Freedom

16 Quando um soco no estômago teria sido mais gentil


Notas iniciais
Heeey amores, tudo bem? Demorei um pouquinho com esse capítulo porque senti que não estava satisfeita, então reescrevi algumas coisas e acrescentei mais algumas e saiu essa belezinha aqui. Estendi um pouco mais porque algumas cenas foram mais longas que o normal. Esse capítulo é dedicado à Love Rosie que fez uma recomendação maravilhosa! Muito, muito obrigada! Não vou me estender porque o capítulo já está grande demais kkkk Boa leitura!

Rose Weasley

Me mantive firme ao que prometi a mim mesma e não fui na festa da Lufa-Lufa, mesmo com a insistência de meus amigos.

— Rose, vamos logo. Vai ser bom espairecer.

— Nem tenho sobre o que espairecer, Cathy. Estou muito bem, obrigada. Não preciso me juntar a um bando de lufanos pra ficar numa boa. Por Merlin, andar muito com meus primos está deixando vocês muito bonzinhos. — reclamei enquanto organizava minha anotações e Tony bufou, se jogando no sofá ao meu lado, me encarando com seriedade.

— Rose vai me dizer que você não precisa relaxar? Está estudando a semana toda feito uma condenada e é só a primeira semana de aula.

— Quando eu sentir que estou precisando de festa, eu vou. — comentei sem olhar para ele. Tony jogou a cabeça para trás e começou a me cutucar.

— Vamos logo, Rosie, vamos.

— Ela não vai levantar a bunda desse sofá e acho melhor que não faça mesmo, já queimou meu filme demais hoje. — Al reclamou, me lançando um olhar que tentava — mas só tentava mesmo — ser mortífero. Sorri com escárnio.

— Não precisa de muito, né Al. Nesse ritmo você mesmo vai afastar todas elas.

— Estou indo, vejo vocês Cat e você Tony, na festa. — saiu me ignorando totalmente.

— Ele sabe que no fundo você está certa. — Cathy riu, se sentando ao lado de Tony. Ele levantou a cabeça, olhando para os lados e a beijou. Revirei os olhos, tacando a almofada mais próxima.

— Vão comer a cara um do outro longe daqui, pestes. — obviamente não surtiu efeito. Durante a semana Catherine e Tony simplesmente começavam a se beijar do nada quando tinham a oportunidade.

Eu fui a primeira a perceber que as coisas estavam esquisitas quando os dois apareciam com a maior cara lavada de quem claramente tinha acabado de se beijar e estava escondendo. Eu sabia que eles tinham trocado saliva umas semanas atrás, mas como Catherine não falou mais nada assumi que tinha sido puro fogo de palha. Eu me divertia muito lançando indiretinha, mas não tinha visto pra valer. E foi em uma das noites de pôquer, em que eles acharam que eu estava dormindo no sofá enquanto Al estava no banheiro, que eu os flagrei pela primeira vez.

Desde então eles só esperavam Al sair ou o Salão Comunal estar ligeiramente vazio para se atracarem na minha frente. Por mais que Catherine garantisse que não tinha nada com Fred e não tinha nada a esconder, ela não queria que todos soubessem que ela estava aos beijos com Tony. Talvez para manter as aparências, tendo em vista que eles só viviam discutindo, ou talvez por gostar do escondido. Catherine não era nenhuma santa e eu batia palmas pra isso.

Naquela noite boa parte da Sonserina, que obviamente não estaria presente em peso na festa da Lufa-Lufa, estava reunida em um local próximo da Floresta Proibida para uma festinha particular, então os dois não se preocuparam muito com alguém entrando ou saindo. Me mudei para outro sofá, percebendo que as coisas estavam ficando mais quentes, mas simplesmente não conseguia me concentrar ouvindo toda aquela pegação. Era barulho de beijo, suspiros… Merlin, eles sabiam ser barulhentos. Só esperava não precisar confirmar minha teoria de outra forma...

Não precisei pedir duas vezes para eles saírem mas, para minha surpresa, Tony e Cat não partiram para a festa. Subiram rumo aos dormitórios. Meu Merlin, Catherine estava realmente indo transar com Tony no nosso quarto? Eu realmente esperava que não.

— Esperem eu sair antes de começar! E use sua própria cama! — berrei, calçando minhas pantufas e enrolando meu robe. Juntei minhas coisas e pude ouvir um barulho de algo quebrando no quarto. Revirei os olhos. Eles não olhavam por onde andavam? Se fosse meu abajur, iriam se arrepender.

Saí pensando em me infiltrar na biblioteca ou talvez na Torre de Astronomia quando ouvi um soluço. Hesitei em me aproximar, pois não sabia exatamente de onde vinha o choro e não queria ter que lidar com nada. Só queria terminar minha lição em paz e ir dormir. De preferência em um local que não estivesse fedendo a sexo, claro.

Escutei durante um tempo, tentando distinguir se vinha da esquerda ou da direita, mas a voz aparentemente percebeu minha presença.

— Pode passar e me ignorar. — pela voz embargada parecia ser uma de minhas primas, mas eu não tinha certeza absoluta porque elas tinham quase o mesmo timbre de voz. Me aproximei mais e vi que ela estava sentada no parapeito de uma das janelas do corredor que levava à Torre de Astronomia. Suspirei e fui até ela, mantendo uma distância considerável.

— Não vou simplesmente ignorar. — murmurei um pouco agressiva. Era tão típico ela supor que eu faria isso. — Querendo ou não somos família. — falei com dificuldade e ela me olhou com ceticismo.

— Ok isso é uma grande surpresa vindo de você.

— Não posso negar os fatos. — dei de ombro e me escorei na parede, um pouco mais perto. A luz do luar fazia seu cabelo brilhar, assim como suas lágrimas. Suspirei. Dominique Delacour Weasley parecia mais sozinha do que nunca e não havia sem sinal de Lily ou Roxanne. — Não vai falar, Dominique?

— Eu sei que você não se importa.

— Se eu não me importasse eu não estaria em pé aqui ainda. — rebati de mau humor. Dominique fungou o nariz me encarando com incerteza. — Se eu te alertei no outro dia a respeito de James, mesmo que no fim das contas não fosse nada daquilo, é de se imaginar que eu não sou o monstro que vocês pintam.

Ficou um silêncio embaraçoso e eu realmente considerei dar meia volta e deixá-la ali. Não precisava ficar me humilhando tentando provar alguma coisa. Mas Dominique claramente não estava legal e me xinguei por dentro por ter ficado mais mole e não ter saído dali. Não precisei falar mais nada, pois minha prima finalmente abriu a boca.

— James me contou tudo a respeito… Do que está acontecendo. — ela me olhou com… Vergonha? Compaixão? Não sei dizer, mas definitivamente não era um olhar que ela costumava me dar. — Fiquei uma fera pensando que ele tivesse abusado de você, mas confesso que fiquei aliviada em saber que não foi ele… E não consigo parar de pensar que… É uma merda que alguém que nem sabemos quem é tenha se passo por ele sabe-se lá Merlin por quanto tempo. Se ele te assediou ele pode muito bem ter… — Dominique se calou, abraçando a si própria. Entendi o que ela queria dizer e suspirei. Eu já havia considerado a ideia de que o impostor talvez tivesse se aproveitado de outras situações e isso seria realmente uma merda se fosse verdade.

— Não vou negar que isso pode ser uma possibilidade. — falei e ela gemeu baixinho, voltando a chorar. — Mas vamos descobrir quem é e o que fez de fato. E ele vai pagar.

— Quando encontrei James nessas voltas às aulas eu comecei a fazer algumas perguntas sobre alguns momentos nossos e… Bem o James é desligado, mas ele parecia não se lembrar de algumas coisas. — ela se calou, chorando com mais intensidade e eu senti uma ânsia de vômito. Quem quer se fosse que estava fazendo esse jogo era desprezível demais. — Fico pensando se me apaixonei por James ou… Por outra pessoa. E pior. Se as vezes em que fizemos… — ela parecia envergonhada, então virou um pouco o rosto para que eu não percebesse ela corar, mas era impossível não notar. — Se foi realmente com ele… Não sei dizer se os momentos que eu tive desentendimentos com James foram realmente com ele ou não. E comecei a ter medo e perguntar. Não sei se quero saber a resposta.

Senti a palma de minha mão arder e percebi que estava cravando minhas unhas, com os pulsos cerrados. Aliviei minhas mãos, sentindo o torpor do sangue voltando a circular normalmente. Passei os dedos pelas marcas da unha e senti a ardência dessa vez mais intensa.

Eu entendia o que Dominique estava sentindo. Sem saber o que de fato aconteceu ou não. Eu ainda tinha o benefício de ter borrões em minha mente, apesar de lembrar muito vividamente desses cortes. Dominique provavelmente tinha vivido uma mentira e se lembrava de tudo com vivacidade. Talvez James não fosse tão presente e apaixonado como ela achava. Talvez tudo tivesse sido parcialmente verdade. E isso era algo revoltante, pois ninguém merece se sentir assim.

— E porque você está aqui sozinha? — perguntei de maneira proposital. Queria que Dominique percebesse que quem ela achava que poderia contar talvez não fosse tão presente assim. Ela resmungou, limpando as lágrimas.

— Tentei vir atrás de James, mas ele estava revoltadinho demais com a Lore enfiando a língua na boca do Fred. — ok, isso era uma informação totalmente surpreendente e aleatória. Desde quando sequer existia uma faísca entre eles? — Roxanne não veio atrás porque eu realmente pedi que ela não viesse. Ela não me viu chorando.

— E Lily? — perguntei depois de um longo silêncio dela. Dominique não respondeu, mas se remexeu desconfortável. Se meu palpite estivesse certo, Lily não queria fazer parte do circo quando a merda estourasse. Mas a forma como ela falou comigo na festa de ano novo querendo saber exatamente o que eu tinha falado para a Dominique mostrava uma preocupação que não estava sendo condizente com suas atitudes. Eu realmente não entendia Lily. Provavelmente fez aquilo comigo por pura maldade.

— Ei, vocês aí. — a voz de Lysander ecoou pelo corredor e eu revirei os olhos. Dominique limpou os olhos com mais força dessa vez, tentando parecer apresentável. Era ridículo porque mesmo chorando ela continuava linda, então ela obviamente estava apresentável. No entanto era nítido que ela não tinha o mesmo semblante usual. Ela estava realmente assustada e aquilo me deixava irritada. Irritada por esse idiota estar livre por aí destruindo vidas. Pois era isso que ele estava fazendo, acabando com a vida dos Weasley’s, e isso era muito maior do que qualquer rivalidade entre casas. E Dominique parecia compartilhar do mesmo sentimento, pois me olhou de uma forma profunda como nunca antes fizemos.

Tudo porque seguimos caminhos diferentes.

Lysander se aproximou de nós duas, de braços cruzados, mas olhando a cena com uma cara confusa. É óbvio que ele estaria confuso. Eu e Dominique nunca conversávamos na escola. — Weasley… Quero dizer, vocês duas são Weasley. — revirei os olhos e percebi que Dominique fazia o mesmo. — Rose, sabe muito bem que não poderia estar fora do Salão Comunal a essa hora. Você também, Dominique.

— Já estava de saída. — seu tom de voz estava tão embargado e ela bateu com tanta força em seu ombro quando saiu, voltando a chorar poucos segundos depois, que Lysander não conseguiu falar nada, mesmo com a boca aberta.

— O que aconteceu? — ele olhava para o corredor pelo qual minha prima tinha ido embora e para mim. — Ah, assunto de família suponho. — fiz uma cara de tédio, pois era óbvio, e não me esforcei para criar justificativas. — Mas sério, Rose. Você como ex-monitora deveria saber.

— E você como Monitor Chefe deveria saber que está rolando uma festinha por aí. — rebati de forma ácida e ele arregalou os olhos. — Mais de uma. — acrescentei e Lysander começou a olhar para os lados.

— Como sabe… Que idiotice, é óbvio que foi convidada. Onde as festas estão acontecendo?

— Ache você por conta própria. — dei de ombros, desencostando da parede para voltar para o Salão Comunal, tendo em vista que Lysander seria um chato se me encontrasse novamente. Ele me encarou, como se considerasse se deveria me colocar em detenção, mas apenas resmungou alguma coisa e saiu correndo.

Minha tentativa de ter paz estudando havia ido por água abaixo, talvez fosse melhor chutar Catherine e Fred do meu quarto e dormir. Mas não sem antes desinfetar qualquer existência de ato sexual dos dois daquele lugar.

Scorpius Malfoy

Dormir foi um verdadeiro desafio e quando estava quase conseguindo todos que dividiam quarto comigo chegaram ralhando. Ezra e Lorcan ainda estavam me olhando feio por conta de Lily, em especial Lorcan, que era mais obcecado. Fred e Charlie estavam de boa comigo, mas não estavam com caras melhores. Provavelmente tinha acontecido alguma merda.

— O que rolou? — perguntei me sentando.

— Você que dedurou a gente, não foi? — Lorcan me acusou com o dedo e Fred revirou os olhos, segurando o ombro do loiro que tentava vir em minha direção. Provavelmente devem ter descoberto a festinha.

— Lorcan, se tem alguém pra culpar aqui é você. O Lysander não é seu irmão?

— Eu nem falo muito com ele.

— E Scorpius não estava na ronda dele, não dava pra ter contado pro Lysander. Aceita que ele por acaso viu alguém na porta ou entrando e descobriu.

— Sinto muito pela festa. — falei sinceramente, mas Ezra e Lorcan me ignoraram, resmungando.

— Não estava tão boa. — Charlie deu de ombros, se jogando na cama. — Só para algumas pessoas. — sorriu maroto para Fred e eu taquei o travesseiro nele, que sorria abertamente.

— Só você pra pegar uma garota depois de ter anunciado que estava procurando outra. Não sei como Amanda teve a coragem de enfiar a língua na sua boca. — comentei aos risos e Fred assentiu, rindo também.

— Isso se chama inveja, Malfoy. E Catherine não estava lá. Além do mais não temos nada muito sério. Não pega nada. — ele pegou a toalha estendida em cima do beliche e me olhou, franzindo o cenho. — E para onde você foi, afinal de contas?

Não respondi, mas lancei um olhar cúmplice que esperava que ele pudesse entender. Obviamente ele não entendeu.

— Com Lily? — bati a mão na cabeça com a suposição e pude ouvir o grito de Ezra no banheiro:

— Um traidor! Isso que ele é!

— Eu não falo nada pra você, Malfoy. — Lorcan havia jogado seu sapato em minha direção, acertando minhas costas.

— Você tá maluco? — urrei jogando de volta o sapato e acertando seu peito em cheio. — Eu não estou ficando com a Lily. E você ter raivinha de ter rolado uma vez não justifica me atirar a porra de um sapato.

— Isso tá ficando ridículo, Scamander. — Fred bradou em minha defesa. Charlie não falava nada, mas olhava tudo com muita diversão.

— Tá, tá. Que seja. — Lorcan não deu o braço a torcer, apenas se levantou e saiu do quarto, batendo a porta.

— Vou tentar acalmar ele antes que dê merda. — Charlie anunciou e eu dei de ombros. Foda-se, agindo comigo dessa maneira por conta de uma garota que sequer dava bola pra ele. E que provavelmente não era a flor que todos pensavam.

“Você vai se arrepender”.

Bem, eu já estava me arrependendo. Mas de ter sequer deixado ela me beijar da primeira vez. Só estava me trazendo dor de cabeça.

— Se não estava com Lily, estava com quem? Mais uma de suas conquistas secretas? — Fred perguntou enquanto se sentava do meu lado. Me certifiquei de que Ezra não escutaria e lancei um Abaffiato.

— Cassandra. — falei sem rodeios e Fred ficou de queixo caído.

— Eu não sabia que vocês estavam de rolo de novo.

— E não estamos. — resmunguei enquanto me ajeitava na cama. Eu poderia confiar em Fred, mas não sentia que deveria entrar em detalhes sobre tudo. — Foi uma coisa de momento só. Não vai rolar de novo. — garanti, mas Fred me olhava com os olhos castanhos semicerrados, me analisando.

— Rolou o que eu to pensando que rolou?

— Porra, Weasley, não vou sair dando detalhes.

— Se não me contar vou acabar assumindo coisa pior. E se você tá dizendo que não vai sair esplanando, é porque tem o que esplanar. — ele sorriu zombeteiro e eu revirei os olhos.

— Não foi nada demais. Nos beijamos. E fomos para o dormitório dela.

— Espere aí. — Fred se levantou e começou a procurar alguma coisa na cômoda ao lado da cama. Não vi o que ele tinha em mãos, só percebi quando ele enfiou um palito de vidro na minha boca, que reconheci como um termômetro. Cuspi na hora, me lembrando de que da última vez que Charlie ficou doente ele enviou aquela merda no meio do braço.

— Porra, Fred! Que merda é essa? — tentei cuspir todo o resquício possível de caatinga de Charlie que poderia estar em minha boca e Fred gargalhava.

— Estou me certificando de que você não tá doente. Você indo em festas eu até comecei a aceitar, mas invadindo a Sala Comunal alheia por conta de uma garota? E Cassandra ainda por cima? Fala sério, cara! Olha o pé em que vocês terminaram! É óbvio que vou assumir que rolou alguma coisa.

— Não foi nada demais eu só… Não vou ficar espalhando isso.

— Vocês transaram? Não, não transaram, se não você não estaria com essa cara. Ela te chupou? — não me dei o trabalho de responder, mas Fred deduziu. — Pela sua cara não. Hm, você chupou ela? — juro que me esforcei, mas minha cara provavelmente denunciou. — Ela gozou? — perguntou incrédulo e eu enfiei o travesseiro na sua cara, me levantando. Era estranho falar sobre essas coisas. — Caralho, Scorpius. Como você fez ela gozar de primeira? Eu consegui apenas na segunda vez quando tentei e depois de uns bons quarenta minutos.

— Não foi rápido. — respondi como se fosse óbvio. — Mas eu apenas fiz o que ela foi pedindo pra fazer. — dei de ombros e ele arqueou as sobrancelhas.

— É, realmente, ajuda. Amélia não falou absolutamente nada da primeira vez, então foi bem frustrante. Mas segundo ela melhorou muito depois. — ele acrescentou rapidamente e eu ri com seu nervosismo. — Mas foda-se estamos falando de você. Você não… Sabe… Tentou se aliviar depois? E por que ela não fez nada em você? Tipo, não é obrigação dela nem nada mas…

— Porque da última vez ela estava pronta pra me chupar e eu acabei com todo o clima. E terminamos depois de tudo. Foi uma forma de “retribuição”. — falei fazendo aspas. Fred assentiu, tentando assimilar. Ele era a única pessoa que eu havia contado algumas coisas da minha vida sexual, principalmente depois daquele término esquisito — pois não éramos namorados de fato. E Fred não poupava de falar sobre seus encontros sexuais também. Me admirava ele nunca ter falado nada de Catherine. Talvez porque não tivesse rolado.

Mas realmente me admirava mais ainda ele ter assumido pra mim que não fez Amélia Miller gritar seu nome da primeira vez, como fez questão de dizer quando contou pros caras quando rolou. Ninguém é tão bom assim logo de cara. Meu braço estava totalmente dolorido e levou um bom tempo até Cassandra realmente chegar lá. E eu tinha quase certeza que tinha dado um mau jeito por ter ficado na posição errada, pois quando movia meu ombro ele doía um pouco. Talvez eu devesse começar a fazer exercícios.

— Deve ser meio merda você estar de joelhos na frente de um cara, com o pau bem na sua frente e ele resolver parar. — ele apontou e eu nem consegui responder, porque havia sido exatamente isso que tinha acontecido. — Tenho que dizer que Cassandra soube tirar vantagem muito bem da situação. Mas você não sentiu… Vontade de voltar?

— Não sei o que poderia voltar. Não éramos namorados e eu não estava apaixonado.

— Mas não estava indiferente. — ele rebateu e eu não consegui negar. — Você raramente fica indiferente às coisas, Scorpius. Eu te conheço. Você é meio intenso, cara.

— Não tem porque ficar pensando nisso. — dei de ombros.

— Ah tá, você com toda certeza vai apagar da sua memória a noite de hoje. — ele revirou os olhos rindo e eu fiquei um pouco envergonhado. Realmente estava bem difícil. Achei que me aliviar fosse amenizar a situação, mas a imagem de Cassandra gozando parecia impressa na minha retina quando eu fechava os olhos. Eu ainda estava sem acreditar que aquilo realmente tinha acontecido.

E Fred tinha um pouco de razão, afinal. Eu deveria estar louco em ter descumprido tantas regras assim. Me senti um pouco culpado, pensando que talvez eu não merecesse tanto assim o cargo de Monitor. Não conseguia traçar o equilíbrio perfeito entre extravasar e seguir as regras. Mas não queria pensar naquilo. Só queria finalmente dormir e tentar apagar a imagem que não saía da minha cabeça e me fazia engolir em seco a todo momento.

— Bem, gostaria de agradecer imensamente à vocês. As propostas ficaram impecáveis. — Minerva dizia.

Amélia Miller — sim, a ex Lufana de Fred, e membro do Grêmio, Rose e Lysander estavam sentados ao meu lado. McGonagall finalmente revelaria quem havia dado a melhor proposta para a formação do Clube de Duelos. Eu não fazia ideia do que cada um havia proposto, pois cada um havia tido uma reunião em particular com a diretora, mas estava começando a ficar um pouco inseguro. Rose Weasley parecia segura demais.

— Não vou me prolongar, pois sei que, por estarem no último ano, possuem muitos afazeres. Tive que colocar na balança e considerar os pormenores de cada proposta. Vocês desenvolverão para o Clube de Duelos a proposta do senhor Scamander. — ele assentiu, sorrindo vitorioso, e Rose parecia que ia ter um colapso. Eu também fiquei surpreso e até mesmo Amélia estranhou.

— Muito obrigado, diretora!

— Não há de que, senhor Scamander. — ela sorriu minimamente para ele voltou a atenção para nós três. — Todas foram impecáveis, mas em questão de viabilidade a dele foi a mais consistente de se aplicar a um primeiro momento. No entanto, não quero tirar o crédito de nenhum de vocês, muito pelo contrário. Em um processo a longo prazo, a proposta da senhorita Weasley se mostrou muito adequada. Assim como a do senhor Malfoy se mostrou mais efetiva para quando for possível ter uma estrutura mais bem desenvolvida para o Clube e a da senhorita Miller caberia perfeitamente se a escola pudesse comportar. — ela sorriu amorosamente e assentimos.

Minha proposta não era tão complicada. Mas de fato envolvia uma participação maior do professor responsável, e talvez por isso não fosse viável naquele momento. O cargo de Defesa Contra as Artes das Trevas ainda era bem instável e somente Flitwick não daria conta. Eu queria que os professores tivessem voz ativa, analisando as capacidades e limitações de cada um e dividindo em grupos para que o aproveitamento pudesse ser melhor. Assim, os alunos estariam mais nivelados e poderiam aprender melhor. Não dava para tirar proveito nenhum em alguém mais inexperiente duelar com alguém forte. E deixar que cada um escolhesse seu parceiro era algo que definitivamente não dava certo, pois o controle sempre se perdia e alguém era machucado.

Fiquei decepcionado em ouvir a proposta de Lysander. Era basicamente fazer as definições do duelo por ranking, mas poderia ser injusto com quem é mais fraco. Decidi não palpitar e, para minha surpresa, nem Rose. Não ao menos na nossa frente.

Ela perdeu metade da aula de Estudo dos Trouxas, que era logo depois da reunião com a diretora, e apareceu praticamente soltando fogo pelas ventas. Ela se sentou umas duas carteiras à frente de mim, em um lugar vazio. Olhei para Al, que estava ao meu lado, mas ele somente deu de ombros. Fiz a coisa mais óbvia.

“Estava com McGonagall?”.

A resposta veio rapidamente.

“Sim. A ideia do Scamander não conserta absolutamente nada, só fica visualmente bonitinho e facilita todo o trabalho”.

Assenti. Não sei porque Minerva havia aceitado aquilo.

“Mas a escolha não foi dela. Foi dos olheiros”.

O bilhete veio logo na sequência e eu arregalei os olhos.

“Me conte mais sobre”

Pedi e ela se virou para me olhar, sibilando um “Depois” inaudível. Assenti e voltei a fazer minhas anotações, mas sem deixar de notar que Al me olhava com curiosidade.

— Como foi ontem à noite? Você sumiu. — sussurrou para mim e eu ri pelo nariz.

— Todo mundo sumiu depois, Al. A festa acabou,

— Quase uma hora depois do seu sumiço. — rebateu e eu me limitei a molhar minha pena no tinteiro. Ouvi ele bufar e sorri de canto. — Você é muito irritante, assim como Rose. Por isso estão tão amiguinhos. Fala sério como se aguentam?

— Algum problema, senhor Potter? — o professor perguntou da frente da sala, fazendo com que todos olhassem para nós dois, que estávamos na última carteira. Al estava ridiculamente vermelho e precisei me controlar para não rir.

— Nenhum, professor. — ele garantiu, sem antes me lançar um olhar que tentava ser ameaçador.

...

— Pelo que eu entendi, os olheiros não estavam interessados de verdade em definir alguma proposta. Queriam ver nossas habilidades. A escolha foi totalmente aleatória. — Rose contava enquanto eu, ela e Albus caminhávamos nos corredores, em direção ao Salão Principal. Já era quase hora do almoço e logo ficaria muito cheio. — Achei isso um descaso, obviamente, mas Minerva me garantiu de que a escolha final não influenciava em nada.

— O que era a sua? — perguntei e notei que Rose ergueu o queixo, orgulhosa.

— Bem melhor que a do Scamander, com certeza. — Al falou rindo e Rose sorriu. — Eu li e achei sensacional.

— Consistia em criar algo como o Cálice de Fogo. — falou enquanto pegava um pergaminho da bolsa. — Pegaríamos as informações de atributos dos alunos e criaríamos alguns critérios para decidir os duelos. Um seria o oposto ao outro, para testar o desenvolvimento melhor de fraquezas e forças. Não seria necessariamente um nivelamento por ter vencido ou não um duelo. Seria de acordo com as habilidade que cada um possui.

— Você colocaria uma pessoa que é boa em, sei lá, defesa, e outra que não é? — perguntei tentando entender e ela assentiu. — Mas isso não poderia fazer com que alguém muito inexperiente caíssem com outro experiente?

— Não vejo como isso é algo negativo. Na guerra diversos alunos inexperientes tiveram que lutar com comensais da morte experientes. O mundo lá fora não é justo. Temos que estar preparados para isso. Se você é bom em uma coisa, certamente tem mais dificuldade em outra. E treinar isso é essencial. — estávamos mais próximos do Salão agora, então Rose parou na porta, para concluir seu pensamento. Encarei seus olhos que hoje estavam verdes e bem vibrantes. — De que adianta treinar algo que você já é bom?

— Você… Tem muita razão. — falei por fim e ela sorriu com desdém, mas um certo divertimento também.

— Foi o que Minerva disse. E eu sei que tenho. Qual foi a sua? — ela perguntou e eu dei de ombros, não querendo contar. A dela era melhor, de fato. Quando contei a reação dela me surpreendeu. Rose não riu com escárnio, apenas assentiu e disse que era uma boa proposta.

— Bem melhor que a do Scamander. — complementou, ajeitando a mochila. — Até mais ver, Malfoy. — ela simplesmente girou os calcanhares, com Albus seguindo-a. Não percebi que estava sorrindo até Fred dar um tapa em minha boca.

— Baba menos, Malfoy. O almoço está ali ó. — ele ria e eu fiz menção de lhe dar um pescotapa enquanto íamos na direção oposta de Albus e Rose. Antes que eu pudesse me sentar, no entanto, Lysander parou em minha frente.

— Podemos conversar?

— Claro. — assenti franzindo a testa. — Ah, parabéns pela proposta ter sido aceita. — comentei quando chegamos em um canto mais reservado, próximo a entrada do Salão, mas Lysander me olhava sério.

— Malfoy eu só não te entreguei para a diretora pois queria falar com você antes. Eu soube que você estava na festa da Lufa-Lufa e pior, vi você descendo as escadas com Cassandra Thomas. — ele tinha os braços cruzados e eu engoli em seco, passando a mão no rosto. — Que tipo de exemplo acha que está dando?

— Me desculpe, Scamander. — falei com sinceridade e utilizando seu sobrenome também. Nem parecia que tínhamos conversado amigavelmente no Expresso. — Não era minha intenção, mas não pretendo mais fazer isso. — garanti, o que obviamente não foi o suficiente.

— Não sei se você sabe, mas como Monitor chefe eu preciso ficar de olhos nos outros Monitores. E eu tenho que relatar isso para a McGonagall.

Antes que eu pudesse responder, Hugo apareceu. Os dois se encararam de um jeito esquisito e foi quando me lembrei do beijo deles na festa do Tony. Tentei reprimir um sorrisinho vendo que Lysander estava muito nervoso, o que ia completamente contra a atitude dele na festa em perguntar na frente de todo mundo se Hugo era mesmo bissexual.

— Oi, Scorps! E ah, Lysander. — o ruivo estava muito mais confiante que meu amigo de monitoria, que passou a mão pelos cabelos, engolindo em seco. — Tentei falar com você antes, mas não te encontrei. Você deixou seu casaco comigo ontem à noite. — Hugo falou, sem inibição nenhuma com minha presença — afinal éramos colegas de classe — e tirou um suéter azul da mochila. Lysander pegou a peça com uma certa rapidez e parecia que ia explodir de tão vermelho. Cruzei meus braços, observando a cena com divertimento. Hugo finalmente percebeu e pigarreou. — Ele me emprestou e acabei esquecendo de devolver. Já era tarde… Enfim, não foi nada demais. — garantiu um pouco sem jeito.

— Não precisa se justificar, Hugo. Hogwarts é realmente fria por volta da meia noite.

— Nossa, já era bem mais que meia noite. — sorri mais ainda com a informação acrescentada por Hugo. — Mas… Enfim. Nada demais. Eu vou… Pra lá. — ele encarava Lysander de uma maneira esquisita e não pra menos: o garoto parecia que ia desmaiar.

— Você dizia… — virei-me para Lysander assim que Hugo saiu. Ele apenas tirou os óculos e limpou a testa.

— Não é o que parece… Veja bem, só estamos nos conhecendo ainda. Não é nada…

— Sei, sei muito bem. — sorri abertamente e Lysander suspirou, colocando os óculos novamente e olhando para um ponto da parede ao meu lado.

— Acho que nós podemos deixar essa pra lá… Passar bem, Malfoy. — antes que eu pudesse acrescentar qualquer coisa ele saiu voando dali. Bem... Quem nunca?

Rose Weasley

O convite para a primeira festa do Slug do ano tinha chegado e pela primeira vez fiquei animada em ir. Fazia quase três semanas que eu estava firme em minhas metas de estudo e já estava pirando. Por conta de Lysander, todos estavam com medo de fazer outra festa, até porque isso rendeu uns bons 50 pontos a menos para a Lufa-Lufa. Al me achou louca.

— O Clube do Slug é a coisa mais chata que existe. Como ele não fez no semestre passado realmente achei que tinha acabado.

— Al, é só usar a situação em nosso favor. Podemos fazer um after. — sorri enquanto ajeitava meu vestido verde. Estava levemente amarrotado, mas nada que um feitiço simples não resolvesse.

— Eu sei, eu sei. E você vai realmente escolher esse vestido pra ir? — perguntou boquiaberto e eu o olhei irritada. — Vai distrair metade da festa.

— Eles que lutem. — Cathy afirmou assobiando para mim. Fiz uma reverência.

— Eu não faço objeção nenhuma, mas você sabe que o McLaggen tem uma certa… Fissura por você nesses encontros. — ri pelo nariz com a afirmação de Al. Slughorn adorava contar que o pai do Córmaco — sim, ele era Córmaco McLaggen II, assim como Feed — flertava com minha mãe e o garoto parecia tentado a repetir comigo os mesmos feitos. Nunca sequer trocou uma ideia comigo fora dessas reuniões, o que era simplesmente irritante, pois sabia de cór seu discursinho nas festas.

— Ele sonha. — respondi olhando sugestivamente para Al, fazendo uma referência clara ao nosso diálogo de um tempo atrás, mas ele só revirou os olhos, pigarreando. Adorava irritá-lo.

— Vamos logo. Julie está me esperando. — semicerrei os olhos em direção a Al, que fingiu não perceber.

— Você vai com a Julie McLaggen? Al você por acaso quer me avacalhar? Ela vai ficar grudada em você a noite inteira e o irmão dela vai me encher o saco!

— Por isso eu já cuidei do assunto, priminha. — ele riu amarelo, saindo pela porta. — Vem logo.

— Eu vou matar esse garoto um dia, é sério. Tudo por um rabo de saia. — sibilei irritada, conferindo minha aparência uma última vez. Realmente o vestido era um pouco apertado, mas era bem fechado na frente e muito elegante. O batom vermelho era de Catherine e realmente realçava meus olhos. Já meu cabelo… Eu ainda estava arrependida do corte, então deixei ele liso e solto. Nada mal, eu diria.

— Rose, por favor, faça o favor de conseguir se divertir um pouco e voltar logo pra gente jogar alguma coisa. — Cathy me olhou suplicante, olhando de esguelha para Tony que parecia imerso em seu jogo solo de xadrez bruxo. Será que Cat estava… Desesperada em pensar em ficar sozinha com ele?

— Você vai me contar direitinho o que está acontecendo depois. — sibilei e ela assentiu, envergonhada. — Tchau pra você, Tony.

— Tchau, Rose, boa… Wow. — ele interrompeu o que dizia para me encarar fazendo joinha. Revirei os olhos. — Juízo.

— Pare de ser retardado, Zabini. — ela lhe deu um pescotapa e mais uma discussão entre eles se iniciou, mas não fiquei para ouvir. Al estava na entrada de nossa Casa conversando com… Malfoy.

— Aí está sua companhia, Scorpius! — ele falou vitorioso e eu quis matá-lo.

— Albus você me trocou por uma Lufana e ainda me empurrou pro Malfoy sem minha permissão?

— Ah qual é, Rose. Todos os anos vamos juntos em tudo. Está começando a ficar… Estranho. — ele me olhou com uma cara que parecia dor e eu bati em seu estômago.

— Vá se ferrar, Potter.

— Tá, tá, é porque eu quero tentar algo com a Julie, tá legal? Que saco. — sua voz estava aguda, enquanto ele se dobrava e segurava a barriga.

— Ele pediu minha ajuda para manter o McLaggen afastado. — o loiro finalmente falou, em um tom casual, e eu finalmente olhei para ele direito. Seu cabelo estava ridiculamente certinho, como nunca estava, mas combinava perfeitamente com seu smoking e sua gravata borboleta, que estava ligeiramente torta. Parecia muito mais sério e elegante do que o normal. E me fez perceber que seus ombros eram largos. — E eu também não tinha exatamente alguém específico para convidar.

— E qual é, Rose, não é como se vocês se odiassem. Eu vejo os bilhetinhos. — ele deu a língua para mim, saindo rapidamente antes que eu pudesse lançar alguma azaração para deixá-lo careca. Apenas suspirei e encarei Malfoy.

— Estou animado. — ele disse e eu não evitei sorrir, afinal estava também. — Slughorn ficou muito tempo sem fazer essas festas.

— Acho que ele deve ter ouvido algo que não gostou. Ele é muito orgulhoso.

— Mas é boa pessoa. De certa forma. — ele deu de ombros e eu ri.

— Ele é super pretensioso, na real. Só convida os filhos dos heróis mais influentes da Guerra e algum ou outro que tem muito dinheiro. Mas ele sabe servir uma boa sobremesa.

— Nossa, sim. — Scorpius confirmou rindo enquanto virava o corredor.

Estávamos a uma distância considerável um do outro, mas eu conseguia sentir o cheiro forte de perfume masculino. O mesmo que ele usava na festa de Tony. Eu sabia que era aquele em específico pois no Ano Novo e no Natal ele estava usando outro perfume totalmente diferente. O cheiro estava tão forte em seu pescoço aquele dia que não havia como não lembrar. E não pude deixar de sentir meu estômago embrulhar com a lembrança.

Eu usava saltos baixos, mas era possível ouvi-los ecoando pelo chão conforme eu andava. Estava um silêncio quase agradável entre nós, então não me importei em preenchê-lo. No entanto aquele cheiro estava realmente me deixando desconcertada.

Felizmente estávamos chegando na sala de Slughorn e pude avistar Albus de braços dados com Julie, o que deveria significar que…

— Weasley! Como vai? — McLaggen surgiu em minha frente, não medindo os olhares para mim, me fazendo contar mentalmente alguns motivos para não dar um soco na sua cara nesse instante. Veja bem, eu gosto de usar feitiços — sou uma bruxa, afinal -, mas nada como o prazer de usar a força física.

— Eu estava tendo uma boa noite.

— Como poderia não ter, é facilmente a garota mais bonita daqui essa noite.

— Cormmie, deixe a Rose em paz. — Julie ralhou e me olhou com um sorriso que não pude deixar de retribuir. Até ela sabia que o irmão era inconveniente. — Mas ele está certo, Rose. Você certamente é a mais bonita hoje.

— Julie, você por acaso se olhou no espelho antes de sair? — Al colocou a mão no coração, fazendo drama. Revirei os olhos mas ri, pois de fato Amélia estava adorável em seu vestido amarelo. Ela corou, agradecendo a ele.

Quando voltei minha atenção para os garotos ao meu lado notei que McLaggen encarava Malfoy com uma certa agressividade.

— Malfoy.

— McLaggen. — o tom dele era calmo, mas eu conseguia ver que ele estava irritado. E não à toa, McLaggen era o maior idiota da Grifinória. E provavelmente o motivo pelo qual Malfoy não entrou no time da Grifinória, alguns anos atrás.

— Ora, ora, pensei ter escutado vozes. — Slughorn apareceu abrindo a porta, nos olhando com olhos brilhantes enquanto alisava os longos bigodes. Pelo menos dessa vez eles estavam melhor aparados. — Boa noite, queridos.

— Boa noite, professor. — falamos quase ao mesmo tempo.

— Venham, venham logo. — ele voltou para a sala e Albus fez uma reverência exagerada para que Julie passasse, mas Córmaco entrou com uma agressividade exagerada, pisando no pé de Al.

— Não ligue para ele, meu irmão não sabe o que é não ter o que quer. — resmungou, ajudando Al a se recompor e entrar na sala. Antes que eu pudesse dar um passo, Malfoy imitou a reverência de Al e eu ri.

— Depois de você, milady.

— O que fiz para receber esse título do dia pra noite? — indaguei divertida e ele voltou à posição inicial, dando de ombros e me olhando de uma forma divertida.

— Os McLaggens não mentiram. Você realmente está linda. — não resisti soltar um riso debochado, mas seus olhos não quebraram o contato visual e eu apenas assenti, colocando o cabelo atrás da orelha por instinto. Não era todo dia que eu recebia diversos elogios em um curto período de tempo. — Verde é ironicamente sua cor.

— Isso é porque eu sou ruiva. Eu nasci pra usar essa cor.

— Não à toa caiu na sonserina. — ele observou enquanto eu passava por ele, entrando finalmente na sala. Sorri em resposta.

— Bem observado. E você também não está nada mal. Nem parece um Grifinório. — falei um pouco mais perto para que ele pudesse ouvir devido ao som alto e Malfoy gargalhou com gosto.

— Ok, talvez seja a coisa mais próxima de um elogio que você tenha me dito.

O ambiente estava decorado em tons dourados e pratas e Julie se camuflava de uma maneira divertida. Obviamente Al não deixara a brincadeira de lado e a garota sorria sem graça. Levei a mão ao rosto, sentindo uma leve vergonha alheia, que não passou despercebida por Malfoy.

— Eu juro que tentei dar um toque para ele sobre a dificuldade em lidar com garotas. — fiz uma cara de incredulidade para seu comentário e ele apenas deu de ombros, pegando uma taça de, provavelmente uísque de fogo, e tomando um gole. — Não, não tenho essa experiência toda.

— Tudo bem. Qualquer pessoa tem mais experiência que o Albus. — comentei ainda observando a cena. Julie agora tinha avistado uma conhecida e ido cumprimentar, deixando Al sem sequer perceber nada, apenas degustando as entradas disponíveis na mesa.

— Oi, maninha! — a voz de Hugo me assustou.

— Hey, Hugo. — respondi de uma maneira amigável e Albus, que estava próximo, franziu o cenho. — Qual das nossas primas você trouxe dessa vez? — perguntei procurando com o olhar. Geralmente o restante da minha família não era convidada, afinal éramos 11 — não necessariamente estudando atualmente ao mesmo tempo, tendo em vista que Molly e Lucy eram mais velhas e já haviam saído de Hogwarts, assim como James e Louis não entrava na conta pois estudava em Beauxbatons — mas no decorrer dos anos quase tivemos todos os primos estudando em Hogwarts — e isso já praticamente lotava a sala de Slughorn. Hugo tinha um dom curioso para poções, além de ser filho direto de dois heróis da guerra. Dessa forma, ele sempre trazia Roxanne ou Dominique, que eram mais próximas dele. Lily nunca veio.

— Nenhuma, na verdade. — ele sorriu minimamente. — Não vim com nenhum par. Meu par já iria estar aqui de qualquer forma. — meu irmão indicou alguém mais ao fundo e eu vi Lysander conversando com Alice Longbottom animadamente enquanto observava uma planta. Os pais dos dois eram muito próximos, Luna e Neville, fora o fato de que sabiam muito de herbologia. E para minha surpresa Al estava se aproximando para se juntar à conversa. Era uma das poucas matérias que Al realmente dominava — não à toa queria seguir no ramo.

Alice era obviamente um nome cotado por conta de suas boas notas e por ser filha de um dos professores mais queridos da escola. Ela estava acompanhada de Panju Shastri, um garoto também da Lufa-Lufa que costumava andar com James — na época que ele ainda estudava e não ficava de assistente do professor Teller por chantagem — e Fred, que não estava muito interessado no papo sobre plantas. Quando me viu ela sorriu e eu devolvi o gesto, lembrando que ela tinha dado uma mega indireta sobre querer minha presença na festa. Suspirei. Não nos falamos depois daquele dia no campo de Quadribol.

— Vocês estão sérios? — perguntei para Hugo, tirando os olhos do trio das plantas. Meu irmão apenas mexeu o copo com o canudo, olhando para seu mais novo… Casinho? Namorado?

— Não sei. Não viemos juntos. Estamos aqui. Mas não juntos. Scorpius viu como ele ficou nervoso hoje quando… Falei sobre nós na frente dele. — Hugo parecia chateado, apesar de conseguir esconder muito bem. Mas eu conhecia meu irmão muito bem — salvo exceções. Ele estava fazendo o mesmo olhar de quando éramos crianças e eu o magoava de propósito para ele parar de me encher o saco.

— Ele ficou constrangido porque estava me dando um sermão justamente sobre ficar de bobeira nos corredores. Não foi vergonha de você. — Malfoy contou e eu o olhei com curiosidade. Scorpius certinho Malfoy estava infringindo as regras de Monitor e se agarrando pelos corredores? Ele ir em festas, pra mim, já era um choque. Mas se deixar ser pego assim… Espera aí. Com quem ele estava se agarrando por aí? Eu nunca via Malfoy com nenhuma garota.

— Eu deveria ter ficado quieto. A culpa foi minha, na verdade. — ele sussurrou, mas eu prestava atenção nas feições de Malfoy. Seu queixo era bem definido e ele poderia facilmente ser um protagonista das séries trouxas adolescentes. Não tinha uma beleza avassaladora e não tinha um físico invejável, mas era muito bonito. Chegava a ser ridículo. Seu nariz era ligeiramente grande, mas ornava estranhamente bem com o restante do rosto. Cerrei os olhos, analisando a linha fina que ele chamava de boca. Ao menos eram macia. Peguei uma taça qualquer, tomando um grande gole. Era doce. Doce demais.

— Rose? — Malfoy perguntou depois de um tempo, me pegando de surpresa. Era raro ouvir ele falando meu nome. Ele e Hugo me olhavam de uma maneira divertida, como se tudo fosse muito engraçado. Mas eu não fazia ideia do que eles estavam falando. — Te perguntei se você gostaria de dançar.

Pisquei os olhos. Eram muitas informações para meu cérebro processar. Estava me sentindo como Albus no meio de alguma prova: sem saber como eu tinha chegado naquela situação.

Ok, vamos lá. Não éramos amigos, nem inimigos. Tínhamos uma mini concorrência — mini mesmo — em algumas coisas de escola e estamos competindo pela mesma vaga no mesmo Ministério. Nos aproximamos por conta do Grêmio e por todo o drama do James e da Amanda Lore, que consequentemente envolveu boa parte da família Potter-Weasley. Nos beijamos em uma festa — ou melhor, eu o beijei. E ele me rejeitou por achar que estávamos fazendo isso rápido demais ou qualquer merda desse gênero. Ficamos numa boa e de repente estávamos trocando bilhetinhos idiotas que eu guardava no estojo, assim como ele. Agora estávamos juntos em uma festa do Slughorn trocando palavras gentis e elogios e… Rindo um com o outro e chamando-se pelo primeiro nome… E prestes a dançarmos juntos?

Encarei os olhos de Malfoy tentando achar alguma resposta para o que estava acontecendo ali e porque eu estava ridiculamente sem palavras. Um soco no estômago teria sido mais gentil do que a sensação que eu tive na barriga quando ele colocou a mão na minha testa, brincando sobre eu estar doente ou coisa do tipo por estar sem falar nada há tanto tempo. Malditas sensações.

— Não perdi a língua, Malfoy. — retruquei e ele sorriu um pouco menos que antes. — Mas eu aceito. — falei sem pensar mais do que já estava pensando.

— Eu… — ele ficou sem palavras, olhando desconcertado para Hugo. Ele não tinha acabado de me perguntar se eu queria dançar? — Você não estava ouvindo? Era uma brincadeira sobre… — ele se calou quando eu abri a boca em um “o” de compreensão. Ótimo, estava sendo rejeitada de novo por Malfoy. Por que minha cabeça idiota não foi capaz de prestar atenção no que ele dizia? Passei por idiota de graça. — Mas se você quiser dançar…

— Esquece. — soltei azeda, incapaz de formular uma frase irônica para sair menos mal na fita, procurando algum lugar bem longe com outro tipo de bebida. Estava puta comigo mesma de ter passado essa vergonha e meus olhos ardiam. Que merda estava acontecendo?

Notas finais
Vamos lá: no próximo capítulo teremos a continuação da festinha do Slug e o desenrolar de algumas tretas hehe Freedom ainda não vai acabar, mas está perto de chegar na fase final. Com isso, gostaria de dizer que pretendo reescrever e continuar alguma outra fanfic minha, então se você está lendo Freedom agora mas acompanhava alguma outra minha, por favor, deixe sua opinião! Pode ser por aqui ou por MP :) Preciso me planejar pq tem MUITA coisa pra arrumar dependendo de qual for a fic escolhida. Ah, e não esqueçam que com 100 comentários vou postar um bônus surpresa hehe Beijos e até mais!