Freedom Planet: Faith & Shock

59 Estórias do deserto - Parte 4: Aliaitihad walqiada


Notas iniciais
Olá, leitores. Como estão? Sinto muito pela demora por um capítulo novo. Esse ano está um pouco puxado e estou tendo pouco tempo pra escrever. Mas eu não vou me alongar. Entretanto devo avisar que esse é parte do capítulo final dessa saga. O próximo já está sendo escrito. Então, boa leitura e divirtam-se!

O final do exame foi bastante conturbado no que diz respeito a plateia. Todos se mantiveram em silêncio enquanto deixavam a Magnanimous Arena, deixando em evidência sua fé nas Flames of Persania. Aliás, muita saíram de lá exaltando as outras chamas de Persania. As tais Chamas Vermelhas da Kyubiko viraram motivo de conversa durante o esvaziamento do complexo da Academia Persania.

Rapidamente, Cid e Gio foram levados a um hospital. Não estavam feridos gravemente, mas uma ou duas noites de observação com certeza foram recomendadas. O mesmo podia ser dito para Mu e Tahn, que também estavam machucados. Mas talvez os dois tivessem feridas maiores em suas consciências do que fisicamente. Vitoriosos, esse sentimento não era aproveitado, tendo em vista que nenhum dos dois se sentiram satisfeitos em terem lutado daquela forma, mesmo que não houvesse outra saída. Enfim, foram levados para o vestiário B do grêmio.

Aproveitando a comoção de seus fiéis, o Alto Sacerdote do culto Wings of Salvation from the Flames of Persania, Dimintro Al’ma, se encaminhou diretamente para o vestiário da dupla vencedora.

Magnanimous Arena | Vestiário B

Sentados um de frente para o outro, os dois fenecos estavam medicados mas, como informado a pouco, os danos foram piores.

— Mu...

— Tahn...

— A gente quebrou eles...

— Sim...

— O que você acha que vai acontecer com a gente?

— Coisa boa não parece...

— A gente lutou com tudo...

— É mais um pouco...

— Porque está falando assim, só completando o que eu digo? Eu estou mesmo preocupada!

— E eu não? Olha, escuta... Aquela gente calou a boca.

— Eu sei... Pareciam fanáticos.

— Pareciam não. Eram fanáticos!

— O que quer dizer com isso?

— Me diga uma coisa: como era sua relação com minha irmã na Dance Academy?

— Hã?! Porque quer falar disso logo agora?

— Só me diz. Vai... Diz.

— Tá... Ela e eu vivíamos discutindo.

— Deixa eu adivinhar: você era contra o “tradicionalismo” e minha irmã a favor.

— Isso mesmo! Eu não tenho nada contra o que sua irmã via como objetivo se tornar uma dançarina. Minha mãe é uma e com muito orgulho e eu iria seguir esse caminho... Só que eu não conseguia controlar direito minhas chamas vermelhas durante a dança.

— O que tem isso?

— Chamas vermelhas brilham mais, chamam atenção... Adivinha quem não gostou de ser ofuscada?

— Ah já entendi... Ayane. Bem o jeito dela...

— Isso mesmo. Então ela me desafiou pra duelar lá mesmo. Ela estava perdendo e, pra eu não fazer nada errado, decidi desistir da luta. Entreguei pra ela a vitória pra evitar o pior.

— E a Academia Persania te acolheu.

— Não exatamente.

— Como assim?

— Meu pai ficou sabendo disso e foi pessoalmente até o Gran Rajah para pedir que eu pudesse entrar na academia. Tive que mostrar minhas chamas...

— O Gran Rajah viu você manifestar... Você disse isso tempos atrás.

— Sim. Mas nem só isso foi o suficiente.

— O que quer dizer?

— Por eu ser uma Panthoora já me foi dado uma oportunidade de ser ouvida. Caso contrário, seria relegada a seguir na Dance Academy. Mas...

— Mas o que?

— Só garotas da minha família manifestam essas chamas, você sabe. E na Academia Persania não havia garotas... Tradicionalmente, não me aceitariam. Gran Rajah exigiu que eu entrasse por ser o que sou...

— Isso quer dizer que...

— É... Isso... Sou uma privilegiada. Eu só estou aqui na Academia Persania por ser diferente das outras.

— Isso é idiotice. Eu te conheço... Você é como qualquer garota daqui de Persania. Talvez a mais forte e boa de luta entre todas, mas eu não te vejo diferente...

— Sim. Mas você só sabe disso porque me conhece. Você viu aquelas pessoas lá torcendo contra a gente... Tenho quase certeza que agora elas me conhecem e vão me tratar diferente a partir de agora... Ou seja, por eu ser privilegiada, agora vão me tratar bem... e eu não suporto isso!

— Tahn...

— Eles não te conhecem como eu te conheço, Mu... e te chamaram de Maleun. Percebeu a diferença? Privilégios... Minha mãe disse que “você já nasceu com uma responsabilidade”. Posso fazer o esforço que for, tentar ser outra pessoa, mas o máximo que eu posso ser não é ser outro alguém e sim alguém melhor!

— Tudo isso é... complicado...

— Sim... É.

Novamente veio o silêncio, quebrado em seguida:

— Eu acabei de perder meus amigos de infância... Nada vai ser como antes.

— Mu, não havia outro jeito...

— É, não havia... Mas isso não tira o fato de que a gente fez algo muito ruim...

— Hm... Eu sinto muito por isso também... E concordo com você.

— Tá tudo dando errado, Tahn. Eu não imaginei nada disso pra minha vida como postulante. Nunca desejei fazer mal a ninguém...

— Nós não temos culpa!

— Depende do ponto de vista...

— Mu... Não fala assim.

E, surpreendendo os dois, a porta se abriu, onde surgiu o felino sacerdote.

— Tahniiswara Al’Halawi Panthoora... Finalmente nos encontramos.

Os dois se levantavam, mas o sacerdote só tinha olhos para a feneco, ignorando que Mu estava ali. Ela, respeitando a autoridade religiosa, logo usou de sua etiqueta como dama que era, muito bem educada por sua mãe.

— Senhor sacerdote Dimintro Al’ma ... – Ela o reverenciou, curvando sua cabeça para trás.

— Ora... Uma pequena dama. Aprecio sua educação.

— Em que posso servi-lo?

— Devo dizer que fiquei comovido por suas belas e poderosas chamas vermelhas. Por isso tive a incumbência de vir pessoalmente lhe parabenizar por sua vitória acachapante.

— Ah... Eu agradeço pelo elogio, mas retiraria o título “acachapante”, senhor.

— Haha! Nobre jovem feneco... Você detém as chamas da Kyubiko. Pode exigir sua grandeza como representante de sua família.

— Eu prefiro ser o que sou, com o devido respeito, senhor sacerdote.

— Modéstia. Uma qualidade esperada de uma raposa feneco superior como você.

— Hã?! Como assim?

— Estou aqui para levá-la para um lugar onde suas chamas reluzentes e lindas merecem estar. Senhorita Panthoora, eu, Alto Sacerdote Dimintro Al’ma, representante mor da tão respeitada e aclamada Wings of Salvation from the Flames of Persania, estou lhe oferecendo o trono supremo das chamas de Persania. A Kyubiko deve ser apresentada como a santa entidade de nosso tão amado reino! Vejo um futuro cheio de dádivas e esplend...

— Me recuso! – Tahn o interrompeu sem temor algum.

— O que quer dizer com isso?

— Agradeço pela consideração, mas eu recusarei sua oferta.

— Poderia saber o porquê, nobre dama?

— Desculpa... Olha, o senhor por acaso viu o pesadelo que acabamos de passar?

— Mas você se saiu muito bem, como uma postulante orgulhosa de ter as chamas vermelhas da Kyubiko!

— Senhor, nós quase morremos...

— Nada que suas chamas não pudessem fazer...

— Cid e Gio se machucaram!

— Um pequeno evento traumático não deve tirar o brilho de suas chamas vermelhas, nobre dama.

A insistência de Dimintro tirou a paciência de Mu:

— CARA, PARA COM ISSO!

— Huh?! – O sacerdote olhou para o feneco – Maleun... Você não tem o direito de dirigir a palavra perante a mim.

— Ah legal... Um sacerdote está chamando um postulante de Maleun. Haha... Isso chega a ser engraçado.

— Do que está rindo, Maleun?

— Pode tentar me ignorar, eu já reparei, mas nada tem o que fazer pra esconder o que eu fiz lá na Arena! Eu lutei, fiz o melhor que poderia fazer, usei as chamas vermelhas da Kyubiko... IGNORE ISSO, SEU... – Mu quase o ofendeu, com Tahn evitando.

A jovem tapou a boca do seu amigo, impedindo que cometesse um crime. Olhando para Dimintro, ela disse:

— Já conversamos, senhor sacerdote Dimintro Al’ma. Essa é minha última palavra. Eu não quero e não vou fazer parte desse seu culto.

— Hm... Gostaria de saber o verdadeiro motivo, nobre dama.

— Ok, irei dizer: seu culto falso, seus fiéis preconceituosos e, principalmente, você! Esses são os motivos, senhor sacerdote.

O sacerdote, sereno e sempre sorridente, com exceção de quando falou com Mu, desta vez expôs sua opinião.

— Nobre dama, sua recusa me entristece profundamente. Esperava mais empatia para com os fiéis que prestigiaram esse magnífico espetáculo que você proporcionou a todos com suas chamas vermelhas.

— Hm... Sinto muito. Minha decisão é final, assunto encerrado.

— Eu entendo, nobre dama... Eu entendo...

Dinintro deu sinais de que não gostou do que ouviu, mas isso passou despercebido pelos jovens. Mas antes que saísse, Mu o interpelou:

— Aí, “senhor sacerdote”...

— Huh?! O que quer, Maleun?

— Sabe que chamar alguém de Maleun após a pessoa usar as Flames of Persania é um crime contra a tradição do reino?

Dinintro voltou sua atenções para o feneco, dizendo:

— Hm... Acho que alguém acaba de me mostrar que cometi um crime. Muito bem... Peço as minhas humildes e sinceras desculpas a você, Musrie Al’jazii Matsuzawa... Não devo sujar as Flames of Persania.

— Sujar chamas... Nem isso o “senhor sacerdote” seria capaz.

A piada desmoralizante de Mu quase trouxe uma resposta, mas inocente como era naquele momento, ele foi cortês em seguida:

— Mas tudo bem... Eu aceito as desculpas. E me desculpe por qualquer coisa, senhor.

O sacerdote então começou a caminhar em direção a mesma porta por onde entrou e fez uso, saindo da sala. No lado de fora lá estava o ministro Aldiiz, que logo perguntou:

— Teve sucesso, Alto Sacerdote Dimintro?

— Não... A fedelha me desafiou na frente do Maleun asqueroso.

— O que faremos a partir de agora?

— Caro ministro... Vou lhe colocar a par do que está acontecendo: meus fiéis estão com dúvidas. Eles saíram daqui crendo que a Kyubiko tem um poder estrondoso e que as Flames of Persania não são a única dádiva válida para nossa soberania como fenecos detentores das tão idolatradas chamas.

— Por causa dessa luta, presumo.

— Precisamente...

— Sinto muitíssimo por esse ocorrido. Eu mesmo deveria ter entrado e exigido isso dessa fedelha...

— Não... Mantenha assim. Não há o que fazemos. A Flames of Persania são maiores que uma simples raposa feneco da família Panthoora.

— Está certo disso? Suas chamas vermelhas pareciam espetaculares...

— E são. Mas mesmo que tenha sido inconveniente, a fedelha Kyubiko tem seu valor. Deixe-a. As Flames of Persania que merecem proteção... e preocupação. Assunto consumado, caro ministro Aldiiz.

— Eu concordo, nobre sacerdote Dimintro Al’ma...

Manobras por detrás dos panos foram feitas, mas nenhuma efetiva. Mu e Tahn trouxeram comoção aos fiéis, era fato. Com isso a pressão sobre a diretora da Academia Persania precisou agir rápido e salvar o pouco de credibilidade que a instituição tinha como maior jóia. Por causa disso regras foram obrigados pelo diretor a declararem os dois dignos de prosseguir como postulantes.

Mas o nível foi ainda acima.

Semanas depois veio a proclamação do resultado dos exames durante o ano letivo: Cid e Gio foram levantados ao objetivo principal. Se tornaram Persan. A classe S enfim foi alcançada pelos dois “melhores” postulantes...

... assim como Mu e Tahn.

.

Sim. Eles também se tornaram Persan.

O tempo passou e eles treinaram ainda mais duro.

Embora ainda recebessem tratamento preconceituoso, os dois agora eram respeitados pelos superiores chamados de Persan S. Uma classe de instrutores que estavam na ativa ao mesmo tempo que lecionavam.

O objetivo agora era de treinarem os novos Persans a missões pelo reino de Persania e até aos demais. Desde proteção pelo deserto a até missões de reconhecimento, como proteger as fronteiras de Great Desert. Claro, esse era um dever com alto grau de exigência e treinamento intensivo era necessário.

Por causa da apresentação do último ano no exame Qabul Birasan, foi exigido que Mu e Tahn se mantivessem juntos, tendo em vista o desempenho dos dois fenecos quando lutaram juntos. Fora que era de conhecimento geral de que Mu era o escolhido por Tahn para controlar suas chamadas doadas.

A celebração foi rápida, sem muitos detalhes consideráveis. O único ponto que chamou atenção foi o fato de Mu ter recebido o título pelo seu pai e não pelos Dukes que fizeram as honras aos demais postulantes.

Aliás, Cid, Gio, Mu e Tahn agora eram Persans.

Seis meses depois...

Areias de Great Desert

As escaldantes areias do grande deserto. Infindáveis dunas, formadas pelos ventos que traziam consigo estórias muitas.

A região que iremos conhecer agora guardava um lugar chamado:

Zona neutra | Tarde

A zona de neutralidade de todo Great Desert. A edificação rasteira no meio do deserto, exatamente no marco zero que unia a fronteira dos quatro reinos, não parecia tão reluzente como os demais prédios.

Entretanto, o edifício era muito maior por dentro, por um simples detalhe: a magnitude dos engenheiros de Great Desert possibilitou que construíssem para o subsolo das areias. Ou seja, a grandeza do lugar foi feita para baixo.

Mas do que se tratava construírem um edifício subterrâneo no meio do deserto? Simples: cooperação.

As defesas de Great Desert eram um aspecto muito valorizado por Gran Rajah. Por isso, o investimento foi massivo e o monarca decidiu unir tudo que os quatro reinos tinham de melhor. Numa ação conjunta, houve cooperação de inteligência de todas as nações do deserto, possibilitando na estrutura construída.

Lá eram encontrados principalmente salões de fóruns e, o mais importante, uma zona gigantesca de acolhimento. Em outras palavras, o lugar também poderia servir de abrigo para uma eventual catástrofe ou ataques para com as demais nações.

Todavia, Persania era a responsável pela segurança da Zona Neutra, onde Dukes e Persans cuidavam do lugar com suas vidas.

Como dito no parágrafo acima, Persans eram disponibilizados sob um regime de rodízio, a fim de aumentar a confiabilidade entre as nações. Semanalmente um grupo era destacado a incumbência desse procedimento. E justamente isso foi designado a:

— Persans Musrie e Tahniiswara... Apresente-se.

Os dois agora vestiam uniformes diferentes. Se antes o azul predominava, agora a cor vermelha se destacava. Os objetivos de Mu e Tahn foram alcançados. Orgulhosos, os dois foram prontamente a frente, a fim de receberem instruções.

— Persans... Sua missão hoje será proteger o Internal Hall. Todo o sub sétimo andar será de suas responsabilidades. Façam rondas sistematicamente, sem rodeios e não percam o foco.

— Entendido! – Disse os dois ao mesmo tempo.

— Persans Cidal e Giomeh... Apresente-se.

Como esperado, os dois foram a frente, com o encarregado dizendo:

— Vocês farão a proteção da ala norte do sub sétimo andar. Ajudarão os Persans Musrie e Tahniiswara nessa missão.

Nem é preciso dizer que isso trouxe um descontentamento imediato.

— Senhor Persan S, senhor...

— O que foi, Persan Cidal?

— Peço que reconsidere dessa decisão.

— Ah sei... Persan Cidal, serei curto e grosso: VOCÊ É UM PERSAN AGORA! Assuntos pessoais e, principalmente, acadêmicos DEVEM SER DEIXADOS PARA O PASSADO! O presente momento diz que VOCÊS TODOS SÃO A PROTEÇÃO DE GREAT DESERT! Você vai querer mesmo continuar com sua objeção ou estamos conversados, Persan Cidal? Estou sabendo da estória de vocês... e que isso então sirva como um teste a sua lealdade a Persania.

O silêncio de Cid acompanhou o momento que ele olhou para Mu e Tahn. Só isso já era o suficiente para saber que o rancor o abraçava bem forte, como uma maldição. O ódio estava guardado bem dentro de seu coração e com certeza esse sentimento traria consequências.

Horas depois...

Internal Hall | Sub Sétimo Andar

Não era pra menos que o lugar deveria ter uma proteção. Os andares todos eram por níveis e o que estavam protegendo tinha o nível de invasão menor. Porque isso? A invasão que instituíram como risco era relacionado a hackearem o lugar usando de aparato tecnológico. Mas até nisso pensaram: quase tudo no sub sétimo andar era ou mecânico ou analógico, onde a comunicação era via rádio. Ou seja, para chegarem ao núcleo do prédio, era necessário saber exatamente onde estava e destravar as portas mecanicamente.

Sabendo disso, os corredores, embora modernos, tinham um pouco de rusticidade, se apropriando de paredes mais simples e piso de metal. Tudo foi feito para não facilitar para possíveis invasões.

Enfim, a missão havia começado.

— Nossa terceira missão... e a mais importante, Tahn! Estou adorando ser um Persan!

— Eu também... – Disse, um pouco desanimada.

— Ué, o que foi? Você nunca ficou assim antes.

— Assim como?

— Tahn, desde nossa segunda missão que você tem estado mais fechada. Aconteceu algo?

Ela então parou de caminhar, dizendo:

— Como você disse naquele dia lá na Magnanimous Arena: “nada será como antes”.

— E não é verdade?

— Sim, mas... Não sei se você notou...

— O que?

— Durante a segunda missão, eu percebi que... – Se mesma se interrompeu.

— O que você percebeu?

— Nada... Deixa quieto.

— Não... Agora eu quero saber! Eu sabia que tinha algo!

— Sério, Mu... Não sei se você deveria saber disso.

— Claro que devo saber! Somos amigos, não?

— Não... Melhor não...

— Para de fazer drama!

— Posso te fazer uma pergunta?

— Hã?! Mas o que quer perguntar?

— Se dissessem coisas a meu respeito em Great Desert, o que você pensaria?

— Tahn, que negócio é esse?

— Responde a pergunta.

— É óbvio que eu não acreditaria! Olha, eu não sei porque você está me perguntando isso, mas na certa eu iria acreditar em você até que provem o contrário.

— “Mesmo que provem o contrário”... E se esse “contrário” não fosse a verdade?

— Como é?! Tahn, o que está havendo?!

Só que antes que continuassem a conversa, um ruído agudo foi ouvido do outro lado do salão. Eles rapidamente correram para averiguar e, ao chegarem, se separaram com:

— Um robô feneco sentinela? Aqui?! – Disse Mu, confuso.

— Estranho... Eles são do quinto andar. Não deveriam estar aqui, a menos que... – Disse Mu, surpreso.

E sem mais nem menos, o tal robô feneco (que tinha anatomia das raposas, embora fosse todo de metal) disse:

—Intrusos do pavilhão. Prioridade 1: eliminar ameaça.

Uma saraivada de tiros logo tentaram atingir os dois, que correram para se abrigar. Com o caminhar do robô em direção a eles, Mu começou a conversa:

— O que está acontecendo aqui? Porque o sentinela está nos atacando?

— Eu não sei! Tem algo errado...

— Claro que tem! Ele está querendo matar a gente!

Com a aproximação do robô feneco sentinela, Tahn tomou a dianteira e arremessou suas chamas contra ele, mas...

— SEM EFEITO?! – Gritou Mu, desesperado.

— Minhas chamas... Mas como?!

— Ahh... Tahn! Eu lembrei! Os sentinelas... Eles são resistentes a fogo! Um dos Dukes me disse isso!

— Obrigado por ter me avisado, só que não! Deveria ter dito isso antes!

— Então deixa comigo!

Mu correu até o sentinela, acertando um forte soco em sua lataria... que o fez ir para trás com a inércia do golpe mas inútil para causar algum dano. A feneco explicou:

— Mu, esses robôs são feitos de irmanium. Eles absorvem trepidações e pancadas!

— Ah legal... Eu sabia das chamas, você sabia do ermanuim... Por isso você não deu um murro.

— Não me culpe... Eu não sabia desse detalhe das chamas!

— E eu odeio robôs!

Os ataques do sentinela vieram em seguida, com o robô tentando acertar um soco em Tahn.

— O que está acontecendo? Porque do nada esse sentinela está tentando nos matar?

— Eu não tenho a mínima ideia disso, Tahn... Mas temos que fazer alguma coisa!

Eles até iriam fazer, mas outros quatro sentinelas também apareceram... e eles tinham o mesmo objetivo:

— Intrusos do pavilhão. Prioridade 1: eliminar ameaça.

Acuados, os dois passaram a correr em direção ao raio contrário, para evitarem o embate. Sabendo que os robôs eram invulneráveis as chamas e em maioria numérica, durante a fuga Tahn não perdeu tempo para tentar contato:

— Duke mestre! Câmbio! Estamos sendo atacados pelos sentinelas! Precisamos de ajuda urgente!

O rádio não estava mudo, mas:

— Porque estão demorando para responder?

— Mas eles receberam a mensagem, será?

— Sim... Receberam... O comunicador mostrou que há sinal, Mu!

— Que droga...

Logo, avistando uma das portas abertas do corredor, Mu quase foi acertado por um sentinela que estava surgindo por um cruzamento, fazendo com que Tahn executasse um chute no feneco para o livrar do ataque. E como se as coisas não estivessem ruins, a porta se fechou, separando os dois.

— Tahn! Droga... Tahn, a porta fechou!

— Mu... Tenta achar um switch pra abrir!

— Não tem! Os mecanismos de defesa do andar devem ter travado!

— Pela Kyubiko! E tudo aqui é analógico... Precisaríamos de uma chave...

Não havia tempo para tentarem algo. Os robôs estavam se aproximando. E para o assunto era necessário pensarem rápido.

— Mu, escuta... Vá para o norte e ache Cid e Gio!

— O que?! Nem vem que eu vou te deixar sozinha!

— Não há tempo para isso! Estamos com um baita problema e não sabemos o que está acontecendo! Então vai lá, acha eles e tentem ir até a central do andar!

— Mas e você? Não pode simplesmente encarar todos esses robôs!

— Confie em mim... Eu sei dançar mas esses robôs não! Será fácil me desviar... Eu vou pelo lado contrário... Então um de nós vai conseguir chegar na central e desarmar as portas.

— Tahn... – Disse, não gostando da ideia.

— NÃO VAMOS PERDER TEMPO!

— Mas...

— Eu vou ficar bem. Vamos nos ver de novo... Te prometo, tá?

— Tahn... – Disse, se virando – Tudo bem... Você prometeu!

Ele, sem perder mais tempo, aproveitou que seu lado estava livre e correu para encontrar os outros postulantes. E Tahn, lhe estou voltar pelo caminho que tomava para percorrer o outro raio.

A missão mudou. Agora era algo próximo de lutar para viver... seja lá o que estivesse acontecendo.

Minutos depois...

Sub sétimo andar | Ala Norte

O lugar era exatamente como todo o andar, com paredes simplórias e piso de metal. As pressas, Mu chegou até lá aos berros:

— CID! GIO!

Prontamente, os outros dois postulantes apareceram, com seus rostos demonstração descontentamento. Mas Mu estava estressado demais para perceber isso e continuou a dizer:

— TEMOS PROBLEMAS! OS SENTINELAS FICARAM LOUCOS E ATACARAM A GENTE! A TAHN FICOU PARA TRÁS PRA TENTAR ACHAR UM CAMINHO E...

Os dois ignoraram o que Mu estava dizendo, com Cid olhando para o horizonte. Ele então comentou com Gio.

— Eu não a vejo, Gio...

— Nem eu, Cid...

Isso causou uma certa estranheza em Mu.

— Do que vocês estão falando?! TEMOS QUE IR ATÉ A CENTRAL E...

— Maleun desgraçado! – Disse Cid, Correndo até o feneco com um soco.

Pego de surpresa, Mu foi golpeado de surpresa, caindo ao chão. Ele, confuso, perguntou:

— Porque você fez isso?!

— Serei curto e grosso, Maleun... Vamos acabar com você aqui e agora!

— O QUE?! VOCÊ NÃO PODE ESTAR FALANDO SÉRIO!

— Você precisa pagar pela humilhação que tivemos na Magnanimous Arena... MALEUN ASQUEROSO!

— IDIOTA!

Cid e Gio estavam mesmo dispostos a fazerem exatamente isso. Tanto que emanaram suas chamas, a fim de consumar o ato. A cada caminhar dos dois, Mu recuava, rastejando de costas até uma parede.

— Vocês... Vocês estão loucos...

— Maleun... Você não merece esse título de Persan...

— Para com isso! ACORDEM, SEUS IDIOTAS!

— Nós apoiamos as ideias da Wings of Salvation... – Disse Cid, prestes a arremessar suas chamas.

— PAREM! NÃO FAÇAM ISSO!

Mas por alguns bons segundos Mu recebeu um gatilho em seus pensamentos. Ele juntou as peças desconexas do que tinha no momento e as juntou por instinto. O feneco, tomado pelo ressentimento e rancor por tudo que houve, chegou a uma conclusão ligeira.

— Isso tudo... ISSO TUDO É UM PLANO DE VOCÊS! SEUS DESGRAÇADOS! TRAIDORES!

Mas antes que fizessem algo realmente ruim contra Mu, eis que surgiu ao fundo um dos sentinelas, dizendo:

— Intrusos do pavilhão. Prioridade 1: eliminar ameaça.

Gio estranhou esse comportamento, com Cid também compartilhando esse mesmo sentimento.

— Hã?! O que esse sentinela está fazendo?

— Ele disse “eliminar ameaça”?!

Ainda crendo no que constatou, Mu expôs mais:

— TRAIDORES! AGORA ESTÁ TUDO CLARO PRA MIM!

O feneco insistia nisso, o que não fazia sentido para Cid.

— Do que está falando, Maleun?! Que plano? E porque esse robô está aqui? RESPONDA, MALEUN!

— VOCÊS DEVEM SABER PORQUE FORAM VOCÊS MESMOS QUE PLANEJARAM ISSO TUDO!

— O QUE?!

Logo surgiram mais robôs, causando mais alarde. Mu, se levantando, olhou para Cid com ódio, como se o estivesse culpando por tudo.

— Saiu do controle o plano, idiota?

— MALEUN!

— ISSO, ASSUMA! DESGRAÇADO!

Durante essa troca de insultos, Gio se preocupou unicamente em se defender da iminente ameaça.

— SAI DE PERTO DE MIM, LATA VELHA! – Ele se desesperou, executando seu golpe – FIRE WAVES!

Bastou Gio manifestar suas ondas de fogo para causar um efeito colateral: por usar o piso metálico, o calor gerado aqueceu o lugar, fazendo com que oxigênio de onde estava diminuísse rapidamente. Somado ao calor e falta de ar, o jovem feneco perdeu forças no corpo, sendo golpeado sem dó em sua barriga pelo sentinela. Gio, com o golpe, foi jogado para longe, com Cid e Mu observando tudo aquilo.

— GIO! – Gritou Cid, indo até seu amigo.

Isso também fez com que Mu fizesse o mesmo, mas Cid o empurrou, dizendo:

— SAI DE PERTO DA GENTE, MALEUN!

— PARA COM ISSO! TEMOS QUE TIRAR ELE DAQUI JÁ!

— MALEUN!

Quase esmurrando Cid, Mu escolheu segurá-lo pelo colarinho, sendo bem direto:

— TEM UM ROBÔ ASSASSINO QUERENDO MATAR A GENTE! ENTÃO VAMOS SAIR DAQUI COM O GIO E ESQUECE ESSA DROGA DE MALEUN ATÉ ESTARMOS SEGUROS, VOCÊ OUVIU?

Por mais que o ódio de Cid se mantivesse, o pouco de tolerância que tinha o permitiu aceitar a ideia.

— Pegue o Gio... eu vou na frente pra abrir caminho!

— Essas coisas são resistentes a chamas!

— O que?! Essas coisas resistem a fogo?

— Vai na frente, mas evita lutar contra eles! Vai rápido!

Combinados e com uma momentânea trégua, Cid foi a frente, com Mu levando Gio em suas costas como podia.

O caminho não foi fácil. Vários robôs apareceram pelo corredor, onde Cid se concentrou em somente usar:

— MUHAFIZ ALLAHAB (Catalizador de chamas).

— O que está fazendo, Cid?

— CALA A BOCA E ME SEGUE! – Disse, correndo em seguida – Se concentra em cuidar do Gio!

Comprimindo ar quente de suas chamas, o jovem conseguia empurrar a qualquer um dos sentinelas, evitando o embate direto. Essa foi mesmo uma manobra de mestre, como Mu mesmo pensou:

*Ele é astuto, sabe o que está fazendo. Isso aí, Cid... Estamos quase lá...*

O norte do sub sétimo andar era um lugar mais fechado, o que dificultava o avançar do trio. Mas Cid fazia o que podia, evitando ao máximo o confronto. Com o tempo, ele levantou suposições que entendeu:

— Tudo nesse andar é perfeitamente calculado e definido pra evitar invasões...

— Do que está falando?

— Idiota... As paredes feitas de alumínio é para evitar intrusão externa... e o piso de metal foi colocado pra asfixiar quem usar chamas. O cara que projetou isso é um gênio...

— Isso explica o que aconteceu com o Gio...

— Falta pouco... Cuida dele!

— Ok...

Naquele instante, diante o perigo que corriam, Mu percebeu que fazia um longo tempo que não dialogava com seu até então melhor amigo. Embora soubesse que tudo o que acontecia era mediante a grave crise que ambos corriam, foi um período onde Cid voltou a agir como sempre foi antes do exame do Aflorar do Nirvana. Mu sentiu uma emoção diferente.

*Essa... Essa sensação... É como... É como eu tinha a um ano e meio atrás... Nós três... Como no parque. Os planos que tivemos... Mas porque isso veio a minha mente logo agora?!*

Após uma longa corrida até a sala central, o local estava logo a frente. Mas era um deslumbre pensarem que seria tão fácil: Cid, por estar confiante, se distraiu, sendo golpeado por um dos robôs. O golpe foi forte o suficiente para que fosse ao encontro da parede.

— CID! NÃO!

Mas o rapaz não era de desistir tão fácil. Se levantando e mostrando irritação em seu rosto, ele sozinho socou o robô com toda a força, o jogando para trás. Ao mesmo tempo, outros mais apareceram, onde o jovem os segurou com a própria força para que Mu pudesse levar Gio em segurança.

— VAI LOGO! CORRE! CORRE PRA SALA CENTRAL, IDIOTA!

— ESTOU INDO! SEGURA AÍ, GIO! ESTAMOS QUASE!

Passando por Cid, o feneco conseguiu ver o imenso esforço por parte de Cid para tentar manter os robôs longe, dando tempo para que pudesse seguir rapidamente para a sala.

Mas a entrada também foi conturbada: Cid viu que a quantidade de robôs havia aumentado na casa das dezenas. Sabendo que não podia fazer ali, também adentrou a sala, se salvando.

Mas por quanto tempo?

Minutos depois...

Sub sétimo andar | Sala central

Espaçosa e com um imenso monitor a frente, a sala central era o único lugar tecnológico de todo o andar. A frente, havia um vitral transparente que permitia ter uma visão panorâmica de onde ficava o mainframe de segurança.

Gio, ainda desacordado, foi colocado sobre um acento, com Cid tomando as devidas precauções.

Enquanto isso, Mu, sentado em uma das cadeiras da sala, se limitou ao silêncio.

E foi justamente nesse momento que os problemas começaram.

— Isso tudo é sua culpa, Maleun...

— Como é? O que você disse?

— Idiota... Se você tivesse desistido dessa sua ideia de ter um Persan nada disso teria acontecido!

— Vai se ferrar, Cid! Eu não tenho nada a ver com isso! Foram vocês que começaram! Me trataram como Maleun o tempo todo... VOCÊ ME ODEIA PORQUE?

— PORQUE VOCÊ É UM MALEUN ASQUEROSO!

— EU SOU O CARA QUE ACABOU DE TE AJUDAR E AO GIO!

— DANE-SE! UMA VEZ MALEUN, SEMPRE MALEUN!

— CALA A BOCA! CHEGA DESSA DROGA DE RÓTULO!

— VOCÊ É UM MALEUN! MALEUN ASQUEROSO!

Mu perdeu o controle. O ódio de Cid acabou o contagiando. Ele se levantou rapidamente e deferiu um murro no rosto de seu amigo preconceituoso. E isso só faz piorar a situação.

— SEU AMALDIÇOADO!

Desta vez foi a vez de Cid, retribuindo do mesmo jeito: o soco acertou Mu, que foi para trás. Mas ele não recuou mais, investindo contra seu desafeto em seu dorso, o levando para o chão.

— DESGRAÇADO! – Mu acertava o rosto de Cid várias vezes – VOCÊ É UM IDIOTA, CID!

Entretanto, ele foi arremessado para o lado, com Cid desta vez por cima.

— UM AMALDIÇOADO COMO VOCÊ SÓ PODIA TRAZER ESSA DESGRAÇA!

— E O PLANO DE VOCÊS FRACASSOU!

— IDIOTA! VOCÊ INSISTE COM ESSA IDEIA DE PLANO!

— VOCÊS SE UNIRAM A WINGS OF SALVATION!

— VOCÊ NÃO SABE DE NADA! NUNCA SOUBE! ESTAMOS LIVRANDO NOSSA CIDADE DE UM MALEUN!

— NÃO FAZ SENTIDO! EU NÃO SOU UM PROBLEMA!

— VOCÊ SE TORNOU UM PROBLEMA DESDE QUE INSISTIU EM SER UM POSTULANTE SEM AS FLAMES OF PERSANIA!

Só que Mu tinha uma resposta que sequer precisava gritar. Uma verdade que nem mesmo o mais preconceituoso poderia deixar de ouvir ou se esquivar.

— Antes disso acontecer... todos nós éramos amigos.

Podem ter certeza que Cid ouviu perfeitamente o que Mu disse... e cessou qualquer tentativa de ataque, ainda que em seu rosto estivesse estampado todo seu ódio.

Mas foi quando a porta da sala central se abriu que os dois olharam ao mesmo tempo e esqueceram na briga. E dela surgiu Tahn.

Mas havia algo errado.

A jovem estava bastante ferida.

Como se tivesse acabado de lutar por sua vida.

Os longos cabelos da jovem feneco cobriam seus olhos, onde tentava esconder suas lágrimas que caíam. Mu rapidamente foi em auxílio a sua amiga, dizendo:

— Tahn! Mas... O que houve?!

Ela, buscando ar, por estar ofegante, disse:

— Tem algo errado... Você estava certo, Mu.

— Eu estava... Mas do que está falando?

— Todos nós... estamos correndo perigo.

Cid desta vez tomou a palavra.

— Do que está falando, garota?

— Cale-se...

— Como é?

— Eu disse pra você se calar... seu idiota.

— Eu já entendi. Você quer bancar a...

Não houve muito tempo para Cid tentar falar mais nada, pois o tapa que levou de Tahn o fez calar.

— IDIOTA! MALDITO!

— Tahn... O que houve? – Perguntou Mu.

— Eu vi tudo... Eu fiquei sabendo o que ele tentou fazer com você... e tudo que fizeram até hoje pra nos prejudicar!

— Como é?

— Cid e Gio... são da Wings of Salvation. Eles são os traidores que... – Ela mesmo se interrompeu – Do que você tem medo? Porque tanto ódio? Como pôde jogar tudo no lixo só por causa de uma crença pelo Maleun? Você conhece o Mu melhor do que eu... Eu não acredito que alguém possa ter tanto ódio da noite para o dia só por causa do que esses contos antigos dizem... Eu respeito as tradições do nosso reino, mas sou totalmente contra qualquer injustiça e, como você está fazendo, idiotices! VOCÊ ESTÁ FAZENDO TUDO ERRADO!

Mas Cid não ficou calado, principalmente após o grito de Tahn.

— Nós estamos com a Wings of Salvation para livrar nossa cidade do caos que vocês dois podem trazer! Uma garota na academia e um Maleun... Essa combinação é uma bomba relógio prestes a explodir. Gio e eu juramos por nós mesmos que faríamos de tudo para proteger Persania... Nós amamos nossa cidade e nossas tradições... e nunca iremos permitir que o mal vença! O MAL NÃO PODE ESTAR ACIMA DO MEU DEVER COMO PERSAN! EU LUTEI PRA CHEGAR ATÉ AQUI! EU VOU PROTEGER AS PESSOAS!

Ouvindo Cid dizer, Mu não se conteve. Mas ele não se propôs a voltar a brigar e sim o contrário.

— O velho Cid... Cara, você não mudou...

— O que está dizendo, Maleun?

— Eu te conheço bem, cara... Você é de fazer essas coisas... A gente sempre conversou sobre defender as linhas da cidade juntos, de como isso iria ser legal e honroso... Só que você foi tão babaca que por um momento eu senti ódio de você.

Mu então o abraçou forte, como se fosse mesmo o abraço de um amigo... Do melhor amigo.

— Desde que tudo isso começou, de eu não ter as Flames of Persania, eu me senti sozinho. Fui abandonado por todos vocês e sofri muito com isso...

— Me solte, Maleun!

— Eu não vou soltar... Eu não vou suportar te perder... Por isso, eu quero falar...

— ME SOLTA!

— Você ficou forte, conseguiu ser o melhor da classe, me superou... Como você disse que iria.

As tentativas de se soltar de Mu eram inúteis, ainda mais que o jovem não parava de falar.

— Aí veio o exame lá do Magnanimous Arena. Cara... A gente quase se matou... e eu senti um vazio em mim que você não tem ideia... Nada daquilo foi o que eu quis, nada! E então estamos onde estamos... Eu não sei o que está acontecendo e acho que você também não sabe...

— Maleun... Me solta!

— Fazia tempo que eu não conversava com você... meu amigo. Diante do perigo voltamos a sermos o trio postulante... e isso me confortou. Então eu só tenho mais uma coisa a dizer antes de te soltar...

E então, olhando Cid nos olhos, Mu disse:

— Pare de tentar não ser meu amigo. Isso me machuca mais que ser chamado de Maleun... e peço desculpas por ter te machucado.

Por um instante, o ódio estampado no rosto de Cid cessou, mas infelizmente não era tempo para mais conversa: o monitor da sala central ligou, onde apareceu o Persan mestre.

— Persans... Estão aí, eu presumo.

— Mestre?! – Disse Tahn – Estamos sim!

— Reportando: o sub segundo andar foi invadido por um usuário não reconhecido. Todas as saídas estão seladas por causa disso.

— Mestre, o que está de fato acontecendo? Os robôs sentinelas...

— Estamos sabendo disso. Os setores de segurança da Zona Neutra foram invadidos também. Os robôs não estão sob nosso controle. Mas pelo selamento das portas, não há riscos de nosso povo ser atacado

— É umas boa notícia. E o que devemos fazer para ajudar? Precisamos sair daqui o quanto antes!

Um silêncio ocorreu antes dele dizer:

— Persans Musrie, Tahniiswara, Cidal e Giomeh... Tenho muito orgulho de todos vocês.

Todos nesse momento se olharam, com Tahn tendo a palavra:

— Eu não gostei de ter ouvido isso nesse tom...

— Prestaram um bom serviço para com o nosso reino. Mas vocês sabiam dos riscos de serem Persans...

— O que quer dizer com isso, senhor mestre?

— Teremos de erradicar toda forma biológica da Zona Neutra. É a única forma de termos a certeza de que o usuário desconhecido seja eliminado. Pelo bem de nossa nação Persania e de nosso reino, Great Desert... Foi uma honra tê-los conosco. E eu sei que todos vocês sabem do dever como Persans grandiosos que são. O inimigo pode ser argiloso, mas nós somos Persans!

— Mestre?! MESTRE, NÓS VAMOS MORRER?!

— Sinto muito... Digo isso em nome de todo pelotão de Persans de Persania. Vocês serão lembrados, lhes dou minha palavra! O dever está acima do inimigo... como sabem. Que as Flames of Persania brilhem em cada um de vocês!

Adruptamente, o monitor se apagou, deixando alí o sentimento de luto. E mais ainda, pois o terror tomou conta de todos pois uma contagem regressiva apareceu na tela:

5:59, 5:58, 5:57...

— Eles... Eles nos enterraram aqui! ELES VÃO ATIVAR A ESTERILIZAÇÃO! – Gritou Cid. Desesperado.

— Não... Não pode ser... ELES VÃO NOS MATAR, É ISSO?! – Desta vez foi Mu.

Tahn se manteve calada, incrédula do que ouviu, mas...

— Eles não farão nada pela gente...mas podemos fazer por nós.

Essas foram as palavras de Gio, que havia acordado. Cid logo foi até seu amigo:

— GIO! Você está bem?

— Eu sim... Mas eu sei de tudo, eu ouvi.

Tahn, sem perder tempo, prestou auxílio também a Gio, dizendo:

— Porque disse aquilo de “fazermos por nós”?

— Tem como evitarmos o processo de esterilização.

— O que?!

— Temos que destruir o mainframe.

— E como você sabe disso? – Perguntou Cid.

— Meu pai... ele foi o engenheiro responsável por ele. Porque acha que eu sabia andar pelos corredores daqui como se já conhecesse?

— Mas... Gio, você não sabia dos robôs!

— Isso não importa agora... Temos uma solução e um imenso problema também. E não estou falando da esterilização.

Dessa vez Tahn tomou mesmo a frente da situação. Ela, visivelmente irritada, meio que se colocou como uma líder.

— Diga tudo... Gio, só você tem as respostas que precisamos!

— O computador central só pode ser parado de duas formas: uma, se desligarmos a chave do oitavo andar, mas sabemos que todas as portas estão seladas...

— E a segunda?

— Ir até a câmara aí em frente e destruir na raça mesmo.

— Isso então será fácil... VAMOS!

— Mas o mainframe tem um sistema de segurança. Ultimate flame defense.

— Como é? – Disse Mu – Você quer dizer que...

— Sim... Qualquer tipo de chama, fogo, o que for desse elemento... o mainframe é imune. Meu pai quando fez o sistema foi para “evitar que qualquer feneco mal intencionado pudesse destruí-lo”. Acontece que para chegar aqui nenhum intruso conseguiria passar do segundo andar e, se chegasse, não conseguiria voltar para o primeiro. Então...

— Droga... Sem podermos usar nossos poderes de chamas perdemos mais da metade da força... – Disse Cid, relembrando dos robôs – Os sentinelas, que tem a defesa de fogo mais fraca sequer foram danificadas por suas chamas, Gio...

Mas Tahn, calada e olhando para Mu, disse:

— Há uma maneira...

— E qual seria? – Perguntou Cid.

— Mu tem poderes elétricos.

Isso sim fez com que as reações aparecessem. De forma dominó.

— VOCÊ ESTÁ LOUCA? JÁ NÃO BASTA NOSSO FARDO DE SERMOS MORTOS E AGORA TEMOS QUE DEIXAR NOSSAS VIDAS CONFIADAS NISSO?! – Gritou Cid.

— Isso não pode estar acontecendo... NÃO PODE! – Gio se manifestou.

— TAHN, VOCÊ TEM NOÇÃO DO QUE ESTÁ DIZENDO? – Disse Mu, indo até sua amiga.

Mas ela tinha mesmo certeza disso.

— Você pode nos salvar, Mu...

— Isso é loucura! Tahn, meus poderes elétricos... Até eu sei que tais poderes não podem ser usados sob solo Great Desert!

— Não é uma maldição, Mu...

— Desgraçar minha honra assim não me...

— VOCÊ NÃO É UM AMALDIÇOADO!

O grito raivoso de Tahn fez bom que todos a olhassem diferente. Ela, tendo convicção no que estava falando, continuou:

— Estamos sozinhos nessa... sabiam? Eles deixaram a gente para trás, então nesse momento estamos por nós mesmos... mortos para eles!

— Estamos vivos, Tahn! – Cid foi incisivo – Até o fim devemos manter as tradições de nossa cidade!

Ela não parou. Tahn parecia tomada por uma força nas palavras fora do comum. Não era raiva ou ódio, que são emoções baixas e destrutivas. Era algo mais fervo e acalorado: pura fúria!

— CHEGA DE SE ENGANAREM! CHEGA DE SEREM ENGANADOS! Escutem, Cid e Gio... Mu sempre pensou em vocês da melhor forma! Ele nunca desejou mal a nenhum de vocês... Sabem porque? Ele não desistiu da amizade que vocês construíram desde que eram crianças. Eu não fiz parte da vida de vocês desde essa época, mas agora estou aqui clamando para que deixem esse preconceito de lado! Minha amada mãe me disse que “não faça nada que não queira que façam com você”... Mu lutou contra vocês daquela forma sem querer nada disso! Então... PAREM DE AGIREM COMO MARIONETES! Esse credo chamado Wings of Salvation... Eles não se importam com vocês e sim com a mensagem que eles querem passar, nem que sejam machucando inocentes!

Isso causou mais pensamentos em Cid e Gio, que passaram a interpretar melhor tudo que aconteceu nesses últimos meses. Mas Tahn não queria que perdessem tempo, já que todos não tinham muito:

— Nós juramos proteger a cidade... e não falhamos. Nossa missão é proteger o sub sétimo andar... e iremos conseguir. A tradição de um Persan... vocês sabem qual é.

Sim, eles sabiam. E o dever da missão estava estampado no rosto de cada um, mesmo que timidamente. Gio foi o primeiro a dizer:

— “Manter a calma e fazer o melhor...”

O próximo foi Cid:

— “Manter o foco e cumprir a missão...”

E restou a Mu concluir:

— “E manter a honra e a glória de sua família”

Com Tahn tendo a última palavra:

— “As Flames of Persania sempre estarão acesas onde houver a manutenção do dever de proteger quem você ama”. Eu fui ensinada a sempre pensar antes de agir... Como sou pequena e fisicamente limitada, sempre agi com estratégia contra meus oponentes. Saber suas próprias fraquezas te faz ficar mais forte... Então temos tudo que precisamos. Ataque, defesa, um trunfo na mão... e minha estratégia!

Com poucas palavras e tendo um trunfo afinal, Tahn conseguiu unir o grupo. Ela, olhando para os três, disse:

— Somos Persans. Chegamos aqui com muito sofrimento e luta. Não estou pedindo para que esqueçamos nossas diferenças, mas no momento estamos dependendo um do outro para cumprir essa missão... A mais difícil de nossas vidas! Então me escutem... pois eu tenho um plano. Joguei fora a cautela... Como vai ser?

Music: Caution

Composer: The Killers

The Union Master

MISSION START

Todos se prepararam para talvez a última missão... ou mais um dia sobre as areias do deserto.

♪And there is nothing...

I wouldn’t do...♪

“Gio, você é fantástico usando suas defesas. Você ficará na linha de trás, defendendo a todos com suas chamas reluzentes e poderosas. Não poderemos ter êxito nessa missão sem suas barreiras! Suas pilastras e suas barreiras são intransponíveis!”

A concentração de ambos tornou a união ainda mais forte...

♪There is nothing...

I wouldn’t give...♪

“Cid, você definitivamente é o postulantes mais capacitado e poderoso com suas chamas concentradas. Eu as senti... São magníficas. Só você tem o poder de ataque que todos nós precisamos. Se Gio tem a melhor defesa, você, forte postulante da Academia Persania, tem o melhor ataque! Um perfeito Commando!”

Todos juntos ao centro...

Todos com suas mãos a frente...

A união foi concretizada.

♪There is nothing...

Compelling me!♪

“E você, Mu... O mais injustiçado postulante da Academia Persania. Sabe porque? Você é forte, muito forte... mas esse preconceito que tiveram com você te fez sentir medo e sozinho... VOCÊ NÃO ESTÁ MAIS SOZINHO! Eu precisei me esforçar pra vencer você... e suas vitórias sobre mim, todas elas, foram fáceis... Então você agora tem o papel de nos salvar. Eu sei, é muita responsabilidade... Mas você não está fazendo isso por uma obrigação. Você quer porque só pode ser você... e vai conseguir. Vê? Essa união veio porque você não desistiu... nunca! Você deve ir na linha de frente, Melee... Ou melhor dizendo: o campeão destemido!”

A porta que isolava a câmara se abria, com os quatro assumido a formação que Tahn havia sugerido. Naquele instante não havia mais discussões ou rivalidades. Só restou vontade de cumprir com a missão... e vencer.

Juntos e unidos, eles passaram a correr enquanto os sistemas de defesa eram ativados.

Canhões laser.

Torretas de fogo.

Robôs sentinelas.

E, atrás deles todos, o mainframe.

Essa estrutura computadorizada tinha uma cúpula de vidro altamente dura quase como diamante. Somente a quebrando que teriam alguma chance de se salvarem.

Mas Tahn, que estava ao centro, manteve aos seus comandados provisórios a ordem de seguirem com o plano.

“Se lembra, Mu? Como sempre te disse, eu prometo... Vou te deixar tão forte que eles não terão mais preconceito por você... E agora você viu. Eles não tem mais! Então use seu poder especial no momento certo... e nos salve!”

♪Deixe-me apresentá-lo à rainha peso-pena

Ela tem olhos de Hollywood

Mas não consegue fotografar uma singela rena

Sua mãe era uma dançarina

E isso era tudo que ela sabia

Porque quando você mora no deserto

Isso é o que as garotas bonitas fazem♪

Rumando bravamente, o quarteto recebeu os primeiros desafios até o painel do mainframe: uma dezena de robôs sentinelas. Mas como combatê-los já que são invulneráveis as chamas? Bem, Tahn era estrategista.

— Gio, manda ver nas barreiras! Você sabe o que fazer!

— Pode deixar! – Disse, emanando suas chamas – FIRE WAVES! AHH!

Ondas de chamas surgiram, percorrendo o metro até onde estavam os metálicos. Como o dano maior das barreiras de fogo de Gio eram de empurrão, ele conseguiu derrubar alguma dos robôs e retardar sua aproximação. Ou seja, a intenção não era destruí-los e sim impedir que continuassem no caminho.

Eles passaram pela primeira onda de ataques do sistema de defesa do mainframe, mas viriam mais pela frente... mais difícil. Mas eles estavam tão compenetrados em prosseguirem que ignoraram tudo.

O perigo era imenso e nada os garantiria.

Mas a estratégia de Tahn só os motivava a seguir em frente!

— NÃO OLHEM PARA TRÁS! JÁ PASSOU! FALTA POUCO, TIME!

♪Estou jogando fora a cautela

Como vai ser?

Hoje à noite os ventos da mudança estão soprando selvagens e livres

Se eu não sair... da cidadela

Eu posso ser a pessoa que finalmente vai queimá-la♪

Mesmo com a aparição de terríveis torretas com armamento de lasers aparecendo as laterais da câmera não foram capazes de diminuir o ritmo da corrida até o mainframe. E Gio sabia exatamente o que fazer.

— TRIPLE FIRE WAVES!

As três ondas cobriram os flancos a fim de evitarem serem alvejados pelas torretas e livraram a frente de pelo menos cinco robôs.

— GIO, VOCÊ É INCRÍVEL! – Gritou Tahn, sem perder o foco.

♪Estou jogando fora a cautela

Estou jogando fora a cautela♪

Cuidados? Ninguém estava preocupado com isso. A contagem estava em 3:47. Porque se segurar? Eles treinaram a vida toda para conseguirem se tornar Persans... e agora dependiam um do outro para se manterem vivos e lutar contra algo teoricamente impenetrável. Mas os metros vencidos deixavam claro que nada era impossível.

Antigos rivais, que se tornaram inimigos... agora juntos, unidos!

Dessa vez o desafio era maior: torretas de fogo. O principal elemento de Persania. Mas:

— CID, AGORA É COM VOCÊ! ACABA COM ELAS!

— MUHAFIZ ALLAHAB! AHHH!

O catalizador de chamas de Cid era seu maior trunfo para desarmar seu adversário. Imaginem só um poder de inibir e neutralizar chamas usando uma pulsão de chamas? Esse era um dos poderes do jovem, o melhor Commando da Academia Persania!

— Chamas neutralizada, Cid... ÓTIMO TRABALHO! VAMOS, TIME!

Tahn não tinha afinidade alguma com Cid, mas sabia de seu potencial a muito tempo. Ela sentiu na pele, inclusive... e agora ela o incentivava e o elogiava para todos ouvirem.

♪Nunca teve um diamante na sola de seus sapatos

Apenas lixo branco

Saído direto dos noticiários

Não gosta de aniversários

Eles a lembram de como

Ela pode sair do zero

Até o sete de setembro♪

O segundo obstáculo havia sido superado, mas isso não havia livrado a todos dos problemas que viriam. Somado aos sentinelas de mais cedo e os de agora, o lugar estava ficando pequeno com tantos se amontoando e dispostos a eliminar todo o quarteto.

Mas quem disse que Cid havia parado?

— ALNAAR ALWASMATU – النار الوصمة! ! (Estigma de Fogo, em árabe)

Ele desenvolveu um golpe novo, onde conseguia ferir chamas, como se a partisse e criasse um vácuo, as anulando. Como Commando que era, partir para o ataque sem subterfúgios de defesa era um risco grande... superado por sua habilidade especial.

As chamas dos canhões do mainframe foram neutralizadas.

Mas não havia tempo para descansarem. O tempo era pouco menos de 1:49 para que o processo de esterilização iniciasse! Os robôs a frente e as torretas lasers estavam ameaçando a passagem até o imenso computador. Mas Gio apareceu e:

— FIRE PILASTS! AHHH!

Três imensas pilastas de fogo aumentaram a temperatura do lugar, inibindo os lasers. Os próprios canhões sobrecarregaram e alguns até estouraram de dentro para fora.

— EU SABIA! A BLINDAGEM É SÓ DO LADO DE FORA!

O grito de Gio foi porque ele havia apostado nessa hipótese... que funcionou:

— GIO, ISSO FOI MAGNÍFICO!

Novamente Tahn. Atuando como líder, ela fazia com que o time se mantivesse sempre motivado!

♪Estou jogando fora a cautela

Como vai ser?

Hoje à noite os ventos da mudança estão soprando selvagens e livres

Se eu não sair... da cidadela

Eu posso ser a pessoa que finalmente vai queimá-la♪

Faltava um minuto para o fim...

Mesmo com a garra e a determinação de todo o quarteto, o tempo era o maior desafio. E eles tinham ainda uma dezena de robôs sentinelas a frente. O calor no lugar haha aumentado e tu-tudo sentiram isso... mas nenhum deles recuou ou se lamentou.

Tahn tomou essa responsabilidade, a de manter a todos focados.

— Time... Não caiam... CONTINUEM! FALTA POUCO!

♪Estou jogando fora a cautela♪

O ímpeto era o mesmo... mas a força não.

♪Estou jogando fora a cautela♪

Cid e Gio eram formidáveis, mas estavam usando todo o poder pra pelo menos anular e não eliminar os sentinelas.

Era visível o tom de exaustão em seus rostos.

♪Estou jogando fora a cautela♪

E nesse momento foi quando Mu tomou a frente. Ele, usando de seu físico, começou a esmurrar os robôs. Ele ignorou a dor de socar os metalizados, derrubando alguns deles e ajudando ao time progredir.

♪Estou jogando fora a cautela♪

0:35

Segundos separavam o destino de cada um.

Viver ou morrer.

Ver o feneco que um dia foi alvo de preconceitos, lutando e usando seu próprio físico para tentar ajudar, deixaram Cid e Gio comovidos:

*Mesmo sem chamas ele não desistiu...* — Pensou Gio.

*Mesmo sem chamas ele se tornou um Persan...* — O respeito de Cid.

A poucos metros do mainframe, desta vez foi Tahn a tomar uma atitude: ela executou um incrível salto acrobático para o alto, manifestando tudo que suas chamas vermelhas podiam. E lá em cima, ela conjurou:

KYUBIKO NO KIFU AKAI HONO NO EKUSUKURAMESHON — キュウビコの寄付 赤い炎のエクスクラメーション! (Doação da Kyubiko: exclamação das chamas vermelhas, em japonês)

Uma técnica nunca antes usada. Como sabemos, Tahn tinha as chamas vermelhas da Kyubiko, onde o suporte era uma de suas características. Vendo seu time debilitado e havendo pouco tempo, seu primeiro e ultimo lampejo de poder durante a missão foi friamente calculado: essa sua habilidade aquecia o corpo de cada um, lhes dando um impulso em seus Chi! Ou seja, Tahn tinha acabado de aumentar momentaneamente a moral e a força de vontade de todos!

Era o momento final

— MU, AGORA É COM VOCÊ! VAI!

O grito da jovem foi como um sinal vermelho se tornar verde, onde o feneco de orelhas caídas as levantou para seguir com o plano. Correndo com força, ele golpeava aos sentinelas, que diminuíam sua velocidade, mas:

— FIRE PILASTS... BLAST! AHHH!

Gio usou tudo de si, criando sólidas pilastas de fogo que formaram um corredor para evitar que os sentinelas atrapalhassem, deixando um caminho livre para Mu. Ele doou todo seu poder... que até o fez desmaiar.

Um havia caído. Gio entregou tudo seu poder para ajudar Mu, que gritou:

— GIO! NÃO!

— VAI, MU! – Desta vez foi Tahn – FAÇA O QUE VOCÊ TEM QUE FAZER!

Até mais cedo estavam brigando e quase sofreu uma covardia...

Todavia, obstáculos da vida os trouxeram a essa situação, voltando a uni-los novamente.

*Gio... Eu não... EU NÃO VOU TE DECEPCIONAR!*

♪Porque é tipo um pecado

Viver toda sua vida

Como um poderia ter sido♪

Como nunca antes feito ou visto, Mu concentrou seu próprio Chi desta vez. Raios começaram a corcundas seu corpo e uma aura amarelada iluminou o ambiente. O jovem estava cheio de energia, somado a sua própria vontade e a de todos que alí estavam! O poder elétrico de Mu estava ativado e, como efeito disso, os robôs eram atingidos e destruídos, como Tahn previu.

♪I'M READY NOW!♪

E com muita força, Mu enfim chegou até a cúpula de vidro do mainframe. Seus punhos alimentados por seu poder elétrico atingiam com fúria o vidro altamente duro a sua frente, que se trincava a casa golpear enraivecido do feneco.

Mas o tempo não ajudava: 0:10!

Mas foi em um grito que um fio de esperança surgiu. Um plano improvisado que poderia trazer a vitória:

— IDIOTA... PULE AGORA!

Era Cid que, após executar um salto, disse:

— VOU TE DAR UM INPULSO PRA ACABAR COM ESSA COISA COM UM GOLPE! VAI, PULA LOGO!

Um momento único. Mu e Cid lutando juntos!

Sem perder tempo e entendendo a intenção do Commando, Mu foi a seu encontro, dizendo:

— Como vai fazer?

— Vira de costas... E CONFIE NAS MINHAS CHAMAS!

— Eu... EU CONFIO! MANDA VER, CID!

— PODE CRER QUE EU VOU! INFIJAR ALNIYRAN ALQAWIA! AHHH!

A Explosão de Chamas de Cid, seu golpe mais poderoso. Ele a arremessou contra Mu, mas não para feri-lo. Pelo contrário: um Commando precisava ter pleno controle de suas chamas e Cid tinha essa capacidade. Suas chamas serviram como um impulso poderoso, para que isso se somasse ao poder elétrico de Mu, a única arma capaz de romper o vidro e destruir o mainframe.

E assim que atingiu a Mu, ele explanou:

— Manda ver... Mu!

O Melee ouviu o Commando dizer o seu nome desde o Aflorar do Nirvana.

*Ele... O Cid disse o meu nome?! Eu... EU NÃO POSSO FALHAR! EU NÃO TENHO O DIREITO DE FALHAR!*

E como um meteoro, com as chamas de Cid o conduzindo a toda velocidade, Mu alí mesmo, naquele momento totalmente adverso, criou um golpe chamado:

— MEGA PUNISHER! AHHH!

Uma grande soma de energia elétrica emanou de seu punho, atingindo violentamente a redoma e a rompendo... chegando até o mainframe. E ao golpear o computador, um clarão foi visto ao mesmo tempo que podíamos ver o rosto de Tahn, que esboçou um sorriso.

E um imenso clarão ocorreu em seguida, com a contagem chegada ao fim...

— Capitão! Capitão!

— O que foi, Duke mestre?

— Temos atividade do elevador do sub sétimo andar!

— O que?!

A fachada do prédio da Zona Neutra estava repleta de Dukes e Persans, assistindo apreensivos ao içamento do elevador. Assim que atingiu a superfície, no saguão principal, quatro figuras surgiram.

Foi uma surpresa para todos verem que:

— Os Persans presos do sub sétimo andar... Pelos deuses de Persania...

Todos estavam muito machucados, mas vivos!

Tahn estava a frente, onde Gio se apoiava nós ombros de Mu e Cid. E a feneco, olhando para o Duke mestre, disse:

— Senhor Duke mestre... Peço permissão para reportar.

— Per-permissão concedida.

— Missão cumprida. O sub sétimo andar está a salvo.

Continua

Notas finais
Em breve a parte final da saga Estórias do deserto.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.