Free Fallin'
3 Marie: That fire.
– Bem informada sobre o que? Sobre mim? Qual é, você nem me conhece. E é só uma carona, eu juro.
– E do que vale sua palavra?
– Isso eu deixo você descobrir.
– Eu não preciso descobrir sobre algo que eu já sei. — Explico. Seu olhar parece distante, ele parece estar pensando em algo pra dizer, refletindo sobre. Então, recordo de Anne aos prantos, e por ele. E recordo de mim mesma, a alguns meses atrás, também aos prantos, por caras como ele. Talvez, seria bom dar o troco neles. Ah, como eu queria poder me vingar de um por um.
– Você nem me conhece, garota. — Ele diz, finalmente. A essa altura, o carro já estava estacionado. Eu estava pronta para sair andando e deixá-lo falando sozinho em breve, muito breve.
– E não faço questão de conhecer.
– Mas e se eu quiser te conhecer?
– E se eu disser que nem eu mesma me conheço?
– Deixa eu te desvendar, então. Aí eu te conto.
– Me desvendar pra quê?
– Porque você é um desafio, e eu gosto de desafios. — Diz, sorrindo outra vez, maliciosamente.
– Você não gosta de nada, nem de ninguém. — Então eu começo a andar, pronta para encerrar o assunto. Já estou em outra esquina quando sinto uma mão áspera apertando meu pulso, viro e me deparo com um par de olhos amendoados, olhando fixamente pra mim, com uma expressão que eu não sabia definir o que era. — O que você tá fazendo, garoto? — Pergunto.
– Qual é, isso foi muito estranho. O que você sabe sobre mim?
– Mais do que você imagina. — Retruco.
– E por que? Por que tem tanto interesse em saber?
– Eu não tenho interesse nenhum em saber sobre você. Mas, infelizmente, sei. Você já fez parte da vida de muitas pessoas, e uma delas eu conheço. — Explico dando um sorriso irônico. Eu não deveria estar fazendo isso. Não deveria estar quase que entregando Anne.
– Espera... — Ele pensa por um segundo antes de concluir a frase — Você é amiga da Anne?
– Sou. Mas isso não tem absolutamente nada a ver com ela, eu posso te garantir. A Anne não dá a mínima para você. — Minto — E muito menos eu. Agora me solta, por favor?
– Claro... Me desculpa pelo incomodo, não vai se repetir. Esquece esses últimos minutos, e que a gente começou assim, tá bom? Vamos começar de novo. Eu sou John. — Ele se apresenta, e certamente espera eu dizer algo, mas não digo, então ele continua — E você é Marie, certo?
– Errado. Eu sou uma maníaca psicopata, fugi do manicômio, no momento, pela minha mente, passam-se diversas maneiras diferentes de como arrancar sua cabeça. Com um machado, talvez? Ou um taco de basebol? Uma faca seria algo muito simples e monótono... Dá pra me soltar? Talvez eu seja uma satanista e reze por você hoje a noite. — Ele me olha com uma expressão confusa, certamente correspondendo ao meu olhar de raiva. Porque é isso que sinto quando ele me toca. Quem ele pensa que é? Espera, por que ele tá sorrindo? Tô com cara de quem tá fazendo piada? Tô parecendo uma idiota?
– Você é incapaz de assustar alguém assim.
– Assim como?
– Sendo tão linda.
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