Notas iniciais
Hoje vocês descobrirão algo que vai choca-los, e talvez fazê-los raciocinar um pouco o segredo de Anabell (ou não) Boa leitura à todos!

03h13 AM, Delegacia Estadual de Ternure; Colorado

Quando o sol se foi, colocando em seu lugar a imensa e brilhante lua, quando todos deitavam suas cabeças em travesseiros macios, e cobriam seus corpos com tecidos quentes, descansando suas agonias e alimentando seus sonhos, um alguém se aproveitava do anoitecer, se aproveitava do silêncio inocente da noite.

Estacionou o carro velho em frente a Delegacia, antes de abrir as portas e descer, cobriu seu rosto por completo com um tecido negro e fino, e o restante de seu corpo com um capuz preto. O homem desceu do carro, garantindo que não havia nada que pudesse entregar sua identidade. De um de seus bolsos, puxou uma pistola de paintball carregada de balões de tinta preta, e mirou na câmera de segurança que registrava sua chegada.

Observou cada ângulo, cada metro, cada centímetro, certo de que não havia ninguém que pudesse vê-lo, invadiu a delegacia. Mirava e atirava em qualquer câmera de segurança que ficasse à sua vista, não deixava uma para trás. Ouvia-se a canção dos grilos, era o som da noite.

Entrou na delegacia sem nenhum esforço, garantindo que nenhuma câmera gravava sua presença. Para sua surpresa, lá estava um senhor com seus cinquenta anos, cochilava tão tranquilamente frente as imagens das câmeras de segurança. O homem, prevenindo-se, retirou de sua mochila um pano, e junto dele, tirou também um vidro de clorofórmio. Antes que o senhor pudesse despertar, molhou o pano com o líquido incolor, e tapou as narinas juntamente da boca do senhor com a ajuda do pano. O senhor, agora despertado, tentava lutar contra o homem encapuzado, mas acabou perdendo. O senhor que antes apenas cochilava, agora estava inconsciente.

Aproveitando-se da inconsciência do senhor, e de sua sabedoria quanto à tecnologia, antes de mais nada, apagou as gravações feitas. Puxou do bolso do senhor as chaves, para que assim pudesse terminar sua missão. Procurava em todas as salas, abria todas as portas, até que finalmente encontrou o que queria. Abriu a porta da sala onde guardavam as provas de crimes.

Procurou por toda a parte. Abriu uma das gavetas, e procurou pelo nome o que tentava achar. Em meio a tantos nomes, achou o que procurava: Heloísa e Charles Portinatt. Pegou o arquivo em suas mãos, e mesmo assim, não encontrou o que procurava.

– Já sei. — Ele exclamou. — Aproximou-se da enorme TV, e logo abaixo, encontrou um aparelho do qual retirou uma fita. — Te encontrei. — Pensou alto.

Colocou a fita em sua mochila, e retirou-se da delegacia o mais rápido possível.

–-XX--

Dois dias depois

Apesar de estar estudando, Eric concentrava-se na beleza de sua namorada. Concentrava-se na forma que ela colocava seus cabelos atrás da orelha, na forma que ela mordia o lápis pensativa, na forma que ela segurava a caneta para escrever, na forma que ela era. Seu foco foi interrompido com uma ligação que o surpreendeu.

– É o policial Green. — Ele disse atendendo imediatamente. Ouvia atentamente o que o policial tinha a dizer, boquiaberto com o que acabará de ouvir. — Tudo bem, depois nós falamos. Tchau! — Encerrou a ligação.

– Encontraram o homem do capuz? — Anabell perguntou.

– Mais ou menos. A fita foi roubada. — Ele respondeu ainda pasmo.

– A fita?

– Sim, a fita. A única prova concreta que poderia provar a entrada e saída do homem do capuz. Isso quer dizer que, ele ainda está vivo, e por aqui. — Falou levantando-se da cadeira. — O homem que matou meus pais está mais próximo do que podemos imaginar, Anabell.

– Eric, não tome decisões precipitadas. Se ele roubou a fita, ele pode muito bem ter saído da cidade.

– Não, ele não saiu. Se fosse pra sair, teria saído assim que matou meus pais. Ele está aqui, Anabell, está aqui e vou encontra-lo para ter o prazer de vê-lo atrás das grades, onde deveria estar. — Eric declarou. Juntou suas coisas guardando-a em uma mochila.

– Para onde vai? — Perguntou ela.

– Me encontrar com o policial Green, ele vai me contar o que aconteceu direito, ele não quis falar pelo telefone. — Ele explicou.

– Tudo bem, tome cuidado. — Ele pediu carinhosa.

–-XX--

– Como isso aconteceu? — Eric perguntou confuso.

– Foi dois dias atrás. O safado conseguiu entrar sem ser notado, e o pior, apagou todas as gravações feitas.

– Não tinha ninguém aqui para detê-lo?

– Sim, tinha o senhor Heckens, mas ele cochilava durante o ocorrido, se aproveitaram e fizeram-no desmaiar com uma substância química muito forte. O pior é que não temos nenhum tipo de registo que possa provar que foi o mesmo homem que pode ter matado seus pais.

– Acha que pode ter sido outro alguém?

– Estou em dúvidas. A única coisa da qual foi roubada da delegacia, foi a fita do incêndio que matou seus pais. Só pode ter sido ele, mas como ele sabia da fita? — O policial contestava. — Não acha estranho a fita ser roubada anos depois, logo após você descobrir sobre ela?

– Acho. Na verdade é muito estranho mesmo. — Eric respondeu.

– Além do corpo policial, só quem sabia da fita era Luíza e a vizinha que liberou as gravações. Contou para mais alguém sobre a fita?

– Só pra minha namorada, Anabell. — Eric confessou

– A mesma que apareceu nas gravações?

– Isso.

– Então acabamos de ganhar uma suspeita.

– Esta insinuando que ela roubou a fita?

– Não. Estou a colocando como suspeita, já que ela foi a única que soube da fita, e ela de repente sumiu. Vou investigar essa garota.

– Essa garota tem nome, e não tem nada a ver com a fita, ou com isso tudo. — Eric falou alterado.

– Isso é o que descobriremos em breve. Eric, posso te pedir um favor?

– Depende. — Falou irônico, já irritado com a insinuação do policial Green.

– Quero que faça perguntas discretamente à ela.

– Não vou fazer isso. Não tem porquê. Ela não tem nada a ver com isso, ficou tão chocada quanto eu quando soube que foi homicídio.

– Quer saber quem matou seus pais? — Green perguntou.

– Claro. — Ele respondeu firme.

– Então faça o que estou pedindo.

– Tudo bem. Mas só pra provar que estou certo. — Falou cruzando os braços.

–-XX--

Eric evitou contar à Anabell que ela também aparecia nas gravações da fita, e evitou principalmente contar que ela era suspeita do roubo da fita. Mesmo acreditando na inocência da garota, ele questionava o porquê de ela estar nas gravações. Resolveu fazer o que o policial Green pediu, e fazia perguntas discretamente.

– Anabell, você já veio aqui antes? — Perguntou de um vez.

– Com aqui você quer dizer.. — Ela cerrou os olhos confusa.

– Aqui, a cidade. Antes de morar aqui, já veio aqui outras vezes?

– Na verdade, assim que meus pais morreram eu comprei um terreno aqui, e construí essa casa, quer dizer, os operários. — Ela riu. — Tenho essa casa à quase quatro anos.

– Isso quer dizer que..

– Sim, eu já vim aqui outras vezes. Uma delas foi quando vim ver o estado da construção.

– Ah, isso explica. — Ele sussurrou pensativo.

– Explica o que? — Ela perguntou.

– Er.. nada não, deixa pra lá, besteira minha. — Ele falou atrapalhado.

– Hmm. — A menina tronou a cerrar os olhos desconfiada.

Anabell recusava-se a acreditar na desculpa de Eric, sabia que ele escondia algo dela, e desconfiava do que poderia ser. Enquanto isso, Eric comemorava mentalmente a morte de sua dúvida cruel. A resposta de sua namorada acabou esclarecendo muita coisa em sua cabeça.

–-XX--

Dois dias atrás

A garota perambulava de um lado para o outro apreensiva, torcendo para que a porta se abrisse logo indicando a chegada de seu mordomo. Ouviu a porta se abrir, e sentiu um aperto no coração. Era Sebastian. Ela suspirou aliviada.

– Você está bem? — Perguntou preocupada.

– Estou. — Ele respondeu apoiando a mochila no chão.

– Conseguiu a fita?

– Consegui.

– Acha que alguém te viu?

– Não. A rua estava deserta, e a delegacia vazia, só havia um senhor, mas dei um jeito de deixa-lo inconsciente por tempo suficiente. — Ele respondeu calmo.

– E as câmeras de segurança?

– Atirei balões de tinta em todas que pudessem me gravar, e por sorte consegui apagar as gravações. Deu tudo certo, Anabell, não se preocupe.

A garota fechou os olhos, e sentia um aperto em seu peito. O mordomo, notando o desconforto de sua ama, perguntou-lhe o que à incomodava.

– O que foi? Não se preocupe, ninguém me viu, a fita está em nossas mãos.

– Eu sei, é que estou me sentindo mal. Quanto mais escondo a verdade, mais vou desabando. Chegará uma hora que não irei mais suportar sustentar esse palácio de mentiras.

– Não, você não está sustentando um palácio de mentiras. Você está poupando Eric e todos ao seu redor de um trauma. Isso é para o bem de todos.

– Eu só queria jogar fora todas essas coisas que venho carregando. Só queria viver livre de tudo isso. — Suspirou tristonha.

– Não se preocupe, você batalhou muito por isso, sacrificou muita coisa. Garanto que algo de bom vai sair disso tudo. — Ele á consolou abraçando-a.

Sebastian sabia que Anabell era capaz de suportar muitas coisas, mas sabia também que ela estava em seu limite. E ele faria o que tinha feito nos últimos anos: seria a base do castelo de vidro, e suportaria o que estivesse por vir, somente para vê-la bem.

Notas finais
Sim galerinha, o Sebastian quem roubou a fita. Mas porque? Descubra continuando a ler. O segredo de Anabell está cada vez mais próximo. Até a próxima! xoxo, YC