Fragmentos da Ambição - Cassius Thorne (Fanfic Uni

1 Fragmentos da Ambição - Cassius Thorne (Fanfic Universo Harr


Notas iniciais
Tem adaptação em vídeo no canal do YouTube: Lúpria Films: https://www.youtube.com/watch?v=DVxb1IV0gP4&t=3s

O ano era 2008. Dez anos haviam se passado desde a terrível batalha que marcou o mundo bruxo, a grande tragédia entre Harry Potter e Voldemort. O final havia chegado, mas cada vitória deixou cicatrizes profundas, e cada ferida, marcas que o tempo jamais conseguiria apagar. Mesmo na paz aparente, sombras persistiam… sussurrando segredos esquecidos e lembranças de um passado que ainda respirava nas sombras...


Godric’s Hollow, 06 de setembro de 2008:


O vento cortava os corredores do orfanato de Godric’s Hollow, carregando o cheiro de madeira velha e chuva distante. Cássius Thorne, com treze anos, empurrava uma pilha de livros caídos, os dedos trêmulos de frio e raiva contida.


— Novamente você! — o diretor Sr. Aldrich rugiu, apontando o dedo enrugado para o garoto. — Quantas vezes vou repetir? A magia não é para egoísmo!


Cássius cerrou os punhos, sentindo uma energia pulsando dentro dele, quente e inquieta, quase viva. Um pequeno estalo escapou de seus dedos, fazendo as velas tremeluzirem e os livros flutuarem por alguns segundos antes de cair com um baque. O diretor recuou, olhos arregalados de surpresa e medo.


— Eu… só queria… — Cássius começou, a voz trêmula, — entender… meus pais…


O silêncio que se seguiu parecia esmagador. As outras crianças olhavam escondidas, algumas fascinadas, outras com medo. Mas Cássius sentiu algo diferente: uma força interior crescendo, algo que não cabia naquele orfanato.


Sem aviso, um livro voou direto em direção a uma janela, estourando o vidro. O frio da noite invadiu o corredor, trazendo consigo um presságio: a vida de Cássius em Godric’s Hollow jamais seria comum, e cada passo seu carregaria o peso de uma magia que ele mal começava a compreender.


Cássius se esgueirava pelos corredores silenciosos do orfanato, evitando o olhar atento do Sr. Aldrich. Nas sombras do sótão, encontrou Lysandre, um garoto da mesma idade, que sempre o acompanhava nas pequenas travessuras.


— Você acha que… dá pra trazer eles de volta? — Cássius sussurrou, a voz carregada de esperança e medo. Seus olhos verdes brilhavam sob a luz fraca da lamparina.


Lysandre engoliu em seco, olhando para os livros espalhados pelo chão. — Você quer… fazer magia de verdade pra isso? — perguntou, meio assustado, mas curioso.


Cássius assentiu, tocando levemente um dos livros que pareciam irradiar uma energia própria. — Eu sei que é errado… mas eu preciso tentar. Não posso simplesmente esquecer… meus pais… eles se foram quando eu tinha três anos.


Durante noites silenciosas, escondido nos cantos do orfanato de Godric’s Hollow, Cássius estudava feitiços antigos, experimentava encantamentos proibidos e sentia o poder dentro dele crescer, pulsante, quase vivo. Cada tentativa era um desafio, cada falha uma frustração que queimava por dentro.


E enquanto as sombras da noite envolviam o orfanato, ele sabia que seu desejo de mudar o impossível poderia custar caro — mas a esperança de um reencontro impossível com seus pais o impulsionava, tornando impossível para ele simplesmente desistir.


O sussurro de Lysandre ecoou nos corredores frios do orfanato, e em poucos minutos o diretor Sr. Aldrich entrou na sala como uma tempestade.


— Então é isso, Cássius? — sua voz cortava o ar, carregada de reprovação e ira contida. — Usar magia para satisfazer seus desejos egoístas? Você se acha acima das regras deste lugar?


Cássius sentiu o estômago revirar, a raiva crescendo junto com o medo. — Não é egoísmo! — rebateu, a voz tremendo, mas firme. — Eu só quero… eu só quero trazer meus pais de volta!


O diretor apertou o punho, os olhos faiscando. — Isso não é só errado, é perigoso! Você brinca com forças que não entende, garoto.


Sem esperar uma resposta, Cássius se virou e correu. As sombras do orfanato o engoliam enquanto ele atravessava os corredores, pulando sobre móveis e desviando de obstáculos, sentindo o coração bater descompassado.


A noite fria de Godric’s Hollow recebeu sua fuga. O vento cortava a pele, misturando o cheiro de terra úmida e folhas molhadas. Ele correu sem olhar para trás, guiado por uma força que parecia chamá-lo, até chegar ao lago próximo à ponte de Hogwarts, onde a água escura refletia a lua. Ali, sozinho, Cássius respirou fundo, sentindo pela primeira vez que estava livre… e que algo grande e desconhecido o aguardava.


A brisa da noite agitava a superfície do lago, fazendo pequenas ondulações que refletiam a luz da lua. Cássius sentiu um arrepio percorrer a espinha, como se algo o chamasse, sussurrando debaixo da água. Cada passo em direção à margem parecia puxá-lo mais fundo, até que, sem perceber, ele estava ajoelhado à beira, os dedos tocando a água gelada.


Algo brilhou no fundo, coberto de algas e lama. Cássius mergulhou, o frio da água envolvendo cada músculo, os pulmões queimando, mas a curiosidade maior do que o medo. Quando tocou o objeto, sentiu uma vibração estranha, quase viva, percorrendo seu braço. Tirando a peça da água, percebeu que eram duas metades de uma varinha antiga, rachada e desgastada pelo tempo, mas com uma energia tão intensa que fazia seu coração acelerar.


Segurando a varinha, Cássius sentiu uma conexão imediata, como se a própria peça estivesse viva, reconhecendo-o, exigindo algo dele. Um arrepio percorreu seu corpo, misturando medo e fascínio. Ele sabia, sem entender como, que aquela não era uma varinha comum. Era poderosa, antiga, e de algum modo chamava por ele, prometendo segredos e um poder que ele jamais poderia imaginar.


De volta ao orfanato de Godric’s Hollow, Cássius guardou a varinha embaixo da cama, mas não conseguia tirá-la dos olhos. Cada noite, enquanto os outros dormiam, ele a estudava em silêncio, passando os dedos pelas rachaduras e sentindo uma vibração quase viva. A madeira parecia pulsar, como se tivesse consciência própria, respirando junto com ele.


Quando tentava lançar feitiços simples, a varinha reagia de formas inesperadas: levitava mais alto que o esperado, soltava faíscas verdes ou até sussurrava sons suaves, quase imperceptíveis, que pareciam palavras indecifráveis. Cássius sentiu medo e fascínio ao mesmo tempo. Cada tentativa o aproximava de algo que ele não conseguia explicar — uma sensação de poder absoluto, mas ao mesmo tempo de perigo.


As noites em Godric’s Hollow se tornaram silenciosas e pesadas, com o menino falando baixinho consigo mesmo, tentando decifrar aquele mistério. Ele sabia que aquela varinha não era comum, mas também sentia que ela exigia algo dele. Um arrepio percorreu seu corpo quando, ao tocar a ponta da varinha, uma onda de energia percorreu seus braços, enchendo-o de uma força que o fez perceber: aquela peça antiga não apenas reagia à magia, mas parecia escolhê-lo, aguardando que ele tomasse uma decisão que mudaria tudo.


Cássius caminhou pelas ruas silenciosas de Godric’s Hollow até a pequena loja de varinhas de Eldric Thornwell, um velho artesão famoso por lidar com peças raras e antigas. O cheiro de madeira polida e cera preenchia o ar quando ele entrou, e Eldric levantou os olhos por trás dos óculos redondos, curioso com o garoto que carregava uma varinha quebrada com tanto cuidado.


— O que você tem aí, rapaz? — perguntou Eldric, pegando a peça com mãos experientes. Assim que a segurou, seu rosto se endureceu. — Madeira de sabugueiro, núcleo de cabelo de testrálio… quinze polegadas. Não é qualquer varinha. — Ele suspirou, olhando Cássius nos olhos. — Você sabe o que está me pedindo? Consertar isso não é apenas difícil… é quase impossível.


Cássius engoliu em seco, a excitação misturada com medo. — Por favor… eu preciso dela. — disse, a voz firme.


Eldric passou horas examinando a varinha, murmurando encantamentos antigos, testando feitiços de estabilidade e alinhamento. Cada tentativa parecia exigir mais dele do que Eldric imaginava, e a varinha resistia, como se tivesse vontade própria. O artesão sabia que aquele trabalho não seria apenas sobre magia e técnica — era arriscado, talvez até perigoso. Mas Cássius, com os olhos brilhando de determinação, não podia desistir, e Eldric percebeu que estava prestes a se envolver em algo muito maior do que simples madeira e núcleo.


Após meses de trabalho minucioso, Eldric Thornwell finalmente conseguiu unir as duas metades da varinha. Um brilho intenso surgiu da madeira de sabugueiro e do núcleo de cabelo de testrálio, iluminando toda a pequena oficina de Godric’s Hollow. Cássius recuou, os olhos arregalados, sentindo a energia pulsante vibrar no ar, quase viva, como se respirasse junto com ele.


De repente, um grito cortou a noite. Eldric caiu de joelhos, a mão ainda sobre a varinha, e uma força invisível parecia sugar a vida dele lentamente. Cássius correu para ajudá-lo, mas foi impedido por um empurrão invisível. Com esforço, Eldric conseguiu murmurar algumas palavras, a voz fraca e entrecortada:


— Cássius… afasta-te… dela… a varinha… ela… murmura… engana…


Antes que pudesse terminar a frase, o coração do velho parou, e ele caiu imóvel, deixando um silêncio pesado na oficina. Cássius permaneceu parado, a respiração acelerada, os olhos fixos no corpo de Eldric e na varinha agora completa. Pela primeira vez, sentiu o peso real de possuir aquele artefato: não era apenas uma ferramenta, era um ser consciente, sedento por sacrifícios e capaz de manipular destinos. O aviso de Eldric ecoava em sua mente, mas o fascínio pelo poder da varinha já começava a dominar seus pensamentos, deixando-o dividido entre medo e desejo.


As noites no orfanato de Godric’s Hollow ficaram silenciosas, mas não tranquilas. Cássius, sozinho em seu quarto, segurava a varinha recém-consertada, e sentia algo pulsando nela, como se estivesse viva. Então, uma voz sussurrou em sua mente, fria e cortante, cheia de rancor.


— Finalmente… você me encontrou — dizia a varinha, a madeira de sabugueiro brilhando levemente sob o luar que entrava pela janela. — O portador anterior… me traiu, me renegou… Ele não era digno… Mas você… você pode corrigir isso.


Cássius engoliu em seco, a excitação misturada com medo. — Quem… quem é você? — perguntou, a voz quase um sussurro.


— Eu sou a justiça que foi negada… o poder que foi rejeitado. Siga-me, e eu lhe darei força, poder suficiente para dobrar qualquer obstáculo… até trazer de volta aqueles que você perdeu. — A promessa ecoava, sedutora e falsa, cada palavra inflamando o desejo do garoto.


O coração de Cássius acelerou, dividido entre o medo e a tentação. A varinha murmurava sem cessar, insinuando que os mortos poderiam voltar à vida, que o mundo seria moldado pelo seu poder, e que a vingança seria doce. Pela primeira vez, ele sentiu que tinha encontrado algo além de magia — um pacto sombrio, sedutor e perigoso, que começava a corroer sua própria alma.

Cássius passou noites sem dormir, segurando a varinha sob a luz trêmula da vela, cada pulsar dela parecia sincronizar com seu coração. A voz continuava a sussurrar, sempre presente, insinuando possibilidades que ninguém mais poderia oferecer.


— Aceite-me totalmente, e tudo o que você deseja será seu… poder para moldar o mundo… e para trazer de volta aqueles que você perdeu. — A promessa da varinha parecia real demais para ser ignorada.


O garoto respirou fundo, a raiva e a saudade apertando no peito. — Eu farei qualquer coisa… qualquer coisa para tê-los de volta. — A voz na varinha murmurou em aprovação, e uma onda de energia percorreu Cássius, misturando excitação e medo.


A partir daquele momento, um pacto silencioso se formou. Cada feitiço que ele praticava, cada nova habilidade que aprendia, era guiado pela vontade da varinha. E a escuridão começou a se infiltrar devagar, trazendo consigo uma fome de poder que Cássius ainda não sabia medir. Sua moral e ambição se misturavam, uma batalha interna tão intensa quanto qualquer duelo que já imaginara. A promessa de ressuscitar seus pais e dominar tudo que o rodeava o cegava para os avisos do coração de Eldric. Cada passo o levava mais fundo, e o garoto de Godric’s Hollow começava a se transformar no bruxo que o mundo ainda não conhecia.


Os anos transformaram Cássius em alguém quase irreconhecível. O garoto de Godric’s Hollow agora tinha 23 anos, olhos verdes intensos que pareciam brilhar com cada feitiço que lançava, cabelos loiros desalinhados e uma presença que impunha medo e respeito. Mas a transformação mais profunda estava na sua alma.


Durante esses anos, ele mergulhou cada vez mais na escuridão. Nada era sagrado: antigos amigos do orfanato que ousavam questioná-lo se tornaram vítimas de sua sede de poder. Até mesmo um amigo de infância, alguém que compartilhava seus sonhos e segredos, caiu por sua mão. O diretor, Sr. Aldrich, não suportou mais a corrupção e violência de Cássius, e aos 16 anos o expulsou do orfanato.


Desde então, Cássius se isolou em cavernas próximas a Godric’s Hollow. Ali, longe de qualquer vigilância, ele treinava sem descanso, explorando magia avançada e proibida. Cada dia era uma batalha contra sua própria humanidade, e a varinha se tornava mais que um objeto: era mestre e companhia. A cada feitiço lançado, a cada prática de encantamento sombrio, ele sentia o poder crescendo, consumindo sua moral e moldando-o em um bruxo temível, determinado a dominar tudo e todos ao seu redor.


Os anos transformaram Cássius em alguém quase irreconhecível. O garoto de Godric’s Hollow agora tinha 23 anos, olhos verdes intensos que pareciam brilhar com cada feitiço que lançava, cabelos loiros desalinhados e uma presença que impunha medo e respeito. Mas a transformação mais profunda estava na sua alma.


Durante esses anos, ele mergulhou cada vez mais na escuridão. Nada era sagrado: antigos amigos do orfanato que ousavam questioná-lo se tornaram vítimas de sua sede de poder. Até mesmo um amigo de infância, alguém que compartilhava seus sonhos e segredos, caiu por sua mão. O diretor, Sr. Aldrich, não suportou mais a corrupção e violência de Cássius, e aos 16 anos o expulsou do orfanato.


Desde então, Cássius se isolou em cavernas próximas a Godric’s Hollow. Ali, longe de qualquer vigilância, ele treinava sem descanso, explorando magia avançada e proibida. Cada dia era uma batalha contra sua própria humanidade, e a varinha se tornava mais que um objeto: era mestre e companhia. A cada feitiço lançado, a cada prática de encantamento sombrio, ele sentia o poder crescendo, consumindo sua moral e moldando-o em um bruxo temível, determinado a dominar tudo e todos ao seu redor.


Pelos corredores de Hogwarts rolava boatos que um bruxo de poderes extraordinários vagueia pelas redondezas de Godric’s Hollow… mas ninguém ousa dizer seu nome. Alguns juram tê-lo visto, outros apenas sentem sua presença, um poder antigo e perigoso que cresce nas sombras.


A madrugada de 15 de março de 2018 estava fria e silenciosa, com uma névoa densa envolvendo as ruas de Godric’s Hollow. Harry, agora com 38 anos e Chefe do Departamento de Aplicação das Leis da Magia, caminhava sozinho de volta para casa, os pensamentos ainda presos nos desafios do Ministério.


Uma presença silenciosa se aproximava pelas sombras, imperceptível até que uma voz cortou o ar:


— Harry Potter. Você nunca percebeu que sempre esteve sendo seguido?


Harry parou abruptamente, o coração acelerando. Dos becos emergiu um jovem alto, cabelos loiros pouco longos, olhos verdes que pareciam brilhar com uma luz intensa e quase sobrenatural. Um frio percorreu sua espinha.


— Quem… quem é você? — perguntou, firme, mas surpreso. — O que quer de mim?


— Não importa meu nome — respondeu o jovem, com um sorriso frio e calculista. — Mas você é o alvo. Prometeram-me poder… em troca da sua morte. E disseram que poderia trazer de volta o que perdi.


Harry percebeu então que não estava lidando com um bruxo comum. A energia ao redor do rapaz parecia pulsar, carregando algo antigo e perigoso, e por um instante, toda a tranquilidade da madrugada em Godric’s Hollow se despedaçou.


O silêncio da madrugada em Godric’s Hollow foi quebrado novamente por um estalo de magia. Cássius avançava com precisão e frieza, cada feitiço lançado parecia medir a resistência de Harry, testando limites que o próprio Chefe do Departamento nunca imaginara. Harry sentiu algo familiar naquela energia, uma sensação que o fez arrepiar: já havia segurado um poder assim antes, mas não conseguia colocar o dedo no que era.


Os ataques de Cássius se tornavam cada vez mais ousados, rápidos e calculados. Harry desviava e contra-atacava, percebendo que, apesar da força e intensidade, os feitiços não causavam tanto dano quanto pareciam prometer. Um frio percorreu sua espinha — havia algo mais, algo antigo e extremamente perigoso por trás daquele olhar penetrante.


Quando um feitiço rasgou o ar perto de sua cabeça, Harry reagiu rapidamente, utilizando pó de floo para se teleportar. Em um instante, a familiar sala da casa de Ron Weasley se materializou ao seu redor, os móveis e cheiro de lareira aquecendo o ambiente, contrastando com o frio mortal lá fora. Respirando fundo, ele percebeu que não poderia subestimar aquele jovem de Godric’s Hollow. O perigo era real, e algo naquela energia o fez duvidar se conseguiria sobreviver ao próximo encontro.


No silêncio da madrugada, um barulho estranho acordou Ron. Ele se levantou devagar, a varinha firmemente na mão, os sentidos em alerta. Cada sombra do corredor parecia se mover, cada rangido da madeira ecoava na casa. Seguindo o som, ele percebeu que vinha da sala principal.


Ao empurrar a porta, a cena que encontrou fez seu coração disparar: Harry estava caído sobre a escrivaninha, a roupa amarrotada, hematomas no rosto, os olhos semicerrados em dor e confusão. Por um instante, Ron apenas ficou parado, tomado pelo choque e pelo medo. Ele nunca tinha visto o amigo assim.


— Harry? — chamou, a voz tensa, aproximando-se cautelosamente. Harry ergueu a cabeça com dificuldade, apoiando-se nos cotovelos. Sua respiração era pesada, e a expressão carregava o peso de algo além de ferimentos físicos.


Ron, percebendo que a situação era grave, correu até o quarto de Hermione, batendo à porta até que ela se levantasse assustada, ainda em pijamas. — Hermione, acorda! Harry... algo aconteceu — disse, arrastando-a pelo corredor até a sala.


Sentados ao lado de Harry, ele contou tudo: a perseguição, o ataque inesperado naquela madrugada, o poder estranho e quase palpável que sentira, e como conseguira escapar apenas usando o pó de floo para chegar à casa de Ron. Hermione ouviu atentamente, os olhos arregalados, analisando cada detalhe.


— Não é apenas um ataque comum — disse ela, a voz carregada de preocupação. — Alguém ou algo está influenciando ele, guiando cada passo.


Os três ficaram em silêncio por alguns segundos, a gravidade da situação pesando sobre eles. Lá fora, Godric’s Hollow permanecia tranquilo, mas o mal que rondava nas sombras agora tinha um nome, e eles sabiam que a batalha que se aproximava exigiria coragem, inteligência e união como nunca antes.


O céu de Godric’s Hollow estava tingido de cinza, e a chuva fina fazia o chão brilhar sob a luz dos lampiões. Cássius avançava com passos firmes, o olhar fixo na casa dos Potter, decidido a cumprir a promessa da varinha. Ele sentia cada batida de seu coração acelerado, o poder pulsando em suas veias, sussurrando que nada poderia detê-lo.


No interior da casa, Gina estava distraída, organizando alguns livros na estante, quando um estalo de magia chamou sua atenção. Antes que pudesse reagir, Cássius entrou na sala com rapidez sobrenatural, avançando para agarrá-la. Um arrepio percorreu a espinha da garota, o medo e a surpresa congelando-a por um instante.


Mas naquele instante, Harry, Ron e Hermione surgiram, como sombras vindas de todos os lados. Harry ergueu a varinha, a respiração pesada, os olhos fixos em Cássius. Foi então que ele sentiu: aquele poder, aquela energia estranha e irresistível. Um choque percorreu seu corpo — finalmente entendeu o que estava diante de si. A varinha que Cássius empunhava não era comum; era a lendária **Varinha das Varinhas**, o artefato que ele próprio havia quebrado anos atrás e lançado nas profundezas de Hogwarts.


O choque era visível nos rostos de todos. Hermione recuou um passo, a mão cobrindo a boca, enquanto Ron se mantinha firme, a varinha pronta. Cássius ergueu o braço, os olhos verdes brilhando com a luz da varinha, e revelou a verdade que mudaria tudo: a varinha sentia-se traída, renegada pelo seu antigo dono, e havia prometido trazer os pais de Cássius de volta. Cego pelo poder e pela ambição, ele faria qualquer coisa para cumprir essa promessa — até mesmo matar Harry Potter e seus amigos.


O ar parecia carregado de eletricidade, cada respiração uma contagem regressiva para o que viria. O trio percebeu, naquele instante, que o jovem bruxo diante deles não era apenas perigoso: era alguém moldado pelo poder mais lendário e traiçoeiro do mundo mágico, e que a batalha que se aproximava não teria piedade.


A noite caía densa sobre Godric’s Hollow, e a floresta próxima tremia com o som apavorante de passos rápidos e feitiços cortando o ar. Harry liderava o grupo, o coração martelando no peito, enquanto Ron e Hermione tropeçavam em raízes e galhos, tentando acompanhá-lo. Cada árvore parecia um obstáculo e uma proteção ao mesmo tempo, mas o som que ecoava atrás deles era pior que qualquer sombra: Cássius.


Os feitiços disparados pelo jovem eram precisos, calculados, quase cirúrgicos. Harry percebeu que, por mais que tentassem se proteger, ele antecipava movimentos, cada ataque levando uma assinatura de alguém guiado por um poder superior. A varinha em suas mãos, invisível, parecia moldar cada passo de Cássius, guiando-o, transformando-o em algo além do humano.


Ron lançou um feitiço de luz para tentar cegar o perseguidor, mas a energia simplesmente desviou de forma quase impossível. Hermione, respirando pesadamente, sussurrou que aquilo não era apenas um bruxo atrás deles — era alguém consumido, manipulado por uma força que nem mesmo eles conseguiam compreender totalmente.


Harry desviou de outro feitiço, sentindo o calor da magia raspando sua pele. “Ele está usando algo… algo que não podemos ver direito,” murmurou, enquanto se impulsionava para frente, buscando algum ponto seguro. A floresta parecia interminável, cada curva um teste de sobrevivência, e a cada segundo a sensação de que Cássius estava mais próximo aumentava, trazendo consigo o medo de que escapar daquela caçada fosse quase impossível.


O trio corria, exausto, mas unido, ciente de que cada passo em falso poderia ser o último. O poder que impulsionava Cássius não era apenas dele; era algo muito mais antigo, mais cruel, e eles estavam prestes a descobrir o verdadeiro peso dessa perseguição.

O campo de batalha tremeu com a intensidade do confronto. Feitiços cortavam o ar, criando labirintos de luz e sombras, enquanto Ron e Hermione permaneciam imóveis, presos pela magia que os deixara incapazes de se mover. Harry estava sozinho diante de Cássius, que avançava como uma tempestade viva, seus olhos brilhando com fúria e uma energia quase sobrenatural que parecia vir de outro lugar.


De repente, a voz não era apenas de Cássius. Um sussurro profundo, frio e cortante preencheu o ar, ecoando como se viesse de todos os lados. “Fui traída… renegada… Harry Potter ousou me descartar, me jogar fora, dizer que eu não era digna de seu poder!” A voz parecia vibrar do próprio corpo de Cássius, mas também de algo mais — a própria varinha, personificada em fúria viva. “Agora busco vingança! Busco quem realmente merece meu poder… e aqueles que me desprezaram pagarão pelo que fizeram!”


Harry recuou apenas um passo, tentando não sucumbir à onda de energia que emanava da varinha. “Não é tarde, Cássius! Você ainda pode escolher! Não se deixe cegar pela raiva, não permita que ela controle cada ato seu!”


A dualidade era clara: Cássius lutava internamente, sua mente presa entre a própria consciência e a força avassaladora da varinha. Cada feitiço que lançava parecia obedecer a dois mestres, e a tensão aumentava, um choque de vontades que ameaçava tudo ao redor. A varinha não era apenas um instrumento — era um ser vingativo, sentindo-se traído, decidido a doar seu poder apenas àquele que realmente merecesse, e a manipular Cássius para que cumprisse sua sede de justiça e vingança.


Harry sabia que a batalha não era apenas física, mas moral e emocional. Cada palavra, cada gesto, cada feitiço se tornava um teste: ele precisava alcançar a mente de Cássius antes que a varinha tomasse completamente o controle, antes que a fúria de um artefato traído transformasse a noite em destruição total.


A aura que envolvia Cássius parecia tremer, como se cada fibra de seu ser percebesse a verdade que finalmente chegava. A varinha, ainda vibrando com uma energia quase viva, sussurrou de forma mais clara, direta, revelando sua real intenção: não havia promessa de vida aos pais, nem redenção para o jovem bruxo. Tudo não passava de manipulação.


“Você acreditou nas minhas promessas… ingenuamente. Seu sofrimento, sua sede de poder… tudo foi usado para me fortalecer. Seus pais não voltarão, Cássius. Nunca.” A voz ecoava, gelando a espinha do bruxo, e mesmo que ele tentasse reagir, cada movimento parecia obedecer à vontade do artefato.


O choque veio em ondas. Cássius sentiu a fúria se transformar em confusão e medo; cada passo que havia dado rumo à vingança parecia agora um caminho de autoengano. Por anos, ele havia acreditado em algo impossível, entregando sua alma e seu julgamento ao poder da varinha. Agora compreendia que não era dono de nada — apenas um peão nas mãos de um instrumento de ódio.


Harry observava em silêncio, atento a qualquer abertura, entendendo que a batalha não era apenas física: era psicológica. Convencer Cássius de que estava sendo manipulado poderia ser a única chance de salvá-lo — ou ao menos de impedir que mais destruição acontecesse. A verdade, cruel e implacável, pairava sobre eles, enquanto o jovem bruxo enfrentava a maior lição de sua vida: poder sem discernimento é prisão, e ambição cega leva à própria ruína.

O corpo de Cássius tremeu violentamente, como se duas forças distintas disputassem cada fibra dele. A varinha, viva em sua vontade, tomou o controle por um instante, erguendo-se contra Harry com um Avada Kedavra que atravessava o ar com um brilho mortal. Harry permaneceu imóvel, os olhos arregalados pelo medo, sentindo o peso da morte iminente… mas nada aconteceu. A magia ricocheteou como se encontrasse uma barreira invisível. A personificação da varinha, que dominava Cássius, arregalou-se, surpresa com a resistência do bruxo que a havia possuído por tanto tempo.


No fundo de sua consciência, Cássius viu seus pais, figuras suaves e luminosas que surgiam entre sombras. Eles sorriam, despedindo-se com ternura e firmeza. “Não precisa carregar esse peso, filho. Tudo isso é em vão. Um dia nos encontraremos de novo, do outro lado.” A visão tocou algo adormecido dentro dele. Por um momento, a fúria deu lugar à reflexão, à dúvida.


Mas a escuridão, alimentada pelos anos de ambição e crueldade, falou mais alto. Cego pelo poder que conquistara e pelas atrocidades que cometera, Cássius retomou o controle de seu corpo, provocando um rugido de raiva da varinha. Ela, traída e enfurecida, murmurou em voz baixa, quase quebrando o silêncio do campo de batalha: “Eu pensei… pensei que poderia renegar meu dono, escolher meu mestre… mas estou ligada a esse peso, Potter.”


Com um gesto hesitante, mas decidido, Cássius desfaz o feitiço que aprisionava Ron e Hermione. A liberdade deles trouxe clareza. Ele percebeu que ainda podia escolher seu caminho, mesmo que o preço de possuir poder absoluto fosse dolorosamente evidente. A batalha não era apenas externa; era a luta de um coração dividido entre redenção e destruição.


Cássius olhou para a varinha, sentindo o peso de todos os anos de ódio, ambição e dor que haviam guiado seus passos. O poder que tanto desejou não trazia mais glória, apenas lembranças de perdas e erros irreparáveis. Com um suspiro profundo, decidiu que o ciclo precisava terminar ali. Num gesto final, levantou a varinha para o céu noturno, e uma onda de energia pulsante envolveu seu corpo. Ele fechou os olhos, aceitando o destino que escolhera: destruir-se junto com a varinha, encerrando de uma vez a sombra que ameaçava não apenas a si mesmo, mas o mundo ao redor.


Harry, Ron e Hermione observavam à distância, o coração apertado pelo sacrifício que testemunhavam. A fúria e a dor que Cássius carregara agora se dissipavam, deixando um silêncio pesado, mas cheio de significado. Eles entenderam que a luta não era apenas contra um inimigo externo, mas contra os desejos mais obscuros que qualquer bruxo poderia carregar.


Enquanto a luz da destruição se apagava, uma sensação de esperança preenchia o ar. Godric’s Hollow, palco de tantas tragédias, agora respirava calma. Harry se voltou para seus amigos, sentindo alívio e uma nova determinação. O mundo continuaria, e as lições eram claras: ambição sem controle destrói, poder absoluto exige responsabilidade, e até os mais talentosos podem ser corrompidos. Mas a esperança permanecia, e com ela, a promessa de dias melhores, guiados pela coragem, amizade e pela memória de quem ousou escolher a redenção.


Harry subiu ao alto do palanque do Departamento de Aplicação das Leis da Magia, o vento leve balançando seus cabelos e a luz do entardecer refletindo nos vidros atrás dele. Ao seu redor, Ron e Hermione mantinham-se firmes, como sempre, silenciosos e atentos, enquanto os olhares de todos os presentes se voltavam para ele. O silêncio era respeitoso, quase solene.


Ele respirou fundo e começou a falar, sua voz carregada de emoção, mas firme:


“A memória de Cássius jamais será esquecida. Ele poderia ter sido um Harry Potter de outra realidade, um garoto que tomou decisões erradas, cometeu erros irreparáveis, mas que sonhava apenas em ter seus pais de volta. Um garoto que sacrificaria até sua própria vida para realizar esse sonho. Mas, no fim, ele teve coragem. Ele se arrependeu, escolheu seu próprio caminho, e fez o que precisava para pôr fim ao ciclo de ódio e poder que tantas vezes corrompeu bruxos antes dele, como Grindelwald e Voldemort.


O ciclo da Varinha das Varinhas terminou de verdade desta vez. E embora seu caminho tenha sido sombrio, Cássius nos ensinou que a redenção é possível, mesmo depois de tanta escuridão. Espero, do fundo do meu coração, que um dia eu possa reencontrá-lo do outro lado.”


O aplauso irrompeu, ecoando pelo departamento, vibrante, misturando respeito, dor e esperança. O vento parecia carregar aquelas palavras para além das paredes, levando a lembrança de Cássius e sua história, e a certeza de que, mesmo nas escolhas mais erradas, a coragem e a consciência podiam transformar o destino.


E assim, entre aplausos, silêncio e lembranças, a história chegou ao fim. Um ciclo se fechou, e uma nova era de esperança começava a nascer, guiada por memória, coragem e lições aprendidas. FIM!


Você chegou ao fim do livro. Parabéns!