Frenesi

1 Capítulo único - Frenesi


Notas iniciais
E aí meu povo!!!
Tudo bom?
Eu sei que eu tenho uma fic para terminar (lê-se: esperando eu tomar coragem), mas isso aqui estava aqui do meu computador fazia algum tempo já. De início, era para o Desafio NejiHina anti-clichê da Fran-san e da Tilim-sama, mas não tive tempo de terminar (e achei bem ruinzinho para um "anti-clichê",entãão...), então ficou lá no cantinho do meu pc acumulando poeira.
Eu já o tinha terminado, mas hoje dei uma relida nele e mudei algumas coisinhas e resolvi postar.
Bem, aí está! :)
OBS: Primeira vez que escrevo algo do tipo... medo. KKKKKKKK

O silêncio chega á ser perturbante. Olhar em volta e não ver e nem ouvir nada é extremamente perturbador. E o branco cega-te, mas você não consegue parar de olhar. Pode ser um vício ou uma mania, ou até algo para ocupar a mente nebulosa que só conseguia enxergar o vazio da sala e da vida.

Viver.

Palavra que não estava em seu vocabulário desde que se mudou para aquela clínica. Por que estava ali? Nem ela sabia. Ela só sabia que tinha que tomar os remédios e dormir na hora certa. E não fugir, é claro. Era extremamente importante que ela não fugisse. Mas fugir era a única palavra que não saia de sua mente desde os cinco minutos seguintes após ela ter entrado naquele lugar.

Perturbação, 1. Ato ou efeito de perturbar. 2. Confusão, desordem, revolução. 3. Desarranjo, irregularidade. 4. Tontura. 5. Fenômeno mórbido. 6. Agitação física e psíquica produzida pela emoção.

-O-

Fugir, fugir, fugir, fugir. Ela precisava fugir dali, sumir daquele lugar e nunca mais voltar para lá. Pessoas gritando e se auto-mutilando, ensandecidas. Só conseguiam pensar em fugir. Fugir do cheiro mórbido de morte e de insanidade. Da agonia fria e cortante da solidão. Olhar para os lados e enxergar apenas o branco. Os gritos dos loucos eram milhões de vezes piores do que os dos sãos, eles – os gritos — entravam-lhe pelos ouvidos e por lá ficavam por horas vagando e vagando, ensurdecedores. Por Deus, onde estava a felicidade? E por que diabos sua família não a tirava dali? Não era louca! Não, não, não, não, não era louca! Santo Deus, por que ela estava ali?

Alguém bateu na porta de seu quarto – se é que aquilo era um quarto mesmo – e logo depois entrou sem sua permissão. Aliás, sua opinião ali não era importante. E quando é que foi? Internada contra sua vontade por seu pai. Ela não era importante, não era necessária para ninguém. Era apenas a menininha mimada que havia matado alguém e fora parar ali. A enfermeira vestida toda de branca entregou-lhe os remédios que deveria tomar e um copo d’água. Engoliu tudo mesmo sem querer, mas sendo obrigada. Obrigações são levadas muito á sério pelos Hyuuga’s. Hyuuga, Hyuuga, Hyuuga. Odeiam-te até a alma. Se salve antes que eles te achem. Família maldita, obrigações malditas, vida maldita.

Ela só queria sair dali.

Talvez ele a ajudasse, não é mesmo, priminho querido?

-O-

Estar entre os loucos não era sempre desagradável. Eles podiam ser divertidos quando ainda não tinham tomado os remédios. Mas durava pouco, logo uma enfermeira vinha com dois copos de plástico, um pequenino com os remédios, e outro maior cheio d’água e enfiava tudo goela abaixo dos internados. Hinata era uma das internadas, não que ela gostasse, é claro. Mas seu pai a obrigava á viver ali. Mas havia os momentos bons, fizera amigos que nunca fizera quando estivera fora da clínica. Havia Claire, a sua preferida, ela cantarolava músicas infantis para alegrá-la, e quando as enfermeiras não estavam olhando, mostrava-lhe o dedo do meio. Sempre fazia Hinata rir. Mas havia suas crises e disso Hinata não gostava; assustava-a a maneira como Claire gritava quando os médicos iam visita-la. Por isso ela tinha medo deles – dos médicos -, aqueles jalecos brancos e feições amigáveis não a enganava. Eles estavam ali para tortura-la e faze-la confessar coisas que nem ela sabia que tinha feito. Às vezes, eles pareciam querer ajuda-la, mas Claire a avisava que não. Claire sabia das coisas, por isso gostava dela.

Hinata quase nunca tinha visitas. Ela não se importava realmente, mas sentia falta de alguns. Ninguém em especial, além de seu primo e sua irmã. De resto, ela desejava do fundo de sua alma que todos apodrecessem no fogo do inferno. Nada pessoal é claro, eles só não haviam feito nada á ela para que ela desejasse o bem deles. Ela sabia que fugir dali havia se tornado sua prioridade, e não havia ainda partilhado com ninguém seu plano, mas ela sabia que teria que pedir ajuda á alguém, não era burra; ou louca, como todos pensavam. Ela sabia que ele a ajudaria. Só tinha que pedir com jeito.

-O-

-Hyuuga, visita. – uma das enfermeiras falou ao abrir a porta.

Hinata virou para olhar e sorriu ao ver um homem parado á porta.

- Entre, Neji.

-Olá, Hinata. Está tudo bem? – Neji perguntou cauteloso entrando no quarto. Atrás de si, a enfermeira fechou a porta e os deixou á sós.

-Por enquanto não, mas logo ficará. Sente-se aqui. – Hinata disse e deu palmadinhas ao seu lado na cama.

- Hm, claro. – Neji disse ainda de forma cautelosa e sentou-se ao lado dela, mas á uma distância considerável.

– Então, o que o trás aqui? – dobrou o joelho e sentou em cima da perna esquerda.

- Nada especificamente, apenas vim ver como está. – Respondeu Neji, olhando ao redor no quarto de Hinata. Tudo ali era impessoal. Alguns móveis aqui e ali, todos brancos. Nada que marcasse a presença da prima. Nada que deixasse provas que um dia ela estivera ali. Só branco e branco. Olhou novamente para Hinata. – Por que não está bem, Hina? Estão te tratando mal?

- Shii – Hinata colocou o dedo indicador nos lábios macios do primo, mas logo substituiu seu dedo por seus lábios.

Ele achou que ela tinha um gosto agridoce. Algo parecido com carambola. Seu sabor, apesar de viciante era enjoativo. Mas ele não se cansava dela, amava-a. O cheiro dela o lembrava de rosas recém-colhidas.

Suave.

Fechava os olhos e imaginava-se em um sonho, em que ele flutuava nas nuvens ao recordar-se do beijo dela.

E agora ele estava ali novamente o sentindo. Parecia melhor. Talvez fosse o entorpecido da saudade ao ser suprida. Talvez fosse o amor agindo sobre seus hormônios. Ou talvez fosse só ela, fazendo-o derreter.

- Neji... Me tire daqui. Eu não aguento mais ficar aqui. – Hinata falou pausadamente enquanto distribuía beijos pelo pescoço e maxilar do ex-namorado.

- Hina. – Neji sussurrou e agarrou a cintura da ex a puxando mais para si. Colou seus lábios nos dela beijando-a com paixão.

- O –

Batidas incessantes na janela acordaram Hinata. Ela correu apressada e encontrou Neji com um olhar atento. Abriu a janela, mas a grade de proteção ainda impedia um contato mais intimo. Neji tirou de sua mochila um alicate e começou a torcer a grade, tentando fazer um grande buraco no meio para que Hinata passasse por ele. Ajudou-a atravessar pela grade cortada, e saíram correndo. Eles passaram rapidamente por um largo campo, cheio de bancos e flores por toda a parte, e chegaram á cerca enorme que circundava todo o campo. Passaram por baixo da cerca, por um buraco que Neji cavou para poder entrar e saírem em segurança.

Correram pela rua inabitada como se suas vidas fossem esvair-se de seus corpos. A corrida durou cerca de vinte minutos, até Neji empurrá-la para um beco e entrarem em uma casa com aparência de abandonada.

Por ali ficaram por alguns dias enlouquecedores para Neji. Hinata era completamente insana. Ele descobriu porque ela fora para aquele sanatório. Ela havia matado a namorada de seu namorado. Sim, a namorada de seu namorado e não era ela. A verdade é que o garoto estava enganando as duas, e para acabar com isso, ela foi lá e matou a outra namorada dele. Foi considerada louca – com uma ajuda de seu pai, se não iria para a cadeia – e estava ali desde que se lembrava.

O rapaz estava totalmente arrependido de ter ajudado ela a fugir, e Hinata estava desconfiando que ele fosse entrega-la para seu pai. Por isso teria que tomar uma decisão e agir rapidamente.

Iria matá-lo.

-O-

Neji estava assistindo a algum filme qualquer, não ouvia barulho algum além dos tiros da TV. Hinata estava na cozinha cortando carne. A mesma parou e olhou para a faca que estava em sua mão e pensou que este seria um bom modo. Sorriu sozinha e colocou a carne no fogo para cozinhar. Seguiu para a sala com a faca na mão e, silenciosamente chegou por trás de Neji. Em um movimento rápido a faca passou pela garganta do rapaz e cortou a jugular; o sangue jorrou para todos os lados, marcando nas paredes velhas o assassinato cruel que acontecera ali. O mesmo nem vira ou sentira algo, morrera na hora.

-O-

O policial arrombou a porta com um chute e a patrulha junto a ele seguiu atrás. Encontraram o garoto morto no sofá e a TV ligada. Sentiram um cheiro de queimado e quando foram à cozinha, encontraram a carne totalmente torrada e prestes a pegar fogo. Desligaram o fogão e seguiram para o segundo andar. Verificaram quarto por quarto, até chegarem a um banheiro. A porta estava aberta, e dentro, estava Hinata tomando banho em uma banheira cheia de espuma, escorregando a faca pelo seu corpo, nos braços, barriga e pernas. A moça percebeu a movimentação, olhou para a porta e viu todos os homens parados, com armas apontadas para si. Sorriu e levou a faca até a testa, realizando com a mesma um sinal de continência. E então, com um sutil movimento, preparou-se e lançou a arma contra um dos policiais, diretamente no coração. O homem olhou assustado para baixo e viu a faca alojada em peito, sem mais conseguir manter-se em pé, a última coisa que ouviu foi o barulho de um tiro. Os joelhos bateram contra o chão, logo em seguida sendo seguido por todo seu corpo.

O tiro, direcionada á garota que ria maleficamente na banheira, acertou-a na cabeça. E como seu amante, ela morreu na hora.

Frenesi, 1. delírio violento provocado por afecção cerebral aguda. 2. Estado de exaltação violenta que põe o indivíduo fora de si; desvario. 3. Exaltação, arrebatamento de sentimentos.

Notas finais
Opiniões sinceras em reviews, pode ser? KKKK
Beijos e obrigada por lerem! :*
Desculpe se houver erros.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!