Fraqueza Ou Força?
28 Capítulo 28
Regina não sabia o que fazer. Não queria conversar com a xerife. Ela estava magoada, cansada, com as emoções a flor da pele tanto pelo o ocorrido na delegacia como pela história de sua mãe. Não estava com disposição para brigas. Então ela fingiu uma tosse para acordar a loira, que ao ouvir o som logo despertou.
-Regina, onde você estava? Vi o seu carro na porta e achei que você estivesse em casa. Chamei por você por horas. -Onde eu estava não é do seu interesse Miss Swan, eu só peço, por favor, que você se retire da minha porta para que eu possa entrar em minha casa. -Nós precisamos conversar. -Eu não tenho nada pra falar com você, então se me dá licença... -Regina, por favor, pare com as formalidades, pare de fazer de conta que nós voltamos a nossa relação antiga. Não adianta, por mais que você tente negar, esquecer, nós vivemos muitas coisas que não vão ser apagadas assim tão facilmente. Por favor vamos conversar. -Miss Swan, eu já te disse que não tenho assuntos a tratar com você. Hoje eu tive um dia muito cheio e desagradável e ainda tenho muitas coisas para por em ordem. Então eu peço novamente que, por favor, a senhorita se retire. -Eu não vou a lugar nenhum sem antes conversar com você. Eu tenho muitas coisas pra te dizer, e você já devia me conhecer bem o suficiente para saber que eu não vou desistir até falar tudo que está aqui... -- disse a xerife apontando para o coração. Regina realmente conhecia bem a xerife, com toda certeza ela não iria embora até falar tudo o que queria, então ela rolou os olhos e apontou para a porta dizendo: -Eu infelizmente conheço a sua teimosia e sei que teria que aguentar os seus gritos a noite inteira e como estou muito cansada não estou com paciência pra isso, então aproveite a minha generosidade e seja breve. Emma deu um leve sorriso e a seguiu para dentro da casa. Logo ao entrar viu a bagunça em que a sala estava. Cacos de cristal, porcelana, estilhaços de espelho, o lindo relógio em pedaços, enfim a raiva que a rainha havia sentido podia ser facilmente percebida pelo estado do cômodo. Regina com a sua máscara fria de prefeita, fez de conta que não havia nada de estranho na casa, e manteve a relação estritamente profissional entre elas, repetindo os seus encontros de antes da quebra da maldição. Ela logo estendeu o braço apontando para o sofá para que a outra se sentasse, e assim que ela o fez, se sentou na poltrona mais distante e disse: -Sim xerife, o que deseja? E por favor, como já disse, seja breve, estou muito cansada.A loira sabia que não adiantava insistir para que a morena parasse com o teatro de que nada nunca havia acontecido entre elas, ela já conhecia a outra muito bem para entender os seus mecanismos de defesa. Criar muralhas de frieza era o seu jeito de se proteger nesse mundo. Então ignorando o tratamento e olhar gélidos da mulher, ela começou a despejar todo o seu desabafo. -Regina, você não tem ideia do quanto eu sinto por tudo o que aconteceu hoje. Não estou falando apenas do beijo, mas pela maneira como reagi durante a nossa conversa mais cedo. Você tem toda a razão, eu fui uma menina mimada. Mas você tem que entender que, assim como você, eu também tenho um passado que me deixou cheia de marcas e de medos. Acho que todo o tempo que você passou nesse mundo como prefeita a fez ser mais cautelosa, a maneira que você encontrou para se proteger foi tentando fazer as coisas com calma, e agora depois de pensar muito, eu reconheço que você por muitas vezes abriu mão disso por nós. Imagino como deve ter sido difícil pra você me contar do seu passado, ter me permitido tocá-la, ter me perdoado por toda a desconfiança no caso de Archie, ter aceitado ser minha namorada, ter aguentado o meu ciúme e a minha pressão. Me perdoe por ter exigido demais de você. Mas da mesma forma que a sua história te levou a ser mais cuidadosa, a minha história me levou a exigir, a desconfiar, a sempre esperar por uma traição seja de qual natureza fosse. Todas as vezes em que eu te pressionei, que eu apressei as coisas, foi quase que uma tentativa de medir se você de fato gostava de mim, e na minha mente eu só acreditaria nisso se você seguisse o meu ritmo. Mas eu deveria saber que você não se deixaria levar pelos meus caprichos, e o mais irônico é que isso é uma das coisas que me faz ser completamente apaixonada por você. Então hoje, quando você negou morar comigo, o que pra mim seria uma prova de que você realmente gosta de mim, eu fiquei descontrolada. E para completar o Hook ainda apareceu, confirmando todos os meus medos. Ele me disse que você não se apegava a ninguém, que tudo não passava de diversão, que você nunca se entregaria a ninguém. Eu estava sozinha, não tinha ninguém com quem eu pudesse conversar, e ele apareceu ali dizendo ter passado pelo que eu estava passando e eu recebi o beijo dele como um carinho, uma oferta de paz, não tinha nada de libidinoso. Tanto que enquanto eu o beijava eu pensava nos nossos beijos, nos nossos toques, no amor que havia ali, tão diferente do que estava acontecendo com o pirata. Foi durante o beijo que eu percebi que por mais que você negasse, por mais que você me afastasse, por mais que você tivesse medo, eu sabia que você me amava, assim como eu te amo. É isso o que eu tinha pra te dizer, vim pra te pedir desculpas, te dizer que eu te amo, e principalmente pra te dizer que não importa o quanto você me afaste eu não vou desistir de você. Se você quiser que eu vá embora agora, eu irei, mas eu vou passar a vida tentando ter você de volta. E aí? Você quer que eu vá ou você vai me permitir passar a minha vida tentando te fazer feliz?
Regina não respondeu nada, seu rosto estava marcado por algumas lágrimas que insistiram em cair. Diante do silêncio da rainha, a xerife se levantou, foi na direção da outra, se ajoelhou em sua frente, levantou seu rosto pressionando suavemente os seus dedos em baixo do queixo da morena, a olhou nos olhos e também deixando lágrimas rolarem por sua face, Emma disse: -Eu te amo Regina, por você eu espero todo o tempo do mundo. Eu vou aprender a respeitar o seu tempo, eu não vou te pressionar nem duvidar de você, e por mais que eu esteja fragilizada por mais uma de nossas brigas, que eu espero que nunca mais aconteça, eu nunca mais irei procurar consolo em outros lábios. A sua boca é a única em que eu quero me afogar -- falou essas últimas palavras tocando levemente os lábios da morena e ao terminar olhou profundamente nos olhos das rainha e a beijou, um beijo delicado e terno mas cheio de paixão que a morena retribuiu. O beijo só parou porque infelizmente os corpos precisam de oxigênio. Com o fim do beijo, Regina também se ajoelhou de frente para Emma, e a abraçou. Depois do abraço ela ficou cara a cara com a sua mulher e disse: -Você sabe que eu te amo, não é?A xerife sorriu e disse: -Eu sei -- e logo beijou a morena novamente.Depois desse beijo, Regina disse: -Quanto a termos que nos esconder, podemos repensar esse assunto. Minha mãe já sabe sobre nós, e ao que tudo indica ela não quer te matar falou rindo -- Mas temos que ter muito cuidado com o Henry, não quero de forma alguma confundir a cabeça dele, ou machuca-lo. -Quanto a isso, eu tenho novidades. Ele ouviu a nossa briga na rua hoje a tarde. -O que? -- perguntou a rainha se levantando e começando a andar de um lado para o outro nervosa -- e o que ele entendeu? Como ele reagiu? -Nosso filho é um rapaz muito esperto, entendeu tudo na hora. Ele ficou muito preocupado com você, já estava fazendo uma corda de lençóis para vir te ver, quando eu cheguei ao quarto e conversei com ele. Assim que percebeu o quanto eu te amo, ele me disse para vir correndo atrás de você, e que nós seríamos uma família. Ele só me deixou tomar um banho antes porque eu insisti muito -- disse a loira rindo.As lágrimas voltaram ao rosto da ex-prefeita, mas agora de pura alegria. -Mas nem tudo são rosas. Assim como Henry, David e Mary Margarett também ouviram a nossa discussão e reagiram de forma oposta. Mary insistiu na ideia de que você tinha me enfeitiçado e depois não queria me deixar sair, foi uma briga pra eu conseguir sair de casa -- falou a loira. -Eu sabia que Snow iria ficar arrasada se descobrisse. E agora, o que você pretende fazer? Nós vamos enfrentar muitas coisas Emma, é muito provável que a cidade toda fique contra nós. -A única coisa que eu sei é que eu quero ficar com você, e não existe nada nem ninguém no mundo que vá mudar isso.Elas se beijaram de novo, e depois a xerife disse: -Eu tenho que ir buscar Henry, ele me fez prometer que eu o traria ainda hoje pra vir ficar com você. -Sabe, hoje eu só consegui me controlar para não usar magia por saber que o meu filho estava decidido a vir morar comigo. Eu cheguei a achar que esse dia nunca chegaria, mas ele chegou e eu não podia arriscar perder a chance de ter o meu menino de volta. -Eu vi que você achou um novo jeito de liberar a sua raiva -- falou a xerife rindo e apontando para os destroços espalhados no chão. -Não faça chacota Miss Swan, e vá logo trazer o meu filho enquanto eu me livro dessa bagunça. -Tudo bem. Então se apresse, logo estarei aqui com ele. Não sei como Henry conseguiu arrumar tudo tão rápido, mas as malas dele já estão prontas. -É, acho que eu realmente vou ter que me apressar, você também não me parece ser do tipo que demora fazendo malas.Emma ficou parada sem entender direito o que Regina tinha dito e então perguntou: -O que você quer dizer com isso? -Eu estou dizendo que eu quero que você também venha morar aqui -- falou a rainha se aproximando da xerife e tocando seu rosto com carinho. -Regina, você tem certeza disso? -Eu nunca tive tanta certeza. Eu quero ter você e Henry aqui comigo, quero finalmente poder ter uma família e me entregar a felicidade. -Eu te amo -- foi a única coisa que Emma conseguiu dizer e assim que disse beijou apaixonadamente a sua rainha antes de sair para voltar o mais rápido possível para o que seria finalmente, pela primeira vez na sua vida, o seu lar.
Notas finais
Pois é minha gente, já estamos chegando no final, mais um ou dois capítulos no máximo. Que tal sugestões para o final? Bjos
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