Fragmentos
7 E um beijo para o início do caos

Seria irônico Yukine dizer que tinha o mínimo de experiência amorosa — sua única menção sendo a paixonite que teve por Hiyori, que não foi a lugar algum e só serviu para que ele se tornasse alguém melhor, bem longe do tópico em vista. Então era de se imaginar sua surpresa ao ter seu primeiro beijo roubado por alguém que detestava, ou achava que detestava.
Como ele poderia se sentir tão controverso depois que Nora o beijara? Seu movimento mais natural seria deixar tal evento passar, visto tanta dor de cabeça que a garota lhe trouxera mas aquele fora o seu primeiro beijo, e ela ainda tivera o colhão de dizer que o amava, francamente.
Aquilo não estava fazendo bem a cabeça dele. E muito menos a Yato, que sentia na pele os incômodos sentimentais de sua shinki — e fora difícil descobrir o motivo, não que o deus fosse se sentir aliviado em ter uma resposta — Yukine só não contava que fosse se sentir tão ligado á ela, sua curiosidade e instinto de proteção o dominando completamente quando deixava a loja e um Daikoku curioso, para encontrá-la embaixo de uma ponte.
Nora era tão semelhante a versão dele de um ano atrás, quando ele embarcara na viagem que é ser o guia de um deus como Yato. Ele conseguia entendê-la de uma forma melhor, e custava a compreender os sentimentos negativos que o levaram desprezá-la no passado — afinal, ela também era uma shinki que tinha de seguir seu mestre, não que ele fosse ser uma pessoa virtuosa.
E agora, ela estava tão solitária depois de ser abandonada, que vê-la dessa forma fazia sentimentos desconhecidos por ele surgirem com força total.
Seria difícil admitir isso a Yato, mas o que ele poderia fazer agora que tinha uma pequena e geniosa lua orbitando seu planeta? Céus, nem ele mesmo entendia — apenas sentia.
E aquilo parecia ser o suficiente para ambos, visto que Nora deixara de desdenhar da companhia de Yukine. Ela ainda o fizera prometer que não fosse tão fundo em suas buscas pelo passado. Porém agora, cego por sua curiosidade ele se via perdido em meio a uma pergunta que assombrava todos os deuses.
"Como eu morri?"
E não havia ninguém que o ajudasse a sair daquela toca que uma serpente ardilosa o induzira a cair.
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