você acha justa o que Jack fez comigo? – a voz do garoto retumbou nos ouvidos da menina. Merida virou seu rosto para poder encarar Soluço.
— Ele só entrou no time, que mal tem? – respondeu com outra pergunta. Em parte, Merida sabia que era mentira. Jack havia entrado no time, somente. Nada mais. Mas, a outra parte de Merida sabia muito bem que tinha um mal terrível. – Você só ficou estressado com a Punz sem motivo.
— Onde ela está? – o garoto sussurrou. Merida percebeu o arrependimento do mesmo e sorriu.
— Eu não sei – deu de ombros. A garota sabia que Rapunzel havia ficado na mesa quando ela saiu, no entanto, não sabia para onde ela havia ido.
A ruiva suspirou. Soluço ficou quieto, brincando de retirar a grama do chão, pela sua raiz. O sol batia em sua cara, fazendo com que gotículas de suor escorressem pelo seu rosto. Merida passou a mão por sobre a testa. Abriu o menor compartimento da sua mochila e retirou uma presilha dali. Guerreou com o seu cabelo, até conseguir um coque.
— Você não acha que já está na hora de voltar? – perguntou enquanto tirava um fio de seus olhos e colocava atrás da orelha. Não que Merida estivesse com pressa de voltar. Suas últimas aulas se resumiam a ela tirar um cochilo, algum professor ver e mandá-la para a detenção. Entretanto, Soluço era o nerd ali.
— Acho que podemos matar aula hoje – o garoto falou se levantando e pegando a mochila logo em seguida. Seu olhar parou em Merida, que não sabia o que fazer.
— Uau – a menina exclamou enquanto era puxada para cima pela mão de Soluço. – Você matando aula? – perguntou assustada.
— Tudo de sua primeira vez – Soluço deu de ombros. Merida sorriu.
— Ok então, para onde vamos? – a ruiva perguntou animada. Soluço deu um meio sorriso e começou a andar, sem soltar da mão da ruiva.
— X –
— Percebi que você matou aula ontem, ruivinha – a voz de Mike retumbou nos ouvidos da garota, fazendo a mesma soltou um desprezível ‘jura?’ e continuar andando até seu armário. – Aí, não deu para dar o seu ultimo desafio, ou o grand finale, como preferir – deu de ombros parando ao lado de armário, com as costas nos armários próximos.
— Achei que tivesse terminado já – bufou enquanto retirava o livro de biologia, e guardava o de inglês. – Você não vai embora?
— Daqui a duas semanas – respondeu com um sorriso de canto. – Por isso, seu próximo desafio tem duas semanas.
— Ótimo, cadê o papel? – a ruiva perguntou meio irritada, enquanto fechava a porta do seu armário e ajeitava a alça da mochila.
— Ah, eu nem fiz – o loiro deu de ombros, e Merida estreitou os olhos na sua direção. – O desafio é simples – se pronunciou antes que Merida fizesse qualquer movimento. – Arranje um namorado – falou sorrindo maliciosamente. A ruiva apertou mais o livro em sua mão, pronta para estapear o loiro.
— Como? – isso era um desafio extremamente ridículo, Mike tinha que admitir isso. Merida não podia ser obrigada a arranjar um namorado.
— Arranjar um namorado – o loiro deu de ombros, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Merida riu sarcástica.
— Ta de zoa com a minha cara, né? – perguntou apertando ainda mais o livro de biologia. – Isso não é um desafio! – exclamou chamando a atenção de alguns alunos que passavam. – Você pirou?
— Bem... Isso significa que você arregou – Mike conclui enquanto soltava um sorriso malicioso. – Então, Larry tinha razão.
— No que?
— De você ser lésbica – a garota simplesmente não comandou seu braço. O livro de biologia voou na cabeça de Mike com toda a força que Merida tinha. Porque diabos as pessoas achavam que ela era lésbica? Só porque a menina não tinha namorado?!
— Eu não sou lésbica – sussurrou pausadamente, enquanto Mike passava a mão na cabeça, onde o livro havia acertado.
— Para não conseguir arranjar um namorado – Mike deu de ombros enquanto rapidamente colocava as mãos em frente ao rosto. Merida trincou os dentes, no entanto, não bateu no garoto.
— Eu não sou lésbica – sussurrou baixo, próximo ao ouvido do mesmo. – E eu vou provar para você – falou decidida, se arrependendo logo em seguida. – Um namorado em duas semanas – e saiu batendo o pé.
Isso seria fácil. Era só pegar qualquer aluno, pagar para ele, e no final da segunda semana, ele fingiria ser namorado de Merida. Era a coisa mais fácil do mundo. A menina sorriu, no final, Mike nem era tão esperto assim.
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