Fragmentos

2 Eu não morri!


"O fim de um relacionamento é mesmo uma piada, é a pior coisa pra uma mulher e a melhor, pra um homem. Eu queria, no fim dos meus, poder ser o homem da coisa. Do tipo que já arranja um novo amor no dia seguinte, que sai do relacionamento sem nenhum remorso, que vai de cabeça erguida porque sabe que ela vai se arrepender. É bem dificil achar um homem que fique estatico pelo seu fim, um homem que realmente ligue no dia seguinte, que mande flores, que seja homem de verdade, entende? Queria não ser a mulher, ao menos. Aquela que se transborda em lágrimas, que acha que é o fim do mundo, que se exila da humanidade, que pensa nele todos os dias, que fica deprimida e engorda, que não ve mais nenhuma perspectiva de vida. Queria realmente ser diferente de toda essa merda de mascara que foi criado pela sociedade, o homem tem que ser forte e pegar uma vadia no dia seguinte e a mulher tem que ser a fraca e morrer na solidão. Não pode ser assim... as mulheres tem que começar a ser mais confiante e foi isso que eu fiz, fui confiante nos meus chocolates, mas eles não me fizeram muito efeito alem de me darem uns bons quilinhos na balança. Ok, na proxima vez vou ser realmente confiante, em mim, não em homem nenhum.

E agora chega a hora de jogar todas as lembranças fora, mas claro, você não as joga, você as guarda em um potinho que fica num cantinho ali da sua enorme mente, você não esquece, é só questão de encontrar algo melhor pra se preocupar e viver por aquilo, você vivia por ele, certo? Mas homem nenhum merece sua morte, e foi assim que pensei, não morri por ele."


Ana, 25 anos, São Paulo — Capital. Estudante de direito, trabalha na Hansom & Ford's Assossiation. Não morreu por um cara.