Frees Me
2 A Casa Monstro
Notas iniciais
Com a testa encostada na janela fria do carro, meu olhar estava fixo nos quilômetros e mais quilômetros de mato. O lugar é tão remoto e afastado que estava pensando se não seria o fim do mundo.
Ao chegarmos em uma casa cinza com os pedaços que ainda lhe restavam caindo, foquei o olhar em meu celular para ver as horas e já não havia sinal nele. Em seguida fomos ver a casa por dentro e fiquei imaginando como iria dormir a noite sem saber se teria um fantasma naquela casa estranha e resmunguei:
–Eu não acredito que vocês me fizeram sair da minha vida em Nova York pra vir na casa monstro dessa cidade ridícula!!!-Falei quase gritando com um pouco de ironia no final.
–Eu sou sua mãe, portanto me respeite e tente ficar feliz pelo menos uma vez!-falou minha mãe quase voando em meu pescoço.
–Como? Se você trouxe a gente pro fim do mundo...-depois do meu comentário, meu pai me critica como sempre.
– Katy você só sabe reclamar, tenho certeza que depois de passear aqui na cidade vai mudar de ideia — Disse meu pai dessa vez bem calmo.
Depois do palpite dele entramos no carro e lá fomos nós na cidade. Havia uma pequena cidade perto da nossa nova casa "velha" . Já estava certa que odiaria a cidade, mas mudei de ideia alguns segundos depois de ver um menino lindo que se admirava no espelho de uma moto na qual estava sentado. Era um menino lindo de cabelos pretos e olhos castanhos.
Naquele momento pensei em sair do carro correndo atrás dele, enquanto o olhava se admirando meu pai chamou minha atenção gritando meu nome. Enquanto ele falava comigo, estacionou o carro no amplo estacionamento do mercado e entramos. Entramos no mercado e meu pai me pediu para pegar um sorvete para me alegrar. Indo até o freezer, abri a porta e sem querer bati em algo, e quando olhei era o mesmo menino que se olhava na moto. Arregalei os olhos e falei.
–Ah meu Deus desculpe, você está bem, estraguei sua beleza? – Logo me corrigi. — Você se machucou?
Ele olhou para mim e deu um sorriso sedutor.
–Está tudo bem, menos pelo fato de você ter me acertado com a porta do freezer.- Levantou e estendeu a mão para me cumprimentar e disse.
–Meu nome é Ian, estudo no Broken Arrow College e você?
–Acabei de me mudar para cá, meu nome é Katherine. – E logo pensei, este é o colégio em que vou estudar.
Passamos alguns segundos olhando um para o outro até que ele disse.
–Não ia pegar um sorvete antes de me acertar?
Fiquei vermelha na hora e disse.
–Ah... Sim... – Abri a porta do freezer e peguei o sorvete rapidamente.
–Onde você vai estudar? – Perguntou ele dando aquele sorrisinho de novo.
–Não sei ainda... – Já ate tinha memorizado o nome do colégio dele.
Rapidamente ele disse.
–Me passe seu numero! A gente vai conversando no Whats...
Eu sorri nervosamente. Aposto que ainda estava vermelha.
–Ah... Tudo bem...
Ele pegou o celular e antes que eu me arrependesse, dei logo meu número.
–Então... Katherine... Te vejo por ai! – Ele sorriu e deu um tchauzinho com a mão.
Depois fui encontrar meu pai no caixa com o meu sorvete preferido, menta com chocolate. No carro, voltei a admirar o mato pela janela do carro, mas ainda pensava no garoto lindo que mais cedo pediu meu numero, mas naquele momento lembrei que voltaria a casa assustadora.
Eu estava feliz por ter conversado com Ian, ele me pareceu um cara legal(e lindo pra variar) e eu estava ansiosa para ver ele novamente.
–Katy-chamou minha mãe.
Assim que entrei e me sentei no sofá. A casa era assustadoramente horrível tanto por dentro quanto por fora. As paredes tinham uma cor estranha, beirando o acinzentado que já até desbotara.
–Quantos séculos esse troço tem?-Perguntei ironicamente.
–Katy...não comece.- Disse minha mãe brava como sempre.
–É serio, por que não podemos morar na cidade como uma pessoa normal?-Perguntei realmente querendo uma resposta.
–Katy, você tem que entender é um terreno grande é bom pra nós e...
– Pra vocês como sempre eu nunca tenho escolha e nem liberdade!!! -Falei gritando e cortando a frase do meu pai
–Chega Katherine.. eu e sua mãe vamos na cidade resolver algumas coisas do trabalho e da casa.- Falou meu pai calmamente.
–Como? Vão me deixar na casa monstro sozinha? — Falei assustada.
–Não exagere. Voltamos em 2 horas — Disse meu pai.
Depois da discussão com meu pai, eles saíram pela porta da frente e eu me encolhi no sofá.Já eram 5 da tarde o que significava que dali algumas horas já iria escurecer oque me deixou mais desesperada.
Pensei em varias coisas que podiam me acontecer se eu ficasse ali sozinha. Ouvi um toque e imediatamente dei um pulo do sofá e peguei o celular e dei um sorriso, pois Ian estava me ligando. Demorei um pouco pra atender ,mas finalmente apertei o verde e falei.
–Oi Ian.
–Oi e ai oque vai fazer hoje?
–Ah nada, porque oque você estava pensando em fazer?
–Que tal uma pizza?
–Seria ótimo... onde?
–Na Pizzaria do Oliver, a melhor da cidade!
–Vou adorar, a que horas? — Na hora que perguntei virei a cabeça para a parede que havia um relógio que era tão velho que me assustei ao ver os ponteiros se mexendo e ele marcava 5:17 .
–Que tal as 6 horas? — Disse ele animado.
Por dentro eu estava muito feliz mais acabara de lembra que não tenho carona.E na hora falei
–Ian...Eu não tenho como ir, será que você poderia me buscar? — Falei com vergonha.
–Claro, onde você mora?
–Em uma casa grande e cinza, perto da entrada da cidade!
–Ok, já estou indo.
–Tudo bem... Obrigada!
–Tchau!
Após desligar o telefone corri para me arrumar e trocar de roupa. Pus uma blusa vermelha de gola e manga comprida que chegava até o meio das coxas, uma calça jeans bem colada em um tom escuro e um Sneaker preto. Não passeii muita maquiagem, somente um rímel e um gloss na cor pêssego. Quando terminei, desci e olhei novamente para o relógio na parede e ele marcava 17:58. bom sentei novamente no sofá e esperei.
Não demorou muito e ouvi uma buzina de moto, sai desesperadamente até a porta e vi aquele menino lindo descendo da moto e fui ao encontro dele, e quando cheguei perto para cumprimentar veio aquele cheiro de perfume maravilhoso e ele disse.
–E ai vamos lá? — Ele olhou dando aquele sorriso.
–Claro...nossa você é cheiroso-Nem acredito que disse aquilo, ele deu um sorriso e disse.
–Você também!! — Ele pos o capacete, subiu na moto e me entregou um outro capacete.
Coloquei o capacete e subi na moto desajeitadamente e o agarrei no estilo aperta ursinho, e partimos para a pizzaria.
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