Fragmentos e Borrões

2 Capítulo 1 - Infância


Tenho dificuldade para lembrar os meus primeiros anos como G.

Claro, sei que não sou a única alma que tem dificuldade com isso. Mas é particularmente para mim – tente ser uma alma mais velha que o próprio tempo, então TALVEZ você entenda o que eu quero dizer.

Porém, a primeira lembrança que tenho da vida delx é de uma casa grande e elegante, e do cheiro forte do álcool no hálito de uma mulher igualmente elegante e bela – minha mãe.

Seu nome era Adalina Vernandskaya, mas era chamada de Addie por sua família e amigos mais íntimos. Filha de um rico empresário italiano com uma médica russa. Tinha belos cabelos cor de cobre, e em sua juventude, seus olhos negros tinham um brilho travesso que não combinava com a postura elegante que fora criada para ter.

Porém, quando Addie tinha 17 anos, seus pais morreram quando o avião deles apresentou problemas e acabou caindo.

Nem os destroços nem os corpos foram achados.

A morte deles abalou muito ela, e ela buscou apoio no álcool – ele a fazia esquecer da dor imensa que ela sentia.

Quando tinha seus 24 anos, teve uma criança – eu. Ela nunca me contou quem meu pai era, porém me lembro do brilho em seu olhar quando ela falava dele.

Aparentemente, ele tinha sumido pouco tempo antes de eu nascer. Nunca descobrimos quem ele era, ou onde estava.

Tudo que eu sei é que ela me amava o suficiente para compensar o pai que nunca tive. Claro, ela sempre estava bêbada, mas isso não me importava. Eu preferia ela bêbada e sorrindo, do que o estado em que se encontrava nas raras vezes que a vi sóbria – eu odiava ver a maquiagem dela escorrendo por suas bochechas, odiava ter que vê-la sofrendo daquele jeito.

Eu a amava muito.

A segunda lembrança mais antiga que tenho é de quando fomos à Disney, no meu aniversário de cinco anos.

Eu estava tão acostumadx com o frio da Inglaterra que chegar em Orlando e sentir todo aquele calor foi a maior surpresa de minha vida, até aquele momento. Mas o que mais me alegrou foi ter ela passado o dia sóbria, e sorrindo – sorrindo! Só de ver um sorriso genuíno dela, eu já me alegrei inteirx.

Posso dizer, com certeza absoluta, que esse foi o melhor dia de minha vida.

Mas também posso afirmar, com a mesma facilidade e certeza, que o pior foi quando ela foi embora e não voltou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.