Fractais
18 Os Kappas
Notas iniciais
China; Rio Yangtzé – 2016.

— São Kappas? – Bunny disse incrédulo.
Kappas, eram criaturas originalmente boas, cuidavam das crianças e amava o homem, entretanto deixaram-se corromper, putrefazendo seus valores e degenerando seus princípios. Agora Kappas ansiavam somente por devorar humanos, principalmente crianças. A macies da carne infantil e a inocência marmorizavam os tecidos e ossos. Bunny os conhecia, antes mesmo de sua degeneração, mas acreditava que estavam extintos a mil anos. Para infelicidade de todos, eles ainda estavam vivos e despertos de sua hibernação sedentos por sangue.
A primeira leva de monstros verrugosos pisaram em terra firme, eram de tamanhos variados uns com o tamanho e crianças de dez anos outros com mais de dois metros de altura. Gorgolejavam entre si e novamente eram palavras intangíveis, porém Elsa entendia perfeitamente. Combinavam a quem cada um devoraria, a disputa estava nas carnes da alada esverdeada. A temperatura caia ao passo que a loira se amedrontava. Elsa encarava tudo recolhida e tremendo debaixo de seu vertido de gelo.
North arrependeu-se por sua péssima escolha. Usar a o poder de uma rainha abalada, foi a pior opção que fizera em toa a sua vida de guardião. O medo da menina só aumentava o poder de Pitch além de ser outra preocupação a terem que se atentar durante a batalha. Talvez o Homem da Lua tenha se equivocado em seu pedido, assim como há uma primeira vez para uma pessoa detestar o treno, uma primeira vez para sua barriga se enganar, uma primeira vez para tomar uma péssima decisão, pode haver uma primeira vez para o homem da lua – Czar Lunar – cometer um erro.
Jack desviou sua atenção de Pitch Black, para encarar Elsa. O sentimento da menina estavam todos expressos naquele olhar. Pânico. Terror. Vulnerabilidade. O jovem alvejado permaneceu calmo. Quis protegê-la daquelas emoções destrutivas. Concentrou-se unicamente nela, naqueles sentimentos desesperados dela, em seguida sorriu, um de seus melhores sorriso travesso. Elsa pode ver nos fundos daqueles maravilhosos olhos azuis, um poço de mansidão e determinação. Sem haver sequer sombra de medo o sorriso foi como a luz lunar que afugenta a escuridão da noite. Pousando a mão no ombro de Elsa completou dizendo.
— Isso e só um pesadelo. – O tom de sua voz adentrou os ouvidos da moça e pregaram-se em sua mente a enchendo de coragem.
— Adoraria colocar as conversas em dia, mas vocês estão tão ocupados. – Pitch Ordenou que seus pesadelos de areia negra atacassem juntamente com os Kappas. Mais e mais criaturas nojentas cheias de brotoeja e berrugas emergiam da do rio.
Inicialmente eram somente dez criaturas que emergiram, mas o número multiplicou para centenas e depois milhares, não parava de aumentar. Para azar de todos, as criaturas anfíbias eram extremamente hábeis em terra. Correram em direção dos guardiões eriçando suas garras gorgolejando ferozmente.
— Elsa, eu vou ficar perto de você. – O Alvejado disse ao lado de Elsa, estava empolgado, queria ver o matador de dragão em ação.
— Não! – North berrou empunhando suas espadas. – Você e Bunny ficam comigo! Sandy cuida dos pesadelos! Fada proteja a menina!
Jack revirou os olhos, mas logo entendeu o que velho pretendia fazer. Os três serviriam de barreira de proteção, fatiariam qualquer Kappa que se aproximasse evitando que qualquer um deles continuassem a marcha até as garotas, que ficaram metros atrás dos guardiões. Toothiana voejava pronta para o combate. Diferentemente dos outros guardiões ela não precisava empunhar armas suas asas eram mais afiadas do que quaisquer espadas feitas por homens.
— Não vou deixar nada passar. – Jack disse atirando sua magia aos primeiros monstros anfíbios que chegaram.
Os pesadelos cavalgaram em queda livre, na intenção de ferir os guardiões, enquanto esses se preocupavam com ataques terrestres. Todavia Bunny sabia muito bem a intenção dos pesadelos, lançou seus Bumerangues. Uma invenção feita por ele, o Pooka. Certeiro atingiu seus alvos e os pulverizou, a areia negra espatifou por todas as direções. Sandman não ficou parado, logo empunhou seus chicotes de areias e atacava os Pesadelos galopantes com o pulso direito e com a mão esquerda os arremessava os monstros averrugados. Sandy apesar de ser pacifista nato, possuía uma habilidade de luta descomunal. Com os movimentos dos chicotes dilacerava os Pesadelos instantaneamente.
North manejava suas lâminas gêmeas. Golpeou alguns Kappas em suas carapaças, mas serviu somente para retinir as suas espadas, vibrado as em uma frequência nada agradável para as mãos do ex-Cossaco. Mas o velho era sábio bastou um único movimento para perceber que os pontos fracos dos anfíbios monstros eram toda a carne que se esgueirava fora do casco, sobretudo seus pescoços pelancudos. Cortava-os com uma manteiga. As cabeças decapitadas por ele voavam, metros de distância do corpo caindo ao chão sacolejando e desintegrando em seguida, o mesmo acontecia com o corpo, que despencava ao chão em convulsões em seguida transformava-se cinzas, deixando somente a carapaça oca intacta.
Jack, com seu cajado, congelava vários deles. O gelo atingia as criaturas, que soltavam um urro agoniante e depois estilhaçavam-se em jogando para todas as direções pedaços congelados. O menino se concentrava para destruir o máximo de criaturas, segundo ou outro verificava se Elsa e a fada conseguia lhe dar com as criaturas. Mas para seu desapontamento a Matadora de Dragão não demonstrava ser uma exima lutadora era só uma garotinha.
Elsa prendia-os kappas que se aproximava em gaiolas de gelo, sem sequer acertar as feras. A fada descia em um voo rasante decapitando as criaturas. Visivelmente os maiores e mais fortes eram trucidados pela linha de frente, somente alguns pequenos e sem valor escapavam e eram destruídos pelas meninas.
Não parava de emergir Kappas do fundo do rio, para cada um monstro decapitado três surgiam das margens. A batalha estava intensa, ao menos para os que estavam na linha de frente, pedaços de membros dos monstros voando de todas as direções, um miasma pútrido de peixe em decomposição exalava do local. Ânsia surgiu no estomago de Elsa algumas vezes, não era um fedor tão insuportável quanto o das vísceras do dragão, mas ainda gerava um desconforto na Rainha.
— Hey! Coelho Ponpon! Quantos já destruiu? – Disse Jack acertando um com seu raio enquanto empurrava outro com os pés.
— Mais do que você! Moleque atrevido. – Bunny bateu uma das patas no chão invocando seus guardiões ovoides, seguido de um arremesso de seu bumerangue degolando um Kappa que estava preste a abocanhar o Alvejado. – Não sou sua babá, se não sabe lutar fique na creche comendo papinha.
— Ah! Tá querendo competir? – Jack exibiu um rosto afrontoso para Bunny em seguida acertou outro kappa com sua magia.
— O que isso virou competição. – North, pulou em meio aos dois em um giro frenético desmembrando um inúmeros de monstros anfíbios.
— Eles precisam disputar, agora? – Elsa falou e jogou seu poder para prender um monstro que escapava da batalha.
— Eu aprendi a não questionar. – Toothiana inclinou-se e decapitou o monstro que acabava de ser capturado na gaiola de gelo.
Alguns kappa do tamanho de pernas de cadeiras escaparam da primeira linha, e perceberam que os que escapavam eram capturados pela malvada do gelo e assassinados pela passarinha verde. Gorgolejarão entre si, era melhor comer crianças do que as duas. Um deles farejou o ar e foi atraído de imediato por um aroma doce e inocente de criança. Foi só perceber de qual local provinha e partiram se embrenhando na mata. Eles teriam sucesso, devorariam nove apetitosas crianças, mas Elsa compreendia o que eles diziam e não poderia deixar que tal coisa acontecesse.
— Tooth Venha! – Elsa disse em impulso. – Aqueles monstros, farejaram criança.
— Farejaram, mas como...
— Eu ouvi quando eles disseram. – Segurando a barra de seu vestido de gelo, Elsa e iniciou a corrida floresta adentro.
— Você fala monstrês? – A fada disse horrorizada.
Conversar com criaturas em suas línguas é compreensível, como lesmês para conversar com as lesmas e formiguês que é o idioma das formigas ou mesmo o aquiês que é uma língua particularmente complicada, com o tempo e prática todas as línguas animalescas podiam ser dominadas. Todavia o monstrês não era algo que se podia aprender. Ou você era um monstro, ou pactuava com a corrupção. Não havia uma criatura, nem mesmo o maior mago de todos os tempos – Ombric*¹ – que entendesse o idioma dos monstros sem passar por nenhuma dessas regras. A pergunta que começou a perturbar a pacata consciência de Toothiana era o porquê de Elsa, sendo uma humana, conseguia entende-los. Isso se tornou uma dilaceradora dúvida para a fada, pois Elsa era humana, não transmitia sensações maléfica. Poderia ser sua magia? Ou algo mais poderoso que a fada ainda não saberia dizer? Mas essas perguntas ela reservaria para outra ocasião. Crianças agora eram alvos das criaturas sedentas.
Kappas sabiam ser rápidos quando queriam. Elsa ainda corria quando escutou os primeiros gritos agudos de crianças. Tirando força de algum lugar a loira apreçou o passo até finalmente encontra-las. As crianças se abraçavam em uma tentativa falha de proteger dos pesadelos e agora berravam mais alto ao ver as criaturas youkais*². A cena fez com que memórias de uma batalha com uma fera demoníaca e uma menina ruiva, fervilhassem o seu consciente. A fada chegou em encalço a loira.
Um dos Kappas lambeu seu bico e gorgolejou. “Eu comer o mais menor.”
— Nem pensar. – Elsa movimentou a mão criando uma barreira sólida de gelo. Entre as crianças e todas as criaturas deformadas.
Novamente uma tempestade batia a porta do coração de Elsa. E como sempre acontecia quando lutava – No castelo de gelo contra os soldados, em Arendelle contra o dragão – Elsa abriu a porta de seu coração. O medo sumiu, a insegurança foi lançada para fora de seu peito. A tormenta que crescia em seu coração não seria presa, agora as criaturas enfrentariam a ira do inverno.
Fale com o autor