Frankliah

3 Capítulo 3


Fox Pov

Capítulo 03 –

Rua Bourbon – 03/07/2012 – 03h15 pm

Casa do Ewan

*Flashback ON*

DIA DO ASSASSINATO DE BAVE

Eu tinha acabado de pisar no jardim na casa de Camille junto de Maddison e Amy. Não tenho palavras para explicar em como a música estava alta. Posso jurar que sentia vez ou outra o chão tremendo sob os meus pés. Eu estava com um shortinho e uma blusa solta branca, acompanhada de um vans verde água. Minhas amigas não fugiam muito dessa combinação.

– Tá vendo algum dos meninos por aí? – Maddison perguntou no meu ouvido, bem alto, diga-se de passagem, assim que adentramos o local

Neguei com a cabeça e dei de ombros, dando a entender que também não estava muito preocupada com eles. Puxei minhas duas amigas pelas mãos até pararmos de frente a um bar improvisado, e nos servimos inicialmente de cerveja.

– Cara, eu to vendo esse lugar hoje pegar fogo – Amy comentou, dando um longo gole em sua bebida em seguida – Hoje alguém sai daqui morto – ela disse como se isso fosse natural e eu e Maddie rimos

– Onde será que a Bave se meteu? – perguntei, olhando para os lados, a fim de ver se encontrava uma cabeleira vermelha conhecida – Não quis se arrumar com a gente, e disse que viria sozinha.

– Ela é estranha – Maddison disse – Vai ver ela vai chegar acompanhada do Jordan – Jordan era o primeiro menino que Bave conseguiu levar o relacionamento um pouco mais pra frente, e todas nós estávamos orgulhosas dela por isso

– Será que vai durar? – perguntei, olhando de Amy para Maddie que soltaram gargalhadas debochadas e em segundos seguintes eu me juntei a elas. Obviamente semana que vem Bave já estaria fazendo o pobre menino chorar que nem uma criança

– Ela não tem jeito mesmo – Amy balançou a cabeça negativamente, parando seu olhar fixamente em alguma coisa à sua esquerda. Olhei para a mesma direção e logo entendi: tinha um menino maravilhoso flertando com ela – Se me dão licença, — ela disse, colocando a cerveja em cima do balcão – tenho coisas mais importantes pra fazer além de comentarmos sobre a nossa bitch favorita.

– Vai na fé! – falei, rindo

– Cai de boca, cachorra! – Maddison completou, mais alto do que o adequado, fazendo o menino levantar os olhos até nós, fazendo com que nossas risadas aumentassem

Assim que Amy saiu de nós e foi conversar (vulgo= dar uns pegas) com o menino, sobrou apenas eu e a minha amiga que compartilhava o mesmo tom de cabelo que o meu. Maddison ia abrir a boca para falar alguma coisa, porém senti meu celular vibrando no bolso, e fiz sinal para que ela esperasse.

– Alô? – atendi, apertando meu outro ouvido com força

– Fala aí mocréia – Bave falou do outro lado da linha, sempre carinhosa – Pelo visto já ta na Camille né?

– Sim, onde você ta? – apertei mais o meu ouvido, a fim de ouvir melhor a voz metálica

– Tô em casa ainda, daqui uns 30 minutos chego aí. Espero encontrar vocês sóbrias para bebermos juntas, hein?

– Sóbrias até posso te confirmar, agora limpas não. Amy já abocanhou um de jeito – gritei, para que ela me escutasse

– LITTLE BITCH! – ela disse em meio a risadas – Espere por mim!

E assim, ela terminou a ligação. Mal sabia eu, que aquela seria a última vez que eu iria ouvir sua voz.

*Flashback OFF*

– Então no dia da festa Bave não foi com vocês? – Ewan que estava sentado do outro lado de mesa perguntou

– É o que eu acabei de dizer – eu disse, como se fosse óbvio

– Ok, ok. Só estou tentando raciocinar – ele baixou um pouco a cabeça, e fez sinais com as mãos como se estivesse tentando somar os pontos

– Ela ligou duas vezes para nós – Maddison disse, enquanto tomava um gole do seu refrigerante – Uma vez logo no ínicio da festa para Fox, e depois para mim.

– O que ela queria na segunda vez? – Carter olhou para ela, que olhou para mim logo em seguida

– Sinto muito – ela deu de ombros – Não conseguimos lembrar. Aquela altura eu e Fox já estávamos um pouco alteradas.

– E onde eu tinha me metido? – Amy perguntou, com uma cara engraçada

– Provavelmente tava com o cara no quarto dos pais da Camille – eu respondi, sem saber se dava risada ou se me controlava pra me manter séria, o que causou um efeito divertido nos meus lábios

– Puta que pariu – ela balançou a cabeça, e Carter e Ewan se entreolharam de uma forma que eu não sei explicar

– Mas eu me lembro de uma coisa – falei – Pouco depois da segunda ligação da Bave, Jordan me ligou. Ele tava meio preocupado com ela, dizendo que tentava falar com ela mas não conseguia. Eu sinceramente não dei bola porque tinha um loiro estilo surfista maravilhoso que não tirava os olhos de mim e eu já tinha levado garganta abaixo vários shots de tequila e coisas do gênero.

– E assim, do nada, na manhã seguinte ela apareceu morta? – Ewan disse com um tom na voz querendo dizer algo como “Isso é a maior estupidez da história”

– Foi – respondi

*Flashback ON*

– Fox, pelo amor de Deus – Jordan disse do outro lado da linha – Eu já entendi que tem uma espécie de Tarzan olhando pra você e que você quer dar uma rapidinha com ele, mas vê se me escuta!

– Jordan, a ligação ta falhando – eu disse, depois de seguidas risadas

– Não ta não! Olha, eu tentei ligar para Bave mais de quinze vezes! Ela prometeu estar pronta há vinte minutos atrás e que estaria me esperando na porta da casa dela. E não tem nenhum sinal de Bave por aqui.

– Ela já deve ter vindo pra cáaaa! – levantei a mão com o copo pra cima e gargalhei

– Fox, eu to preocupado. Isso nunca aconteceu antes, ela não desgruda do celular! Será que dá pra você ir pra fora dessa casa e tentar me entender?

– Olha, Jordan eu já entendi – falei, brava, e trocando algumas letras. Quem se importava se Bave atendia o telefone ou não? Qual é, a menina já devia estar arrombando o cu de novo com outro cara pela falta de competência do meu amigo. Não, brincadeira. Céus – Vê se vem pra festa e tenta achar ela aqui!

E desliguei o telefone, dando mais um gole na minha vodka com energético. E dá-lhe projeto de Tarzan. Que abdômen maravilhoso.

*Flashback OFF*

– Você não se preocupou com a sua amiga porque tinha um Tarzan olhando pra você? Fox, você é a pessoa mais escrota que eu já conheci na minha vida! – Carter disse

– Escuta aqui, “amigo” – frisei a palavra — Se coloca no meu lugar, ok? Eu já tinha bebido mais do que o suficiente pra entrar em coma alcoólico, e a Bave sempre se metia em confusão. Você queria que eu fizesse mágica para descobrir que naquele dia ela poderia morrer?

– Qual é Carter, a culpa não é nossa. Se você pensar no ano passado vai lembrar que fazia muito mais merda do que a gente – Maddison disse – Era pra ser só mais uma noite de sexta-feira normal – ela deu de ombros, e logo seu rosto ficou vermelho. Provavelmente as lagrimas pareciam querer chegar.

– Ok, ok – ele balançou a cabeça

– Eu ainda não consigo acreditar que no dia que a minha amiga morreu eu tava com um pinto na minha bunda – Amy falou depois de muito tempo em silêncio, ainda encarando sua mão na mesa, causando gargalhadas gerais

– Além do café suspeito e da maconha, vocês sabem de mais alguma coisa diferente que ela fazia? – Ewan perguntou

– Bave sempre foi a mais agitada de nós – eu dei de ombros – E não pro lado bom, ok? Ela foi a primeira que ficou bêbada, a primeira que perdeu a virgindade, a primeira que experimentou maconha.

– Além de tudo, era uma pessoa rude pra caramba – Madisson continuou – Quer dizer, em uma conversa de 5 minutos com ela você com certeza conseguiria ser ofendido. Ela também sempre era o pivô das nossas brigas.

– A menina era a definição de um monstro adolescente, então – ele concluiu

– Mais ou menos isso – Amy concordou

– Um monstro bem foda – Carter sorriu de lado

– Cala a boca, Carter – eu disse fazendo cara de nojo, por ter lembrado do vídeo dele com a minha amiga falecida, e em seguida ele levantou suas mãos para o alto como se dissesse “não está mais aqui quem falou”

– Ok, e onde chegamos com tudo isso? – Madisson perguntou

– Não sei – Ewan disse – O ideal seria que nós ouvíssemos a última conversa que vocês tiveram com ela. Mas só gente importante na polícia pode conseguir isso. Antes de pensarmos em uma possível pessoa para servir de suspeita, temos que repensar em como foram as ultimas semanas dela. Vocês precisam me falar tudo que lembram, entende? Para aí sim começarmos uma busca mais decente.

– E isso tem que ser agora? – Amy perguntou

– Temos a tarde inteira – ele sorriu e deu de ombros, pegando um caderno vermelho e uma caneta, e o abriu logo na primeira página que estava em branco. Deveria ser novo. Passou um gravador para Carter que logo o ajustou devidamente e o colocou no centro da mesa

– Lembrem-se: tudo o que vocês falarem vai estar gravado aqui puro e simplesmente para a investigação sobre Bave – Carter disse

Concordamos com a cabeça, e a partir daquele momento seguimos com muitas explicações e histórias dos últimos dias de vida da nossa amiga. Depois de muita falação, e quando o céu já ganhava um tom arroxeado, Maddison disse uma coisa que poderia talvez ser uma luz para nós:

– Ah, tem um negócio que eu esqueci de dizer – ela disse dando um tapa na testa, como se fosse óbvio – Ela deixou três mensagens de voz pra mim depois da última ligação que ela fez. Não lembro de nenhuma delas, só ouvi uma vez quando tinha acabado de chegar na casa de Fox depois da festa para dormir lá. Nós duas estávamos acabadas, então.. – ela deu de ombros

– Isso é ótimo! – Ewan quase deu um pulo da cadeira. Ele pelo visto se entregava de corpo, alma e coração para os casos – Você ainda tem elas salvas?

– Claro que sim – Maddie respondeu – Não apago minha caixa de entrada nem de cinco em cinco meses, e o ocorrido não faz nem dois meses.

– Maddison, isso era tudo o que a gente precisava! – ele disse empolgado, e ela tirou o aparelho do bolso, o desbloqueando e colocou a primeira mensagem de voz para tocar:

“- Maddie! Pelo amor de Deus! Tem como ou você e a Fox virem pra cá? As portas de casa estão trancadas e eu não tenho como sair! Tem duas vozes vindo do andar de baixo, Maddison! Eu tô morrendo de medo, amiga!”

Frio na barriga. Embrulho no estômago. Medo. Foram essas as sensações que eu obtive quando a mensagem terminou. Olhei para as outras quatro pessoas que estavam ali, e elas obtinham a mesma expressão no rosto que eu.

“- MADDISON! Caralho! Eles tão subindo as escadas, Maddie! Não são meus pais, tenho certeza! Por favor, vê se escuta isso!”

Pânico.

“Um puta barulho de porta arrombada. Um grito de horror de Bave.

– Fim da linha, bonitinha – uma voz masculina grunhiu e uma risada não identificada logo atrás soou alta

– QUEM SÃO VOCÊS? –Bave gritou

– Sou o seu pior pesadelo, Clinton. Surpresa.

– Vo.. VOCÊ? – a voz da minha amiga gritou, como se tivesse acabado de descobrir alguma coisa”

Olhei de Ewan para Carter. De Carter para Maddison. De Maddison para Amy. De Amy para minhas mãos. Eu tremia. E tremia pra caralho. O silencio permaneceu na sala de jantar da casa do meu mais recente conhecido, até que o próprio se pronunciou:

– O assassino era alguém que ela conhecia. E bem.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.