Fraqueza Ou Força?
12 Capítulo 12
A noite pareceu se arrastar. Nem Emma nem Regina conseguiram dormir. A primeira não parava de pensar no porque do afastamento da rainha, será que estava tudo acabado? Se a morena a compreendia por ter acreditado na farsa de Cora porque não estavam juntas comemorando o fim do mal entendido? Por mais que a ex-prefeita sempre tentasse negar ou fugir, ela sabia que existia um sentimento entre elas, mas a xerife estava se cansando de sempre ser quem tentava fazer as coisas darem certo. Tudo bem, ela havia errado, havia feito um mau julgamento, mas não era como se a antiga rainha não fosse capaz de fazer algo tão terrível. Talvez a outra estivesse certa, provavelmente elas nunca dariam certo juntas.
Enquanto isso a cabeça de Regina fervilhava. Quais eram as intenções de Cora? O que ela fazia aqui? Será que de fato estava tentando restaurar a relação entre elas, como ela própria estava fazendo com Henry? Ela não podia apagar o passado, apagar toda a dor que a sua mãe lhe causara, mas ela se sentia tão sozinha, toda a cidade a odiava, ninguém confiava nela. Realmente tinha feito coisas horríveis, assim como a sua progenitora, mas ela estava de fato tentando mudar, será que a outra também? Tentava afastar a esperança, mas o desejo que a sua mãe a amasse era tão grande, se sentia ainda uma menina que deseja acima de tudo a aprovação dos pais. Não queria mais ficar sozinha, mas também não tinha como superar todo o mal que Cora havia trazido para sua vida, afinal se ela não tivesse matado Daniel nada disso teria acontecido. Estava imersa em dúvidas e em sentimentos contraditórios, amava, odiava, temia a sua mãe. Elas nunca haviam se entendido, sempre quiseram coisas diferentes, como seria daqui em diante? Regina não fazia ideia, mas uma decisão estava tomada, não faria nada que afastasse seu filho.
Os primeiros raios de sol finalmente apareceram e trouxeram com eles alguma paz para o coração da morena que finalmente conseguiu dormir, não sem antes colocar o despertador paras as 10:30, precisava fazer o almoço para sua mãe.
Em outro quarto, às 08:00 Emma acorda, estava atrasada. Toma um banho rápido e desce as escadas correndo, logo avista Mary Margarett que diz:
— Por que essa pressa toda?
-Eu me atrasei, Henry vai chegar tarde ao colégio.
-Fique tranquila, ele já foi. Já está um rapazinho pode pegar o ônibus pra escola sozinho.
-Mas Cora está na cidade. Será que deveríamos deixa-lo sozinho, com aquela bruxa a solta?
-Eu mais do que ninguém sei do que aquele monstro é capaz, mas ela é muito inteligente sabe que se machucar Henry Regina nunca irá lhe perdoar, e ontem quando elas estiveram aqui, ela parecia muito disposta a agradar a filha.
-Você acha que Regina vai se passar para o lado dela?
-Eu não sei minha filha, é verdade que Regina tem se esforçado, mas ela fez coisas horríveis, ela passou a vida tentando me destruir e pra isso ela destruiu a vida de muita gente. Apagar um passado de tanta vilania não é um trabalho fácil. Ainda mais com Cora ao seu lado, que é muito pior que ela. Acho que devemos começar a nos preparar, devemos traçar um plano para detê-las. Não permitirei que ninguém afaste a minha família de novo.
-Vamos com calma Mary, acabamos de julgar Regina de forma equivocada, ela não fez nada de errado, não podemos simplesmente nos armar contra ela sem termos motivo.
-Mas motivo é o que não nos falta.
-Eu sei de tudo o que ela já aprontou, mas como você mesma disse ela tem se esforçado, vamos dar um voto de confiança.
-Tudo bem, mas de qualquer forma vou reunir o conselho para tratarmos das possíveis implicações da volta de Cora. Temos que estar preparados.
-Faça como achar melhor, só não se precipite em julgar a Regina. Agora tenho que ir, já estou atrasada para o trabalho.
-Antes tome pelo menos um chocolate quente.
-Hoje estou mais pra café, passo na Granny’s no caminho. Até mais tarde.
Emma passou a manhã toda pensando em Regina, não conseguia tirar a outra mulher da cabeça. Estava triste por ter sido rejeitada, mas também estava pensando nas palavras de sua mãe, apagar o passado da outra não seria um trabalho fácil, ela precisaria de ajuda. Sem contar a saudade que estava sentindo, aquela sensação de começo de paixão onde qualquer minuto longe da pessoa desejada parece uma eternidade, ela queria ter o corpo da outra junto do seu o tempo inteiro, não queria fazer outra coisa que não ama-la o tempo todo, sentir o seu cheiro, o seu toque, ou mesmo apenas olha-la. Lutou fortemente contra o desejo de largar tudo e correr para a casa da outra, para convencê-la a não se afastar. Mas ela não podia fazer isso tinha uma cidade para proteger, tentou com todas as forças afastar a outra de seus pensamentos sem sucesso até que lá pela hora do almoço um dos lados da sua luta interna saiu vitorioso.
Regina tinha acabado de preparar a sua lasanha, colocou-a no forno e foi fazer uma salada caprichada. Assim que terminou o relógio marcou 12:00 e logo a campainha tocou. A morena se dirigiu a porta, respirou fundo e abriu.
-Olá minha filha, Cheguei no horário certo?
-Sim. O almoço já está quase pronto. Vamos colocar a mesa enquanto a lasanha termina de gratinar – disse Regina enquanto fazia um sinal para que Cora entrasse.
-Colocar mesa? Eu e você? Onde estão os seus serviçais?
-As coisas aqui são bem diferentes. Eu não tenho empregados. Na realidade antes da maldição tinha uma moça que vinha três vezes na semana limpar e arrumar a casa, mas depois que todos se lembraram de que sou a rainha má, conseguir novos funcionários não anda lá muito fácil.
Cora olhava tudo com estranhamento, Regina colocando a toalha na mesa, pegando os talheres, pratos e taças. Isso não era digno de uma rainha. Enfim viu a sua filha trazendo uma garrafa de vinho, uma travessa com salada e depois se dirigindo a uma caixa de metal e trazendo uma outra travessa que ela segurava com luvas.
-Pronto. O almoço está servido. Espero que goste – disse Regina com um leve sorriso.
-Você cozinhou? Porque não conjurou um banquete? Isso é tão degradante minha filha, você nasceu pra ser uma rainha, para ser servida, não para servir.
Regina já estava ficando bastante irritada e disse:
-Olha mãe, aqui as coisas são muito diferentes da nossa terra, e eu estou me esforçando para não usar magia porque Henry me pediu e é o que eu acho que você também deveria fazer. Aqui eu não sou rainha, sou apenas mais uma pessoa, e pensando bem, isso foi o que eu sempre quis, ser apenas mais uma pessoa feliz. Quem desejou que eu fosse uma rainha foi você, quem me transformou em um monstro foi você, justamente pela sua sede de poder. Se você quiser ter qualquer tipo de relacionamento comigo, vai ter que saber que as coisas aqui funcionam de forma diferente e você vai ter que se adaptar. Se isso for demais pra você, sugiro que se retire.
-Tudo bem minha filha, por você eu faço o que for preciso.
-Então vamos parar com a discussão e comer.
Regina colocou vinho na taça de sua mãe e deu-lhe um pedaço de lasanha.
Cora olhou meio desconfiada para o prato, nunca tinha visto uma comida tão estranha. Mas não queria irritar mais ainda a sua filha, então logo provou. E para sua surpresa era realmente gostoso.
-Humm... Está muito gostoso Regina.
-Obrigada, lasanhas são a minha especialidade – respondeu com um sorriso, sempre fora tão difícil receber um elogio da sua mãe, ela já era uma mulher feita mas ainda assim ouvir qualquer palavra de incentivo da outra a deixava muito contente, como se ainda fosse uma menina fazendo alguma coisa certa.
Conversaram trivialidades enquanto almoçavam quando novamente a campainha toca. Regina limpa os lábios com o belo guardanapo de linho, levanta a sobrancelha sem ter ideia de quem poderia tocar a sua porta e segue para abri-la. Assim que abre a porta uma loira entra como uma flecha e logo dispara:
-Regina, nós precisamos conversar. Quero saber por que você está me afastando e não vou sair daqui sem uma resposta descente.
O coração da rainha automaticamente dispara, não apenas por estar vendo a mulher que insiste em povoar os seus sonhos, mas por ter no cômodo ao lado a sua mãe que se sonhar haver alguma coisa entre elas vai trazer muitos problemas. Então ela se apressa a falar antes que a outra diga alguma coisa comprometedora.
-Miss Swan, eu tenho visita, acho que deveríamos deixar qualquer conversa para outra hora.
Ao ouvir a frase de Regina ela logo entende que não deve falar nada a respeito das duas, mas a vontade era de gritar pra quem quer que estivesse lá que Regina era dela, o ciúme invadiu o seu peito, quem será que estava na casa da sua mulher?
-Quem está aqui? – disse Emma com os olhos cheios de raiva.
-A minha mãe – falou Regina enquanto a mulher mais velha se aproximava, creio que vocês já se conheçam.
-Infelizmente tive o desprazer. O que faz aqui?
-Ora, ora, ora, isso são modos de tratar uma visitante na sua cidade?
-Melhor do que tentar mata-la, como você fez comigo na sua cidade.
-Isso são águas passadas, o que diria de uma trégua? – disse Cora estendendo a mão.
-Trégua? Você só pode estar louca. Eu não gosto de você, e já vou logo avisando, se tentar fazer mal a alguma pessoa que eu amo, eu acabo com a sua raça.
-Bem, vejo que não sou bem vinda, é melhor me retirar — fala Cora
-Não, quem vai se retirar é a xerife – diz a ex-prefeita se manifestando pela primeira vez na conversa das duas.
-Mas Regina, essa mulher é um monstro ela destruiu a sua vida e eu preciso muito falar com você – falou Emma sem entender direito a reação da outra.
-Tudo bem Miss Swan, eu passo mais tarde na delegacia para conversarmos, agora é o momento de conversar com a minha mãe.
-Faça como achar melhor – disse Emma com raiva, enquanto saía, passou pela porta e a bateu com força.
-Ela não pareceu gostar nada de me ver aqui. O que a mulher que roubou o seu filho queria com você? – Perguntou Cora.
-Eu não sei, alguma bobagem com certeza. Mas deixa isso pra lá, vamos aproveitar a sobremesa.
-Regina, seria tão fácil ter seu filho, meu neto, de volta. Tudo que precisamos fazer é acabar com essa família de idiotas. Eu sei que você tentou sem sucesso na nossa terra, mas agora eu estou com você, podemos fazer coisas grandiosas.
-Eu não quero obrigar meu filho a ficar comigo, quero que seja uma escolha dele e isso não está aberto a discussão. Mas já que estamos falando de poder, eu quero que me responda a pergunta que tenho me feito desde o momento em que te vi aqui, o que você quer em Storybrooke? O que está tramando? O que diabos você quer aqui?
-Minha filha, eu já te disse. Eu quero você de volta, eu te amo – disse a senhora tocando o rosta da filha.
-Pelo amor de Deus mãe, você acha que eu vou acreditar nisso? Pode até ser que você me queira ao seu lado, mas obviamente não é só isso. Eu passei a minha vida inteira tentando te agradar, tentando ser motivo de orgulho pra você, mas tudo o que eu fiz nunca foi o bastante, nós sempre quisemos coisas diferente, eu sempre quis amor e você poder, nunca se importando com nada nem ninguém para tê-lo. Por que agora isso seria diferente?
-Chega. Estou cansada de tantas acusações. Desde que cheguei aqui, tudo o que você faz é me afastar. Não basta ter me exilado em Wonderland, ou ter tentado me matar? Eu passei por cima disso. Por que você também não pode? – gritou Cora
-Eu te conheço mãe, você nunca faz nada sem um objetivo.
-O meu objetivo é você.
-Você me teve por anos e esse nunca foi o seu objetivo. O que mudou? O meu poder? Pra que você quer me usar agora que me tornei a rainha má e não sou mais aquela menina tola que só queria amor? Pois saiba que você perdeu a hora, eu não quero mais ser a rainha má, e depois de tanto tempo eu quero novamente o amor, o amor do meu filho. E você não vai estragar isso.
-Não vou mais ouvir as suas acusações. Estou farta disso. Mas saiba minha filha, eu não vou desistir de você. Eu, você e Henry ainda seremos uma família – disse Cora antes de sumir em uma fumaça roxa.
Com a saída de Cora, Regina se entregou às lágrimas. Amava a mãe, mas confiar nela era pedir demais. Ela era a mulher que havia arruinado a sua vida. Uma parte dela queria apenas se entregar e ser ninada pela mãe como quando era criança, mas outra parte queria se manter alerta para proteger o filho, e ironicamente, a mulher que o havia roubado. Passou um bom tempo tentando organizar os pensamentos, depois foi arrumar as coisas do almoço, lavar a louça e se arrumar. Afinal, ela precisava ir à delegacia.
Cora aterrissou no barco e ao ver a sua expressão Hook foi logo perguntando:
-O que houve mi lady? Parece que o almoço com a sua filha lhe deu indigestão.
-Argh, Regina continua a mesma menina insolente. Pensei que seria muito mais fácil trazê-la para o meu lado. Mas não adianta, ela não me deixa entrar. Tenho que pensar em um plano. Talvez se eu me aproximasse do menino, mas como? Ninguem vai me deixar chegar perto dele. Mas darei um jeito, essa me parece o único meio de me aproximar da minha filha. Outra coisa que preciso fazer é descobrir o que está acontecendo entre Regina e Emma, o que elas estão tramando? Será algum plano para me deter? – Cora falava em voz alta, mas era mais como se estivesse pensando.
-Regina e Emma? Elas não são inimigas? Não estão as duas lutando pelo mesmo menino?
-Pois é, era para serem inimigas, mas por algum motivo elas não são. Regina já a devia ter transformado em cinzas, mas ela anda com essa bobagem de não usar magia. Hoje quando estava na casa da minha filha, a outra apareceu e logo foi entrando na casa dizendo que Regina a estava afastando. Tem alguma coisa aí. E você vai descobrir pra mim – disse apontando o dedo para Hook.
-Eu?
-Sim. Você não estava cheio de charme pra ela lá no nosso mundo? Pois agora é a hora de colher os frutos. Quero que você descubra o que está se passando. Se elas são aliadas em algum plano, ou seja lá o que for.
-E você acha que ela me contaria alguma coisa, depois do que fizemos?
-Eu confio no seu charme querido Hook –disse Cora passando os dedos pelo queixo do pirata – agora vá, não temos tempo a perder.
-Agora?
-Já. Não temos tempo a perder.
Geralmente Hook não gostava muito das tarefas que Cora passava para ele, mas essa particularmente seria bem interessante. Não seria nenhum sacrifício seduzir a loirinha corajosa. Começaria a tarefa agora mesmo. Saiu do navio e foi em direção ao seu mais novo desafio.
Emma saíra da casa de Regina espumando. Como a morena tinha feito aquilo? Na noite anterior havia a afastado, hoje havia preferido ficar com Cora a conversar com ela. Talvez ela estivesse se enganado quanto aos sentimentos da ex-prefeita, talvez ela não passasse de mais uma diversão para rainha. Em uma coisa Regina estava certa, bastava elas saírem da cama para se desentenderem, não havia futuro para elas.
A xerife passou na lanchonete da vovó para pegar algo para almoçar. Pediu um sanduiche para viagem e seguiu para a delegacia. Ao se aproximar, viu uma pessoa encostada na porta de seu trabalho. Logo percebeu quem era, Hook, como não tinha pensado nisso antes, se Cora estava aqui ele também estaria. O dia que já não estava bom estava prestes a piorar, pensou Emma.
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