Notas iniciais
Oee, como estão? Gostaram do capítulo anterior? Têm ideias, opiniões, criticas construtivas? Deixe-as nos comentários. Obrigada =D

Capítulo Um

– Humphrey College – falou a garota enquanto o carro se aproximava de uma enorme placa com o nome do colégio escrito em azul e rosa. – Que belo nome para uma escola – falou sarcasticamente sorrindo.

Logo sua tia conduziu o carro até a frente do colégio. Sua nova escola era incrivelmente enorme. E ela já previa o que aconteceria se continuasse tendo seu comportamento revoltado: se sentira deslocada. Ela precisava consertar as coisas. Incluindo a si mesma.

– Bem, é aqui que nos separamos – falou Rosaline sorrindo. – Daqui a pouco a diretoria irá te chamar, só espere no pátio. Não se esqueça de entregar a sua matrícula. .

– Certo. – A garota abriu a porta do carona com uma notável falta de interesse. – Obrigada, tia Rosaline.

– Até mais tarde, mocinha. Se comporte. – Rosaline acenou para ela pisando no acelerador, não demorou muito até o carro dobrar em uma esquina e sumir da visão de Natalie. A garota suspirou. Ela podia fazer parte daquilo, podia finalmente criar novos amigos. E era exatamente isso o que ela faria. Ou, pelo menos, tentaria.

Mas, por agora, ela se sentia perdida e sozinha em frente ao enorme portão de ferro do colégio, aonde os alunos iam e vinham ao pátio. Muito bom, na verdade. O pátio era muito maior do que o da sua antiga escola, uma pista de pedra foi dividida em várias formas, a grama cobria o chão e dançava levemente ao vento. De repente, uma rajada de vento jogou seus cabelos negros em seus olhos, Natalie estava presa em seus pensamentos quando para a sua surpresa a folha da matrícula caiu no chão e voou para longe.

– Perfeito – sussurrou para si mesma e adentrou o pátio do novo colégio correndo atrás de uma maldita folha ao vento.

Ela se apoiou em uma árvore para respirar depois de algum tempo correndo em busca do nada. Concluiu que seria impossível recuperar o papel. O que diria para diretora? Seu dia não podia ter começado melhor. Natalie fechou os olhos e deixou que a brisa suave bagunçasse o seu cabelo. O sinal já havia tocado, e agora só restava ela e o barulho dos galhos balançando a cima de sua cabeça no pátio.

– Acho que isto pertence a você. – Ouviu uma voz suave se aproximar, tirando-a de seus pensamentos. A garota observou a dona da voz: era uma senhora que aparentava ter uns quarenta anos, com os cachos castanho escuro presos em um coque alto e desajeitado, a mulher a recebia com um enorme sorriso estampado nos lábios. Em sua mão estava a folha da matrícula, Natalie a pegou e inspecionou-a procurando por rasgos e sujeira, mas ela parecia intacta. – A senhorita é a Natalie Willians, certo? A novata.

– Sim, sou eu.

– Perfeito, venha por aqui, por favor. – Natalie a seguiu. A senhora atravessou o pátio, e passou por uma porta que parecia ser uma saída de emergência. Começou a falar novamente só após chegar a um longo corredor. – Eu a procurei por toda a parte, o que estava fazendo no pátio?

– Minha tia me falou que era para esperar pela diretora lá – respondeu confusa.

– Não – riu a senhora. – Era para ter ido á secretaria, de qualquer forma, acho que devo me apresentar adequadamente. Meu nome é Marta Cloud, sou a vice-diretora, e sim, era para a Sra. Manfredini vir lhe receber, mas ela está com alguns... problemas no momento.

– Ah, tudo bem.

– Ótimo, eu irei lhe explicar algumas coisas sobre o colégio enquanto não chegamos. Este colégio foi fundado em 1986 por um professor inglês chamado Leonard Humphrey, mas acho que essa parte não é muito importante. – Natalie sorriu diante daquele comentário, de fato ela não tinha o mínimo interesse em saber a origem do nome da escola ou quem a fundou. Marta era engraçada. – Continuando, aqui nós temos alguns cargos importantes: como o de Diretor que é ocupado pela Sra. Manfredini, aconselho não se meter em encrencas com ela, viu? Temos o cargo de vice-diretora que é ocupado por mim e, por fim, temos o representante do colégio, mais conhecido como representante das turmas do Ensino Médio, que é ocupado pelo estudante Lucas Griffin, ele está no terceiro ano, e é muito provável que você raramente o veja fora do grêmio estudantil. – Ela faz uma pausa. Natalie continuava andando em silêncio esperando, entediada, Marta continuar. – Na verdade, o Lucas auxilia mais os alunos, ele cuida também dos grupos de estudos e das aulas de reforço – os alunos com notas mais altas dão aulas para os que têm dificuldade em certas matérias, eles decidem se cobram ou não. Lucas tem a nossa autorização para dar advertências aos estudantes que infringem alguma regra da escola, mas quando o assunto exige uma suspensão, ele nos manda um relatório e nós avaliamos se o individuo deve ou não ser suspenso. – Ela faz uma pausa novamente, apenas o som dos passos das duas era audível. – O jovem também representa o colégio em eventos beneficentes com o apoio de algumas parcerias.

– É muita coisa. – A garota agora estava contando os quadrados dos ladrilhos por onde passavam. Queria poder explorar o colégio por conta própria, mas não podia fugir de Marta.

– Realmente. Ele se recusa a receber ajuda em qualquer coisa que seja a sua função – sorriu. – Os pais desse garoto devem sentir muito orgulho dele.

Qualquer um que conhecia Natalie pensaria que ela fosse louca, mas por algum momento ela se identificou com esse tal de Lucas. Ela também se recusava a receber ajuda, talvez fosse apenas por orgulho, mas preferia resolver seus problemas sozinha, e digamos que ela era boa nisso. Natalie também queria que seus pais se orgulhassem dela, o que seria praticamente impossível depois do que ocorrera. Aquele pensamento a deixou com raiva e cerrou os punhos. Precisava se controlar.

Marta a conduziu até uma sala com uma enorme porta de vidro. Natalie explorava o local com os olhos, tentando esquecer aqueles pensamentos. A sala era pequena, fria e estava praticamente vazia, com exceção de uma senhora de cabelos grisalhos presos em um coque baixo, ela usava um vestido azul-escuro, e um óculos de costura cinza. Era mais baixa do que Natalie, o que para a garota aquilo parecia um milagre. A senhora baixa conversava com um garoto que estava de costas para a jovem. A mulher estava visivelmente irritada.

Natalie sentou-se em uma carteira escolar que estava à sua direita. Tudo o que restava a fazer era esperar a sua vez, observando a situação e as pessoas.

O rapaz havia cruzado os braços, chamando a atenção da garota. Ele tinha ombros largos e usava uma jaqueta preta de couro que ressaltava os músculos em seus braços. Ele usava também calças e botas pretas, mas o que mais lhe chamou a atenção era o cabelo do garoto. Comprido até os ombros. Rubro como sangue.

– Não se preocupe, eu não trouxe nenhum material perigoso hoje. – Sua voz soava dura, mas ao mesmo tempo passava a nítida impressão de que o garoto se divertia.

– Confiar em sua palavra é a mesma coisa que deixar que me conduzam a um precipício com os olhos vendados – disse a senhora asperamente.

– Ora, isso não seria uma má ideia – respondeu o garoto.

– Por favor, Marta, me ajude com isso. – Apontava para o jovem a sua frente com os olhos. O desprezo era evidente.

– Claro, senhora – respondeu Marta sorrindo. Ela parou em frente ao rapaz. – Não queremos começar algo que possa o prejudicar ainda mais nesse colégio, certo? Poderia, por favor, tirar a sua jaqueta e abrir a sua mochila? – perguntou calmamente.

– Não.

– Sr. Sinclair, eu entendo que você possa se sentir incomodado com nossa atitude, mas precisamos ter certeza de que você não está carregando algo que apresente algum tipo de risco, tanto para você quanto para os outros estudantes. – A voz de Marta continuava calma, digamos que parecia até compreensiva. – Medidas de segurança.

– Medidas de segurança – riu o garoto. – Não preciso carregar nada para apresentar perigo a alguém. Eu já tenho o que preciso comigo, e isso vocês não podem tirar de mim. – Ele estralou os dedos de suas mãos, deixando evidente o que ele quis dizer. Logo voltou a cruzar os braços.

– Você está atrasando outras pessoas. Facilite as coisas – falou a diretora lançando um olhar para Natalie que ruborizou. O rapaz seguiu o olhar da senhora e encontrou os olhos da garota. Um sorriso se formou nos lábios dele.

Ele era uns vinte centímetros mais alto do que Natalie. Tinha um maxilar rígido, seu rosto era másculo, ele tinha uma beleza exótica, quase como... tentadora. E havia seus olhos. Seus olhos eram de um intenso e hipnotizante tom de cinza.

– Eu não gosto de facilitar as coisas a ninguém. – Seu olhar estava fixo no dela. – Mas vou abrir uma exceção. Somente hoje. Considere um presente de Boas-Vindas – disse retirando sua jaqueta, revelando uma camiseta branca com um símbolo de uma banda, que Natalie conhecia muito bem, estampado no centro. Midnight. Ele usava um cordão preto e comprido que ia até quase o umbigo. O garoto a olhava de cima a baixo.

Natalie estava completamente desarrumada, havia pego qualquer coisa de dentro do novo guarda-roupa e colocado no corpo. Ela parecia não se importar tanto com isso. Usava um blusão preto grande demais, de gola cavada e mangas compridas, que não favorecia em nada as curvas de seu corpo.

Após o garoto ter tirado a sua jaqueta de couro e entregado-a para Marta junto com sua mochila surrada, a Sra. Manfredini, que até agora estava extremamente séria, se dirigiu a Natalie calmamente. A garota se levantou à medida que ela se aproximava.

– Olá, me desculpe por esse imprevisto – ela sorriu delicadamente. – Bem-Vinda ao Humphrey College. Eu me chamo Sarah Manfredini e sou a diretora dessa escola, Marta já deve ter falado sobre mim.

– Ela falou – afirmou Natalie. Ela tentava se concentrar nas palavras da diretora, porém podia sentir o olhar dele fixo em si.

– Ótimo. Senhorita Natalie, não é? Você está com a sua matrícula?

Natalie mal tinha percebido que ainda segurava o pequeno papel, agora amassado, em suas mãos. A garota entregou o papel à diretora.

– Eu deixei alguns papéis importantes com o... – O olhar da garota se perdeu do da diretora e se encontrou no dele, o que o fez abrir ainda mais o sorriso. Aquilo se tornava cada vez mais assustador, malicioso, hipnotizante e... perigoso. E em questão de segundos ela já não ouvia nenhuma palavra do que a diretora dizia.

– Você entendeu?

Não houve resposta.

– Senhorita Natalie? – Foi como se um furacão a tivesse jogado de volta a realidade. Ela encarou a diretora com os olhos confusos e perdidos.

– Me desculpe, o que? Eu não estava prestando atenção, poderia repetir, por favor?

– Mais atenção, senhorita! Eu deixei para você alguns papéis que precisam da assinatura de seu responsável, eles são de extrema importância. Você pode pega-los com o representante no grêmio estudantil.

– Onde fica o grêmio?

A diretora virou-se para a vide-diretora e para o jovem problemático, que agora estavam conversando pacificamente. Ele parecia entender-se melhor com Marta. O jovem estava segurando a sua jaqueta com a mão direita e sua mochila pendia sobre o seu ombro esquerdo, estava prestes a deixar a sala, quando a velha senhora impediu-o de sair. Ela exibia um sorriso vingativo no rosto.

– Sr. Sinclair, por que não mostra onde fica o grêmio para a senhorita Natalie? Tenho certeza que você iria adorar.

– Você acha que eu tenho cara de Lucas, por acaso? Eu tenho mais o que fazer do que ficar brincando de ser guia pela escola. Ela é apenas uma novata, pode se virar perfeitamente bem sozinha, não precisa de tratamento especial.

– Agora! – pediu a senhora, mais como uma ordem. Sua voz não estava mais tão amigável, mas ela mantinha o olhar simpático em contraste com o sorriso vingativo nos lábios. Era a vez dela de se divertir.

O garoto bufou lançando um olhar ameaçador para Natalie, que até agora estava observando a cena em silêncio. Podia sentir suas bochechas esquentarem. Ele fez um aceno com a cabeça para que ela o seguisse e deixou a sala pequena e fria. A garota fez o mesmo, deixando para trás a vice-diretora e a diretora.

– Você não precisa me levar até lá, como você disse eu posso me virar sozinha.

– Para ser o responsável do desaparecimento de uma novata? Não, muito obrigado.

– Eu insisto. – Natalie estava firme, apesar do sorriso e do olhar que despertavam nela o desejo de sair correndo.

Ele parou.

Segurou os punhos de Natalie com força e a empurrou contra os armários, sem se importar com o barulho ou com a falta de delicadeza. Aproximou seu rosto do dela deixando-o a apenas alguns poucos centímetros de distancia. Novamente as bochechas da garota pegaram fogo, algo que a irritava muito. Cerrou os punhos lutando para manter a calma.

– Eu disse não. – A voz do garoto estava áspera e divertida. Ele estampava um outro sorriso no rosto. Esse era o pior de todos... de coiote faminto observando a sua presa.

– Você realmente acha que me assusta?

– Eu sei que assusto. — Seu sorriso aumentava cada vez mais. – Olha, eu realmente não me importo com você, só não quero perder o meu novo brinquedo.

– Seu novo brinquedo? Engano seu se você pensa que vai agir ou falar como bem entender comigo. – Natalie se livrou das mãos do garoto completamente irritada, empurrou-o fortemente o que fez com que ele cambaleasse para trás algumas vezes. O jovem analisou a reação da garota um pouco surpreso, aquela não era a resposta que ele esperava. Na verdade, ele geralmente recebia uma resposta completamente diferente, como risinhos tímidos e brincalhões. – Escute aqui, nós não somos amigos e nem vamos ser, entendeu?

– Nunca cogitei a ideia de virar seu amigo.

– Ótimo, porque isso não vai acontecer. – Ela se apressou em manter-se longe dele. Aquele garoto não era boa companhia e com certeza não iria lhe ajudar com a ideia de “recomeçar”. Recomeçar significava deixar sua vida antiga para trás, inclusive sua antiga personalidade.

– Espere, Natalie, certo? – Sem obter uma resposta ele continuou, nunca deixando aquele maldito sorriso desaparecer. – Eu me chamo Andrew, considere-se sortuda.

– E por que eu deveria?

– Porque eu não costumo falar meu nome para qualquer um.

Ele só podia estar brincando. Além de achar que a garota fosse uma completa sem noção que o deixaria fazer o que bem entendesse com ela, achava que ela fosse uma estúpida para acreditar em uma baboseira como aquela.

Natalia estava prestes a falar algo para se defender, mas Andrew foi mais rápido colocando sobre os ombros da garota sua jaqueta de couro.

– Isso aqui é a minha garantia de que você irá me encontrar mais tarde – disse ele piscando.

– Eu não vou ficar com isso! – retrucou ela, mas o garoto já tinha dado as costas para Natalie. Inacreditável.

A garota vestiu a jaqueta contrariada, ela podia simplesmente deixá-la no meio do corredor para qualquer um que achasse pega-la para si, mas isso seria um desperdício. A jaqueta era realmente bonita. E cheirava bem. Tinha o cheiro do perfume do garoto, doce, suave e exótico. Nunca provara um cheiro como aquele, era cheiro de Andrew.

Já tinha perdido tempo demais parada naquele corredor, precisava achar o grêmio estudantil antes do segundo período. Entrar em um colégio quatro meses após o começo das aulas já chamava atenção e já era ruim o bastante, mas chegar estupidamente atrasada para as aulas em seu primeiro dia era uma opção que não estava em seu planejamento.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.