Fracos

8 Capítulo 8: Complexas relações humanas


Notas iniciais
ATENÇÃO>>> Saudades galera liindaaa ♥ Esse capítulo ta pronto faz dias, mas papai não pagou a conta e eu fiquei sem internet, e pra contemplar sexta eu fui a um acampamento de desbravador e só voltei agora. Isso msmo, muito mato, barracas, fogueira e essas coisas Obrigado pelos reviews que me deixaram inspirada para esse capítulo (que ta mt bom hehe) e especialmente para minhas duas recomendações, dedico esse capítulo pra vcs Fiquei sem internet, mas n sem not, então já tenho parte do capítulo 9, prometo que dessa vez serei mais tarde Eu gostaria muito (como ja disse antes) d fazer um grupo do what, deixem seu contato que assim as coisas vão se facilitar, por favor Boa leitura!

Visão de Hermione Granger

Só Deus sabe por quanto tempo andei sozinha, disfarçando minha dor atrás de um sorriso, até revelar meu segredo para alguém no meu quarto ano. Gina foi muito doce, me ouviu e me fez sentir melhor de um jeito que eu não me sentia há muito tempo, ela esteve comigo em cada momento difícil a partir daí e eu nunca me arrependi da minha decisão de me abrir com ela.

O tempo passou e eu cumpri minha missão, e pela primeira vez em toda minha vida eu pensei que poderia assumir o controle do meu futuro, mas eu estava errada. Por mais que eu tente, toda vez que tento tomar controle alguma coisa me atrapalha. Começo a pensar que se um dia eu conseguir o controle, não saberei o que fazer depois de uma vida inteira de experiências feitas pelo acaso.

E o acaso mais uma vez varreu para perto de mim uma coisa impossível, uma parecia com Draco Malfoy, uma busca para encontrar a vadia da Sonserina e limpar meu nome da acusação de assassinato, a única coisa boa nisso tudo é que eu não precisaria trabalhar com Harry e consequentemente mentir para ele, mas acho que esse lado bom já acabou, ele não vai mais me deixar em paz agora que sabe o que esta acontecendo, a hora da verdade está mais perto do que nunca.

Draco e eu passamos pelo jardim principal, várias pessoas caminham de um lado para o outro. A maioria em grupos para receber a aula do curso ao ar livre, hoje é oficialmente o primeiro dia dos cursos e atividades especiais no castelo, eu me inscrevi para a maratona de conhecimentos gerais, mas acho que isso vai ter que esperar.

De longe podemos ouvir os gritos vindos do campo de Quadribol, o primeiro jogo da temporada começará daqui a meia hora e ansiedade é muito presente, varias pessoas passam por nós com camisas de Quadribol, espetinhos de comida, mascara com o rosto de alguns jogadores e coisas do gênero. O mais interessante dos jogos deste mês é que são especialmente livres, sem as quatro casas de Hogwarts fazendo barreira entre nós, times mistos, alguns até com jovens que não são alunos de Hogwarts e estão aqui em comemoração pós-guerra, como o jogador profissional Viktor Krum que com certeza jogará hoje.

Gina Weasley e Viktor Krum caminham em minha direção e a de Draco, Gina ao nos vê entende que algo esta acontecendo e acelera o passo, enquanto Viktor simplesmente esta surpreso a me ver do lado do Malfoy.

-O que aconteceu? – Gina é direta

-Nós vamos verificar uma pista – Draco responde antes de mim

-Hermione, que bom que você esta bem, – Viktor se aproxima de mim e me aperta em um abraço – eu soube o que aconteceu essa madrugada.

-Não se preocupe, eu estou bem – eu sorri – ainda não conversamos desde o baile...

-E também não vão conversar agora – Draco me cortou

-Ele tem razão, — eu suspiro com um sorriso amarelo – nós vamos conversar mais tarde, com certeza, Viktor.

-Aonde vão? – Gina é direta outra vez

-Não dá tempo de explicar, — falo rapidamente antes que Draco me interrompa outra vez – Blásio esta no laboratório, ele vai responder suas perguntas, façam uma dupla outra vez.

-Ok – a ruiva acata a ordem rapidamente seguindo outra direção para o castelo

-Até mais tarde Viktor

Viktor assentiu com a cabeça em resposta, Draco e ele trocaram um olhar severo antes de ambos seguirem caminhos diferentes.

Draco e eu seguimos as coordenadas até uma área afastada. Celestina Warbeck não deve se importar muito com essa área do jardim por que as árvores não estão bem podadas, o chão é uma bagunça de folhas, frutos e flores desordenados, as raízes são grandes e me fizeram tropeçar repetidas vezes até finalmente chegarmos a uma árvore em especial, uma macieira velha.

O rapaz aproximou-se da macieira e com as próprias mãos abriu caminho entre as flores até revelar uma passagem debaixo das raízes, como o do salgueiro lutador em Hogwarts. Ignoro a ironia e simplesmente mergulho para dentro, Draco me segue.

O teto acima das nossas cabeças não é alto, Draco quase esbarra a cabeça no teto e as paredes são muito próximas, esta um pouco escuro, mas quando damos mais alguns passos, o túnel começa a se alargar e não é mais tão pequeno, tochas encantadas iluminam nosso caminho.

-Não acredito que estamos fazendo isso de novo em um espaço tão pequeno de tempo – eu desabafo – somos suicidas

Seguro fortemente a minha varinha apontado para tudo, não sei o que esperar, então qualquer rato que eu ver no caminho será atacado.

-Cansada?

-É claro. Quando sairmos daqui à primeira coisa que vou fazer é correr para a minha cama

Silêncio.

-Ainda dói? – o loiro pergunta de repente enquanto ainda seguimos caminho pelo túnel, olho-o para perguntar sobre o que ele esta falando, quando vejo seus olhos cinzentos direcionados a cicatriz no meu braço, onde Bellatrix Lestrange me “tatuou” quando fui capturada durante a guerra, automaticamente seguro minha cicatriz como se quisesse escondê-la – Eu ouvi seus gritos do meu quarto quando aconteceu, eu nem reconheci, não era a primeira vez que Bellatrix gastava seu tempo torturando sangue ruins, mas me lembro de quando enfrentei você e seus amigos com meus pais e Bellatrix, de minha tia com um a varinha no seu pescoço, e eu não fiz nada pra ti defender.

-Por que esta me dizendo isso?

Sinto a fúria arder dentro de mim, mas engulo todas as palavras que eu quero gritar. Se ele se importasse, ele teria impedido. Ao pensar em tudo que a família Malfoy fez ao lado de Voldemort na guerra, torna-se difícil aceitar Draco como um companheiro.

-Não sei... Apenas pensando em como as coisas mudaram.

-Agora vai vir com o papo de que a guerra ti mudou? – paro bruscamente de caminhar e o encaro com raiva – Estou cheia de ler isso nos jornais sobre gentinha como você que esteve do lado de Voldemort e agora quer fingir que nada aconteceu.

-Eu não preciso dizer isso, gatinha – ele toma um tom sarcástico – eu não escondo quem eu sou, sou um canalha, e você, consegue admitir que é uma mentirosa?

-Eu não sou mentirosa, do que você esta falando?

-Você mente sobre quem você é, Hermione Zabini.

-Isso é completamente diferente.

-Por quê? Eu não sou um herói, mas também não minto para todos como você, todo mundo sabe que eu não presto, as pessoas sabem que você finge ser outra pessoa?

-Eu odeio você, Malfoy. Como você consegue ser tão insensível? Você nem sabe a minha história, você não tem nem ideia do por que eu tive que mentir pras pessoas que eu amo.

-E você sabe a minha? Não sabe nada pra me julgar.

-Julgar? Falando nisso, o que você mentiu para os juízes ti darem liberdade condicional? Você é tão baixo quanto seu pai e deveria estar em Azkaban esperando sua execução.

-Eu não sou como meu pai!

-Por que não? Você é sujo e preconceituoso como ele, me tratou durante anos como lixo por que pensava que eu era uma sangue ruim, caras como você não mudam, você tenta me enganar bancando o bonzinho às vezes, mas ainda é um grande idiota.

-E se eu ti disser que foi o preconceito que me mudou, Hermione? Eu não sou Lúcio Malfoy, agora tudo que eu sinto por ele é nojo, por causa de pessoas obcecadas pelo sangue puro como ele que mãe tem Lithius, ela esta morrendo. Morrendo! Por causa de uma coisa que nossa família defendia com tanta paixão! Você entende como é isso, Hermione? Tudo o que você fez a vida toda, foi glorificar atitudes injustas que levaram minha mãe ao leito de hospital. Ela vai morrer se eu não fizer alguma coisa! Então sim, alguma coisa mudou dentro de mim.

Não fui capaz de responder, fiquei muda, sem voz, sem fala.

Os olhos cinza de Draco me encaravam com tanta intensidade que eu precisei virar o rosto, meus olhos se encheram de lágrimas, mas eu me neguei a chorar, este não é o momento para sentimentalismo.

A doença de Lithius é causada por uma deficiência genética, em que o genoma contém pedaços extras de DNA idênticos que perturbam o desenvolvimento mágico e físico levando a morte. Ou seja, Narcisa Malfoy tem antepassados que foram tão obcecados pelo sangue puro bruxo, que parentes se casaram entre si para continuar a linhagem pura, isso levou Narcisa a ter essa deficiência.

Este é um caso extremo do que um bruxo preconceituoso e obcecado pelo sangue faz e leva seus filhos inocentes dos seus atos a morte.

Por um breve momento, consigo imaginar como Draco se sente nesta situação e isso pesa em meu coração.

-Sinto muito Draco. Você tem razão, eu não sei nada sobre você.

Não olhei para o loiro, dei mais um passo no túnel, porém muito de repente Draco me segura pelo abraço com força e me puxa para mais perto dele.

Meu peito bateu contra seu corpo musculoso e meu coração acelerou imediatamente, ergo o olhar para encará-lo, e lá estão os profundos olhos cinzentos me encarando. Não sei o que dizer, não sei o que falar, não sei o que pensar! O que ele esta fazendo?

-Cuidado, areia movediça – ele avisou baixinho.

Olho para baixo e vejo que estou há um passo de distancia de uma poça de areia

-Obrigado.

O aviso foi dado, mas não nos movemos. Uma inexplicável atração existe entre nós que faz nossas cabeças se aproximarem ainda mais. Mordo meu lábio inferior tentando resistir à tentação de beijá-lo e Draco corresponde inclinando-se para tocar nossos lábios...

-Quem esta aí?

Ouvimos uma nova voz distante de nós que grita desesperadamente

Afastamo-nos rapidamente, despertando de seja qual for à loucura que quase nos fez fazer algo que nos arrependeríamos mais tarde. Eu estou vermelha, claramente sem graça, e Draco evita me encarar, ele olha a poça de areia e aponta a varinha:

-Drawbridge

Uma ponte baixa de madeira surge na nossa frente e com ela nós atravessamos a areia.

O que acabou de quase acontecer entre nós terá que ser resolvido mais tarde, se eu não decidir simplesmente fingir que não aconteceu, é claro.

Visão de Blásio Zabini

-Eu estava certo. Isso não é incentivador? Não que seja novo eu estar correto sobre tudo, mas é bom de admirar.

Observo a poção de cor esverdeada ferver criado um novo aspecto no caldeirão, menos espumosa e mais rala até tomar um tom avermelhado, o ponto certo.

Ponho algumas gotas do resultado final da poção em cima de lâminas transparentes, direciono o microscópio e começo a analisar o liquido avermelho que a poção havia se tornado.

-Eu usei uma poção com poder de reversão no chão do assoalho onde encontramos Theodore Nott morto, o assassino limpou os vestígios de sangue, mas ele pode ter deixado algo para trás, algo que pode nos ajudar a identificá-lo.

Adicionei uma gota de veneno de Acromântula e a reação química foi imediata.

-Encontrei uma pista

-Com quem você esta falando?

Ginerva Weasley adentra o laboratório fechando a porta devagar atrás de si, virou a cabeça procurando em volta uma terceira pessoa na sala, não achou.

Blusa marfim com mangas escrito “eu amo Quadribol”.

Cabelos amarrados com uma fita em um rabo de cavalo.

-Por que você não irá jogar hoje? – eu viro o rosto para as lâminas novamente

-Não consigo me concentrar com tudo que esta acontecendo... Com quem você estava falando? – a ruiva se aproximou sentando-se em um banco ao meu lado olhando o que eu estou fazendo espalhado na mesa.

-Com ninguém

-Quer dizer que você estava falando sozinho?

-Compartilhando minha descoberta com o silêncio. Do que adianta ser brilhante e não ter alguém para mostrar o quanto sou capaz?

-Faz isso com frequência?

-É um hábito, chama muita atenção, mas nada que não possa ser ignorado.

-Você é louco

-Louco não

-Não vou discutir com você. Você é impossível.

-Ótimo — eu tirei meus olhos das lâminas e a olhei – antes que pergunte Draco e Hermione foram para uma missão solo, o assassino lhes deu a localização da Parkinson.

-E você deixou que eles fossem? – ela arregalou os olhos castanhos claros – Eles quase morreram há menos de 24h.

-Quase morreram Ginerva. Além do mais eu estou certo que Pansy estará lá, e pode ter informações sobre o assassino.

-Tipo quem ele é?

-Não, algo menor provavelmente.

-E se eles precisarem de nós?

-Não precisarão, – eu afirmo movendo a lâmina para perto da ruiva – o que acha?

-O que é isso?

-Você não me ouviu?

-Não, você estava falando sozinho antes de eu entrar, lembra?

-Isso não aconteceria se você já estivesse aqui para me escutar, afinal estamos simulando um relacionamento.

-Me diz logo o que é isso Blásio, por favor – Ginerva suspira passando a mão na testa, sinal de estar sem paciência.

-Estou quase certo que seja resíduo de Pó de chifre de bicórnio e Fluxweed.

-O que isso significa?

-Pó de chifre de bicórnio e Fluxweed são ingredientes usados para fazer Poção polissuco, ele pode ser qualquer um.

-Tem certeza disso?

-Me admiro que você tenha coragem de me perguntar isso

-Então ele fica disfarçado o tempo todo?

-Talvez

-Talvez?

-A essa altura tomar uma conclusão precipitada pode ser mortal – eu me levanto e me direciono a pia para lavar as mãos

-Então o que pode ser? – Ginerva levanta-se e me acompanha até a pia, encosta-se e me observa lavar as mãos.

-O assassino pode ter entrado em Pégaso disfarçado no navio e assim fica o tempo todo ou usa a poção polissuco para executar os assassinatos, o assassino, por exemplo, pode ter se transformado em você e ido atrás de Hermione na noite do baile, então chegou perto o bastante para usar o obliviate nela e leva-la ao local onde deixou o corpo de Theodore Nott, o mesmo com Draco, para que eles fossem encontrados no dia seguinte, é claro que são apenas hipóteses.

A ruiva não respondeu, estava com um olhar baixo e pensativo.

Terminei de lavar as mãos, retirando todo o resíduo dos ingredientes da poção e me virei para a garota.

-Então vamos torcer para que a Parkinson traga informações – ela concluiu – como sabia que não vou jogar hoje?

-Sua blusa tem mangas e esta usando uma fita para amarrar o cabelo.

-Onde você aprendeu a fazer isso? – ela soou curiosa

-Meu pai foi um detetive adepto a arte da dedução, Joseph Zabini. Ele morreu quando Hermione e eu éramos crianças, em minha casa você encontrará uma grande coleção de livros sobre o assunto, o resto deve-se a vizinhança da nossa infância cheia de doutores em diferentes áreas e o fato de Isabel Zabini ser uma cirurgiã e especialmente perspicaz em leitura fria.

-Você é muito bom nisso

-É uma sorte para todo humanidade que eu não tenha me tornado um criminoso

-Então Hermione também foi ensinada a fazer as coisas que você faz

-Sim. Ela não ti disse isso?

-Na verdade disse, mas eu nunca entendi por que ela não usa mais isso.

-Fraqueza, — eu afirmo pondo as mãos no bolso – era um passatempo para nós usar a dedução para surpreender as pessoas, Hermione acredita que éramos muito extremistas e isso a afastava, ela foi fraca, queria se permitir conhecer o amor.

-Isso não é fraqueza, – Ginerva me encarou cruzando os braços – você saberia se abrisse o coração alguma vez.

-Não estou interessado, sentimentos interferem a capacidade de raciocinar logicamente, veja Draco como exemplo, se prendendo a um casamento para salvar alguém que não pode ser salvo, Lithius não tem cura, ele esta sendo irracional pensando que com o dinheiro de volta irá achar um meio de salvar mãe. Por sorte, minha mente sempre governou meu coração.

A ruiva não falou por alguns segundos e me surpreendeu quando começou a gargalhar

-Do que esta rindo?

-Você é muito bobo – ela sorriu soltando um risinho – você ama a Hermione

-Não seja estúpida

-Não seja você mentiroso. Você mal percebe, mas desde o quarto ano eu vejo pistas de que você se importa com ela, afinal vocês foram criados como irmãos.

-Errado, sou um sociopata. Você mesmo já disse que não me importo.

-Por que eu estava nervosa, preocupada, mas agora estou entendendo o que eu sempre vi em você, Blásio. – ela me olhou profundamente nos olhos e eu recuei um passo incomodado com a repentina aproximação – Hermione esta errada sobre você, todos estão, eu estava, você não é tão frio, alguma hora você irá cansar de fingir.

Do que ela esta falando?

-Eu nunca amei, Ginerva.

-Acho que agora sei por que você não consegue me chamar de Gina, – ela riu – você se assusta com a aproximação das pessoas, você tem medo, me chamar de Gina seria como aceitar que mais uma pessoa se aproximou e você acha que já tem pessoas o suficiente perto de você, afinal já basta à gente ter que fingir que estamos namorando.

-Você é muito exagerada, vê coisas onde não existe, isso é perigoso.

-Aliás, você é péssimo.

-Do que esta falando? – eu ergo uma sobrancelha, cético de que eu realmente seja ruim em alguma coisa.

-Fingir me namorar, desse jeito isso não vai dar certo pra nenhum de nós, e você é um dançarino horrível, nunca tive um parceiro de dança tão ruim, e olha que o Harry também não era bom nisso.

-Não sou um dançarino ruim – eu me ofendi

-Não faz mal admitir

-É claro que faz se não é verdade. Eu só não gosto de gente, e aquele lugar estava repleto e apertado de tanta gente na pista.

-Não me convenceu – ela riu

Prontamente segurei Ginerva pela cintura e segurei sua mão na altura certa para uma valsa, girei com a garota que foi pega despreparada e demorou alguns segundos para perceber que se tratava de uma dança, mas percebeu e colocou a outra mão no meu ombro. A guiei na dança pelas partes vazias do laboratório rapidamente até que ela tropeçou no tapete

-Não era eu o péssimo dançarino? – eu pergunto rindo

-Cala boca, você que foi muito rápido – ela corou levantando os olhos castanhos para encarar os meu

-Ok – eu respondi simplesmente

Nós continuamos em uma valsa mais lenta, a ruiva não tirava os olhos de mim, parecia estar se divertindo, e por algum motivo isso não me incomodou.

-Eu disse que não sou ruim – falei quando paramos de dançar

Ginerva não respondeu por um tempo e continuamos paralisados na mesma posição, curiosamente senti uma palpitação irregular na garota, estranho levando em consideração que a garota é uma atleta e a dança havia sido devagar demais para deixa-la cansada.

-Estou sentindo seu coração rápido demais. Algum problema?

-Não. Nenhum. – ela afastou rapidamente e se dirigiu a porta rapidamente – Eu já vou, obrigado pela dança.

-De nada – eu respondi, mas tarde demais, ela já havia fechado a porta.

Que menina estranha...

Visão de Draco Malfoy

Estou aliviado por Hermione ter decidido não falar sobre o que quase aconteceu.

O que dizer? Aquilo foi muito confuso, mais do que os assassinatos e estar preso em um poço com o oxigênio limitado.

Cheguei muito perto de beijar Hermione Granger e simplesmente não sei por que eu quase fiz isso. Havia uma tensão entre nós, ela parecia desejar o meu toque, e pior, eu também. Por um momento estranho, eu realmente desejei beijá-la.

Hermione é diferente das mulheres que já estive, ela é nobre e justa, dois adjetivos que faltam em mim que sou um típico Malfoy “negociante”, um aproveitador, não faria nada que não me desse algo em troca, até mesmo a sala de espelhos que eu pedi de Celestina para Astoria ensaiar, pois o balé é a válvula de escape da garota e assim eu não preciso ficar ouvindo seus dramas familiares quando eu já estou cheio dos meus.

Obrigado Pansy, você mais uma vez me impediu que eu fizesse uma besteira que mudaria o rumo da minha vida. O que existe entre mim e Hermione esta longe de ser chamado de amizade e eu prefiro que continue assim, sangue ruim ou não nós temos uma história que não pode ser apagada, nós somos diferentes e a distancia é segura.

No fim do túnel uma luz, uma porta aberta onde ouvimos Pansy gritar por ajuda mais uma vez. Corro em direção à porta e Hermione me segue.

A porta é entrada de uma sala extensa com muitas outras portas, Pansy esta presa em uma cela de grades de aço, sentada imóvel em uma cadeira, provavelmente enfeitiçada, ela sorri ao nos ver.

Corro em direção à sala

-Draco não! – Pansy tentou me avisar

Ao chegar perto das barras um encantamento de ataque me atinge e eu sou jogado para longe

-Finite incantatem – Hermione usa um feitiço para desfazer o encantamento – você esta bem?

-Sim – eu me levanto

Hermione abre a cela e eu me aproximo para ajudar a tirar Pansy do que feitiço que a esta prendendo a cadeira

-Eles estão voltando – Pansy me avisa

-Me dê sua varinha – eu peço a Hermione

-Por quê?

-A minha esta sendo monitorada

Nós trocamos nossas varinhas e eu saio da cela no momento em que alguém entra por uma das portas, parece ser um homem, vestido um manto preto e uma mascara dourada cobrindo todo o rosto.

-Everte statum – eu uso uma magia de ataque

O homem de mascara apara meu feitiço com a varinha e me ataca com um Levicorpus, aparo com a varinha, lanço um Confringo que ricochetei na varinha do meu oponente e explode uma das portas, em seguida ele libera uma serie de feitiços Estupore, Lacarnum Inflamare e Expulso, para nos defender de todos eles eu uso um Protego Totalum criando uma barreira de proteção ao redor de Hermione, Pansy e eu, para se proteger dos próprios feitiços que ricochetearam o bruxo usa o mesmo feitiço, o resultado é uma segunda explosão acerta outras duas portas

Quando todos os destroços caem ao chão, ambos abaixamos nossas barreiras de proteção.

-Expelliarmus – eu acerto e sua varinha voa para longe

-Expelliarmus – Hermione lança ao mesmo tempo em um segundo bruxo que aparece de repente entrando por uma das portas — Petrifucus totalus – e o bruxo paralisa completamente

-Sectumsempra – eu ataco novamente o bruxo que eu desarmei

O bruxo cai no chão imediatamente, ele visivelmente agoniza de dor, mas não solta nenhum gemido. O mascarado começa o processo de sangramento que o levará a morte, mas eu no correspondo com misericórdia.

-O que esta fazendo? – Hermione arranca a varinha que estava na minha mão e aponta para o agonizante bruxo no chão — Vulnera sanentur!

-O que você esta fazendo? – eu rebato – Ele nos atacou e raptou a Pansy, merece morrer.

-Você ia mata-lo, seria igual ele.

-E o que diz do seu amigo Potter que matou Voldemort, ou as pessoas que você mesma matou na guerra? Você esta sendo hipócrita

-Nós não tínhamos alternativa, isso é completamente diferente, e você não só ia mata-lo como iria fazer sangrar até a morte, isso é tortura, não era realmente necessário.

-Você espera que eu seja misericordioso com um assassino? Por Merlin, Hermione! Isso não faz o menor sentido

-Vocês podem discutir isso outra hora. Tirem-me daqui – Pansy reclamou se remexendo na cadeira.

Engano é de Hermione de achar que quando eu encontrar o assassino não vou mata-lo. Ele esta pondo todos os meus sacrifícios em risco, tudo o que eu estou fazendo pode resultar em nada se eu for acusado de assassinato e eu o odeio por isso, ele me queria nesse jogo quando armou para mim e raptou Pansy, pois bem, ele conseguiu e vai pagar caro por isso.

O assassino é uma pedra no meu sapato. Não é como quando Voldemort no passado me mandou matar Dumbledore, em meu ponto de vista aquele velhinho não precisava morrer, ele não representava perigo para mim, e eu não mataria alguém inocente, ao contrário deste.

-É claro, Parkinson – Hermione soa estressada quando nós nos aproximamos da morena e ela é libertada do encantamento com outro Finite incantatem – Draco você devia ser mais prudente, se você for acusado de assassinato, seu acordo com o pai da Greengrass vai para o buraco.

-Eu podia alegar legítima defesa e me aproveitar da imagem de coitadinho quando todos soubessem que armaram para mim

-Você como sempre sabe se aproveitar das situações – Pansy comentou massageando os pulsos

Sorri para a morena liberta, ela não parecia machucada, me aproximei para lhe dar um abraço, mas ao invés disso, ela me surpreende com um tapa na cara

-Por que demorou tanto?! Eu estou morrendo de fome

-Eu salvei você, devia ser mais grata, Pansy – digo enquanto massageio meu rosto onde ela me bateu.

-Eu sou grata, só estou louca por comida – ela revira os olhos.

-Ah... Que bom que você esta bem – Hermione parece não saber o que dizer

-Sim, eu estou, – a morena respondeu olhando para os dois bruxos derrotados, um paralisado e outro ensanguentado no chão – mas eles não são os assassinos, eles só me vigiavam, o assassino veio aqui uma vez, eu fui vendada.

-Você ouviu a voz dele?

-Não, Granger. Ele usava um feitiço que distorcia o som original das suas cordas vocais

-Ela foi vendada, quando somos privados de um sentido os outros se fortalecem para nos orientar, — eu penso em volta – talvez Blásio possa fazer alguma coisa sobre isso

-Talvez Blásio não, mas eu sim, vamos cuidar disso mais tarde.

Saio da cela e me dirijo ao bruxo ensanguentado do chão, retiro a mascara com violência e sou surpreendido ao ver que ele não tem um rosto. Ele não passava de uma imaculada pele branca sem pelos, boca, olhos, nariz, ou qualquer coisa

-O que é isso? – Pansy pergunta com cara de nojo – Isso responde por que eles eram tão silenciosos

-É um Defuncti, matéria animada a partir de um corpo morto, eles não estão realmente vivos, são como zumbis marionetes, o assassino esta sozinho, então usava essas criaturas para guardar o local

-Nossa... Esse cara realmente tem problemas de confiança

-Eles machucaram você? – eu pergunto a Pansy

-Não, eu estou bem.

Pansy se aproximou de mim e me apertou em um abraço enterrando sua cabeça em meu peito, aperto meus braços ao redor de sua cintura e suspiro de alívio, nunca foi tão bom ver aquela morena maluca novamente.

-Obrigado, Draco. Só seja mais rápido da próxima vez.

-Não haverá próxima vez

-Ótimo, — ela sorriu se afastando de mim – eu estou contando com isso.

Visão de Gina Weasley

Não sei como chamar o que aconteceu.

Blásio Zabini se mostrou ser muito mais do que os olhos podem ver e posso afirmar que trabalhar com ele será no mínimo interessante. Ele me pegou de surpresa quando me puxou para dançar e me deixou vermelha de vergonha quando ao tropeçar ele riu de mim, meu coração disparou, mas eu me senti melhor de um jeito que não me sinto há muito tempo, mais precisamente desde que Harry e eu terminamos.

No fim das contas, Blásio será uma boa companhia, muito irritante, mas nunca vou deixar de me surpreender, fingir estar namorando ele não vai ser tão insuportável quanto eu esperava.

Perdi o tempo, não sei que horas são, mas devo estar muito atrasada para o meu próximo curso.

Chego à sala as presas, entro de supetão e não encontro outras pessoas a vista. Onde estão os alunos? Professores?

Esta aula é um curso de Artes físicas. Não é uma aula comum, os bruxos sempre usam magia para lutar entre si, mas desde o fim da guerra o Ministério começou a incentivar o aprendizado de lutas físicas e isso despertou minha curiosidade.

Não há nada na sala, mas ouço um som ao fundo, rápido e frequente, mas não consigo identificar o que pode ser.

Eu me aproximo e encontro meu irmão no fim da sala. Rony esta soando, usando apenas uma bermuda azul, socando um saco vermelho e faixas nas mãos para se proteger, ele parecia inexperiente, mas não parava de socar furiosamente, ao me aproximar mais ele me viu chegar e parou.

-O que faz aqui? – ele perguntou segurando o saco com as mãos e me olhando sério

-Vim para a aula...

-Foi cancelado, Harry vai fazer um discurso antes do primeiro jogo de Quadribol, afinal ele matou Voldemort, sozinho.

-Você esta bem? Por que não esta lá ouvindo o Harry?

-Quantas vezes ele já não foi entrevistado pelos jornais desde a guerra? Ele é o queridinho dos bruxos agora, mais que antes, esse não é o primeiro nem o último discurso. Então eu vim aqui bater em alguma coisa, a próxima prova para a seleção de aurores é física e o Ministério anda pegando pesado.

-Você não parece bem... O jeito que você esta falando... – eu me aproximo mais e fico ao lado do ruivo – Deve estar sofrendo por causa do termino com a Hermione

-Não é isso, — ele suspirou – eu amo a Hermione e esta sendo muito difícil, principalmente por que ela ainda insiste em ser só uma amiga, mas isso não é o que mais me incomoda.

-Então o que é?

-O Harry é meu melhor amigo, e não me leve a mal, eu não quero me passar por um cara invejoso, mas eu estou cansado de viver na sombra dele... E na sua.

-Minha? – eu sorri surpresa – Por quê?

-Você é a primeira batedora em uma liga de Quadribol profissional, você é incrível Gina, — Rony suspirou olhando nos meus olhos — sempre sabe o que quer e não mede esforços para conseguir, eu nunca ti disse isso, mas você me inspira.

-Obrigado – eu corei

-Eu sou seu irmão mais velho, em teoria eu que devia inspirar você, sinto que não estou fazendo meu papel na família.

-Isso não é verdade...

-É claro que é, – Rony me interrompeu – e é por isso que eu vou treinar duro como nunca treinei na vida para ser o primeiro na lista de Artes físicas da seleção, eu vou ser um auror e provar o meu valor, o resto eu vou pensar no caminho. Nunca fui muito inteligente, talvez seja em quebrar coisas que eu seja bom.

-Talvez – eu ri

Pego a mão de Rony e devagar vou retirando as faixas

-Agora sobre a Hermione, — eu começo a dizer enquanto retiro as faixas – eu sei o quanto você gosta dela, mas preciso admitir que eu sempre soube que não daria certo.

-Por quê? Sabe se ela gosta de outra pessoa?

-Não, ela esta livre, só que eu acho que não é pra vocês ficarem juntos, sabe? – eu o olho nos olhos azuis, tiro a última faixa e seguro firme sua mão entrelaçando nossos dedos – Sou sua irmã e acredite eu sei o que você esta passando, mas precisa esquecê-la para o seu bem, você ainda vai encontrar uma moça bonita e gentil que também ti ame.

Rony não respondeu, apenas assentiu com a cabeça.

Assisti o ruivo retirar a faixa da outra mão e pegar uma toalha antes de virar para mim e dizer:

-E você e o Harry? Não vai mais acontecer? Harry me disse por que vocês terminaram, eu acho que é besteira.

-Não é da sua conta

Rony riu e depois eu também.

-É sério, — Rony se aproximou sorrindo – ele ti ama.

-Tem certeza disso?

-Ele é meu melhor amigo, eu sei o que estou dizendo.

-Obrigado... Preciso pensar sobre isso.

Visão de Hermione Granger

Draco Malfoy é uma explosão de novas informações que eu não faço ideia de como lidar, em um momento ele é um cara com sentimentos e no minuto seguinte é um babaca. Como conseguir viver e trabalhar em um mistério com um cara assim?

Olho pela última vez o loiro junto da Parkinson entrar no castelo antes de virar a rota para o campo de Quadribol, assim que entro vejo Harry discursando sobre a guerra enquanto a multidão assiste em silêncio.

Encosto-me a arquibancada e fico parada pensando sem realmente estar ouvindo ao rapaz. Gina e Rony chegam juntos pela mesma entrada que eu, Rony sobe para sentar na arquibancada, mas Gina vem em minha direção e fica ao meu lado.

-É bom saber que você esta bem – ela suspira – e os outros?

-Pansy esta bem... Draco é que esta me deixando maluca, é diferente do que eu achava, tive momentos bem estranhos com ele hoje

Estremeci ao lembrar que o quase beijei hoje. Meu Deus! O que eu tinha na cabeça?

-Posso dizer a mesma coisa do seu irmão – Gina respondeu, mas seus olhos estavam em Harry.

De repente um vento estranho sopra gelando até meus últimos fios de cabelo, meu cabelo voa batendo contra meu rosto e eu tento me aquecer esfregando os braços. Olho em volta e vejo que as coisas estão voando. O que esta aconteceu?

Um barulho de algo explodindo chega aos meus ouvidos, mas não sei de onde esta vindo, parece muito distante.

-Pelas barbas de Merlin. Olha pra cima, Hermione!

No céu uma imagem cinza começa a se formar, criando formas como uma televisão trouxa, a imagem cria cores e finalmente se torna nítida. Dois corpos ensanguentados e deixados largados no chão que parece ser do banheiro feminino, demoro alguns segundos para reconhecer Cho Chang e sua amiga da Corvinal, elas estão mortas, o assassino as pegou e esta se exibindo na frente de todos.

A imagem se apaga e letras começam a formar um recado:

“Conte, ou farei isso por você. Faible fille, vous êtes moi amusement”

A mesma frase em francês, porém um novo e muito claro aviso que só pode ser para mim. O assassino quer que eu conte a verdade a Harry e não esta de brincadeira.

Notas finais
não esquece o seu número