Enquanto Regina e Emma se acertavam, Cora estava decidida a se aproximar de Henry, era uma estratégia arriscada, mas seria muito eficiente se desse certo. De qualquer forma ela não tinha muito a perder. Seguiu para a escola do menino, colocou um feitiço que a fazia passar despercebida, não um feitiço de invisibilidade, isso levantaria suspeitas de vissem o menino conversando com o nada. O feitiço que ela colocou era muito mais eficiente, as pessoas a viam, mas não a notavam de fato, era como se fosse apenas mais uma pessoa sem rosto. Entrou na escola naturalmente como se estar ali fosse a coisa mais normal do mundo, e procurou pelo neto que estava na arquibancada da quadra em uma aula de educação física. Por sorte ele estava fora do jogo, tinha acabado de sair para a entrada de um novo grupo. Cora se dirigiu a ele e sentou ao seu lado se colocando fora do feitiço apenas para ele.

Quando o menino a viu, seus olhos se arregalaram e ele disse:

-O que está fazendo aqui? Como te deixaram entrar?

-Olá meu querido neto, eu vim te ver, precisava te conhecer. Quando a sua mãe me falou lá na terra encantada que dividia um filho com a minha filha, minha determinação em vir pra cá aumentou. Sempre quis ter um neto, e não poderia ter dado mais sorte. Você é um menino muito espero. Com relação a minha entrada aqui, estou sob um feitiço que não permite que eu seja detectada a não ser por você – disse Cora com um leve sorriso.

-E o que você quer comigo?

-Foi o que eu disse, precisava te ver. Quero muito te conhecer e que você me conheça para além do que as pessoas falam de mim.

-Mas todo mundo disse que você é perigosa e que eu tenho que ficar longe de você.

-E é por isso que eu estou aqui. As pessoas acham que só porque você ainda é um menino não pode tirar as suas próprias conclusões. Só o que eu te peço é que me dê uma chance de te mostrar quem eu sou e de saber quem você é. Eu prometo que não farei nenhum mal a você.

Henry ficou pensativo por um instante. Tinha ouvido várias conversinhas sobre como Cora era malvada, mas nunca diretamente, só pegava trechos de conversas. Ninguém nunca tinha chegado para ele para contar o que de fato a mulher tinha feito. Ela tinha razão, eles queriam decidir por ele. E outra coisa, ele não queria ser apenas um coadjuvante, ele queria ser um herói e parece que a hora havia chegado. Se de fato a mulher fosse tão maligna quanto todos pensavam ele era o único que teria alguma chance contra ela afinal era o único que teria como encontra-la.

-Bem, se eu te der essa chance, você promete não machucar nenhuma das minhas mães?

-Contanto que elas também não me machuquem, eu prometo. Mas como faríamos para nos encontrar?

-Isso deixa comigo. Eu tenho um lugar perfeito, só preciso ajeitar tudo direitinho hoje. Então nós temos um acordo. Venha me ver aqui na escola na hora do almoço amanhã que eu te falo onde iremos nos encontrar.

Cora abriu um sorriso doce, que não combinava muito com seu estilo, mas de alguma forma depois daqueles poucos minutos com o menino, ele já o havia cativado.

-Vejo que fiz muito bem em te procurar você é ainda mais corajoso e inteligente do que eu pensava. Então nos vemos amanhã – Cora falou e se levantou em seguida seguindo para um lugar onde ninguém pudesse a ver e desapareceu em meio a uma fumaça roxa.

Hook estava andando de um lado para o outro no barco, ficar escondido era tão humilhante. Ele queria ir até o seu inimigo e acabar com ele com as próprias mãos, mas não era tolo a ponto de sucumbir ao desejo. Sabia que Rumplestilskin com magia era indestrutível, infelizmente precisava da ajuda de Cora. Coincidentemente ao pensar na bruxa, ela se materializou em sua frente. E ele foi logo perguntando:

-Onde você estava?

-Tratando de meus assuntos querido. E devo lhe dizer que tudo correu melhor do que esperava. Aproximar-me de meu neto será mais fácil do que eu pensei. Ele é um menino muito corajoso, tem a sede pelo heroísmo, não vai contar a ninguém sobre o nosso encontro.

-Então o dia está cheio de boas notícias, a minha aproximação de Emma também foi satisfatória. Ela não caiu imediatamente em meus braços, o que já esperávamos, mas pude sentir que estava fragilizada e que, como todas, tem alguma atração por mim.

-Ótimo. Estamos nos encaminhando, se tudo continuar a dar certo, logo teremos minha querida filha Regina ao nosso lado e poderemos dar seguimento ao plano de destruir de vez o senhor das trevas – falou Cora com um sorriso grande que logo foi acompanhado pelo de Hook.

Mais algum tempinho se passou e já era a hora de Emma buscar Henry no colégio. Ela estava muito ansiosa, quanto antes o buscasse, antes veria Regina. Chegou na porta da escola ainda faltando alguns minutos para a saída, andava de um lado para o outro até avistar o seu menino que veio correndo em sua direção.

-Oi Emma.

-Oi garoto, como foi o seu dia?

-Tudo bem e com você?

-Tudo bem também. Hoje eu falei com a sua mãe e ela me disse que tinha feito lasanha para o almoço e que tinha sobrado para o jantar. O que acha de comer lá hoje?

Os olhos do menino brilharam.

-Claro, vai ser ótimo.

-Então vamos em casa, tomamos banho e então seguimos pra lá ok?

-Certo. Obrigada – disse o menino dando um abraço na xerife.

Foram seguindo o caminho falando amenidades até que chegaram em casa, onde David e Mary, já os esperava.

-Toda vez que vocês entram por essa porta meu coração se enche de alegria. Como esperei para ter toda a minha família reunida – disse Snow com um sorriso e os olhos marejados.

-A que se deve tanta emoção? Aconteceu alguma coisa? – perguntou Emma.

-Não minha querida. Estou apenas feliz em ver vocês – disse a morena enquanto os abraçava – bem, como foi o dia de vocês?

-Tudo bem – responderam Henry e Emma em coro.

-Bem, eu tenho uma coisa pra pedir pra vocês, especialmente para o vovô.

Todos olharam pra ele e Charming logo perguntou?

-Do que se trata garoto?

-Lembra que você disse que ia me ensinar a ser um cavaleiro? Depois do ataque de Daniel aconteceram tantas coisas que eu não continuei com as minhas obrigações de ir ao estábulo cuidar do meu cavalo antes e depois da escola. Quero saber se já posso voltar a fazê-lo.

Os três se entreolharam e Snow disse:

-Não sei se é seguro com Cora a solta.

-Não tem perigo nenhum, ao invés de me levarem até a escola vocês me deixam no estábulo. O ônibus para o colégio passa lá pertinho, quando der a hora eu pego, quando acabar a aula eu o pego novamente de volta pra lá e quando der umas 18:00hs vocês me pegam no estábulo. A única diferença é o lugar onde vocês irão me deixar. Sou completamente capaz de entrar em um ônibus e saltar em frente ao lugar em que vou ficar.

-Eu acho que não tem problema. Você mesmo disse que Cora não faria mal a Henry por estar tentando se acertar com Regina. E outra porque ela o procuraria lá? – disse Emma olhando pra Snow.

Ao ouvir da boca de sua mãe que ela não achava que Cora faria mal a ele, Henry ficou ainda mais satisfeito com o plano.

-Eu também acho que não tem nenhum problema, e de qualquer forma, quanto mais cavaleiros essa cidade tiver melhor – disse David rindo enquanto bagunçava o cabelo do neto.

-É, eu acho que vocês tem razão. Então já que estamos decididos é hora de nos aprontarmos para começar a preparar o jantar – falou Mary Margaret.

-Bem, quanto a isso, eu e Henry vamos jantar na casa de Regina hoje – falou Emma meio sem jeito.

-De novo? Vocês jantaram lá outro dia –disse Snow com a cara de quem não está gostando.

-Ela também é mãe do Henry, e eles sentem saudade um do outro, não é garoto?

-É sim. E eu posso dormir lá? – pediu o menino.

Mary olhou com uma cara fechada pra Emma que fez de conta não perceber e disse:

-Pode sim.

-Eba! Então vou tomar banho e arrumar as minhas coisas – disse Henry e subiu correndo as escadas.

-Emma, você não acha que está facilitando muito as coisas pra Regina? – disse Snow.

-Mary, não podemos esquecer que ele também é filho dela, eles se amam. Não podemos atrapalhar isso, só vai feri-los.

-Não sei por que tanta preocupação em não ferir Regina. Ela não passa de uma bruxa má.

-Ela tem se esforçado muito, e não podemos esquecer do quanto fomos injustos com ela, além do mais eu quero ver meu filho feliz, e estar com Regina o faz muito feliz.

-Tudo bem, você é quem sabe. Mas porque você também vai?

-Ela me convidou, e Henry quer que eu vá. Não se preocupe, logo estarei de volta – disse a xerife com um sorriso – agora com licença, também vou tomar um banho – falou a loira e se retirou para o banheiro.

-Não estou gostando dessa aproximação de Emma com Regina – disse Mary para David.

— É, eu também não gosto muito da proximidade delas, mas temos que admitir que Regina está se esforçando. E Emma é muito esperta, não vai se deixar enganar.

-Você tem razão. E pensando pelo lado bom, termos a casa só pra nós dois – falou Snow com um sorriso cheio de intenções e deu um beijo em seu príncipe que respondeu prontamente.

Regina já estava em casa de banho tomado, devidamente arrumada, mesa posta e lasanha pronta par ser esquentada, quando foi tomada por aquela sensação de conforto que vinha surgindo sem pedir licença desde o momento que decidira se entregar a paixão. Ela não era mais a prefeita, tinha acabado de ser acusada por toda a cidade, sua mãe estava por perto, e ainda assim estava tranquila, um sentimento que ela não estava acostumada a ter. E de pensar que por pouco ela teria decido se afastar da loira que não saia da sua cabeça e continuar sendo dominada pelo medo. É, tinha tomado a decisão correta. Logo os seus pensamentos foram interrompidos pelo som da campainha. Seu coração logo disparou, ela sabia quem estava do outro lado da porta, e foi correndo a seu encontro.

Abriu a porta e seus olhos logos se encontraram com os de seu filho.

-Meu querido, que bom que você veio, essa casa não é a mesma sem você.

-Oi mãe, nem pudemos conversar direito ontem, estou tão feliz por você não ter matado o Archie –disse Henry enquanto abraçava forte a sua mãe

Regina não aguentou e riu do comentário do filho, ele era tão verdadeiro. Abraçou o menino com força e então levou os olhos a outra pessoa que estava diante da sua porta.

-Olá Miss Swan – disse com um sorriso em seus lábios.

-Olá Regina – respondeu a xerife também com um sorriso.

-Fique a vontade – disse saindo do abraço do filho e apontando pra dentro da casa.

Todos entraram, se dirigiram para a sala e começaram a conversar.

-Mãe, desculpe pelo jeito como Snow te tratou ontem — disse o menino à sua mãe morena.

Antes que Regina pudesse falar alguma coisa Emma disse:

-Como assim? O que Mary Margaret fez?

-Ela não queria me deixar ver a minha mãe, disse que era perigoso.

-Não tem problema Henry, ela só estava tentando te proteger, e eu tenho que admitir que isso me deixa mais tranquila, se você não está sob os meus cuidados é bom saber que você tenha quem cuide e se preocupe com você.

O menino sorriu e perguntou:

-E quem vai cuidar de você? Não sei se é uma boa ideia te deixar aqui sozinha.

Regina ficou muito contente com a preocupação do filho, abriu um sorriso largo e disse:

-Não se preocupe meu querido, eu aprendi desde muito cedo a me virar sozinha, foram muito raros os momentos em que tive alguém pra me proteger.

-Mas agora você não está mais sozinha, você tem a mim e ao Henry pra te proteger, certo Kid? – interrompeu Emma.

-Certo. Amanhã volto a treinar para ser um cavaleiro, eu serei forte e corajoso como meu avó, e ninguém vai fazer mal a nenhuma de vocês.

As duas mães sorriram e Regina disse:

-Eu tenho certeza que sim. E como vai ser o seu treino?

-Por enquanto eu vou apenas cuidar do meu cavalo, antes e depois da escola, mas logo vou aprender a montar e depois vou aprender a lutar com espada. Por falar nisso, eu estou querendo dormir aqui hoje. Você me deixa no estábulo antes da aula? Lá passa o ônibus da escola.

Regina olhou pra Emma que fez que sim com a cabeça.

-Parece que a sua outra mãe já concordou com isso. Se a xerife não vê perigo por mim tudo bem.

-Oba! E quanto a lasanha? Estou com fome.

-Então vamos para a cozinha. Vou coloca-la para esquentar, já já fica pronto — falou a rainha sorrindo enquanto se encaminhava para a cozinha.

A lasanha logo ficou pronta e os três seguiram para jantar, conversaram e riram bastante, parecia uma família de comercial de margarina. Durante todo o jantar Emma e Regina trocavam olhares e conversavam amigavelmente. Depois de findado o jantar, a sobremesa, e passado um tempo conversando a rainha se levantou e disso:

-Hora de tirar a mesa e arrumar a cozinha rapazinho.

Henry como toda criança dessa idade não gostava desse tipo de tarefa, mas como sempre obedeceu até que Emma falou olhando para a morena:

-Acho que hoje podíamos dar uma folga a ele. Deixa que hoje eu faço a parte dele, que tal?

-Acho, que você o está mimando muito Miss Swan – disse com um sorriso doce – mas por hoje tudo bem.

-Eba! – falou um Henry contente seguindo para a porta quando parou, se virou para suas mães e disse – fico muito feliz por vocês estarem se dando bem – e então seguiu para o seu quarto.

Regina logo gritou:

-Não se esqueça de fazer o seu dever de casa.

-Tá bom – gritou o menino já na escada.

As duas mulheres se olharam com sorrisos até que Emma quebrou o silêncio:

-Enfim sós – disse ao se aproximar da outra mulher e dar-lhe um beijo carinhoso.

Notas finais
Como esse capítulo não teve nada de muito empolgante vou postar ainda hoje o próximo ;) Bjos