Freeze You Out
2 My heart is melting
E pela primeira vez, Melanie matou as últimas três aulas daquele dia para ir atrás do único objeto que poderia arruinar todo o final do seu ensino médio. Determinada a encontrar Alec a todo custo, a ruiva jogou a mochila por cima do ombro e atravessou os portões em direção a rua, fazendo quase que um caminho automático até a rua onde Alec morava. Dificilmente alguém daquela escola não sabia onde o misterioso Alec Volturi se escondia, não apenas pela quantidade absurda de festas que ele dava, como também pela exuberante residência que a família dele possuía. Não chegava a ser uma mansão, mas era grande e bonita o bastante para que se destacasse entre as demais casas daquela região. Parou em frente ao portão, apertando incansavelmente a campainha até que alguém lhe atendesse. A empregada — uma moça baixinha e magra que aparentava ter uns quarenta anos — a recebeu com uma carranca mal humorada.
— Ahn, ele disse que você viria — ela murmurou, dando espaço para que a garota passasse pelos portões de ferro. Melanie arqueou a sobrancelha, um pouco confusa sobre o que a mulher queria dizer com aquilo, mas não tinha tempo. Apressada, ela seguiu pelo caminho desconhecido daquela casa, mas não foi difícil encontrar o quarto que procurava.
A música alta ecoava pelos arredores, e a porta fechada não a intimidou, muito menos o aviso de “não perturbe” colado na madeira cara. Ela apertou a alça da mochila contra o ombro, e com a mão livre bateu na porta, quase esmurrando-a para ter uma chance de ser ouvida. A porta se abriu, revelando um Alec sem camisa e com o cabelo totalmente despenteado. Melanie mordeu o lábio inferior, evitando reparar nos detalhes do corpo do garoto, que agora ostentava seu melhor sorriso zombeteiro e provocador. Ela o odiava cada vez mais por causa disso.
— Você demorou — o garoto deu de ombros, se virou e voltou a se sentar na mesa do computador, onde passava algumas fotos que haviam sido tiradas pela câmera de Melanie. Nem mesmo parecia se preocupar com a presença da garota ali, muito embora ela tivesse certeza que ele achava a situação divertida, por ser totalmente embaraçosa para a garota.
Melanie deixou que a mochila escorregasse por seu ombro, derrubando-a ao seu lado. Seguiu em passos lentos para perto do garoto, e só quando se aproximou, percebeu que ele carregava um sorriso satisfeito nos lábios. Olhou para ele confusa, como se procurasse algum tipo de resposta. Ela ainda esperava que as piadas viessem, mas isso nunca aconteceu.
— Que você tirava fotos minhas eu sabia, só não imaginava que fossem tão boas — ele falou após alguns segundos de silêncio. No auto-falante, uma música qualquer do Artic Monkeys começou a tocar.
Se virando para Melanie, Alec se levantou da cadeira, encarando-a da mesma forma como fazia com pelo menos metade das meninas da escola. Muito embora seu olhar fizesse com que ela derretesse, a menina não podia evitar se sentir um pouco raivosa ao ser tratada como qualquer uma. Melanie nunca se deixaria ser qualquer uma. Pensando dessa forma, ela respirou fundo, cruzando os braços e se erguendo mais um pouco, como se pudesse chegar a mesma altura que ele depois de algum esforço. Ele achou graça, e ela bufou, revirando os olhos e se perguntando pela milésima vez como ele conseguia a irritar tanto.
— Agora que você já viu as fotos, pode devolver a minha câmera? Eu preciso voltar a aula.
— Você não vai voltar para a aula Melanie — ele respondeu, assumindo uma postura que até a assustaria, caso não estivesse tão afetada com toda a situação.
Se continuasse daquele jeito, a ruiva ficaria completamente maluca. Desviando o olhar, Melanie esboçou a melhor cara de desinteresse que poderia fingir, mesmo que o garoto desacreditasse de seu descaso.
— Olha pra mim — Alec sussurrou em seu ouvido, e apenas nesse momento ela percebeu o quanto ele estava tão perto. Um pouco relutante, ela voltou seu olhar para o garoto, que estendeu a mão em direção ao seu rosto, guiando-o pelo seu corpo, de forma que ela tivesse uma boa visão de tudo que estava a frente dela.
Melanie engoliu a seco, completamente confusa com toda aquela situação. Se perguntava o que ele queria com ela, já que ela não parecia ser, aparentemente, o tipo de garota com quem ele saía. Não que Melanie não fosse bonita ou popular, embora discordasse um pouco, devia admitir que o corpo coberto por sardas era de fato atraente, e os cabelos ruivos que caíam como uma cascata por seus ombros lhe davam uma aparência quase mística. Ela parecia uma elfa, e o garoto era conhecido por sair com o que eles chamavam de barbies.
Alec deu um passo para frente, fazendo com que Melanie instintivamente desse um para trás, e assim continuou até que suas pernas batessem contra a cama, e Alec precisou de apenas um empurrão para derruba-la sobre as cobertas desarrumadas. Olhando-o de baixo, podia perceber o quanto todo aquele corpo lhe chamava atenção, e o quanto se sentia curiosa para saber o que ele tinha em mente. Ele estendeu a mão para o seu rosto, fazendo o caminho das sardas por sua bochecha até seu pescoço, parando na clavícula. Malenie sentiu seu corpo se arrepiar, assim como a respiração acelerou e ela reprimiu o gemido que quase escapava por seus lábios. Alec se inclinou para cima dela, passando as mãos pela sua cintura e enfiando-as por dentro da blusa que ela vestia.
— Quer que eu tire Melanie? — O garoto perguntou, deixando que seus dedos percorressem a curvatura de sua cintura. Ela fechou os olhos, respirando fundo, entretanto não saía som algum de sua boca.
Ele sorriu, segurando a barra da blusa e levantando-a, enquanto a passava pela cabeça da garota. Os fios ruivos caíram sobre os seios expostos, cobertos por um sutiã preto. Quase se fundiram com as sardas que eram cada vez mais presentes em seus ombros e busto. Ela o ouviu suspirar, ao mesmo tempo em que percorria os olhos por todo o corpo da garota. Seus lábios tocaram o seu pescoço, e dessa vez Melanie não reprimiu o gemido que escapou por seus lábios. Alec beijou seu pescoço, depositando por ali algumas mordidas. Ele precisou que ela soltasse mais um gemido para que tomasse uma postura mais agressiva. Os beijos se transformaram em chupões, e as mordidas passaram a deixar algumas marcas. Em poucos segundos, já havia um caminho arroxeado por todo o seu pescoço, ombro e clavícula.
— Alec, o que você… — Ela começou, mas foi calada pelos lábios que tocaram os seus, dando início a um beijo calmo. Ele mordiscou seus lábios, e ela sabia que não teria forças para dizer mais nada dali para frente.
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