Friend Or Foe?

4 Rules And More Rules


— Eu sou uma das últimas Omnipotentes ainda vivos – Natalie sorriu um sorriso de dar medo.
— E o que isso tem de tão importante? – Jacob suspirou um pouco mais relaxado.
— Como são lentos... – Ela falou consigo mesma – Simplificando, se eu quiser que vocês morram vocês morrem.
— Isso não é legal. – Thomas falou.
Jacob agora estava de olhos arregalados, provavelmente tentando compreender aquilo, assim como Thomas e eu.
— Mas infelizmente, eu não posso. Meus poderes agora são limitados, há quinze anos, meus poderes enfraqueceram. Annie, Daniel e John me ajudaram a descobrir o porquê, então descobrimos que depois de centenas de anos, mais um omnipotente nasceu. Só que o incrível não é isso... O incrível é que tenha sido humano. Nasceu de pessoas normais. Isso raramente acontece! Geralmente, um omnipotente tem que ser filho de outros mutantes.
— E quem é? – Rebecca perguntou curiosa.
— Eu não sei. – Natalie fixou os olhos em Rebecca, estudando-a. – Mas pretendo descobrir.
— P-por quê? – Rebecca gaguejou, se endireitando.
— Não é seguro para mutantes tão poderosos ficarem no mundo lá fora. – Natalie respondeu, depois de alguns segundos pensando.
— Eu não acho que... – Eu tentei falar, mas fui interrompida.
— Vamos às regras! – Natalie bateu palmas e quatro livros e blocos de anotações surgiram em seus palmos, ela entregou um de cada para cada um, sorridente – Ganharão mais blocos de anotações, a cada dois dias. Aí estará tudo o que vocês têm que fazer, mas prestem atenção, são blocos mágicos, podem mudar do nada.
— E os livros? – Perguntei.
— São as regras. Leiam tudo.
Maravilha! Além de ser uma empregada doméstica, terei que ler essa droga de livro maior que o livro “Harry Potter e a Ordem Da Fênix”!
— Mel! – Natalie gritou.
— S-sim? – Uma garota entrou na sala, apressada. Era a mesma de antes.
— Mostre a eles os cômodos.
A garota assentiu, encarando o solo.
— Venham comigo. – Ela falou em um tom de voz baixo.
A obedecemos, caminhamos atrás dela. Subimos as escadas, ela mandou Rebecca e eu esperar. Levou Jacob e Thomas, provavelmente aos seus quartos e voltou desacompanhada. Nós a seguimos novamente, desta vez para o lado oposto. Ela deixou Rebecca primeiro, que olhou desconfiada para mim.
— Vocês podem se ver depois... – Mel falou -... Provavelmente só irão começar a trabalhar amanhã.
— Obrigada. – Rebecca sussurrou e entrou no quarto.
— Seu quarto é este ao lado. – A garota sussurrou.
— Tudo bem, obrigada. – A olhei – Sou Lindsay.
— Sou Mel.
— É um prazer, Mel. – Forcei um sorriso e entrei no quarto. E uau! Achei que seria um quarto para empregados, mas aquele quarto era incrível!
Virei-me para falar com a garota, mas ela já não estava aqui. Fiquei surpresa pelo o fato de que eu não escutei seus passos. Fechei a porta lentamente. Minha mente ainda processava tudo:
— Tempestade.
— Mansão assombrada, não tão assombrada assim.
— Garoto (muito) bonito.
— Pessoas (ou mutantes) que não deveriam existir.
— Um livro idiota cheio de regras.
— Um quarto legal.
Ok, acho que posso lembrar disso tudo. Eu me deitei na cama, até que eu percebi uma coisa: Não tínhamos roupas. Não que eu me preocupasse com a possibilidade de ficarmos ali até a morte, os nossos pais logo perceberiam nossa ausência. Em alguns dias eles irão nos encontrar. Foi o que pensei.
Depois de uns dez minutos deitada, resolvi começar a ler. Admito que adormeci na décima terceira página. Escutei batidas na porta e me levantei ainda sonolenta. Ao abrir, Rebecca e Thomas estavam lá.
— Hum? – Indaguei, esfregando os olhos.
Eles entraram sem se quer perguntarei “podemos entrar?” ou dizer um “com licença.” Eles simplesmente invadiram. Não estaria surpresa se se tratasse apenas de Thomas, mas também se tratava de Rebecca. Fechei a porta novamente e me deitei na cama, coloquei o livro de regras na poltrona ao lado, bufei.
— Qual o problema? – Fiquei de costas, abraçando o travesseiro enquanto Rebecca se sentava na ponta da cama ao meu lado, e Thomas na poltrona que eu tinha jogado o livro chato.
— Página quarenta, parágrafo dois. – Rebecca começou como se lesse algo.
Virei-me para ela e percebi que ela estava lendo o livro chato.
— Prossiga. – Murmurei.
— “Após assinar o contrato...”
— Não assinamos nenhum contrato. – A interrompi.
— Devemos assinar após três dias de residência aqui, segundo o livro. – Thomas falou. – Isso está na página vinte e dois. Espere... Lindsay, você se recusou a ler um livro?!
— Cale a boca. – Murmurei – Continua, Becca.
— ... “Irão se tornar propriedade de seus mestres, no caso, nós. Não poderão sair do local sem a permissão de um de nós, caso tentem, morrerão eletrocutados e vossa família será assassinada. Se tiverem a permissão de saírem, vossa memória será apagada por completo”. – Ela continuou.
— Resumindo... Somos mesmo prisioneiros.
— Lindsay, essa não é a pior parte. – Rebecca me encarou, séria.
— Vamos ficar até aqui até a morte? Uau! – Revirei os olhos.
— Pior. – Thomas falou.
Eu gelei.
— Nós não iremos envelhecer. – Rebecca suspirou – Linds, o contrato diz até a morte... Mas seremos imortais. E não podemos nos suicidar, daqui a três dias, ao assinarmos o contrato, seremos frutos de magia. Não iremos envelhecer e não poderemos morrer por um jeito normal até sairmos daqui.
— Então como iremos morrer eletrocutados?
— Até sairmos daqui. – Thomas repetiu.
— Até pisarmos na calçada. – Rebecca concordou.
—... Jacob sabe disso? – Sentei-me, de frente para Rebecca, que me olhava fixamente.
Eles negaram.
— Ele não estava no quarto. – Thomas falou. – Rebecca e eu fomos lá primeiro, estava vazio.
— E se... E se ele tiver tentado?! – Entrei em pânico.
Não é que eu goste do Jacob. Eu o odeio e o quero morto. Mas não morto desta forma. Tudo bem, não o quero morto. Quero ele... Hum... Bem longe de mim.
— Temos que acha-lo. – Rebecca falou, levantando-se.
Thomas não gostou da ideia, mas foi conosco. Nos dividimos pelo o fato da casa ser enorme, fui correndo para o andar de baixo e entrei na cozinha. Se ele não estivesse lá, ao menos eu poderia comer algo. Ao entrar lá encontrei três pessoas: Outra empregada, Mel e Jacob. As duas garotas usavam roupas iguais, vestidos curtos de coloração azulada e esbranquiçada, meias-calças, tiara branca, típica de empregada e salto alto azul. Sinceramente, eu não estava disposta a usufruir daquelas roupas nem morta. Percebi que Jacob estava se divertindo, então pensei em falar com ele depois, mas a garota que eu não conhecia acabou me vendo. Ela era morena, seus cabelos eram cacheados e ia até os ombros, ela tinha um rosto angelical, mas parecia não sorrir a um bom tempo. Seu semblante era triste e cansado, fazendo com que ela parecesse um pouco mais velha. Jacob e Mel se viraram para mim assim que viram a reação surpresa da outra empregada.
— Oi, Lindsay. – Jacob falou, revirando os olhos enquanto bebia alguma coisa... Acho que chá.
— Preciso falar com você. – Falei.
— Estou ocupado.
— Não, não está. É urgente, Jacob!
— Não, valeu. – Ele voltou a beber o suposto chá.
— Parece ser um assunto sério, Jacob. – Mel falou e eu tive dificuldades para ouvir.
Ele pareceu não se importar.
— Ah, achei vocês. – Thomas chegou de surpresa, me dando um susto. – Calma, Linds. – Ele riu. – Jacob, precisamos te contar uma coisa.
— Ele não quer vir. – Falei.
— Ele não tem querer.
Jacob soltou uma risada, revirando os olhos. Mel e a desconhecida se afastaram de nós, voltando ao trabalho.
— O que vocês querem, excluídos? – Ele falou.
Thomas mostrou o livro de regras, e percebi pelo o fato de ter a letra “L” escrita na capa e algumas borboletas ao redor, que era o meu.
Jacob automaticamente levantou e veio até nós. Subimos as escadas e fomos ao quarto de Rebecca, que chegou em alguns minutos. Ela repetiu tudo para Jacob, que a cada palavra ficava mais apavorado. O que esperar de um garoto mimado?
— Eu tinha mesmo que estar no grupo de vocês?! – Ele gritou, Rebecca jogou um travesseiro na cara dele.
— Como se fosse culpa nossa... – Eu murmurei.
— Mas é! Ainda tínhamos muito tempo, mas justo hoje vocês quiseram fazer!
— Qualquer pessoa inteligente sabe que não se deve fazer um trabalho na última hora! – Eu falei. Na verdade, gritei.
Dessa vez Rebecca jogou o travesseiro em mim.
— Falem baixo! Se alguém vier reclama conosco, estamos ferrados!
Suspirei.
— Vou beber uma água. – Murmurei, saindo do quarto. Thomas me seguiu.
— Você não vai beber água.
— Não mesmo.
— Vai se trancar no quarto?
— Claro que não!
— Infelizmente te conheço desde que nasci, então, meio que não pode mentir para mim.
Por que não encontrei um melhor amigo menos curioso?
— Eu não quero ficar no mesmo lugar que aquele idiota! – Aumentei o tom de voz.
— Você não tem escolha.
— Não mesmo. – Um garoto surgiu por trás de nós. Era John.
Nos viramos para ele no mesmo instante. Por impulso, dei um salto para trás. Eu tinha esse defeito: Me assustava muito fácil. Thomas segurou uma risada enquanto John me olhava com... Nojo. Ao menos, era o que parecia.
— Não fiquem andando por aí como se essa fosse a casa de vocês. – John falou, revirando os olhos. – Devem lembrar que estão aqui por misericórdia, como servos, até o resto da vida de vocês.
O.K. Passou dos limites.
— Resto da vida?! Vocês estão fazendo um joguinho conosco, iremos servi-los para sempre!
— Linds... – Thomas murmurou, segurando meu pulso. – Entendemos, senhor. – Thomas falou sério, mas era possível ouvir o medo em sua voz.
Ele me puxou contra a minha vontade, descemos até a cozinha, as garotas ainda estavam lá, cozinhando.
— Oi. – Thomas e eu falamos ao entrar.
Ninguém respondeu.
— Precisam de ajuda? – Thomas falou. – Minha amiga precisa se distrair.
— Está lidando com isso muito bem. – Sussurrei para Thomas.
— Acredite, estou torcendo para que seja um pesadelo. – Ele respondeu sussurrando.
— Podem nos ajudar com o jantar. – A garota morena falou, entregando-nos aventais.
Thomas e eu os vestimos.
— Eu não sei cozinhar. – Thomas começou.
— Pode ir lavando o que fomos terminando de utilizar. – A garota continuou – Sou Sammy, podem me chamar de Sam.
Ela não parecia querer de verdade que a chamemos de Sam, só queria ser amigável.
— Sou Lindsay. – Comecei.
— Thomas. – Ele falou sem entusiasmo, me senti mal por ele ter que fazer isso.
O olhei e ele sorriu, sibilando algo como “você me deve essa, idiota”. Se eu estava com pena há dois segundos, agora quero que ele exploda.
Ele foi até a pia, lavando a louça acumulada. Eu fiquei com medo dele quebrar alguma coisa, mas lembrei de que ele ajuda os pais em casa.
— O que posso fazer? – Me aproximei de Mel, que cortava cebolas e tomates.
— Cuide da sobremesa. Sabe fazer algo? – Ela respondeu.
— Sim, sei. Pode ser bolo de cenoura?
Ela assentiu.
Demorei um tempo para achar o que eu precisava, a cozinha era enorme e cheia de coisas. Também demorei a lembrar da receita, já que a última vez que fiz um bolo foi no ano retrasado, no meu aniversário de treze anos. Nunca fui excelente na cozinha, mas eu sabia o básico.
Terminei o bolo em tempo recorde, e eu me surpreendi pelo o fato dele não ter queimado. Talvez tenha queimado um pouquinho, mas bem pouquinho mesmo!
Entreguei para Thomas as coisas que eu tinha utilizado e peguei a cauda de chocolate – Que eu mesma tinha feito, com algumas barras de chocolate que eu encontrei no armário. Derramei em cima do bolo e espalhei. Sorri ao ver que tinha ficado razoável. As meninas me elogiaram, mas eu sabia que elas teriam feito melhor. Thomas tentou pegar um pedaço – Não só do meu bolo, como de tudo o que as outras garotas fizeram.
Após terminar, Thomas e eu arrumamos a mesa. Faltava uma hora para o jantar.
— Que horas são? – Thomas perguntou ao entrarmos na cozinha.
Retirei o meu celular de dentro da minha jaqueta. Estava sem sinal, sem chances de ligar para alguém. Olhei o relógio, me surpreendendo pelo o fato do tempo ter passado devagar.
— 18h30min, Thomas. – Respondi, ele também se assustou.
— A tempestade faz parecer mais tarde. – Mel respondeu calmamente, e como sempre, em um tom tão baixo que tínhamos dificuldade em ouvir – Em poucos dias irão assinar o contrato, então irá parecer passar mais devagar para vocês.
— Sim, acho que eles nos dão tantas tarefas por isso. – Sammy falou, retirando o avental. – Por pena. Eles têm o que fazer, nós não. Além do trabalho, é claro.
— Quantos anos vocês tem? – Falei, enquanto também retirava o meu. Thomas e Mel fizeram o mesmo.
—... Paramos de contar. – Mel sussurrou.
— Sinto muito. – Thomas e eu falamos juntos.
— Tudo bem. – Sammy falou – Não é culpa de vocês. Agora vão tomar um banho.
— Não temos roupas. – Thomas explicou.
— Natalie sempre deixa roupas nos quartos. – Mel falou. – Ela é a melhor dos quatro. Se precisarem de algo, peçam a ela ou ao Daniel. Mas sem que John e Annie saibam. – Ela fez uma pausa. – Jantamos às 19h35min. Estejam aqui às 19h30min. É sempre bom chegarmos mais cedo.
— Jantamos junto com eles? – Me espantei.
— Daniel insistiu, ele ficou com pena pelo o fato de termos que ficar sozinhas aqui.
— Certo. Vamos, Thomas.
Subimos as escadas e nos entreolhamos.
— Talvez não seja tão ruim assim. – Ele falou.
Assenti. Não será nem um pouco divertido e eu já estava sentindo falta do pessoal, mas não será tão ruim quanto eu imaginava. Eu espero.