Durante todo o percurso até a casa dos Charmings, Cora foi usando a sua lábia. Falou do quanto estava arrependida e de quanto amava a filha, falou que todos na cidade sempre estariam contra ela, sempre a veriam como uma cobra, que ela era a única que estava a seu lado, que faria tudo para pegar Henry de volta e viveriam novamente em família. Obviamente as palavras de sua mãe tocaram o coração da rainha, mas ainda assim tudo o que ela queria era ter seu filho, e como ela já tinha dito para ele, não por magia e sim por amor. Ela faria o que era certo, mesmo que ninguém nunca acreditasse nela, mesmo que estivesse sozinha, iria lutar para ser merecedora do amor do seu menino. Ele era tudo o que importava. Depois de alguns minutos chegaram e tocaram a campainha. Quem atendeu a porta foi Snow, ficou muito surpresa e amedrontada, só conseguiu dizer:

-Regina, Cora, o que estão fazendo aqui?

Ao ouvir o nome de sua mãe Henry correu para porta, mas foi barrado por Mary Margarett.

-Não venha aqui Henry, é perigoso.

-Eu quero ver a minha mãe, eu preciso falar com ela – disse o menino tentando tirar Snow da sua frente.

Foi quando Cora finalmente se manifestou:

-Quem você pensa que é para ficar entre a minha filha e o filho dela? – disse Cora já se preparando para jogar um feitiço na professora.

-Não mãe, está tudo bem – disse Regina tocando no braço da mãe e a impedindo de jogar a sua inimiga longe.

Nesse meio tempo Mary Margarett se distraiu e Henry passou por ela indo ao encontro de sua mãe e a abraçando fortemente.

-Mãe, eu sabia que não tinha sido você. Eu sabia que você tinha mudado.

Regina o abraçou de volta se sentindo completa de novo.

-Eu fico tão feliz por você confiar em mim meu querido. Mas como você sabe que não fui eu?

-Archie esteve aqui mais cedo e disse que tudo foi uma armação de Cora.

-Meu menino, não acredite em tudo o que lhe falarem sobre mim. Eu queria tanto te conhecer, você realmente é um menino lindo e inteligente – disse Cora se ajoelhando e tocando o queixo do garoto.

-Não toque nele sua bruxa. Eu sei muito bem do que você é capaz – falou Snow com raiva se colocando entre a mulher mais velha e seu neto.

-Mãe, ter te trazido aqui não foi uma boa ideia. Eles já sabem da sua armação, a sua confirmação não é mais necessária. É melhor que você vá – pediu Regina à sua mãe

-Mas minha filha nós temos tanto o que conversar – argumentou Cora com os olhos marejados.

-Eu sei, e faremos isso depois. Agora a sua presença só vai dificultar as coisas.

-Se você prefere assim, nos vemos depois. Amanhã?

-Pode ser. Te espero para almoçar comigo na minha casa está bem? E até lá, por favor, não apronte nada.

-Como você preferir minha filha. –Disse Cora e logo sumiu em meio a uma fumaça roxa.

Logo depois que a mulher saiu Snow começou a falar:

-Regina, você não pode se aproximar dessa mulher. Ela é terrível, vai acabar como todo o progresso que você tem feito.

-Progresso esse que ninguém vem reconhecendo. Bastou uma dúvida para todos se voltarem contra mim.

-Você há de convir que nós temos os nossos motivos.

-Eu não vim aqui para discutir com você, nem para pedir conselhos, vim para provar a minha inocência, mas vejo que vocês já sabem da verdade. Vou apenas falar com o meu filho e deixarei a família real em paz – disse Regina de forma irônica e então virou para Henry e disse:

-Filho, eu tive tanto medo de te perder, tanto medo que você não acreditasse em mim. Eu prometo a você que eu estou tentando muito ser uma pessoa melhor e não usar magia, mas com Cora na cidade não posso garantir não usar, a minha prioridade é te proteger da maneira que for.

-Tudo bem mãe, contanto que não a use para o mal.

Regina sorriu e deu um beijo na testa do menino enquanto o abraçava. E então se dirigiu a Mary Margarett que estava apoiada na porta.

-Ele está sob os seus cuidados, não permita que nada aconteça com ele.

-Pode deixar. E você trate de manter a sua mãe bem longe dele – disse enquanto colocava os braços ao redor de seu neto.

Regina não respondeu, apenas olhou para o seu filho deu um sorriso, e foi se encaminhando para o carro. Então Henry gritou:

-Mãe, eu te amo.

-Eu também – disse Regina com os olhos cheios de lágrimas enquanto o seu filho entrava em casa.

Parou um pouco tentando manter aquelas palavras, ouvir seu filho dizendo que a amava era tudo o que ela precisava para lhe dar forças. E então continuou seu caminho em direção ao carro, mas um pensamento não saia de sua cabeça. Onde estava Emma? Porque a xerife não tinha vindo falar com ela?

O primeiro lugar para qual a loira foi ao sair de sua casa foi à mansão de Regina, era um lugar óbvio, mas o único em que ela conseguia pensar. Pegou a chave reserva de baixo do capacho, ainda bem que estava lá e não precisaria arrombar a porta. Vasculhou todos os cômodos, olhou a garagem, e nada, nem sinal da ex-prefeita. Onde ela poderia estar? Emma não fazia a menor ideia, tentou pensar em opções, mas nenhuma fazia sentido. Será que estaria na prefeitura? Ou no fosso da biblioteca? Ela já não era mais prefeita e a biblioteca agora estava sob os cuidados de Bela, mas ela tinha que procurar em algum lugar, não ficaria parada, precisava se desculpar. Foi então que ela teve uma ideia, tinha usado magia mais cedo, será que ela conseguiria usar novamente? Foi até o seu carro, deixou tudo no ponto de partida e então se concentrou, ficou de olhos fechados e deixou que a magia fluísse pelo seu corpo e a conduzisse para onde Regina estivesse. Ela parecia estar possuída, dirigia de olhos fechados sem saber que rumo tomava, apenas deixou a mágica fazer o seu trabalho. Pouco tempo depois parou o carro, e abriu os olhos, estranhamente estava em frente a sua casa. Demorou alguns segundos para ver a ex-prefeita colocando a chave para abrir a porta do seu carro que estava há alguns metros do seu. Ao vê-la seu coração acelerou e ela saltou rapidamente do carro e gritou:

-Regina.

Ao ouvir aquela voz chamando seu nome a rainha instantaneamente sentiu um milhão de borboletas invadirem o seu estômago. Mas ela precisava ser forte, nada nunca poderia acontecer novamente entre elas. Regina estava magoada e além de tudo agora tinha Cora, ela acabaria facilmente com Emma como fez com Daniel. Não poderia permitir isso, então continuou abrindo a porta de seu carro como se nada tivesse acontecido, mas em poucos instantes a loira estava ao seu lado segurando o seu braço e dizendo:

-Regina, nós precisamos conversar. Eu sinto muito por não ter acreditado em você, mas eu te vi, quer dizer vi Cora se passando por você, sufocando o Archie em magia. Eu não podia negar o que os meus olhos estavam vendo.

-Boa noite Miss Swan – foram as únicas palavras ditas pela rainha enquanto se desvencilhava da mão da loira e entrava no carro.

-Regina, vamos conversar, nós podemos resolver isso.

Regina continuou ignorando a xerife e entrando no carro. Emma percebendo que a outra não facilitaria correu para o outro lado e entrou no carro sentando-se no banco ao lado da morena.

-Você poderia me dar licença? O dia foi muito cansativo e eu preciso voltar para casa – disse com o mesmo tom que costumava usar ao se dirigir à loira antes da quebra da maldição.

-Não, eu não vou sair daqui enquanto você não me ouvir, eu não vou desistir de você.

A rainha conhecendo a teimosia da outra sabia que teriam que conversar, mas Cora estava na cidade, qualquer palavra poderia ser ouvida por ela. Então Regina levantou a mão e conjurou uma bolha que envolveu todo o carro. A loira olhou sem entender direito.

-Pronto, assim ninguém vai nos ver ou ouvir. Como você já sabe minha mãe está na cidade e o quanto menos ela souber melhor. Sim, o que quer tanto me dizer?

-Me desculpe. Eu deveria ter confiado em você – disse a xerife com um olhar envergonhado.

-Eu não esperava outra coisa de você – disse a ex-prefeita de forma fria.

-Não fale assim Regina, enquanto não havia provas eu confiei em você, eu a defendi, mas quando eu vi, não tinha como não acreditar. Você me perdoa?

-Não há o que perdoar xerife. Cora sabe muito bem como conseguir o que quer, e o que ela queria era enganá-los, então ela fez de uma forma que não deixasse dúvidas.

O peso do mundo pareceu sair das costas de Emma, a morena a compreendia, tudo ficaria bem, então sorriu e foi encontrar os lábios da morena, como sentia falta deles. Mas Regina rapidamente virou o rosto, deixando a loira sem entender nada.

-Eu apenas disse que entendo o porquê de você não ter acreditado em mim Miss Swan, mas não que as coisas voltariam ao caminho que estavam seguindo antes disso. Essa situação toda me fez ver o quanto nós estávamos agindo de forma errada. Nós estamos em lados diferentes, nós somos completamente opostas, nada nunca poderia dar certo entre nós.

-Regina, por favor, não comece a levantar o muro de novo. Eu sei que não vai ser fácil, mas nós precisamos tentar, sem pressão, apenas deixando o tempo correr e seguindo o nosso desejo. Não me diga que você não me quer – falou Emma se aproximando a cada palavra até passar o nariz pelo pescoço da morena e sussurrar a última frase em seu ouvido, enquanto passava a mão pelas coxas da ex-prefeita.

A rainha estava toda arrepiada, a loira sabia o efeito que causava nela, deu uma mordiscada no lóbulo da orelha da morena e foi beijando a sua face até as suas bocas se encontrarem. Regina correspondeu ao beijo, estava cheia de desejo, seu corpo estava pedindo pela outra, mas ela precisava ser forte, não poderia se entregar assim. Henry já era fraqueza o suficiente, ela não poderia ter outra, isso colocaria a vida da sua xerife em risco e ela não poderia permitir. Era mais seguro que ficassem em lados opostos. Se sua mãe descobrisse o envolvimento delas a mataria, Cora destruía tudo o que Regina amava, tudo o que a fazia feliz. Já seria muito difícil mantê-la longe de seu filho, mas seria muito mais fácil protege-lo. Sua mãe queria construir uma família com eles, ela não faria mal ao neto, mas acabaria com Emma em um piscar de olhos matando dois coelhos com uma cajadada só: a tiraria da vida da sua filha e de seu neto. Com esses pensamentos invadindo a sua mente ela interrompeu o beijo e virou o rosto dizendo:

-Não Miss Swan, isso não pode mais acontecer. É melhor você ir agora.

-Regina, o que está acontecendo? Não faça isso, eu sei que você também me quer – ela disse tentando novamente beijar a outra que se afastou e apenas disse:

-Por favor, saia.

Emma também era orgulhosa e ser rejeitada assim a feria demais. Ela sabia que alguma coisa estava acontecendo, mas não iria pressionar. Então ela apenas olhou firme para a morena e perguntou:

-Tem certeza?

Regina não conseguia olhar pra ela, se o fizesse certamente fraquejaria. Então ela apenas fez que sim com a cabeça sem levantar o olhar. Com a afirmativa da rainha, ela abriu a porta do carro e saiu. A ex-prefeita logo saiu com o carro, olhava pelo retrovisor vendo a loira parada olhando o carro se afastar, não pode conter a água que queriam saltar de seus olhos. Fez todo o caminho até a sua casa mergulhada em lágrimas.

Emma ficou um tempo tentando entender o que estava acontecendo. Porque Regina estava agindo daquela maneira? Será que ainda estava magoada? Será que estava com medo de se entregar? Porque quando elas começavam a se entender alguma coisa acontecia que as mantinha separadas? Talvez fosse melhor que cada uma ficasse em seu lugar, talvez não fosse para ficarem juntas. Junto com esse pensamento veio uma lágrima que a xerife prontamente secou e entrou em casa. Seu filho a estava esperando, não podia deixar transparecer a sua dor.

Ao sair da casa de Snow, Cora aterrissou no barco invisível que era o seu esconderijo. Foi logo procurando por Hook, quando o encontrou perguntou com raiva:

-Como você pôde ter deixado o grilo escapar?

-Tanto quando você, querida Cora, eu também tenho os meus assuntos a tratar aqui em Storybrooke, quando saí ele estava aqui, quando voltei já não estava mais, você deve ter falhado em prendê-lo.

Cora o fuzilou com o olhar e disse:

-Isso não importa mais, as coisas não correram tão bem quanto eu esperava. Regina não está tão vulnerável quanto eu pensei que ficaria. Ela está firme com a ideia de ter o filho de volta sem magia, por amor. Será que ela ainda não entendeu? Eu pensei que a essa altura ela já soubesse que o amor é fraqueza, está atrapalhando o julgamento dela. Seria muito mais fácil acabar com eles e pegar o menino de volta. Ele se acostumaria com a ideia. Mas não posso agir precipitadamente, amanhã vou almoçar com a minha filha e tentar colocar um pouco de juízo em sua cabeça. E você algum progresso com a sua vingança?

-Estou trabalhando nisso. Mas o fato de ter magia aqui vai dificultar bastante os meus planos. Afinal o “dark one”, é praticamente invencível tendo magia a sua disposição.

-Não se preocupe meu querido Hook, a vez dele ainda vai chegar, você só precisa ter paciência. Quando tivermos Regina conosco, seremos imbatíveis. Agora vamos dormir porque preciso estar descansada para amanhã.

Notas finais
E aí, o que acharam?