Friend Or Foe?
7 The Death Is Near

Rebecca hesitou, mas assentiu. Corremos pela a mansão inteira, não encontramos Thomas. Descemos as escadas agilmente e saímos pela a porta dos fundos: Thomas estava deitado no jardim, dormindo com um copo de limonada ao lado.
— Thomas. – Rebecca falou, cutucando-o.
Nada.
— Thomas! – O chamei.
Ele continuou dormindo. Então, tive a brilhante ideia de derramar o resto da limonada em sua cara, ele acordou automaticamente.
— Ei, ei! – Ele gritou, seu semblante transparecia a irritação.
— Preciso falar com você e Rebecca.
— Preciso... Uh... Fazer as atividades que faltam.
— Não, não precisa!
Ele suspirou e fez sinal para que eu falasse.
— Não aqui, idiota. – Murmurei e caminhei para longe do local, Rebecca e Thomas me seguiram.
— Aqui tem uma sala, parecida com um sótão. – Rebecca murmurou – Não acho que alguém ainda vá lá.
Seguimos Rebecca silenciosamente.
— E Jacob? – Thomas falou, limpando sua face.
— Ele não é importante. – Respondi friamente.
Entramos em uma pequena sala velha, que ficava nos fundos da casa – Eu se quer sabia da existência daquela velha sala. Fechamos a porta e percebemos que não tinha luz. Tropecei em algumas caixas e quase caí, mas Rebecca ou Thomas me segurou.
— Encontrei uma vela. – Rebecca falou.
— É, mas precisamos de fogo. – Thomas murmurou.
— Sem problemas. – Tive a impressão de que Rebecca riu baixinho.
Em poucos segundos, a vela estava queimando.
— Como você...? – Tossi.
— Eu dei meu jeito. – Ela deu de ombros.
Eu empalideci. E se fosse mesmo Rebecca? O que Annie iria fazer com ela?
— Linds? – Rebecca chamou – Está tudo bem?
Assenti.
— Eu... Eu escutei uma conversa entre Natalie e Annie. – Gaguejei.
— Isso não parece bom. – Thomas falou.
— Elas querem mata-los. – Eu falei.
Rebecca arregalou os olhos.
— Como?!
— Annie quer o omnipotente que divide o poder com Natalie. Ela achou que era eu, mas estava errada. É um de vocês.
Eu olhei Rebecca fixamente, que desviou o olhar.
— É você? – Thomas perguntou, olhando para Rebecca.
— Não... Não exatamente. – Ela sussurrou.
A olhei curiosamente.
— Descobri que sou como elas. – Rebecca fez uma pausa – Mas não sou omnipotente! Eu posso controlar memórias e elementos. Mas só isso, nada mais!
Olhei para Thomas.
— Eu não sei nem cozinhar, quanto mais levitar coisas. – Ele murmurou, despreocupado.
Rebecca continuava desviando o olhar, como se tivesse escondendo algo, Thomas também percebeu isso.
— Precisa ser sincera. – Thomas falou.
— Eu já disse! Não sou eu! – Ela aumentou o tom de voz, logo diminuindo novamente – Não sou eu.
— Mas você sabe quem é. – Falei.
Ela continuou calada.
— Thomas? – Falei.
Ela negou.
— Jacob?
Ela ficou quieta.
— Céus... – Murmurei.
— Não é ele também. – Ela agora me encarou – Mas ele é como eu.
— Controla elementos? – Thomas perguntou.
— Controla a juventude. – Ela murmurou – Entrei em sua memória, quando... – Ela me olhou e eu entendi o que quis dizer – Fizeram algo com ele no acampamento em que foi. Voltou com dons. Ele é imortal, pode controlar sua aparência...
— Grande coisa. – Thomas murmurou.
—... E a dos outros.
— Continua sendo idiota. – Thomas revirou os olhos.
— Você não entendeu? – Falei – Ele pode fazer você ser um idoso à beira da morte.
— Talvez não tão idiota assim. – Ele estalou os dedos.
— Mas ele não sabe disso, não é? – Indaguei.
Rebecca negou.
— Ainda não.
— Contamos a ele? – Thomas perguntou.
— Não mesmo. Não sei se podemos confiar em Jacob, ele pode ajudar Annie e Natalie.
Rebecca me olhou, acho que vi um pouco de pena em seu olhar. Eu gelei. Ela sabia o que tinha acontecido que eu tinha escondido uma parte deles. “Sinto muito”, ela sibilou.
Thomas nos olhou, desconfiado.
— Certo... – Ele murmurou – Às vezes eu queria ler mentes.
Rebecca e eu soltamos uma risada.
— Vamos – Falei -, antes que nos vejam aqui.
Os puxei para fora do pequeno quarto, esbarrando-me com Samy. Ela arregalou os olhos.
— O que estavam fazendo aí? – Ela perguntou.
— Nada! – Respondemos juntos.
Ela pareceu desconfiada, mas voltou a caminhar. Rebecca soltou um suspiro, apagou a vela e trancou a sala. Saímos do local tentando não chamar muita atenção.
— Precisamos voltar à nossas atividades. – Thomas murmurou.
— Não. – Respondi – Se não o fizermos, levaremos broncas.
— Exato! – Ele cruzou os braços – O que tem de bom nisso?
— Iremos ficar de frente com Natalie e Annie.
— E elas não irão poder fazer nada. – Rebecca sorriu, percebendo o que eu queria dizer – Mas também perceberiam que não somos o que elas procuram.
— Péssima ideia. – Thomas reclamou.
— Alguma ideia melhor, gênio? – Rebecca perguntou.
— Que tal pularmos da janela? – Thomas provocou.
— Ai, não... – Murmurei, encostando-me na parede.
Sabia que eles iriam discutir por um bom tempo, mas Thomas iria ceder. Ignorei a briga e virei minha cabeça para o outro lado. Pude jurar que vem alguém passando por ali, mas quando olhei novamente, era apenas um filhote de raposa. Seus pelos eram brancos, o que eu achei estranho. Raposas-do-ártico – Ou raposas brancas – só vivem em lugares frios e definitivamente aqui não estava nevando – Nossa cidade não neva faz uns quarenta anos. Por um momento seus olhos tornaram-se dourados e eu arregalei os meus como resposta. Aproximei-me lentamente e a raposa se quer se mexeu, me encarando fixamente.
— Lindsay? – Alguém me chamou.
Olhei em direção da voz e percebi que era Jacob que me encarava curiosamente, como se eu fosse louca. Retornei a olhar em direção do animal e ele já não estava lá.
— Você está bem? – Ele perguntou.
— Cuide de sua vida. – Respondi friamente, voltando a caminhar em direção de Thomas e Rebecca, só então percebi que eu tinha gritado com ele.
Mordi meu lábio inferior e pude sentir o olhar de Jacob em mim. Mas não era um olhar irritado, e sim decepcionado. Ele realmente se preocupou comigo?
— Tudo bem! – Ouvi Thomas dizer ao me aproximar novamente – Vocês ficam me devendo uma.
— Nem vem! – Rebecca explodiu.
— Tudo bem, Thomas. – Respondi.
Rebecca me encarou com um semblante de irritação em sua face, cruzando os braços imediatamente.
— Quanto tempo não vemos o pôr-do-sol? – Falei.
— Desde que ganhei meu videogame? – Thomas perguntou.
— Ei, não exagera, Thomas. – Rebecca revirou os olhos – Sempre víamos o pôr-do-sol nos sábados, quando íamos para a casa-na-praia de meus pais. Por que a pergunta, Linds?
— Estamos de “folga”, correto? – Eu sorri.
Rebecca também sorriu, mas Thomas pareceu não entender. Nós duas caminhamos em direção do jardim, Thomas só nos acompanhou quando já estávamos lá, mas parecia ter vindo somente para não ficar sozinho.
Nos sentamos no gramado e olhamos o céu.
— Quero sair daqui. – Thomas quebrou o silêncio.
Concordamos silenciosamente que precisávamos dar um jeito de sair desse lugar, juntos.
— Como nos metemos nisso? – Rebecca falou.
— Nunca fomos normais, né? – Thomas tentou animá-la, sem sucesso — Vamos sair daqui, baixinha. Iremos acabar com aqueles idiotas e ir embora! – Ele a cutucou com o cotovelo.
Eu sabia que Thomas não acreditava nas próprias palavras, mas ele estava tentando animar Rebecca.
— É, vamos. – Ela sorriu.
Enlacei meus braços no corpo de Rebecca, abraçando-a. Ela logo retribuiu o abraço.
— Enquanto estivermos juntos, vamos ficar bem. – Sorri.
— Eu sei. – Ela concordou, me soltando.
Voltamos a olhar o céu. Já estava escurecendo, e eu sabia que alguém viria nos procurar. Só que eu vi novamente uma sombra.
— O que foi aquilo? – Thomas murmurou, olhando o mesmo local que eu.
— Eu não sei. – Respondi.
Nós três nos levantamos juntos, caminhamos lado a lado até o local, até escutarmos alguém falando.
— O que estão fazendo aqui? – Nos viramos como resposta, encontrando Daniel – Annie deseja falar com vocês.
Soltei um suspiro.
— Prontos? – Murmurei.
Eles assentiram.
— Ela não vai matar vocês. – Daniel falou como se lesse os meus pensamentos – Convenci John e Natalie a não contar a Annie que vocês sumiram a tarde toda... Mas parece que ela os viu aqui fora. Sinto muito.
— Tudo bem, Daniel. Obrigada. – Rebecca sorriu, corada.
— Venham. – Ele sorriu.
Os seguimos até a sala, Jacob, Mel e Samy estavam lá, encostados em uma parede. Jacob escondeu um sorriso maldoso ao nos ver entrar, mas eu sabia que ele estava rindo como louco por dentro. “Idiota”, sibilei para ele, ele apenas sorriu.
Recebemos um belo sermão de Annie sobre responsabilidade e que por conta disso, teríamos que trabalhar também durante a madrugada – Ao menos por duas semanas. Mas o nosso plano deu certo. Natalie usufruiu de seus poderes durante o discurso chato de Annie e ela percebeu que não era nem Rebecca nem Thomas. Como eu sei que ela fez isso? Não sei. Eu apenas senti.
Na verdade, achei que aquele dia foi o melhor desde que chegamos nessa casa idiota. Até que Natalie me pediu para ficar quando todos já tinham ido embora.
— Ahn... Oi, Natalie?
— Lembra que eu disse que iria tirar vocês daqui? – Ela sorriu.
— Sim, lembro. – Gaguejei.
— Eu sei como fazer isso! – Ela praticamente gritou enquanto batia palmas.
— V-verdade? Você não quer nos matar?
— O quê?! Não, Lindsay! De onde tirou essa ideia?
— Ahn... Não sei. – Menti.
— De qualquer forma, venha comigo. – Ela caminhou até o andar de cima, eu a segui.
Naquele momento acreditei em Natalie. Ela queria mesmo nos tirar desse lugar. Mas não de um jeito agradável.
Fale com o autor