Freedom

2 Jornalismo


No dia seguinte meu pai já havia ido para Paris e eu estava deitada na minha cama encarando o teto até que a porta se escancarou e minha mãe entrou já dizendo:

- Adivinha? Eu vou para a África com seu pai!

- Quê?

- É África! Vamos adotar um filho africano igual à Madonna fez. Está na moda.

Eu não acreditei no que eu ouvi. Filho? África? Como ela podia querer outro filho se nem da sua única filha ela cuidava direito?

- Mãe, COMO VOCÊ QUER OUTRO FILHO SE VOCÊ NÃO CONSEGUE CUIDAR DE MIM SOZINHA?

- ISIS, NÃO GRITE ASSIM COMIGO! E VOCÊ NÃO É UMA FILHA PARA MIM, VOCÊ É MAIS UM PESO! Só sabe fazer bobagem, nunca faz o que as pessoas querem que você faça. Eu e seu pai já estamos cheios de você! Ah, e outra coisa! Te mandaremos para Los Angeles no condomínio de luxo Freedom para que você faça sua faculdade de jornalismo lá.

Nesse momento lágrimas descontroladas escorriam pelo meu rosto. Eu ia ter um irmão africano e aí é que ninguém mais se lembraria da minha existência. Minha mãe, ou melhor, a mulher que me pariu (me recuso á chamá-la de mãe) me acha um peso. E eu vou para Nova York fazer faculdade de jornalismo. Sabe, eu não estou nem aí para a Vogue, eu quero fazer artes, teatro ou canto. Desde pequenininha meu sonho é ser cantora. E tudo isso acabou.

- Eu vou morar sozinha?

- Vai, você já é maior de idade, pode fazer o que quiser lá. Por um mês você morará sozinha, depois eu e seu pai voltaremos.

Não valeria á pena discutir com a mulher que me pariu, então perguntei se podia ir para a casa da Laura e ela deixou. Laura era aquela amiga que eu podia contar tudo, como eu me sentia e tal. Ela me entendia. Quando ela já estava saindo do quarto ela se lembrou de algo e voltou para dentro do aposento.

- Ah, outra coisa, não sei como você se atreveu a quebrar o salto da Jéssica viram as impressões digitais no sapato. Seu pai deu dinheiro para não divulgarem na imprensa, então só a gente e a coitada da modelo sabem o que você fez.

- Ah, você sabe que desde pequena eu adoro um escândalo, uma confusão.

- É infelizmente você adora. Bom eu já vou. Tchau – ela saiu e bateu a porta do quarto.

Eu parei de chorar. Não merecia gastar minhas lágrimas por isso. Eu estava me danando para o filho africano e também por ela me achar um peso. Sempre soube disso. E a faculdade de jornalismo eu ia dar um jeito de sair dessa, eu ia.