Freedom

10 Quando a verdade vem à tona


Notas iniciais
Sim, isso não é uma miragem! Estou atualizando logo na sequência a história! É quase uma continuação imediata do capítulo passado, então tive a urgência de postar para que algumas coisas fossem esclarecidas, até mesmo pelo choque da revelação no capítulo passado. Vou me esforçar para manter um ritmo de postagens legais e conseguir contribuir um pouquinho com o entretenimento dessa quarentena que não tem sido fácil. Escrever, inclusive, foi uma excelente válvula de escape e um hábito que estou feliz em retomar. Espero que vocês estejam bem. Se cuidem e boa leitura!

Rose Weasley

Deixei a água quente escorrer pelo meu rosto e pelo meu corpo enquanto mantinha os olhos fechados. Qualquer resquício de álcool que pudesse estar em meu sangue com toda certeza já tinha ido embora à essa altura. Abri os olhos e enxergava tudo enevoado devido ao vapor do banho fervente. Não demorou muito até minha mãe bater na porta perguntando se estava tudo bem. Suspirei e desliguei o chuveiro.

— Está tudo bem. — respondi alto. Não obtive resposta. — Já vou sair.

— Estou te esperando. — minha mãe tinha um tom claramente preocupado em sua voz e de repente me senti com o coração pesado. Me enrolei na toalha e me encarei no espelho. Minha pele estava combinando com meu cabelo de tão vermelha que havia ficado devido o banho quente. Sei que não era lá uma coisa muito boa para pele e também para os cabelos, que ficavam ainda mais oleosos, mas nada que um ou outro tônico não resolvessem.

Abrir a porta foi como um choque térmico. Dessa vez eu realmente tinha praticamente cozinhado dentro do banheiro e lidar com o frio do restante da casa me fez correr rapidamente para meu quarto. Queria não ter corrido, para conseguir aproveitar mais alguns minutos sem precisar encarar o questionário de Hermione Granger-Weasley. Obviamente que, dado uns dez minutos, ouvi batidas na porta. Mas para minha surpresa:

— Querida. — a voz de meu pai soou. Não trocávamos tantas cartas igual eu fazia com minha mãe, mas eu sabia do amor que meu pai tinha por mim. Em partes era um pouco de culpa minha afastá-lo. Mas veja bem, os Weasleys representam a Grifinória em sua mais pura essência. E mesmo que meu pai diga que não liga para eu ter ido para a casa que representa tudo aquilo que ele sempre rivalizou, eu não conseguia agir normalmente quanto à isso. Pode parecer idiotice, mas quem não quer que os pais tenham orgulho? E nada me tirava da cabeça que eu não pertencer à Grifinória era sim uma espécie de demérito na minha família. Mas eu não poderia ter mais orgulho de estar onde eu estava, pois sentia que era ali onde eu deveria estar. — Como foi a festa? — ele perguntou finalmente quando finalmente abri a porta. Ele não entrou, ficou encostado no batente da porta analisando minha escrivaninha sem muito interesse.

— Foi boa. — dei de ombros, não querendo entrar em muitos detalhes. Meu pai pegou um dos porta-retratos que estavam na escrivaninha. Éramos nós quatro, quando eu era criança e Hugo praticamente recém nascido. Minha mãe estava com ele no colo, que dormia, enquanto meu pai me tinha em seus ombros. Eu ameaçava gritar para acordá-lo, mas acabava caindo na risada depois junto com meus pais.

— Voltou em segurança, como pude perceber. — seu tom de voz estava mais agudo que o normal, como quando discute com minha mãe por alguma coisa trivial. Ele pousou a foto e eu fiquei incrédula. Meu pai estava realmente tendo uma crise de ciúmes? — O que exatamente Malfoy anda querendo? Ele está muito próximo ultimamente. — ele cruzou os braços, ficando um pouco vermelho. — Vocês nunca foram muito próximos, certo?

— Ronald, pelo amor de Merlin. — minha mãe voou para dentro do quarto, com as mãos na cintura.

— Hermione, você estava nos ouvindo? — meu pai ralhou, mas seu tom divertido era evidente.

— Pare de atazanar sua filha. Malfoy fez apenas uma gentileza trazendo-a aqui.

— Sei bem que tipo de gentilezas ele gostaria de estar fazend… — mas antes que ele pudesse terminar, minha mãe lhe deu um pescotapa que poderia entrar facilmente no seu top 5.

— Estamos fazendo parte do mesmo Grêmio, por isso estamos mais próximos. — respondi antes que a discussão dos dois se estendesse. Eles olharam para mim com admiração.

— O Grêmio que conta com alguns dos Ministérios mais influentes do mundo? — minha mãe estava radiante. Meu pai sorria feito um abobalhado.

— Por que não nos contou antes, Rosinha? — torci o nariz para a citação do meu apelido de infância, mas meu pai estava tão feliz que não achei conveniente levantar aquela bandeira. Além do mais, estava gostando de toda aquela atenção.

— Bem, estivemos bastante ocupados com algumas tarefas, então não o fiz por carta. E com o Natal na T’oca, acabei não tendo tempo também.

— Oh, mas poderia ter anunciado na ceia mesmo! Tenho certeza de que todos ficariam orgulhosos. — meu pai avançou para me abraçar e sorri agradecida, mesmo que com dúvidas de que meus primos saberiam fingir felicidade por mim.

— Considerou alguma opção já? — minha mãe perguntou curiosa me puxando para sentar na cama. Ela colocou uma mexa do meu cabelo ainda úmido atrás da orelha e sorriu. — O Ministério dos Estados Unidos possui bastante opções.

— Hermione, lá só tem maluco! Cheio de politicagem corrupta. Acho que o Ministério do Brasil seria excelente para uma área de medibruxa, por exemplo.

— Ronald, quando Rose sequer disse que gostaria de ser medibruxa?

— Na verdade. — interrompi antes que eles entrassem em outra discussão. — Pensei na Romênia…

Silêncio. Meus pais pareciam genuinamente surpresos e eu não sabia exatamente o que fazer. Nunca antes havia levantado essa possibilidade para valer a não ser ter feito comentários positivos em relação à profissão de meu tio Charlie.

— Bem… — meu pai estava pálido e engolia em seco. — Ainda temos muito tempo para pensar nisso, não é. Por enquanto… Foque em realizar todas as atividades. — ficamos alguns minutos em silêncio, até que ele pediu licença. Encarei minha mãe, esperando alguma resposta.

— Bem, filha… Entenda que seu pai pode considerar a Romênia um lugar… Perigoso… Charlie ama a profissão, mas não saiu totalmente ileso. — seu olhar estava atônito. — Mas é uma decisão totalmente sua, sim?

— Obrigada pelo apoio. — eu estava ligeiramente surpresa com essa reação. Esperava uma negação ou uma revolta muito maior. — Sempre achei fantástico o trabalho dele. Acho que vale a tentativa. E no mais, estou me divertindo com as tarefas. Nesse semestre ficaremos responsáveis pelo Clube de Duelos logo ao retornar e você sabe que eu sou…

— A melhor em duelos. — mamãe sorriu.

— Eu iria dizer determinada, mas isso vale também.

Eu gostava da presença de minha mãe em meu quarto. Parecia certo e aconchegante. Sempre que eu tinha algum pesadelo ali estava ela comigo, ou quando eu me machucava ao cair da vassoura de brinquedo… Não tínhamos muitos segredos uma com a outra. Até sobre a relação com meus primos ela sabia o que rolava. Foi por isso que a pergunta veio não muito tempo depois que estávamos em silêncio.

— Rose, tem algo que eu deveria saber? — refleti muito se deveria ou não contar para minha mãe, pois se meu pai soubesse, era capaz de matar James. Não saberia qual seria a reação de tio Harry e tia Gina. Fora que, abrir o jogo com eles, era abrir o jogo com Lily. E consequentemente com o restante dos meus primos. Não teria paz por muito tempo e seria indagada sempre. E ainda havia James…

— Querida? — era a voz de meu pai novamente. Ele abriu a porta no minuto seguinte, com um sorriso no rosto. — Albus veio aqui te ver! Eu disse a ele que tudo não passava de uma desculpa para dar um oi em mim, mas que deixaria essa passar.

— Titio, você sabe que sempre é uma desculpa para ver o senhor — ouvi a voz de Albus, que agora se juntava ao meu pai, igualmente sorridente. — Mas realmente preciso combinar alguns detalhes com Rose, sobre uma surpresa que estamos preparando…

— A respeito do grêmio. — complementei. Meu pai sorriu em entendimento, mas minha mãe não parecia convencida.

— Terminamos nosso assunto depois. — sussurrou ela enquanto se dirigia até a porta. — Boa noite, Albus. — ela bagunçou seus cabelos e beijou sua testa enquanto saia.

— Boa noite, tia! Linda como sempre.

— Vamos deixar vocês à sós. — ela sorriu, escostando a porta. Revirei os olhos de imediato. Albus não iria me deixar em paz, não? Só queria ficar sozinha.

— Rose, ande, vamos usar o portal. — ele sussurrou enquanto abria meu guarda roupa em desespero. No quarto ano descobrimos um livro em uma seção afastada da biblioteca que ensinava a fazer portais. Tentamos por meses, mas sempre algo dava errado, até que no ano passado deu certo e resolvemos, por brincadeira, fazer alguns portais. Um deles dava da minha casa para a de Albus, outro da de Albus para a de Tony e Cat, que não queria ter más surpresas com Tony, resolveu deixar sua chave de portal comigo, e ela teria acesso à minha casa. Não usávamos com frequência por termos dúvidas a respeito de seus efeitos colaterais, então se Al estava solicitando o uso deveria ser algo sério. Ou apenas um drama da parte dele, o que não seria incomum.

— Para qual casa? — perguntei, curiosa a respeito do que poderia ser, mas tendo uma leve noção.

— Para a minha. Vamos confrontar James. Temos veritasserum, faremos ele confessar tudo e acabar com toda essa palhada.

— Albus você ficou maluco?

— Rose eu sei que isso é difícil para você, mas pense que poderemos resolver isso de uma vez por todas e nos vingar.

Ponderei a respeito. Me sentia incomodada com Albus tomando essa decisão, mas via em seu olhar o desespero.

— Achei que Scorpius fosse surrá-lo, mas ele não apareceu em casa.

— Ele desistiu. Por mim. — comentei tendo aquela sensação maldita no estômago novamente. Meu primo parou de procurar a chave de portal e se virou para mim, sorrindo de um jeito maroto ridículo. Detestava quando ele fazia essa cara, pois Al sabia ser muito inconveniente quando queria. — Porque eu não estava bem, idiota.

— Sei. Claro, claro. — ele riu consigo mesmo. — Adorei o fato de você ter ficado totalmente desconcertada ao falar dele. — Albus riu, mas se calou assim que eu chutei sua canela. — Caralho, Rose. Foi só uma brincadeira.

— Aqui está a chave. — peguei uma caixa de madeira e abri o fecho. Dentro havia um espelho. — Me dê sua mão. — puxei-o com uma força maior do que a necessária, mas quem mandou Albus ser tão chato com insinuações?

Antes que ele sequer pudesse falar algo eu juntei nossas mãos no espelho e a sensação de aparatação veio, só que mil vezes pior. Eu realmente iria vomitar, eu tinha certeza.

— Merlin! — Albus gritou assim que chegamos no porão dos Potter. A segunda coisa que ele fez depois disso foi vomitar em um balde próximo. Eu estava vendo estrelas e precisei me apoiar na primeira coisa que consegui agarrar. Senti braços firmes me segurarem e quando minha visão voltou ao normal me afastei no susto. Malfoy. Que droga, eu ficaria querendo vomitar todas as vezes que olhasse para ele? Maldito beijo.

— Albus me obrigou. — ele e Cat falaram ao mesmo tempo, claramente inconformados com a situação.

— Que coisa mais injusta… — meu primo limpava a boca com a manga da blusa. Quase gorfei com aquela cena e o cheiro que subia. — Ops, me desculpem. — ele acenou com a varinha e aparentemente resolveu o problema do vômito.

— Precisamos aperfeiçoar essa merda. — comentei me sentando em um pufe próximo.

— O ideal é nem precisarmos usar. — Cat bufou, vindo até mim. Seus olhos azuis fuzilaram Albus, mas suavizaram assim que ela se jogou em um outro pufe ao meu lado. Scorpius me olhava de um jeito esquisito e eu bufei, cruzando minhas pernas e exibindo minhas pantufas de coelhinhos, algo que me arrependi imensamente em seguida. Ele riu.

— Combina muito com sua personalidade. — comentou com uma expressão ridícula enquanto apoiava-se em uma mesa próxima. Apesar disso fiquei grata dele ter tentado quebrar o gelo, mas Al e Cat ainda estavam tensos.

— Vocês todos me amam demais, não é possível. Não me deram nem meia hora de descanso. — comentei para quebrar o clima daqueles olhares, o que ajudou um pouco mais. — Você especialmente, Malfoy. Não sabia que fazia parte do círculo dos portais. Deve ter sido um sufoco vir até aqui.

— Na verdade eu o busquei pela lareira. — Cat admitiu. — Quando Albus propôs isso eu achei que seria importante termos um cérebro na situação, pois Tony é um cabeça de vento e Albus está sem um pingo de sanidade. E bem… eu não sabia que ele chamaria você para a situação, então meu palpite de chamar o Scorpius foi uma boa sacada. — ela pegou minha mão discretamente, fornecendo apoio. Sorri em agradecimento.

— Vou ignorar totalmente suas ofensas por um bem maior. — Tony surgiu no topo da escada, aparentemente segurando algo. Ou melhor, alguém. — Me ajude aqui, porra. — Al e Scorpius correram para pegar o corpo aparentemente inerte de James.

— Merlin, vocês estão loucos? — falei aos sussurros e lançando um feitiço de silenciamento em torno do porão. — Querem fazer isso aqui e agora? E se alguém entra aqui e nos pega? Isso é motivo de inquérito!

— Rose, estamos fazendo o que precisa ser feito. — Tony garantiu enquanto amarrava meu primo em uma cadeira. Homens são todos assim, idiotas?

Com um aceno da varinha de Tony, James estava acordado e parecia atordoado. Olhava de um para o outro sem entender nada. Quando seus olhos passaram por mim senti um calafrio.

— OK, James. Vamos direto ao ponto. Irmãozinho. — a expressão que Albus assumira era levemente aterrorizante. Os dois estavam bem machucados dos eventos de poucas horas atrás e igualmente putos um com o outro. — Vou contar porque bati na sua cara e porque teria batido mil vezes mais. Você está com Dominique, mesmo estando namorando Amanda. E pior, abusou de Rose. E como se não fosse suficiente, comentou com seus amigos podres coisas a respeito das três. Você é podre.

— Você está louco? — James praticamente berrou e olhou para mim atônito. — Rose eu jamais faria isso com você, eu juro… Rose, eu… — ele foi calado por um soco muito bem dado de Scorpius. Cat soltou um gritinho, Albus estava em êxtase e Tony com o queixo no chão. Eu não conseguia acreditar no que estava vendo, meu coração e minha cabeça estavam a milhão naquele momento e minha respiração entrecortada.

— Cale a boca. — Scorpius rosnou enquanto voltava ao seu lugar. Seu peito estava subindo e descendo muito rápido e sua veia estava saltada.

— O que ele quer dizer é… — Catherine foi na direção de James, respirando fundo. — Cuidado com o que você vai dizer, pois fui eu mesma que tirei você de cima da Rose. Inclusive, lembro-me de ter feito questão de te deixar uma bela de uma cicatriz nas suas costas com o feitiço que lancei. — ela prendeu os cabelos pretos para trás e cruzou os braços, lançando seu melhor olhar ríspido para ele. Ela começou a rondá-lo como forma de intimidação, mas o único olhar que James sustentava era confusão.

— Olha eu… — ele tomou o ar antes de prosseguir. Como ele conseguia ser tão cínico? — Eu realmente traí Amanda. Dominique e eu estamos juntos desde a festa de Lily do ano passado. Sei que isso é errado, mas é mais forte… — de repente parei de ouvir o que ele falava e olhei para Cat. Ela pareceu perceber também e franziu o cenho. James só poderia estar mentindo descaradamente, pois a festa de Lily foi justamente no mesmo dia da festa de Anthony, na qual ele me abusou. Ou será que era possível que tudo não passou de uma confusão?

Impossível. Eu me lembro exatamente dos toques. Tenho asco só de lembrar. Não posso estar louca… E Cat também viu. O que estava acontecendo?

— Como assim? — ela o interrompeu, fazendo o que eu planejava fazer. — Eu vi você em cima dela na festa de Anthony. Como você poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo? Te deixei desacordado por horas.

— O quê? Não, claro que não. — ele negou com a cabeça. — Olha, eu jamais pisei na casa dos Zabini naquele dia, eu juro. Sobre ter falado sobre Rose eu realmente falei… — e outro soco, agora vindo de Albus. Scorpius e Tony vibraram um pouco e Cat bufou.

— Vocês querem parar de interromper? Mas se vocês podem machucá-lo, eu também posso. — ela se inclinou para fazer o que eu pensei que ela ia fazer — meter um chute bem nas bolas -, mas eu chamei a atenção dela antes disso.

— Espera. — todos me encararam sem entender. — Usem veritasserum. Ficar nessa porradaria não vai adiantar nada.

Scorpius suspirou, mas pegou um frasco do bolso. Assenti em entendimento.

— Então também é por isso que ele está aqui? — questionei e Cat deu um pouco de ombros.

— Se Albus iria fazer isso mesmo, era melhor que fizéssemos direito. — respondeu com um sorriso meio amarelo. É óbvio que todos ali haviam adorado a ideia de Albus.

— Ótimo, eu tomo. E então vocês vão perceber que estou falando a verdade.

— Se você não estiver… — Scorpius puxou seus cabelos com força para trás, com a ampola na mão. A veia de James estava tão saliente quanto a dele. James de fato não hesitou em tomar a poção e aquilo me deixou mais confusa do que eu já estava. O loiro largou a cabeça de meu primo com uma força exagerada. Esperamos alguns segundos até que o efeito começasse para valer.

— Qual seu nome? — Tony questionou.

— James Sirius Potter. — rosnou.

— Qual o seu irmão favorito? — Albus questionou com uma certa sede de sangue nos olhos. James reprimiu os lábios.

— Obviamente que no momento não você.

— Você traiu Amanda? Com Dominique? — foi a vez de Scorpius.

— Sim. — ele parecia estar muito puto com toda a situação e não pude deixar de apreciar um pouco.

— Você me assediou? — fui direto ao ponto, sem rodeios, e todos me encararam apreensivos. Até James demorou mais a responder, mas finalmente entregou:

— Não.

— Você tirou vantagem com seus amigos falando sobre Rose? — Al segurou o rosto de James, buscando algum traço de mentira.

— Sim.

— Mas não a assediou? — Al tentou novamente.

— Não. — James falava com tanta certeza que eu realmente passei a me questionar o que era real e o que não era. Precisei sentar novamente. Estava zonza e enjoada de verdade dessa vez.

— Isso não é possível. — Cat andava de um lado para o outro, até que parou de supetão e rasgou a camiseta de James em uma só tentativa.

— Wow. — ouvi Tony exclamar em certa admiração. Cat percorreu os olhos pelas costas de James e franziu o cenho.

— Não está aqui… — sibilou, levando a mão às costas para ter certeza de que nenhuma cicatriz passara sem ela perceber. Me levantei e caminhei até ele, ficando de perto. Olhei em seus olhos castanhos. Ele parecia genuinamente desesperado. E quando olhei bem fundo consegui processar. Não era ele. Aquele não era o mesmo olhar que eu havia sentido naquele dia. Toquei levemente seu pulso. Não era ele. Eu tinha certeza naquele momento.

Mas descobrir aquilo não me deixou muito mais tranquila. Um calafrio percorreu minha espinha. Quem poderia ter sido?

— Olhe… — James respirou fundo enquanto jogava a cabeça para trás. — Obrigado por destruir minha camiseta favorita, Nott. — ele comentou enquanto Cat se afastava. — Sei que sou um merda, mas jamais faria isso com minha própria prima. Aliás, com ninguém. — ele acrescentou rapidamente. — Escute, Rose. Imagino que tenha sido algo traumatizante para você. Te garanto que não fui eu. E vocês tendo essas dúvidas só confirmam uma suspeita antiga minha. Alguém vem se passando por mim em algumas situações.

— Isso é ridículo… — Albus riu, mas Scorpius franziu o cenho.

— Como assim, alguém tem se passado por você?

— Vez ou outra algumas pessoas falam sobre alguns assuntos comigo que eu sequer conversei com elas. Garotas me olham de maneira diferente, garotas com as quais nunca sequer tive contato na vida. Isso já estava me incomodando havia um tempo, mas desde que saí de Hogwarts as coisas estranhas pararam, o que me leva a crer que…

— Era alguém de lá. — conclui sua frase, com uma sensação de terror crescendo ainda mais dentro de mim. James assentiu, suspirando.

— Vou contar tudo para Amanda. Sei que se eu não fizer isso, vocês vão. E sinceramente, não estou suportando esse jogo psicológico de vocês.

— Se você já estava com Dominique desde aquela época, por que começou a namorar Amanda? — Scorpius estava com a veia saltada novamente enquanto perguntava.

— Eu e Dominique nunca tivemos nada sério oficialmente. E somos primos… Não é bem visto para algumas pessoas. E Amanda… Bem, eu gosto de Amanda.

— É impossível gostar de duas pessoas. — Tony debochou. Cat desviou os olhos da situação e eu percebi que capturei algo que ninguém ainda havia capturado. Seria possível?

— Não é. — ele garantiu. Não duvidei, pois ele ainda estava sob o efeito da poção. — Eu espero que vocês consigam pegar quem anda se passando por mim. E tenho quase certeza que é alguém da Grifinória.

— Jura? Achei que iria culpar alguém da nossa casa. — Albus ironizou. James revirou os olhos.

— Apesar de muita gente da casa de vocês me odiar, sei de muitos que me odeiam mesmo na Grifinória. E quem poderia ter melhor acesso a um fio de cabelo meu do que alguém de lá de dentro?

***

Logo após o mini interrogatório de James eu pedi para ir para casa. Não iria aguentar meia hora ou mais de deliberação a respeito de quem seria meu assediador. Dei um tchau rápido para todo mundo e lancei um olhar misturado com desculpa e até mesmo um pouco de vergonha para James, que apenas assentiu. Apertei com firmeza a mão de Cat, agradecendo, e acenei levemente para Tony. Não me dei ao trabalho de dizer nada para Scorpius, apenas suspirei antes de pegar no espelho e ter aquela sensação horrível novamente.

— Não ouse vomitar no meu quarto. — ordenei antes mesmo de conseguir focalizar qualquer coisa. Ouvi Al gemer em frustração e de duas uma: ou ele engoliu o gorfo ou segurou-o com todas as forças. — Espere uns minutos até querer parar de vomitar antes de sair pela porta. — alertei e ele assentiu, respirando fundo.

— Eu realmente não esperava isso. — soltou por fim. Eu assenti, me jogando na cama e colocando as mãos no rosto. Pensar que alguém poderia estar se passando por James e estar gostando disso por poder sair ileso de eventuais consequências me deixava enojada. Quem poderia ser tão podre?

— Vamos ter que pegar esse idiota quando voltarmos. Não vou conseguir ficar em paz com isso. — assumi com certa dificuldade enquanto encarava os pontinhos estrelados que havia enfeitiçado em meu teto. Eles me davam uma sensação de calmaria quando observava por um tempo, então estava me esforçando para que funcionasse.

— Nós vamos. Pode ter certeza. — ele se sentou em minha cama e segurou minha mão com carinho. Poucas vezes trocávamos afetos, então fiz questão de registrar aquele momento. Tínhamos um ao outro e isso bastava. Nunca ficamos abatidos antes e não era agora que ficaríamos.

Notas finais
Só eu adoro quando Rose fica claramente com o estômago na boca quando vê/lembra do Scorpius? E eu estava loooouca para incluir Hermione e Ronald na história logo ♥ Dei uma palinhazinha, mas eles devem aparecer mais um pouquinho ainda. Sobre a revelação que teve um twist carpado, vejo a turma como sendo uma galerinha muito impulsiva às vezes, o que gera muito conflito entre eles. É algo para a gente ficar de olho. E vocês possuem algum palpite de quem poderia estar se passando por James? Vejo vocês em breve! Beijos