Fragmentos do que um dia já fui
1 Capítulo 1
Eu não consigo respirar... Minhas lagrimas já não são mais suficientes, minha dor se expressa através de gritos, sons agudos de puro sofrimento e angustia. Estou gritando tão alto, e a tanto tempo, que meus pulmões já não suportam a pressão, eles param de trabalhar, e eu não consigo respirar. Não consigo, simplesmente não consigo, eu faço força, eu tento puxar o ar, mas nada vem. Não aguento mais.
Você pode estar se perguntando o porque eu estou nesse estado, qual o motivo de tanto sofrimento, mas nem eu mesmo sei dizer. Acho que os caminhos que eu escolhi me trouxeram até aqui, ou foram as escolhas que eu deixei de fazer e inevitavelmente a vida fez por mim. Nunca fui uma pessoa de me importar com o meu bem-estar, sempre desejei ver as outras pessoas bem e felizes, sempre fiz tudo o que eu pude para salvar o mundo. Mas quando sou eu quem preciso ser salvo... ninguém aparece.
Estou no meu quarto, as luzes estão apagadas, eu estaria em total escuridão se não fosse a tela do meu celular acessa avisando que alguém me liga desesperadamente. Eu não preciso olhar para a tela pra saber quem está me ligando. E nem mesmo ele consegue fazer com que eu me acalme nesse momento. Eu preciso passar por isso sozinho, na verdade não preciso não, mas esse é mais uma das minhas escolhas. Não quero ninguém por perto, e não pense que é porque eu sou forte o suficiente para enfrentar sozinho. Jamais foi essa a questão. Eu não quero ninguém por perto pelo simples motivo de eu odiar que me olhem com pena, que sintam dó de mim, que queria me ajudar e me vejam nessas condições. Sei como isso seria dolorosa para as pessoas que eu amo, e eu não quero causar nenhuma dor a eles, mesmo que isso implique em eu sentir dor e sofrer no processo.
Minha voz de cala, minha garganta está seca e já não tenho forças para emitir nenhum som. Só então nesse momento consigo finalmente puxar o ar com toda a força que me resta. Minha respiração volta numa velocidade frenética, e não tem como controlar. Assim como minhas lagrimas continuam a cair sem controle, e eu já nem as percebo mais. Aos poucos vou conseguindo controlar minha respiração, e me acalmo. Tento parar o choro, mas é inútil. A dor passou a ser raiva.
Tento ir até o banheiro, mas meu corpo ainda não está respondendo corretamente aos meus estímulos. Caminho batendo nas paredes, e estou mais me arrastando do que andando. Chego ao banheiro, me apoio na pia e olho o reflexo no espelho. Com a pouca iluminação, minhas olheiras parecem pior do que realmente estão. Os olhos vermelhos e aquela manha negra ao redor. Meu cabelo ainda cai sobre a testa molhados de suor. Lábios secos e quase rachando, quando foi a ultima vez que eu bebe alguma coisa? A quanto tempo estou chorando naquele quarto? Que dia é hoje? Onde eu estou? Quem está aí?
NÃO SURTA!
Foca no seu reflexo, aquele é você. Aquela imagem borrada que você mal consegue ver, e agora percebo que o problema não é a iluminação, sou eu quem estou com a visão alterada, e por que o banheiro está tão quente e pequeno?
O porque o vaso está tão perto do meu rosto? Que liquido é esse? O que está aconte...
Fale com o autor