Freedom
21 Quando é fácil se perder
Notas iniciais
Scorpius Malfoy
Eu não conseguia tirar a imagem de Rose chorando da minha cabeça. Queria abraçá-la, mas não poderia arriscar ativar algum tipo de gatilho nela. Queria dizer que tudo ia ficar bem, mas ao mesmo tempo sabia que aquelas palavras pareciam tão… Vazias. Não conseguia conter minha raiva ao pensar nela rodando pelos corredores sozinha, obstinada a encontrar um cara que não vai pensar duas vezes em machucá-la se tiver a chance, mas também compreendia o porquê dela querer fazer isso.
Eram muitos sentimentos conflitantes e dormir estava ficando impossível, mais do que já estava naturalmente. E por eu demorar muitas horas para dormir, mesmo com os remédios, acordar estava sendo um desafio cada vez maior. Ao menos eu tinha Fred pra não deixar que eu perdesse a hora.
— Scorpius, eu já te chamei três vezes. — ouvi meu amigo resmungar distante, mas meu corpo estava um caco e eu não conseguia me mover. Não queria me mover.
Fazia dois dias desde que eu havia conversado com Rose. Achei melhor não procurá-la até que ela o fizesse. Não por raiva ou orgulho, mas por respeito ao seu momento ruim. Só que isso não me impedia de ficar preocupado ou irritado. Ninguém tinha visto nada de estranho no castelo ainda, então as pulseiras estavam sendo inúteis até então.
— Cara, você tá precisando matar a aula hoje? Se precisar, eu falo com a McGonagall sobre você estar doente ou qualquer coisa assim.
— E você acha que pode enganá-la? — foi Charlie quem falou, rindo ironicamente. — Mais fácil ele só faltar mesmo e pedir mil desculpas depois.
— Não preciso faltar. Estou bem — resmunguei pulando da cama a contragosto. Aquele estresse todo ia me matar. Procurei meu frasco de remédio na cabeceira da cama, mas não encontrei. — Vocês viram meu remédio?
— Pra que você toma isso? — a voz de Lorcan me surpreendeu, vinda do banheiro. Ele tinha o vidro em mãos, analisando-o. Algo me dizia que aquilo não ia terminar bem. — Você é problemático ou só está bancando um?
— Lorcan, porra. — Fred o advertiu ao perceber que meus punhos se cerraram. — Olha a merda que você tá falando.
— Isso se isso aqui for realmente remédio. — ele desrosqueou o frasco, pegando alguns comprimidos. — Pode ser uma droga trouxa qualquer que ele tá viciadinho pra estar esse caco.
— Cala a boca. — falei entre dentes, sentindo meu corpo ficar mais tenso que o normal.
— Ih, não aguenta uma zoeirinha, Malfoy? — Ezra se juntou ao riso idiota de Lorcan.
— Por que vocês não vão tomar no cu? — Fred avançou para cima deles, arrancando o frasco.
— Não sabia que eram namoradinhos. Você realmente tem uma coisa pela família Potter-Weasley, Scorp. — Lorcan comentou rindo, enquanto saía do quarto com Ezra.
Precisei de muita, mas muita paciência para resistir a tentação de correr atrás deles e socá-los.
— Não liga pra eles. — Charlie tentou me acalma, inutilmente.
Lorcan e Ezra estavam sendo os mesmos babacas comigo de quando éramos primeiranistas e eu, um Malfoy, tinha acabado de ser selecionado para a Grifinória. Claro que a convivência amenizou as coisas, mas nunca fomos realmente amigos. Pensava que tudo aquilo era puro preconceito de crianças e que havia ficado no passado, mas bastou uma coisinha — ou melhor, alguém, mais especificamente Lily Potter — para eles passarem a me tratar como nada de novo, de uma forma mais agressiva do que passiva-agressiva, como costumavam fazer.
— Acho que eles esqueceram de quando eu azarei os dois por te importunarem. Tão precisando refrescar a memória. — Fred fez menção de sacar a varinha e se dirigir à porta, mas eu resmunguei, negando.
— Não quero problemas com eles. Estão sendo babacas por um motivo ridículo. Mas quando eles não são? — alcancei Fred, pegando o frasco. Analisei meu nome impresso no rótulo, desejando um pouco que não estivesse precisando deles novamente. Mas eu havia ficado tempo demais sem eles e ficar interrompendo medicação não era aconselhável. Seria só até o estresse dos NIEMs e do perseguidor acabarem. Ao menos era o que eu queria.
…
— Você acredita que Albus veio me pedir para fazer pulseiras para ele se encontrar com aquelas garotas? — Amanda falava completamente ultrajada enquanto nos dirigíamos para o almoço.
— O Albus é idiota? — perguntei quase que retoricamente, pois era óbvio que Al era sim um idiota. Mas isso não era nenhuma novidade. O que era novo mesmo era Amanda estar tão incomodada com a situação.
— Mas ele vai ver só. Escolheu a pessoa errada pra provocar.
— Hm, acho que não foi provocação. — comentei com cuidado de não irritá-la ainda mais, mas foi em vão: no segundo seguinte seus olhos estavam cravados em mim, emanando raiva. — Quero dizer, ele realmente me perguntou sobre como poderia fazer um esquema do tipo pra ele. Só não achei que ele fosse perguntar pra você.
— Você é muito ingênuo, Scorpius. — ela comentou rindo de uma maneira quase que diabólica. Não estava reconhecendo Amanda e, para ser sincero, seu comportamento me assustava um pouco, pois eu sabia que ela não tinha muitos escrúpulos quando estava com raiva. — Ele passou anos atrás de mim e agora do nada parou. Isso é puro joguinho dele. Pra fazer com que eu fique incomodada com ele fingindo desinteresse e corra atrás dele. Ou pior. — ela crispou os lábios, soltando a bolsa com força na mesa ao se sentar. — Pra fazer com que eu passe a me importar.
— Mas não é exatamente isso que você está fazendo agora? — ok, eu realmente não tinha amor à vida. Tive tempo de desviar de um garfo que voou em minha direção, acertando a cabeça de um lufano que almoçava.
— Oh, meu Merlin, desculpe! — Amanda pediu, roxa de vergonha. Não contive a risada, apesar de estar agradecendo que eu não havia perdido um olho com aquela minha afronta. Mas era a mais pura verdade: Amanda estava se importando. E pior, Albus parecia estar realmente desencanado. Acho que nem se ele tivesse pensado nisso para ser, de fato, um plano, daria tão certo como agora.
— Você pode tentar me atingir, mas sabe que é verdade. — a encarei severamente enquanto me sentava, mas, ao contrário do que eu esperava, ela não atirou mais nada em minha direção. — O que você vai fazer com ele? — perguntei um pouco pela curiosidade e um pouco pela apreensão do que sua mente perversa poderia fazer.
— Você é monitor, Scorpius. Não precisa saber. Só precisa ver quando acontecer. Talvez tenha sido eu. Ou só a burrice do Potter, mesmo. Você nunca vai saber. — ela sorriu minimamente enquanto se servia, olhando fixamente para a mesa da Sonserina em que Albus almoçava com Tony. Nem sinal de Rose ou Catherine. Assim como nos dias anteriores. Respirei fundo, sentindo meu peito um pouco pesado. Encarei meu prato de comida, sem muita vontade de comer.
— Que cara de enterro é essa, Scorpius? — Fred me perguntou enquanto bagunçava meu cabelo ao se sentar do meu lado. — Nossa e sua cara também, Amanda. Que bicho mordeu vocês dois?
— O Scorpius eu não sei, mas eu tenho um idiota pra massacrar.
— Vai ser algo público? — o tom na voz de Fred era evidente. — Se quiser, tenho vários itens da Gemialidades.
— Talvez você realmente seja útil, então!
— Pessoal… — murmurei, suspirando.
— O Scorpius é chato, Fred. Depois a gente acerta os detalhes. — Amanda piscou para ele, mostrando a língua para mim.
— Respondendo à sua pergunta, Fred, eu estou normal.
— Ah sim. E eu sou a reencarnação da Morgana. — meu amigo revirou os olhos e eu reproduzi o gesto, sabendo o que estava por vir. — Você tá assim porque a Rose não tá falando com você.
— O quê? — Amanda se virou na velocidade da luz, com os olhos arregalados. — Scorpius você e a Rose estão tendo alguma coisa? E por que ela não tá falando com você?
— Dá pra vocês serem um pouco menos escandalosos? — reclamei percebendo que algumas pessoas pareciam interessadas demais no assunto. — Não tem nada rolando.
— Certamente não por que ele não quer. — Fred deu uma risadinha que me fez chutar sua canela.
— Se vocês não forem parar me avisem que eu saio.
— Ih, que estressadinho. Tá precisando de um banho de banheira. Dá um pulinho no banheiro dos monitores. E não esquece de usar aquela essência pra tirar estresse.
— E qual seria, Amanda? — eu sabia que talvez fosse me arrepender de perguntar, mas eu tinha fé na boa índole de minha amiga.
— De rosas, é claro. — o sorriso diabólico que ela esboçou só confirmaram que ela estava cada vez mais parecida com Fred do que comigo, que era amigo dela há muito mais tempo.
Resolvi somente ignorar, terminando de comer. Todo aquele assunto só fazia com que eu ficasse mais ansioso e pensasse ainda mais em Rose. Como se fosse necessário um lembrete para pensar nela, meu cérebro já estava fazendo isso por si só praticamente o dia inteiro.
…
Rose Weasley
— Senhorita Weasley, você poderia falar comigo um instante? — o professor de vôo me chamou assim que o treino acabou.
Franzi o cenho, pois aquilo era um pouco incomum, mas assenti. Notei que James estava a alguma distância, recolhendo o material que havíamos utilizado.
— Notei que esteve um pouco rígida no treino hoje. Soube que ficou uma semana fora devido… — ele se aproximou colocando a mão no meu ombro e afastando-nos de James. — Aos recentes acontecimentos. Devo considerar que a presença de seu primo lhe trouxe lembranças ruins?
Eu não sabia de onde vinha toda aquela compaixão e queria arrancar a mão dele do meu ombro. Era óbvio que ele estava querendo alguma coisa. Talvez… se livrar de James? Por que ele estaria insinuando que a presença de James me afetaria?
— Acredito que não seja isso.
— Soube que você está fazendo acompanhamento psicológico. — sua maldita mão estava no meu ombro ainda. Parei de súbito, não querendo me afastar tanto assim do campo de visão de James.
— Estou. Não é fácil lidar com lembranças de caras tocando sem a permissão. — a indireta foi recebida com sucesso, pois ele imediatamente afastou a mão, parecendo constrangido.
— Bem, se julgar necessário, posso solicitar que ele não esteja por aqui nos treinos da Sonserina.
— Se eu achar que devo, lhe informo. — queria encerrar aquele assunto esquisito. Se eu julgasse necessário, pediria pra James não estar presente. Mas, de certa forma, aquilo era um alívio para mim, vê-lo lá, pois era um indício de que o impostor não ousaria em aparecer por lá.
— O que ele queria com você? — Al me perguntou quando apareci no vestiário.
— Uma maneira de se livrar do James, aparentemente.
…
— Rose, eu já disse que não tenho as anotações dessa aula! — Catherine bufou enquanto procurava pela terceira vez em seu caderno algum indício da Revolta dos Centauros. Eu sabia que História da Magia não era sua matéria favorita, mas dos meus amigos ela era a mais desorganizada.
— Catherine, se você possui tudo sobre a Marcha dos Gigantes você tem que ter algo sobre os Centauros. Você esperava fazer como o trabalho do Bins?
— Sei lá, pediria pra alguém.
— Quem? — perguntei com ceticismo e ela não respondeu. — Eu, não é?
— A Rose tem um ponto. A gente sempre pega as matérias atrasadas com ela. — Al comentou comendo uma varinha de alcaçuz.
As coisas não estavam tão ruins quanto o dia em que ele saiu pela escola soltando fogo pelas narinas por ter sido chamado de burro. Ele tinha sumido o dia inteiro e reaparecido depois como se nada tivesse acontecido. As lufanas que o rondavam também não apareceram mais, pelo menos não com tanta frequência.
Eu estava começando a pensar que ele talvez tivesse escolhido uma para ficar de maneira fixa, finalmente, mas ele não havia dado indícios o suficiente, então eu estava esperando o momento certo para abordar a situação.
O problema mesmo era a treta Catherine e Anthony, que fazia com que eu e Albus precisássemos interagir separadamente com ele. E como naquele momento Albus estava conosco, significava que Anthony provavelmente estava com Roxanne. E talvez esse fosse o motivo da cara irritada de Catherine.
— O Scorpius já se ofereceu pra te ajudar. Nerd do jeito que ele é, com toda certeza deve ter.
— Não quero ficar pedindo favores a ele. — resmunguei, folheando meu livro de História da Magia. Eu sabia onde estava o capítulo específico, mas eu queria as informações extras que o professor sempre dava nas aulas e que geralmente ninguém prestava atenção. Eram detalhes que faziam totalmente a diferença e que me garantiram Excede Expectativas por vários anos seguidos.
E um ponto a mais em cada atividade faria toda a diferença, principalmente agora que eu havia ficado atrás na corrida pelo cargo na Romênia.
Fora que ficar no mesmo espaço que o Malfoy depois de ter chorado na frente dele e quase confessado que andava pensando demais nele não era uma boa ideia.
Na verdade, eu estava até conseguindo raciocinar melhor afastada dele. Entendia que aquilo tudo era carência e que não havia nada demais nos meus sentimentos. Puro delírio. Se eu tivesse contado à Catherine, ou pior, para ele, tudo seria um enorme surto coletivo sem sentido.
— Ai, pede pro professor então, sei lá, Rose. Preciso terminar de catalogar algumas plantas pro professor Longbottom, depois vejo se acho a folha da matéria. — ela se levantou, mas Albus a pegou pelo pulso, indignado.
— Você está fazendo aulas particulares com o Neville?
— Al, só porque ele é amigo íntimo da sua família você não precisa ficar chamando ele pelo primeiro nome.
— Tá, tá, que seja. — Al balançou com a mão, se levantando. — Quero fazer parte também.
— Não quer nada. — Catherine o empurrou levemente, pegando a bolsa que estava no chão e os livros. — Essa é a minha oportunidade de não ser enviada pra trabalhar atrás de uma pilha de papéis no Ministério.
— Como você é egoísta, Catherine. Não é só você que quer trabalhar com Herbologia. Se você não quer deixar eu ir eu mesmo falo com o Neville. Ele não vai negar um pedido desses pro afilhado.
— Albus, seu idiota!
Preciso dizer que eles me deixaram sozinha com minha meia dúzia de livros? Eu não tinha muito pra fazer no Salão Comunal, ainda mais com todos aqueles olhos curiosos, então resolvi ir até a biblioteca para tentar espairecer um pouco.
Mas é óbvio que Scorpius Malfoy estava lá, conversando um pouco íntimo demais com Cassandra Thomas. Pensei seriamente em sair dali, mas ele havia me visto e, se eu desse as costas, iria parecer que eu o estava evitando. E, conhecendo o Malfoy como eu conhecia, isso só o deixaria ainda mais no ímpeto de falar comigo. Por isso respirei fundo, apertei os livros contra meu peito e escolhi a mesa mais longe possível daquele casalzinho.
Estava quase conseguindo finalmente me concentrar na leitura quando um bilhete pousou a minha frente, fazendo meu coração idiota saltar.
Queria conversar com você.
Queria conversar? Conversar o que, desgraça? Achei melhor apenas ignorar.
Rose. É sério.
Eu te ignorando também é sério.
Rose… Se continuar me ignorando…
Ri pelo nariz com aquela ameaça sem cabimento. O que ele faria? Me tiraria alguns pontos com seu poder de Monitor? Patético.
Mas nada me preparou para ele apoiando as mãos com força na mesa à minha frente. Seus olhos pareciam pegar fogo. Tentei manter minha expressão impassível, mas estava ficando difícil manter-se neutra na presença dele.
— Eu juro que é a última vez que eu vou ignorar você me dando gelo.
— O quê?
— Sim, Rose. É isso mesmo. — ele puxou a cadeira e se sentou, criando uma proteção de som em torno de nós dois. — Vou fazer isso aqui mesmo.
— Você é idiota? Podem não nos ouvir, mas podem nos ver. — resmunguei nervosa, recolhendo minhas coisas. Achei ter ouvido uma risada, mas quando o encarei ele tinha o rosto sério.
— Onde quer conversar?
— Em qualquer lugar menos aqui. — sussurrei quando algumas pessoas olharam para nós. — Tire a merda desse feitiço, é suspeito.
Eu não precisava ter aceitado o convite de conversa dele, mas no fundo eu queria conversar. Ele ia na frente e eu conseguia observar seu antebraço, desnudo por conta das mangas puxadas até o cotovelo. O cabelo loiro estava um pouco mais comprido que o normal e mais relaxado também. Suspirei, me sentindo completamente perdida. Eu era uma chacota por ficar observando os detalhes de Scorpius Malfoy.
Quando notei até onde ele estava me levando quis rir de desespero. A Torre de Astronomia. O point de todo mundo que quer dar uns amassos de dia, porque só costumava ser utilizada no fim da tarde ou à noite para aulas.
Havia um casal do quarto ano lá e Scorpius os interrompeu com um pigarro, enquanto cruzava os braços.
— Você não deveriam estar na aula de Trato das Criaturas Mágicas, não? — o garoto tentou balbuciar alguma coisa quando a garota o cutucou, sem sucesso. — Saiam logo daqui ou vou descontar cinco pontos de cada um. — não foi necessário um segundo aviso.
Ele passou por mim para fechar a porta e eu prendi a respiração, evitando ficar com aquele cheiro impregnado no meu nariz. Scorpius me encarou com tanta intensidade que precisei dar um passo para trás, sentindo minhas costas baterem na porta.
— O que você quer me dizer? — tentei soar firme e indiferente. Não sei se funcionou, mas Scorpius parecia analisar meu rosto como se fosse uma espécie de enigma.
— Eu acho que é você que precisa falar alguma coisa.
— Como você é petulante, supondo que eu te devo alguma satisfação.
— Não estou pedindo satisfações. Estou pedindo qualquer coisa. — seu tom de súplica me surpreendeu. — Eu quero pedir desculpas pela minha reação naquela noite. Mas eu fiquei… Confuso. E acho que você estava tentando me dizer alguma coisa, ou obter alguma coisa de mim. — ele respirou fundo, apoiando o braço próximo da minha cabeça, ficando mais próximo. Engoli em seco com aquele gesto. Aquilo não ia dar certo. Ele me olhou confuso e tirou o braço, dando dois passos para trás. — Me desculpe. Sei que não é legal se aproximar desse jeito.
Novamente o cuidado em não me despertar gatilhos. Novamente a preocupação.
— Tudo bem. — minha voz era um fio. Scorpius me encarava de um jeito profundo, tentando claramente falar algo que nem mesmo ele sabia o que era.
— Tudo bem… O quê?
— Você pode ficar próximo. — queria me bater por estar falando aquilo, ainda mais com a expressão surpresa do Scorpius. Revirei os olhos. — Você está com medo de me tocar ou coisa do tipo. Mas não tenho medo de você, pode ficar tranquilo.
— Mas você… Sempre se encolhe quando eu chego muito perto.
Puta que pariu.
— Sim. — respondi com um suspiro, tentando controlar meus batimentos cardíacos.
— Não estou entendendo.
— Eu não vou dizer o que você está pensando que eu vou dizer. — falei nervosa e ele franziu o cenho.
— Rose, eu não faço ideia do que você está tentando dizer.
— Eu realmente não posso ser mais clara com você.
— Por quê?
— Porque você já me deu toco várias vezes. — ok, estava feito. Eu havia admitido em alto e bom som que Scorpius Malfoy havia me rejeitado e que por isso eu não seria capaz de verbalizar que eu queria que ele ficasse muito mais perto.
O problema é que aparentemente o cérebro dele não funcionava muito bem.
— Eu não te dei toco. Rose, quando eu te rejeitei?
— Hm, na festa com o beijo bêbado. No clube do Slughorn com a proposta falsa de dança. — falei como se fosse óbvio. — Sabe, para quem é um dos melhores alunos de Hogwarts, você é meio lerdo em entender as coisas.
— Não. — ele negou com a cabeça, atônito. — Você é que não está entendendo. Eu não quis acabar o beijo por não querer te beijar. Eu quis acabar porque as coisas estavam esquentando e estávamos em um banheiro. E eu tinha certeza de que você não queria dançar comigo, fiquei chocado quando você aceitou e demorei para processar, só isso.
— O quê? — eu não tinha nada melhor para falar, pois estava realmente em choque.
— Você não está me evitando por medo… Então pelo que é?
Me recusei a responder e, ignorando o esforço tremendo que eu fazia para não quebrar o contato visual, eu olhei para seus lábios entreabertos. Foi somente por alguns segundos, mas assim que voltei a sustentar seu olhar eu percebi que ele tinha o cenho franzido. Scorpius suspirou, aliviando a tensão do rosto e encarou meus lábios de volta. Foi inevitável não molhá-los. Seus olhos encontraram os meus novamente e ele piscou novamente, se aproximando lentamente.
Esperou algo, talvez que eu o rejeitasse, e, por Merlin, eu realmente considerei essa opção apenas por vingança. Mas eu simplesmente não conseguia me mover. Mantive o olhar fixo, crente de que ele não terminaria de fazer o que estava indicando que faria. Se eu estivesse no lugar dele, provavelmente não o faria.
Mas Scorpius Malfoy pertencia à Grifinória por uma razão, assim como eu à Sonserina. Ao invés de fugir, ele ficou. E me beijou, primeiro em um gesto quase que desesperado de permissão, nossos olhos ainda abertos.
Quando fez menção de ir para trás eu revirei os olhos e juntei nossas bocas novamente, beijando-o propriamente.
Eu realmente estava perdida.
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