Fraterno enquanto Dure

5 Capítulo 05: Contando -Telling-


Notas iniciais

Depois de enganar vocês novamente, cá estou eu para revelar que depois deste break imenso, vou postar até o Capítulo 07, no qual "parei" (comecei a escrever o nono faz um tempinho já mas como anda tudo tão corrido na minha vida, sem falar que estarei sendo "cirurgiado" no dia 1º de abril...

Enfim, vamos ao que interessa!

FED no ar novamente!

Acho que a primeira vez que nos beijamos foi quando eu me meti a jogar o famoso jogo da garrafa, onde quem girar a garrafa tem que beijar quem o gargalo da garrafa apontar. Foi um momento de coragem e atrevimento de minha parte. Eu não queria ter ido a aquela festa que Guilherme e Gustavo iam. Era somente para Gustavo comparecer, mas seus pais estavam brigando no dia e Guilherme implorou para que ele nos levasse junto e sem muitas opções, ele nos levou.

Aquela foi noite fui cheia de conquistas e revelações. Para Guilherme foi uma noite de conquista, pois conseguiu seu primeiro beijo de uma garota mais velha. E realmente foi o seu primeiro beijo. Mas também foi uma noite de revelação, pois não se deve agarrar uma pessoa a força, pois levar um soco de esquerda em seu olho pode ser a primeira reação pós-beijo.

Para Gustavo foi uma noite de conquista, por conquistar o recorde da turma por ficar o maior tempo bebendo “Nabunda”; mas também foi de revelação, pois beber de barriga fazia ficar bêbado mais rapidamente.

Para mim foi uma noite de muitas revelações, porque soube que sentia ciúmes das pessoas que se aproximavam de Gustavo e de Guilherme. Principalmente quando fomos convocados para jogar o jogo da garrafa. Sentamos no chão, sempre alternando entre menina e menino. Era uma festa pequena, portanto exigia o sigilo de todos. Quando Guilherme soube que poderia beijar um cara, quase desistiu, mas depois viu que as meninas mais bonitas da festa estavam na roda, voltou rapidinho, ainda usando o saco de gelo no olho esquerdo.

O primeiro a girar foi um homem troncudo, moreno e bem apessoado, se é que posso me permitir a dizer isso. A garrafa começou a girar, eu estava nervoso, sabia do que podia acontecer. Olhei para Gustavo, ele estava com um copo de cerveja e olhava intensamente para mim. Então, envergonhado, olhei para Guilherme, que suava frio e comemorava silenciosamente por não ter sido a pessoa escolhida pela garrafa. Uma garota loira, de olhos azuis e lábios carnudos, beijou o cara que girou a garrafa e a girou novamente. O escolhido foi Guilherme, que beijou a menina e girou a garrafa. Guilherme fechou os olhos de medo, eu somente me permiti sorrir.

A garrafa apontou para Gustavo, que riu alto. Uma coisa que sempre me instigava e admirava na família Gutenberg era o nível de intimidade e afeto que tinham, antes das brigas. Beijar o irmão não seria problema, já que quando mais novos costumavam dar “selinhos”, mas este hábito foi cortado por Guilherme logo após esta festa.

Logo era a vez de Gustavo girar a garrafa. Ele a girou enquanto me olhava nos olhos, lambeu os lábios lentamente e voltou ao seu lugar enquanto a garrafa continuava a girar. Eu, de repente, queria que a garrafa apontasse para mim desesperadamente. E quando ela ficou lenta, passeou lentamente pela menina ao meu lado, pousando graciosamente em Milena, a dona da festa, que estava ao meu lado. Ela logo se prontificou de ir ao encontro de Gustavo. Meu coração batia lentamente, o movimento dela parecia ser lento, o som ficou distorcido, como se estivesse parando. O desespero tomou conta de minha mente. Tudo ficou azul e desfocado. Ver Milena tomar os lábios de Gustavo, que olhava tristemente para a minha pessoa, me deu asco.

Meu corpo simplesmente se pôs em pé, meus olhos ainda em Gustavo. Saí da roda e fui para os fundos da casa, indo em direção da praia. Naquele momento me fora revelado que quando coisas que não sabemos explicar o porquê nós queremos não acontecem, desmoronamos por ficarmos sem saber o porquê a queríamos e porque não as conseguimos.

Sentei na areia e me sentia pesado, logo deitei. Olhei para o céu e senti como se chorasse por dentro. Não podia chorar por fora sem saber o motivo de chorar por dentro. Eu me sentia impotente, irritado e enciumado. Mas tive que fingir tudo isso quando ouvi passos em minha direção e logo a pessoa deitou-se ao meu lado. Eu sabia quem era. Conhecia o seu cheiro. Sua respiração era curta e rápida. Era possível sentir a sua tensão. Logo ele começou a falar.

- Gostando da festa, Bernardo? – Eu sabia que não era exatamente isso o que ele queria me perguntar, logo retruquei:

- Não mais que você...

Me arrependi no mesmo momento que me permiti a dizer tal coisa. Gustavo se deitou de lado, apoiando seu corpo em seu braço esquerdo. Ele olhava seriamente em meus olhos, alternando somente para a minha boca. Ele estava sem camisa, era uma noite muito quente, apesar da brisa levemente refrescante.

- Você está com ciúmes, Bernardo? – indagou-me sem receio algum.

- Possivelmente. Apesar de não saber a razão de me sentir assim...

- E precisa ter razão para gostar de mim, Bernardo? – Atrevido e cheio de si, mas ainda assim, cheio de razão. Porém ainda me sentia mal.

- Precisa ter alguma para gostar de mim, também? – Audácia e incerteza. Meu corpo tremia por meu atrevimento e por sua aproximação.

- Não precisa. Não mais... – me senti quente, suava frio... – Nunca precisei de razão-motivo algum para me sentir atraído por você.

Ele se aproximou, seus lábios estavam próximos aos meus. Mas ele esperava por minha parte, que não demorou muito para realizar a aproximação. Foi uma conquista. Meu primeiro beijo, meu primeiro ano de sofrimento. No final, o beijo me rendeu, duas semanas depois, uma revelação dolorosa, pois Gustavo estava se mudando para a capital para estudar na Universidade de Artes.

Aprendi também que quando bêbados, podemos apagar em qualquer lugar.

- Eu ainda não acredito que você desmaiou enquanto me beijava!

Gustavo estava vermelho de vergonha. Já eram cinco e meia da manhã e Guilherme e Sophie já tinham se divertido duas vezes na mesma noite, uma na balada e outra no quarto ao lado. Comigo e Gustavo não fora muito diferente. Matamos as saudades de nossos lábios. Conversamos e rimos muito. Mas ainda tinha algo que o incomodava.

- Você ainda está preocupado com o Richard, Gu?

- Como cunhado, sim. Mas não é isso que me preocupa, meu amor.

- Então o que é?

- Alice.

- Quem é Alice?

- É isso que estou dizendo.

- Meu Deus... – Balbuciei pausadamente.

Em todo esse tempo eu não havia me lembrado de minha, até então, namorada e melhor amiga. Que exemplo de parceiro que eu sou! Como eu iria contar a ela que eu estava enfim com a pessoa que eu sempre quis estar? Que nosso namoro foi uma mentira, mas mesmo assim, não foi um erro? Deveria eu ter confiado em meus desejos e minhas incertezas com ela anteriormente?

Independente de qual seja a resposta certa para todas essas perguntas, me importava a mais egoísta e importante de todas elas: Perdoaria Alice a mim por não ter sido quem ela esperava que eu fosse? Ela seria ainda minha melhor amiga?

Meu silêncio preocupou a Gustavo, que me abraçou e fez-me repousar a cabeça sobre seu peito macio e definido. Ele acariciava minha face, seu coração estava um pouco acelerado. Acariciei sem muita vontade seu abdômen. Olhei para cima e ele sorriu tentando me acalmar, beijando o topo de minha cabeça e me abraçou mais forte.

- Não se preocupe. As coisas podem ficar mais complicadas por estarmos juntos, porém ainda temos um ao outro. E enquanto tivemos isso, enfrentaremos tudo juntos e assim conquistaremos o que é de nosso direito.

- Mas isso eu terei que enfrentar sozinho, Gu.

- Mas não precisa enfrentar sozinho, Beni. – sua mão levantou gentilmente minha cabeça pelo queixo. – Estamos juntos nessa.

- Eu sei. – lentamente me ajeitei sobre ele e beijei rapidamente os seus lábios. – Mas isto é um assunto que é muito além de mim, de você ou de nós. A minha amizade com Alice ainda está em jogo.

Enquanto eu apoiava o meu queixo sobre o seu peito, pude observar o quanto Gustavo estava preocupado, apesar de tentar esconder este fato.

- Então seja verdadeiro com ela desta vez. Se permita a descrever quem você é e quem sempre foi. – Gustavo acariciava minha face. – Tenho certeza que ela irá te perdoar, ela é uma boa garota e ela seria muito estúpida se não querer mais sua amizade.

- Você é um bobo, mesmo, hein Gustavo? – rimos. – Estou muito feliz por estar contigo.

- Eu também. – Me acomodei em seus braços e o beijei. – Eu te amo, Bernardo.

Logo quando acordei, deixei um bilhete para Gustavo e desci para a cozinha. Guilherme e Sophie estavam preparando o café e logo disse que estava indo, mas avisei que tinha deixado um bilhete para Gustavo.

- Porque não toma café conosco, Beni? Depois vamos juntos para casa. – Sophie parecia querer ficar mais um pouco ainda. – Queria dar uma olhada no Richard e ver como ele está indo.

- Não vou direto para casa, eu pretendo passar na casa da Alice para podermos conversar. – Guilherme se aproximou de Sophie e sussurrou.

- Está vendo? Eu disse que ele ia falar com ela logo...

- Eu ouvi isso! – rimos – Desde quando vocês conversam sobre meus problemas?

- Desde quando você entrou em nossas vidas! – responderam.

Rimos, mas eu tinha que ir. Despedi-me deles e fui para o carro.

Alice não morava muito longe da casa dos Gutenberg. Em menos de cinco minutos eu estava na frente de sua casa. Respirei fundo e pensei no que iria dizer a ela, mesmo sabendo que eu iria esquecer tudo assim que a visse sorrir para mim como se nada ainda tivesse sido contado.

Pensei em arrancar o carro e ir para longe de sua casa. Mas tinha que enfrentar esta situação mais hora, menos hora.

Desci do carro e fui em direção a porta. Cada passo que eu dava em direção da porta parecia durar um centímetro. Eu estava decidido a fazer isso... Mas voltei para o carro. Bati minha cabeça com força no volante e pensei por um momento.

O que eu estava fazendo? Indo contar para minha namorada que ela acabara de ser trocada por um homem, mais velho, mas isto é algo que já é óbvio. Mas estar adiando algo que uma hora ou outra irá acontecer? É estupidez minha ou eu apenas estou com medo?

Se for estupidez, vamos saná-la. Se for medo, vamos enfrentá-lo.

Afinal é isto o que nós devemos fazer, não é Bernardo?

Ding-dong.

Foi o som que soou da campainha. Mesmo assim, ninguém parecia responder.

Ding-dong, novamente.

Ainda permanecia o silêncio dentro da casa e essa era a minha deixa. Eu não estava preparado para dizer algo, apesar de ser preciso. Dar meia volta e topar com Alice era o que eu menos queria.

De cabeça baixa andei em direção do carro, mas escuto passos rápidos, como se alguém estivesse correndo em minha direção. Olhei para onde vinham esses passos e não pude não pude esconder a surpresa.

- Quem é vivo sempre aparece, não é?

- Este é o plano. – ri nervoso.

- Você está bem, Bernardo?

- Para ser sincero, não mesmo.

- O que eu posso fazer para que você se sinta melhor? – disse ele se aproximando. Ele estava suado, exalava um cheiro de homem, cheiro de sexo...

- Sim. – pude ver o sorriso ir de orelha a orelha ao ouvir isso de minha boca. – Pode começar colocando essa camiseta, Lionel.

- Lion, para os íntimos. – Lion colocou a camisa regata. – Está esperando a Alice?

- Na verdade, sim. Mas ela não está, então eu vou embora...

- Espera aí... – Lionel entrou em meu caminho – Mas tão cedo assim?

- Eu não quero conversa com você, Lion.

- Pra quem não quer conversa ainda está muito intimo, não acha, Beni? – Lionel me olhava com a cara mais depravada do mundo. Ele olhou para os meus lábios, mordeu os dele. Olhou para a minha orelha, o que eu achei estranho, e se afastou.

- O que os meninos tanto conversam?

- Alice, minha rainha. – Como esse garoto podia ser tão falso?

- E aí? – Foi a única coisa que pude falar para não permitir o silêncio.

- Eu estou bem, apesar de o sumiço de alguns... – disse ela me alfinetando.

- Mas se alguém não anda cuidando ou dando conta do recado, pode ter certeza que eu dou... – Neste momento eu não podia perder o foco. Piadas desse energúmeno não iriam me tirar do sério, pois se tirasse provavelmente ele já estaria no chão.

- Alice, nós precisamos conversar...

- Obviamente que precisamos. – Alice ficou séria, muito séria.

- Bem, o clima ficou tenso e eu preciso terminar minha corrida matinal...

- Antes tarde do que nunca. – Falei em tom de chacota.

- Essa doeu. – Disse ele fazendo como se algo afiado tivesse penetrado o seu peito atingindo o seu coração, algo que eu faria se eu não tivesse medo de entrar na prisão.

Lionel seguiu com sua corrida, deixando a mim e Alice a sós. Alice segurava uma sacola de mercado, fiz questão de segurá-la. Entramos na casa de Alice, passando pela sala pouco decorada, indo diretamente para a cozinha. Deixei a sacola sobre o balcão e me sentei-me à mesa. Alice me ofereceu algo para beber, mas recusei. Ela se sentou do meu lado. Minhas mãos suavam frio. Eu tremia. Ela parecia perceber, mas isso não a fez se preocupar.

- O que você precisa me contar que está tão nervoso assim?

- Alice, eu quero terminar o nosso namoro. – Ela pareceu pouco chocada.

- Nossa! Isso veio meio de repente... – Respirou fundo e sorriu forçado. – Sempre direto ao ponto.

- Você quer saber o porquê, não quer?

- Isso é meio lógico, não acha? – Disse ela meio alterada.

- Alice, você se lembra de quando éramos somente amigos e você me pediu para contar quando eu me apaixonasse por alguém pela primeira vez?

- Claro que lembro. Foi um dia antes de você me pedir em namoro.

- Também...

- O que acontece, Bernardo? Vai me dizer que se apaixonou por outra menina? Ou pior! Sempre esteve apaixonado por ela e somente esteve comigo por pena?

- Não seja tão dura comigo, por favor! – Implorei em meio de um choro contido.

- Você está terminando comigo em uma manhã ensolarada e bela e ainda me pede para não ser dura contigo, Bernardo? Você acha que isso é um filme da Disney?

- É difícil dizer isso para você... Pelo menos agora...

- Isso Bernardo! Diga tudo agora, antes que eu aceitasse me casar com você!

- Eu estou e sempre estive apaixonado pelo Gustavo Gutenberg.

Alice se levantou e foi em direção do balcão e ficou de costas para mim. Suas mãos em sua face. Seus olhos estavam fechados. Ela não chorava, somente parecia desapontada.

- Desde quando, Bernardo? – ela ainda estava de olhos fechados.

- Desde quando eu o conheci. – Tentei não parecer empolgado, isso pioraria a situação.

- Agora que ele está de volta à cidade somente para curtir as férias da universidade você vai querer ter o seu romance de infância? Você não acha que ele vai te deixar aqui? Largado, sozinho?

- Não sei, okay? – não pude segurar o grito. Ela estava sendo muito mais cruel do que eu com ela. – Eu já tenho idade para sair da cidade... Eu poderia ir para a capital, trabalhar e estudar lá mesmo.

- Melhor você acordar do seu sonho, Bernardo! – Alice cruzou os braços e se virou para mim. – Quem garante que ele não está te usando para passar o tempo?

- E se ele realmente me amar assim como ele diz?

- E te largar depois como ele fez com o Richard?

Me largar como ele fez com o Richard?

- Sim, eu estou sabendo de muita coisa, Bernardo. – Gritou agressivamente, não podia ser diferente.

- O que o Richard te disse? Ele deve estar confuso, só pode estar!

- Confuso ou não, o Gustavo está com você e logo voltará para a capital e no final você foi somente mais um! – Seus braços estavam abertos agora. Ela estava ofegante – Você acha isso a melhor coisa para se fazer e viver no momento, Bernardo?

- Não sei...

- Está vendo? E você acha que quer conversar sobre terminar comigo se nem sabe como vai começar a namorar um homem! UM HOMEM!

- Por favor, Alice. Me deixe explicar para você tudo. Não quero que fiquemos nessa situação...

- Você já nos colocou nesta situação. – Ironia em sua voz.

- Por favor!

Ela se sentou no balcão, respirou fundo e pediu para que eu começasse a me explicar.

Alice chorava. Eu tentei confortá-la, mas ela quase jogou algo em mim para que eu não me movesse. Aquele momento durou uma eternidade. Eu tinha entrado eram quase duas horas da tarde e já eram quatro horas. Lá fora chovia. Era como se a felicidade e o lindo dia tivessem sido tomados pela tristeza e pela chuva.

Eu não tinha pensado em como ela iria reagir. Mas foi até melhor, pois se eu soubesse de todas as reações dela, eu iria ter desistido muito antes de ter me permitido ficar com Gustavo. Não sei se por medo ou por vergonha.

Porque, imagine só: um cara apaixonado pelo irmão do melhor amigo, mas pede em namoro a sua própria melhor amiga e depois da um chute nela para ficar com o seu amado.

- Não teria sido muito mais fácil e menos doloroso para todos se você tivesse me contado antes?

Respirei fundo.

- Sim, Alice. Teria facilitado muitas coisas.

- Mas por que você não me disse nada? Afinal, eu não era a sua melhor amiga? – ela estava calma, como quando começamos a conversa.

- Você É minha melhor amiga. E eu acho que não disse nada porque eu não sabia se era realmente o que eu queria. Ainda não sei se é isso o que eu quero, mas se eu não tentar, como saberei? – Muito otimismo vindo de mim. – Só quero que entenda que nunca te usei para tentar aparentar quem eu não era.

- Nem mesmo para oprimir o sentimento por Gustavo?

- Talvez sim...

- Você foi tolo por achar que iria oprimir algo tão forte quanto o amor. – Eu não pude acreditar quando eu vi. Ela estava sorrindo e eu estava confuso.

- Alice, eu...

- Chega, garoto! Você vai estragar tudo!

- Como assim? – ri nervoso.

- Eu pedi pra você ficar calado, Bernardo! – ela sorriu. – Fiquei desapontada por terminarmos o nosso namoro. Eu gosto muito de você, Beni. Mas sempre foi como amigos. Estou feliz por você ter achado uma pessoa que te ame, afinal, sou sua amiga, não é? – somente concordei com a cabeça. – Desculpe por ter sido tão dura. Provavelmente foi a decepção, raiva e cuidado somados que me fizeram falar asneiras daquela forma.

- Não, Alice, você estava certa. Eu não sei o que será daqui pra frente, afinal ele tem mais um semestre pela frente para concluir...

- Mas isto não significa que você realmente não possa ir junto dele ou que ele volte para cá. Afinal, vocês são jovens e se amam...

- O que foi Alice? – Ela simplesmente estava com a cara mais assustadoramente engraçada que eu já pude presenciar.

- Eu tive uma idéia! – Foi ai que eu soube que tinha problema pela frente.

Eu zapeava os canais da televisão a cabo sem parar. Guilherme tirou o controle de minha mão, antes que eu acabasse com a pilha e o quebrasse de tanto nervosismo. Sophie estava na cozinha, fazendo um suco para bebermos e logo voltou com uma bandeja com copos e uma jarra de suco de abacaxi com hortelã.

Depois que Alice me obrigou a trazê-la aqui para ter uma conversa “de homem para homem” com Gustavo e se trancarem lá em cima por mais de uma hora. Seria engraçado se não fosse extremamente desesperador. Ela aceitar tudo tão rapidamente, apesar das palavras duras, foi algo que eu não esperava dela, mesmo ela sendo minha amiga.

O som da porta do quarto de Gustavo se abrir, me fez pular do sofá. Eu tremia e suava feito um louco. Alice desceu por primeiro, ela parecia estar bem. Nenhuma mancha de sangue nela. Gustavo vinha logo atrás, todo arrumado e sorridente. Aliás, Guilherme e Sophie também estavam arrumados.

Enfim, Gustavo e Alice pararam em minha frente. Alice, agora, sorria maliciosamente e Gustavo beijou o topo da minha cabeça. Guilherme curioso com toda a situação, pigarreou, chamando a atenção de todos, e pediu uma explicação.

- Como se devêssemos te explicar algo, Guilherme! – Alice brincou.

- Ela tem razão, Gui. Isso é assunto deles. – Concordou Sophie. – Vamos para a cozinha esperar eles se acertarem.

- Não, vocês podem ficar. Isto talvez interesse a vocês também. – Alice sorriu maliciosamente, novamente.

- Então, o que você tem para me falar, Alice? – perguntei impaciente. Alice suspirou.

- Não sei nem o porquê de estar fazendo isso, talvez seja o fato de eu te amar, Bernardo.

- Não enrola, garota! – pedi cheio de nervosismo, todos riram.

- Então, Beni. Tive um papo sério com esse homem que agora é o seu namorado...

- E...?

- Deixe-a terminar, Bernardo! – Gritou Sophie.

- E eu te dou a permissão para trocar o meu titulo de namorada com ele. – todos riram, mas eu ainda estava perdido. – Eu, como sua melhor amiga, permito que você namore o Gustavo.

- Como se eu precisa-se de sua permissão, né? – agora eu pude rir.

- Vi que as intenções deste pedaço de mau caminho desviado, no bom sentido, têm para com você são totalmente verdadeiras e não vejo problema algum em vocês namorarem. Nunca tive.

- Alice, agradeço por...

- Ai que coisa chata e melosa, Bernardo! Vamos é comemorar! Meu amigo simplesmente se tornou a minha putinha!

- Sem termos pejorativos, por favor! – rimos.

- Enfim, espero que conquistem todas as batalhas daqui pra frente, já que é barra contar pra família...

- Foi a pior parte, no meu caso. – disse Gustavo, realmente me ajudando a superar isso.

- E você tem a melhor oportunidade de contar tudo isso hoje. – Propôs Sophie.

- A claro, chegarei em casa e direi a todos que eu adoro brincar de Lego, Sophie! – todos riram, mas Guilherme não entendeu e disse que era melhor ficar sem entender.

- Você esqueceu que hoje é o aniversário do papai?

- Meu Deus, que filho desnaturado que eu sou!

- Não se preocupe, eu já comprei o seu presente para ele. Agora nós precisamos ir, pois ele já deve estar chegando do trabalho. Você vem Alice?

- Somente se o Bernardo for abrir o bocão pra falar algo!

- Então eu acho que você vai ter que ir, minha amiguinha!

Terminar o namoro, e quase a amizade, com Alice e reconquistar a amizade novamente foi algo fácil. Mas com meus pais seria algo muito mais diferente e complicado de conquistar. Afinal, um dos motivos de serem pais é ter que nos apoiar quando escolhemos seguir algo que nos fará bem e nos deixa felizes, não é?

Notas finais

Sem notas finais neste capítulo =P