Fractals

1 Fractal 1 - WHEN SNOW APPEARS WITH AN INFINITY


"O infinito está tanto nas coisas mais simples, quanto nas mais complexas.". Os cientistas afirmam que há infinitas galáxias, infinitas estrelas, infinitos planetas, infinitos cometas, pois o universo se expandr infinitamente; o infinito também está nos grãos de areias das praias e dos desertos — ok, se contarmos todos esses pequeninos grãos de sílica, chegaremos a um infinito finito, não é mesmo?-, nos átomos infinitos que existem no universo. É um ciclo. O infinito é um ciclo: pode estar no colossal universo e ao mesmo tempo no menor átomo que também se encontra no mesmo universo.

Mas, agora, será que poderíamos encontrar o infinito nos sentimentos? Talvez sim, talvez nao... depende do ponto de vista e da subjetividade. Para uma pessoa amargurada, o arrependimento e a mágoa podem perdurar por tanto tempo que a angústia deste sofrimento seria algo que parece não ter fim. Para quem está apaixonado ou amando, o bem-estar e a sensação de plenitude podem se tornar infinito também — desde que permitam-nos, é claro.

Que filosofia! Durante à noite, até o mais ignorante ser humano poderia facilmente ser comparado a Aristóteles, Platão ou Sartre. Dizem que a Noite é amiga daqueles que optam refletir sobre as questões do mundo, ajudando a pensar no inimaginável, criando mundos e convicções totalmente diferentes a cada minutos gasto neste grande pensamento.

Já era 03:44 da manhã quando Snow olhou no seu celular. Tinha esquecido de diminuir a intensidade da luminosidade de seu aparelho eletrônico e isso resultou numa cegueira momentânea após sua íris ter se retraído bruscamente, deixando-o com os olhos semicerrados. O wallpaper era uma foto da paisagem de onde ele morava: um vasto terreno verde com incontáveis pinheiros que eram envolvidos por uma densa neblina, que facilmente enganaria alguém por parecer de algum lugar no oeste europeu.

Havia pensado muito esta noite. Raramente refletia tão profundamente assim. Não estava com sono, estava irriquieto demais para possibilitar a vinda do Sandman para colocá-lo a dormir. "Dormir para quê?", logo pensou, ultimamente sonhava deveras acordado. Devaneava muito, desde planos para o futuro até o motivo de sua própria existência, porém, o que mais pensava era no amor.

Ah, como ele pensava no amor! Não tem como descrever ao certo como ele pensava e refletia sobre amar alguém. É curioso como isso o machucava e ao mesmo tempo o confortava. Depremia-se demais ao lembrar dos amores passados que não deram certo e chorava quando chegava ao ponto de simplesmente imaginar que não seria capaz de encontrar alguém que o completasse de todas as maneiras. Alegrava-se ao permirtir pensar que seu príncipe não tardaria a aparecer realizando seus sonhos, e fazendo com que toda a dor que sentia, todo o sofrimento que o assolava e toda a solidão que permitira afundar-se se esvairissem

Levantou-se da cama lentamente, pois deitara-se por muitas horas e a preguiça já dominara seu corpo, pôs-se de pé, se enrolou no cobertor e começou a fitar além de sua janela que ficava acima da cabeceira da cama. Podia ver claramente o lado de fora, mesmo sendo de madrugada, porque a luz da lua iluminava demasiadamente aquele local, revelando todas as árvores daquele local, em sua maioria pinheiros e abedos, e as colinas que circundavam a região onde morava.

Snow avistou algo que o intrigou. Ao meio daquela madrugada gélida e silenciosa, um pequenino floco de neve começou a desenhar sua trajetória até o chão. Isso era sinal de que finalmente o inverno havia chegado, trazendo consigo dias frios, e isso despertou um pouco de ânimo no âmago do rapaz.

Seria estranho dizer que em um mísero floco de neve existem tantos padrões que sempre se repetem entre si formando infinitos fractais? Sim, fractais infinitos... como seria isso possivel? Como o que não é finito poderia estar contido em pouquíssimos milímetros de água congelada?

Divagando mais um pouco sobre o que passou a noite inteira pensando, Snow não percebeu que a quantidade de flocos de neve havia aumentado. Estava, finalmente nevando, não muito, mas o suficiente para começar a salpicar aos poucos as casas vizinhas e a vegetação que compunha a vista. Não lembrava sobre ter visto que uma nevasca havia sido noticiada na previsão do tempo do dia anterior; até alguns dias atrás — dois ou três, provavelmente — a região onde morava presenciou um tempo chuvoso que aparentemente não findaria brevemente e agora estava nevando...

Snow era diferente da maioria das outras pessoas. Adorava quando o tempo estava sombrio, com nuvens escuras, chuvas densas que facilmente alagariam o parque que existia perto de sua casa, trovoadas apocalípticas e um frio estridente. Dias claros e caloroso não apeteciam-no, pois, simplesmente, não o agradava a simples ideia de ter que sair e se expor ao sol e ao calor escaldante. Contudo, a neve despertava nele uma intriga. Era tão clara quanto um dia ensolarado, porém, ao mesmo tempo, fria como um dia de inverno tempestuoso. Tinha uma relação de amor e ódio com a neve, isso era fato!

Ficou observando os flocos caírem lentamente em direção ao chão. Pôde reparar que cada floquinho de neve tinha seu próprio jeito de chegar ao solo. Alguns não tardavam muito para alcançar o seu destino e outros recusavam-se de tal feito, indo de um lado para o outro, como se estivessem desviando de algo invisível e isso parecia que estavam dançando. Todos os grãos de gelo em conjunto faziam com que a nevasca dançasse suavemente conforme os flocos iam caindo, bem melhor que a "dança" produzida pela chuva, pois era barulhenta, rápida e monótona.

Enquanto observava a neve, o jovem rapaz começou a sonhar acordado mais uma vez com seu futuro amor realizando diversas coisas em meio àquele tempo. Imaginou dançar calorosamente na neve fria, imaginou uma caminhada a dois no parque enquanto nevava; imaginou fazer anjos de neve junto com o seu futuro príncipe; imaginou muito... imaginou tanto que mal pode perceber que já estava amanhecendo e os primeiros raios de sol da alvorada iluminavam aquele lugar, extinguindo aquela escuridão. A luz emanava por entre as colinas ao longe, atravessando os enormes pinheiros, fazendo toda aquela neve brilhar conforme a intensidade da iluminação aumentava. Com o seu instinto natural, Snow propôs que deveria ser mais de 06:00 horas e deveria logo dormir, pois queria acordar com as energias recarregadas para poder andar pelas ruas que agora estavam cobertas por um manto branco.

Resolveu deitar-se novamente em sua cama e tentar adormecer a todo custo. Desta vez, deitou-se de maneira que pudesse ver a janela e a neve caindo. Seria difícil sonhar com olhos fechados desta vez, ele sabia, mas não poderia se dar ao luxo de permanecer mais um dia acordado sem descanso. Colocou seus fones de ouvido, procurou uma música calma em sua playlist e ficou observando a vista, sendo hipnotizado vagarosamente pelo brilho translúcido da luz no gelo, e sentiu que nada mais importava para ele. A dor que sentia sumiu, o sofrimento desapareceu, a música que escutava começou a ficar distante e o dia começou a desaparecer, até que se viu mergulhado no início de um grande sonho.