Fragmentos de Lembranças
35 Pesadelo II
Notas iniciais
Era um cenário tão familiar. Noite, o céu estrelado, a lua cheia, pessoas felizes, e a maioria em casal. O som de violinos e sotaques franceses eram altos, e se juntavam em um só som, como se estivessem combinados em uma canção. Finalmente reconheci aquele lugar, era Paris, e Anabell estava ao meu lado. Estávamos na Torre Eiffel, a lua estava tão grande e brilhante, que parecia ter se aproximado da terra. Em nossas mãos taças de champagne, ela usava um longo vestido vermelho bastante chamativo a atraente, seu cabelo preso formalmente e seu perfume preferido exalava. Ela falava algo, mas meu cérebro se concentrava em como fomos parar ali. As coisas começaram a ficar estranhas, as pessoas a nossa volta começaram a sumir, e a lua ficou escarlate. O som dos violinos parecia ter aumentado e as vozes com sotaque francês desapareceram. Tudo ficou preto, havia uma única luz sobre Anabell. A enorme lua era a única coisa presente naquele cenário. Quando voltei à olhar para Anabell, ela estava em cima da construção, de braços abertos, seu corpo tapava parte da lua escarlate. Ela sussurrou algo, e jogou-se de lá. Corri o mais rápido que pude para tentar impedi-la de cair, mas eu já não estava mais lá quando à alcancei. Fui parar em um beco sem saída, sem sinal de vida alguma. Eu estava sozinho, e nem ao menos entendia o porque de estar lá, novamente. Estava deserto e escuro. Procurei por Anabell mas não havia ninguém por perto. Notei que eu segurava em minhas mãos uma arma, e que eu sangrava, sangrava muito.
Acordei, ofegante e desesperado. Puxei meu corpo e me sentei.
– Que ótimo, outro pesadelo. — Pensei alto. Olhei para o relógio, eram quase seis horas da tarde. Dormi praticamente um dia inteiro. — Que bom que estou vivo. — Tornei a pensar.
Finalmente eu tive um noite de sono, talvez nem tão boa, mas consegui me distanciar da realidade, e me prender ao mundo dos sonhos, e é claro, dos pesadelos. Novamente comecei a pensar no significado daquele sonho estranho, e desta vez, eu tinha certeza de que não foi apenas um sonho aleatório, aquilo realmente significava algo.
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