Fracos

21 Capítulo 21: Caminhos do coração - Parte 1


Notas iniciais
Tô de volta negada!! Eu tive dias muuuuito ocupados, eu abandonei meu not para escrever e minha vida era só: igreja, escola e dançar. Eu estava participando de um projeto de dança da escola que valia 10 pontos em praticamente todas as matérias, é algo que move a escola e é suuuper importante, batalhei muito e tirei nóta máxima, depois disso vieram provas, trabalhos normais e um acampamento q me tiraram a concentração de escrever, mas eu sou brasileira e não desisto haha O capítulo ta grande e espero q vcs gostem!! Cometem pfv!!! É mt importante pra mim continuar! PS: Quem lembra de "Coven das bruxas de Salém" que eu falei? Fiquem sabendo q tô trabalhando nele e vai ser postado muuuuito em breve.

Visão de Hermione Granger

O sol se põe no horizonte, é fim de tarde, quase noite, eu estou cansada.

A prova teve duração de sete horas, mais pausa para o almoço, ou seja, fiquei sentada durante horas em uma sala silenciosa de um prédio da cidade de Pégaso com alguns alunos que se arriscaram a fazer a prova, alguns de Hogwarts e outros que nunca vi na vida, provavelmente nativos da Ilha.

Eu estou confiante, consegui terminar todas as questões, apesar de algumas delas terem sido mais trabalhosas que outras, eu acredito que tirarei uma nota próxima da máxima, ou quem sabe, máxima.

O prédio é grande e eu me perco enquanto tento encontrar o banheiro, eu estou cansada, estou arrastando meus pés pelo chão. Mentalizo minha cama esperando por mim e não desisto.

A primeira fase da prova, a que foi realizada pela manhã se teve com uma entrevista breve com professores de algumas universidades, eu estive na frente de uma bancada, onde alguns professores me fizeram perguntas sobre meu currículo acadêmico, este que foi muito elogiado pelas diversidades de cursos e notas excelentes, graças ao vira-tempo que me deu oportunidade de assistir todas as aulas ao mesmo tempo no meu terceiro ano.

Por conta da entrevista, eu estou usando um blazer azul escuro, blusa branca e uma saia preta muito feminina que peguei no guarda roupa de Gina, o look social é finalizado com um par de saltos escuros, eles estão me deixando louca.

Ao encontrar o banheiro feminino, entro em um box e começo a me despir, eu vou por uma roupa mais confortável para voltar ao castelo.

Ouço conversas do lado de fora, mas não estou prestando atenção até ouvir meu nome.

—Granger, não é?

—Hermione Granger, dizem que é inteligente, deve ser mesmo, — uma risada cínica – ela tem uma lista de ex-namorados famosos.

Eu encosto meu corpo na parede e bufo, eu sei que não deveria estar ouvindo isso.

—Você viu na revista de fofocas? Ela esta saindo com o Viktor Krum de novo. O que ele viu nela? Ela é tão careta.

—Vai ver ele gosta de viver perigosamente.

—Você acha que ela matou essas pessoas?

—Com essa carinha de sonsa? Claro, alguma hora a casa cai. Pessoas inteligentes se entediam, aí começam a aprontar.

As vozes ficam distantes até sumirem, elas foram embora.

Eu controlo minha respiração para não chorar. Por que eu deveria? Eu sei que isso não é verdade.

Sei que elas já foram, mesmo assim abro a porta do box devagar, eu estou sozinha.

O espelho do banheiro revela uma menina diferente da que eu conheço, eu pareço destruída, cansada e realmente eu estou.

O castelo fica um pouco longe a pé, mas quando vejo o ônibus cheio de alunos opto por uma caminhada.

Com os dedos eu começo a brincar com a varinha na mão, andando sem pressa, perdida nos meus pensamentos. Eu sei que não sou má pessoa, eu sei que eu não deveria ligar para o que pensam de mim, mas é da minha natureza às vezes me machucar com estes tipos de comentários, quando o Malfoy implicava comigo, eu nunca demonstrei fraqueza em sua presença, mas chorava a noite antes de dormir, por que eu sabia que não era uma sangue ruim de verdade.

Nesse caso eu gostaria de ser mais como Pansy Parkinson, ela não se importa nenhum pouco com o que dizem dela.

Eu me importo se as pessoas acham que sou uma alpinista social e assassina nas horas vagas.

Eu gostaria de ter Draco aqui agora, eu amo seu abraço, eu amo a maneira mágica que seu beijo me faz esquecer todos os problemas.

Gotas de chuva tocam meu cabelo, o céu está cinzento, o brilho do sol quase não se vê, uma chuva está prestes a cair, eu penso em um punhado de feitiços que me manteriam seca nesse temporal, mas eles parecem sem importância.

Eu seguro o pingente no meu pescoço preso na corrente e suspiro, ele diz que sou uma guerreira, é como Letícia me vê, é o que eu sou, mas às vezes eu só quero ser uma menina.

Um carro preto está parado na frente dos portões do castelo, não o conheço, mas ele me chama atenção, nós não recebemos muitas visitas.

As gotas começam a cair com mais força, eu apresso meus passos e logo vou atravessar o portão, mas o vidro da janela do passageiro do carro se abaixa, eu estou surpresa ao ver Isabel Zabini. É claro! Ela vai jantar com Blásio hoje.

—Mãe! – eu abri um sorriso

—O que você está fazendo na chuva? – ela semicerra os olhos me analisando com um olhar, seus olhos são castanho chocolate, tão absolutamente eficazes em observação como Blásio – Entre.

A mulher abriu a porta e eu entrei antes que a chuva caísse completamente.

Uma mãe comum perguntaria por que não me protegi da chuva com um feitiço, mas Isabel Zabini não, ela já sabe.

Ela emagreceu, provavelmente por causa do tempo no hospital, eu lembro como se fosse ontem meu primeiro dia na Ilha, Blásio me contara sobre a invasão em nossa casa.

Mamãe tem cerca de 1, 75 de altura, corpo avantajado. Pele marrom escura, considerada negra, olhos castanhos chocolates, debaixo de lentes de óculos que favorecem seu rosto redondo, lábios muito carnudos e cabelos negros, cheios de cachos afros altos que caem sobre seus ombros até quase sua cintura.

—Desculpe não ter estado aqui para o almoço, não daria tempo de voltar para a cidade.

—Tudo bem, eu acabo de chegar, a cirurgia durou mais do que o imaginado.

—Ah que bom – eu sorri

—Os assuntos do coração não devem interferir em sua alimentação, Hermione. Quantos quilos você perdeu? Três?

—Eu não sabia que tinha emagrecido...

—Pois emagreceu, achou que eu não notaria?

—Eu estou bem. Foi você que foi atacada por um desconhecido.

—Não seja exagerada, Blásio me deixou a par sobre Crudelis. Ele me contou sobre suas experiências com DNA, está pensando em ser médica?

—Talvez... – eu estou desorientada com a forma que passamos de assunto.

—Minha criança... – a mulher sussurra gentilmente tocando meu rosto molhado com as gotas de chuva – Você está sofrendo, mas não deixe isso visível, seus inimigos usarão isso contra você. O que se passa em seu coração?

—Têm acontecido muitas coisas de uma vez, — eu suspirei – as pessoas acham que sou capaz de matar, elas pensam tanta coisa sobre mim que é mentira.

—Eu não forcei você a seguir o pedido de Tiago, você era muito pequena, mas ti instruí e você tinha consciência que seguisse esse caminho, às vezes teria que mentir, fazer coisas das quais não se orgulha e engolir o que as pessoas pensariam sobre você.

—Eu sei...

Eu recordo do rosto de Emmett Howard, o repórter, que eu matei no quarto ano para proteger meu segredo e suspiro pesadamente.

—Então por que lamenta? – ela me interrompe com segurança na voz – Você escolheu esse caminho e precisa trilhá-lo até o fim.

—Eu quero ter minha própria vida! Eu já fiz o que o Tiago pediu, já cumpri minha missão. Por que não posso esquecer isso e seguir com minha vida?

—Claro que pode, mas não espere que magicamente todas as escolhas que você fez até agora sumam. Você ainda pode fazer uma vida nova, mas não espere que a antiga desapareça e não ouse a usar como desculpa para continuar parada se lamentando.

Não há o que lamentar, ela tem razão.

O chofer estaciona o carro, ele abre a porta traseira e nós saímos juntas.

Isabel entrelaça seu braço ao meu e nós corremos pelo portão principal, nós nos molhamos pouco, a chuva ainda não chegou ao ápice.

—Me leve até o seu irmão.

—Tudo bem.

A guiei pelos corredores em direção ao laboratório, algumas pessoas passaram olhando por nós, mas não me importei com nenhuma delas, até ver Draco andando distante para o salão principal, onde o jantar está prestes a ser servido.

Seu olhar pousa em nossos braços entrelaçados, ele acena com a cabeça, eu respondo com um sorriso automático que dou toda vez que nos olhamos, ele sorri e pisca em resposta, eu coro, eu sei que ela percebeu.

—Então quer dizer que se apaixonou e não me contou? Eu suspeitei.

—É mesmo?

—Pensei que era sobre Rony Weasley.

Isabel conhece Draco, ela é médica cirurgiã da família Malfoy.

—Não, — eu coro novamente – nós terminamos.

—E quando Draco e você se aproximaram? Você o odiava.

—Desde que acordamos na cena do primeiro crime, as coisas foram acontecendo devagar e quando vi já estava gostando dele. – enquanto falo um filme roda na minha cabeça e eu me sinto estranha, é muita coisa para tão pouco tempo — Ele é parte da minha vida antiga, mas gostaria que ele fizesse parte da nova.

Nós começamos a descer uma escada para área de laboratórios.

—E o que atrapalha?

—Crudelis e a doença da mãe dele.

Rapidamente eu resumi a história.

—Então ele também gosta de você?

—Sim – eu sorri.

—Criança... – ela diz carinhosamente – Se for amor vocês precisam lutar, há sempre uma saída.

—Como eu sei que estou amando?

—Você saberá quando chegar a hora.

Ouço um baque e coisas quebrando no chão, solto uma risadinha baixa, Blásio está furioso com alguma coisa e resolveu quebrar tudo.

Eu abro a porta e lá está meu irmão, os olhos focados em uma lousa de cálculos matemáticos, com os braços cruzados, de pé e uma perna apoiada em uma cadeira, ao redor dele meia dúzia de livros no chão abertos em páginas diferentes, além de inúmeros outros objetos espalhados sem nenhum zelo.

—Não respirem forte, vão atrapalhar meu raciocínio – ele balbucia.

Pego um pincel em cima da mesa e jogo propositalmente na lousa, ele me olha furioso, mas seu olhar mortal diminuiu ao ver nossa mãe do meu lado.

—Já é noite?

—Sim.

Ele revirou os olhos

—Por que ninguém me avisa? – ele berra enquanto anda com cuidado no meio dos livros até a lousa, arrumando na altura correta.

Blásio Zabini sendo Blásio Zabini. Garoto obcecado. Garoto idiota.

—Ninguém é obrigado a aguentar seu mau humor, — eu respondo – você fica trancado aqui por horas, Gina precisa vir aqui para trazer sua refeição às vezes.

Não estou brincando, às vezes isso se torna necessário. Blásio só tem saído daqui para fazer pesquisas de campo sobre o caso ou o velório de Dafne Greengrass, que eu também suspeito que ele tenha ido apenas para olhar se alguém parecia suspeito.

Foi verdadeiramente um milagre vê-lo tocando piano.

—Ela é prestativa, — ele responde — devia aprender isso com ela.

—Está me chamando de inútil?

—Eu ainda estou aqui. Esqueceram-se disso? — mamãe diz autoritária – Respeitem-se pelo menos na minha presença.

—Desculpe – nós respondemos em uníssono. Não importa que idade você tenha, mãe é mãe.

—O que você está fazendo?

Ela se aproxima devagar, andando com cuidado pelos espaços de livros no chão.

—Eu estou usando formulas avançadas de aritmancia para descobrir os ingredientes do ritual.

—Hum...

—Hum o quê?

A mulher parou em frente ao quadro, massageou o queixo e tomou uma postura pensativa.

—A quanto tempo vem tentando isso?

—Quase duas semanas.

—Eu sou apenas uma médica, mas tenho uma sugestão, — ela virou-se para o filho – eu acho que você está encarando o problema da forma errada. Sem dúvida o assassino tem uma mente brilhante, ele desvendou os ingredientes certos para o ritual, mas você também tem uma mente brilhante, talvez ao invés de tentar descobrir os ingredientes que ele está usando, por que você não pensa que ingredientes você usaria?

—Eu acho uma ótima ideia – eu concordo.

—É, você pode ter razão.

—É claro que eu tenho razão. Agora vá, você tem um jantar, não deixe sua namorada esperando.

—Tudo bem – o garoto respondeu baixinho e deu meia volta

—Ele pensa que eu sou idiota? – ela pergunta quando Blásio sai e fecha a porta – Qualquer um saberia que ele não tem namorada.

—Se não acredita, por que está aqui? – eu pergunto baixo, temendo que sobre pra mim o fato de eu saber que ele está mentindo e não ter contado nada para ela.

—Simples, criança. – ela sorriu – Na primeira carta que ele escreveu eu tinha certeza que não passava de abobrinha, eu respondi dizendo que queria conhece-la, para dar uma chance de ele me contar a verdade, então uma coisa aconteceu.

—O que?

—Ele me escreveu novamente, Blásio descreveu Ginerva Weasley em três linhas. Três linhas! Blásio jamais descreveu alguém com mais do que três palavras e nunca sem deixar de usar a palavre entediante, ele gosta dela.

—O que? – eu estou tentando acompanhar sua linha de raciocino – E você deduziu isso com uma carta? Mãe, isso não é um pouco apressado?

—Confie em mim, Hermione. Blásio gosta dessa menina.

Peixes já podem voar, meu irmãozinho tem sentimentos.

—Agora com licença, eu também tenho que me arrumar para o jantar.

Visão de Astoria Greengrass

O jantar está sendo servido no salão principal, Pansy deve estar esperando por mim a mesa, eu não a vi durante o dia todo, pois tive uma manhã ocupada com alguns afazeres pré-festa e meu luto.

Não estou com pressa, apesar de Pansy estar me esperando, sei que Draco também estará lá, portanto não estou ansiosa pelo momento perturbador de estar em sua presença depois de nossa discussão no velório, com certeza não posso contar com a presença de Blásio, ele deve estar socado no laboratório.

Há um punhado de raiva dentro de mim e principalmente decepção, eu estou triste com ele e não quero vê-lo, ainda assim meus sentimentos românticos por ele ainda estão aqui, mesmo que sufocados pelos novos que conheci ontem ao beijar Rony Weasley.

Eu mal consigo parar de pensar nele, em minha cabeça só existem três assuntos, convivendo enlaçados nos outros, estes são: Dafne, Draco e Rony.

Como eu já esperava, Pansy e Draco estão sentados juntos, eu me sento ao lado dela, não dirijo o olhar a Draco para tentar evitar um clima pesado, Pansy serve como nosso muro de divisória.

—Olá Pansy – eu dei um meio sorriso

A morena forçou um sorriso de resposta e com um canto do olho vejo Draco bebendo em uma taça.

Eu começo a por comida no meu prato, com cuidado para evitar o contato visual.

O silêncio é mortal, por minutos tudo que eu posso ouvir sãos os talhares batendo no prato e a conversa alheia que parece distante, sei que Draco está me olhando, mas me obrigo a virar o rosto para o lado oposto.

—Isso é ridículo! — Pansy bateu com as palmas das mãos na mesa e algumas pessoas da mesa da Sonserina olharam – Vocês vão mesmo deixar de se falar? Não sei se lembram, mas a festa de noivado de vocês é em dois dias.

—Pansy! – Draco a olhou de forma repreendedora – Não chame a atenção.

—Eu ainda nem comecei a chamar atenção, — ela pegou seu prato de comida quase intocado e se levantou – eu vou comer no meu quarto, tratem de conversar, hoje não estou a fim de resolver picuinha de vocês.

Picuinha? Como ela pode dizer isso? Ele quase matou minha irmã.

A morena sai com o prato na mão, ela nem se quer olha pra trás.

Draco e eu trocamos um olhar, mas eu corto nosso contato quando desvio minha atenção para uma taça com suco de abóbora no meu copo.

Meu corpo treme ao sentir a aproximação de Draco, ele sentou-se no mesmo lugar que Pansy estava há alguns segundos atrás.

—Nós precisamos conversar.

—Se quer saber se ainda vou casar com você, a resposta é sim.

—Por quê? – ele pergunta surpreso

—Não é isso que você quer ouvir? – eu o olho nos olhos cinzentos por alguns segundos, antes de desistir e voltar a encarar minha comida.

—Nós precisamos conversar. Você pode falar comigo só um pouquinho? – ele pediu em um tom mais gentil.

Eu estou pensando se devo dizer “sim”, quando um homem de olhos verdes se aproxima.

—O castelo está recebendo um envio para Srta. Greengrass e Sr. Malfoy, eu peço que me acompanhem até a entrada do castelo.

—Não podem trazer para o salão como os outros pacotes? – Draco pergunta

—Não, senhor.

Draco e eu seguimos o rapaz para a porta principal do castelo, eu posso ver o estacionamento, está chovendo forte, eu não havia percebido antes.

Um caminhão espera por nós, ele estaciona o veículo em uma parte coberta do hall e o homem de olhos verdes – que eu agora percebo estar fardado como um entregador de encomendas – abre à traseira, revelando um caixote de madeira de dois metros.

—Abra, por favor – eu peço.

O homem abre a caixa usando magia e nos revela duas estatuas, juntas sobre um mesmo apoio, são esculpidas em pedra e pintadas a mão, Draco e eu, juntos, de mãos dadas, vestidos de noivos.

Eu me lembro de ter visto estátuas semelhantes a essa no jardim pessoal da mansão Malfoy, onde cada geração de casais da família tinha uma estátua diferente.

O homem entrega uma carta para Draco, não preciso olhá-la para saber que se trata de um presente de Narcisa Malfoy.

—Sua mãe deve achar que serei uma esposa dedicada.

Um flash de um futuro próximo me permite que eu me imagine na mansão Malfoy, completamente infeliz bordando um estofado, entediada, sem sonhos, sem o amor de Draco e pior ainda, sem o balé.

Draco não se mudaria para a Londres trouxa apenas para que eu possa estudar balé.

Dou as costas para o presente e começo a andar devagar para direção contrária, eu sinto que lágrimas rolarão, mas eu me esforço ao máximo para que elas não caiam agora, não quero que Draco me veja chorando.

—Não foi ela que mandou. – Draco se aproxima rapidamente

—O que? – eu paro de andar e ele me entrega a carta.

“Uma homenagem ao casal de futuro mais infeliz que a família Malfoy terá. Sofra Draco, sua dor me faz satisfeito” Crudelis.

—Asty... – Draco começa a falar

—Não. – Eu suplico levantando uma palma, em sinal para que ele se cale – Por favor, não diga nada.

—Você precisa saber que eu sinto muito, — ele soltou um longo suspiro e procurou pelas palavras exatas antes de continuar — você é muito importante para mim.

—Eu não quero conversar agora, — eu desviei o olhar — por favor, me dê um tempo.

—Tudo bem – ele concordou com a cabeça, tristemente.

Eu engulo as lágrimas, não irei chorar.

Não sei para onde eu estou indo, mas sei que cheguei ao lugar certo quando eu abro a porta e estou na sala de espelhos, uma música do Beethoven está tocando, é relaxante, a primeira pessoa que imagino estar esperando por mim é Dafne, então lembro que ela está morta e nunca a verei novamente.

É evidente, não é ela.

Em vez disso, para minha surpresa Rony Weasley está jogado em um pufe no canto da sala.

—Você chegou!

—Você estava esperando por mim? – eu corei ao sentir as lembranças trazerem seu toque forte no meu corpo quando nos beijámos.

Eu estou envergonhada, não sei o que fazer, é a primeira vez que nos falamos desde o beijo.

Merlin, que beijo!

—Sim, eu... Eu... – ele perdeu as palavras, ficou confuso e também corou, eu ri baixinho – Eu... Bom, eu só queria ver você.

Rony levanta-se do pufe, com os olhos azuis focados em mim, eu cruzo os braços e baixo o olhar para outros lugares, procurando um meio de fugir do pânico.

—Le-legal – eu tremi.

—Desculpe, eu não sou bom com palavras.

—Eu também não, nem com atitudes, eu sou muito tímida.

Eu encaro seu peito, incapaz de olhá-lo nos olhos.

—Tímida? E como espera dançar no teste de sexta?

—Ainda estou pensando nisso.

—Acho que você precisa aprender a tomar atitudes.

—É verdade – eu ri nervosamente.

—Talvez eu possa ajudar você nisso, — ele sussurrou a última parte e me segurou com as duas mãos na minha cintura trazendo-me para perto dele, eu estou assustada, levanto os olhos e ele está me encarando com... Desejo – você só tem que fazer, o que realmente quer fazer, sem se importar com consequências. Eu acho que isso é ter atitude, não sei explicar bem, como eu disse, sou ruim com palavras.

Eu concordo com a cabeça e mordo o lábio inferior.

Rony pressiona seus lábios nos meus em um beijo casto.

—Eu posso continuar? – ele pergunta deslizando um dedo em minha bochecha, enquanto seus olhos azuis observam minha reação.

Sem palavras e sabendo o que isso poderia significar, eu assenti com a cabeça e dessa vez eu o beijei.

Visão de Blásio Zabini

Ginerva está atrasada, ela sempre foi pontual, por que resolveu atrasar justo hoje?

Mamãe está a nossa espera, no carro, na frente do castelo, espero que ela não fique zangada com o atraso, isso não pode acontecer, ela precisa gostar de Ginerva ou isso tudo terá sido em vão.

Cinco... Sete... Dez minutos de atraso.

—Desculpe o atraso.

Ouço sua voz nas minhas costas.

Viro-me com as palavras na ponta da língua, pronto para chamar sua atenção, mas quando a vejo as palavras fogem.

A ruiva veste um vestido vinho, com um decote recatado, cintura marcada e saia rodada, altura curta, exibindo suas pernas torneadas pelo Quadribol, mas não o bastante para se tornar vulgar, os saltos prateados em seus pés a fazem ter quase a minha altura.

Deslumbrante, Ginerva.

É perceptível que ela se arrumou em cada detalhe pensando em ser mais atraente, seus lábios estão pintados de vermelho, usa um anel prata no dedo e os cabelos pela primeira vez estão cacheados nas pontas, até seu perfume transpira sensualidade.

—Pansy e eu fomos fazer uma coisa, juntas, — ela continuou se explicando — eu perdi a noção da hora.

—Ela está no carro. – eu me referi a minha mãe.

—Aonde vamos?

Nós começamos a andar lado a lado

—Não sei.

Ela arfou, está nervosa.

—Por um momento eu achei que você me elogiaria...

—Isso é importante? – eu soo despreocupado

—Você realmente não está preocupado? Você não é humano.

Preocupado? Talvez uma centelha de preocupação bem lá no fundo da escuridão da minha consciência, mas nada que não possa ser mascarado. Isabel Zabini é excelente em detectar mentirosos, não posso deixar que ela fareje as mentiras que contaremos esta noite.

—Não, eu não estou preocupado. Você também não deveria estar nervosa.

—E por que não? – ela juntou suas mãos na frente do corpo – Eu nunca precisei passar por isso com Harry, ele é órfão.

—Serão duas horas no máximo, nervosismo é desnecessário.

—Todo mundo sabe que conhecer a mãe do namorado é muito importante.

—Mas nós não estamos namorando! – eu respondi rapidamente, de forma firme, como se sua frase houvesse me ofendido e de fato, me ofendeu um pouco.

Eu não namoro com ninguém, eu não gosto de ninguém. O amor torna as pessoas fracas, atrapalha o raciocínio lógico, leva jovens mentes brilhantes a fazer coisas imbecis que em casos extremos pode significar a morte, não posso deixar que isso aconteça comigo, nunca.

Ginerva se encolheu assustada com minha reação repentina, nós paramos de andar e ficamos parados alguns metros perto da porta de saída do castelo.

—Ela pensa que sim.

—Não é necessário nervosismo, por que ela vai amar você – eu digo naturalmente.

—Como tem certeza?

—Quando você ofereceu a proposta, o único motivo para ter aceitado, é que você é perfeitamente a nora que toda mãe deseja, portanto minha mãe seria louca se não gostasse de você.

A ruiva sorriu, encarando meu comentário como um elogio.

—Obrigado, — ele soltou um risinho – eu só pedi para você por que você é o único que não se apaixonaria por mim.

—Você estava certa, — eu concordei – eu não me apaixonaria por ninguém, Ginerva.

—Me chame de Gina essa noite, nós precisamos parecer íntimos.

Ginerva, ou melhor, Gina, segura minha mão e eu a aperto, ela tem razão, a encenação precisa ser perfeita.

—Você está bonita – eu a elogio tentando parecer o mais cordial possível

—Obrigado, — ela corou – sua atuação está melhorando.

—Eu darei o meu melhor esta noite.

—Eu farei o mesmo.

Gina alargou seu sorriso, se aproximou e beijou meus lábios com intensidade por poucos segundos, antes de se afastar, ela respirou fundo, puxando uma dose de coragem dentro de si e me puxou para a porta.

O beijo de Gina é o toque mais tentador que já experimentei, ele desperta em mim tanto desejo de continuar que quase sou capaz de pedir para que ela não pare, mas nunca pedirei isso, afinal, os beijos são a porta de entrada para as dores do amor.

Visão de Hermione Granger

A prova mais importante da minha vida já passou, então agora eu posso começar a me preocupar em não passar vergonha no show de talentos.

—Você compôs essa música?

—Ah... Sim... – eu estou insegura sobre a resposta, sim, eu fiz essa música, mas o meu lado artístico não é uma coisa que eu costumo compartilhar, eu sou a garota inteligente, não a cantora – Não está muito bom, mas acho que podemos melhorar até sábado se vocês estiverem com tempo livre.

O trio de musicistas se entreolha, todos grifnórios, do mesmo ano que eu, mesmo que não passamos tempo juntos, eu sei que eles me conhecem como a sabe-tudo-Granger e meu ingresso no show como cantora é inédito.

Dois meninos e uma menina que serão a banda particular de todos os cantores do show, eles estão recebendo atrasada a música que vou apresentar, eu me foquei tanto em estudar que não percebi que preciso fazer o mesmo esforço para ensaiar.

—É boa — um deles diz

—É muito boa, — a garota a corrige – e você sabe cantar?

—Dizem que sou boa nisso – eu corei um pouco.

Nós estamos sentados em um banco do corredor, algumas pessoas vêm e vão sem se importar conosco.

—Nós vamos ensaiar com um garoto da Sonserina agora, você está livre amanhã pela manhã? – o rapaz loiro pergunta, ele parece ser o líder – Se você não for estudar, claro, você está sempre na biblioteca.

—Não, não... – eu sorri – Que tal às 8h?

Eu esfrego meus olhos para afastar o sono.

—Perfeito – ele responde prontamente.

—Eu não estou acreditando nisso, — a garota diz, uma menina gordinha de cabelos escuros e um pircing no nariz, ela é muito falante – você não é Hermione Granger?

—Sim.

—Eu não sabia que você podia ser boa em outra coisa a não ser fazer poções e feitiços.

Eu sinto minhas bochechas esquentarem, eu estou muito envergonhada.

—Agatha! – o loiro a repreendeu

—Eu não estou dizendo nada demais.

—Não, tudo bem.

—Desculpe por ela, Agatha fala demais.

A menina gordinha cruzou os braços, indignada.

—Espero que você saiba que ela não vai ser a única que vai reagir assim – o garoto que ficou calado até agora resolveu dizer alguma coisa.

—Eu sei disso, obrigado. Até amanhã.

Eu sorri, levantei puxando minha bolsa e acenei timidamente antes de ir embora.

Quando estou afastada, solto um suspiro de alívio.

O menino quieto tem razão, eu preciso me preparar psicologicamente para o show, ninguém espera que a sabe-tudo saiba cantar e de certa forma sou popular, provavelmente serei a apresentação mais comentada da noite.

Sinto um reboliço no estômago, o nervosismo me toma ao imaginar a cena, eu com um microfone, sozinha, encarando uma multidão de pessoas que estão esperando para que eu falhe.

A única vez que cantei para um público foi no aniversário de quarenta anos do meu pai Henrique Granger. Mamãe e eu preparamos uma festa para ele em nossa casa, nada extravagante, no máximo cem convidados, alguns bruxos, a maioria trouxas, Isabel e Blásio estavam lá, eu fiquei muito nervosa, vomitei minutos antes de subir no palco, para me dar apoio, mamãe – Regina Granger – cantou metade da canção comigo, não foi exatamente um sucesso, mas eu não passei tanta vergonha quanto imaginei que passaria.

—Hermione?

Eu parei em frente à entrada da Grifnória.

—Viktor – eu o saldei, quando o vejo surgindo da escuridão.

Meu coração falha uma batida ao perceber por que ele está aqui, de alguma forma nós temos um relacionamento.

—Como foi à prova? – ele sorriu simpaticamente

—Foi bem, — arrumei a bolsa nas costas e forcei um sorriso – eu acho que vou ter muitas universidades para escolher.

—Você está bem? – ele se aproximou e segurou minha mão, seus olhos castanhos denunciam sua preocupação.

—Estou, — soltei uma risadinha nervosa, completamente falsa – é que eu estou cansada, está um tempo chuvoso e isso só me dá mais sono.

Não é totalmente mentira, eu estou exausta, meus olhos estão quase fechados e meu corpo se move devagar.

—Eu entendo, eu ia chamar você pra ficar comigo, mas acho que você prefere dormir um pouco.

—Sim, — eu sorri – desculpe.

—Tudo bem.

O rapaz inclinou-se e beijou rapidamente meus lábios, pegando-me de surpresa.

Viktor é um bom rapaz, ele realmente parece estar gostando de mim, um dia eu também gostei dele da mesma forma, mas hoje a única pessoa que se encaixa em meu coração é Draco Malfoy.

O moreno vai embora, eu o vejo pelas costas, andando com as mãos no bolso, ele é bonito, atrai facilmente os olhares da população feminina de Hogwarts por seu corpo grande e musculoso, olhos castanhos gentios e a postura de um cavalheiro, além da profissão de fama e a inteligência. Como não querê-lo bem?

Eu toco na madeira da porta e penso no que estou fazendo, eu preciso conversar com Viktor, ele merece ouvir de mim a verdade.

Viro-me para o rapaz, mas ele já está muito distante, subindo a escada, é melhor falar com ele amanhã.

Abro a porta e entro na sala comunal da Grifnória, ela está cheia de alunos, a chuva atrapalhou os planos de muitas pessoas.

Passo por uma mesa de meninos do quinto ano e ouço-os comentando sobre a morte de Lilá Brown, ela não era tão querida e popular como Cho Chang, que ganhou um cortejo no castelo, mas sua morte é um alerta, qualquer um pode ser a próxima vítima, eu gostaria de poder protegê-los disso, no entanto não faço ideia de como Crudelis escolhe suas vítimas além do mês de seu aniversário.

Gina está com Blásio e mamãe, então eu estou sozinha, entro no meu quarto, tomo um banho quente, ponho uma camisola para dormir e me deito na cama pronta para me entregar ao sono.

Mal deito minha cabeça no travesseiro e ouço um som estranho na janela, parece sólido demais para ser apenas a chuva batendo no vidro, então mil coisas se passam em minha cabeça, que vão de um galho de árvore a o próprio Crudelis vindo rasgar minha garganta e arrancar meus olhos como fez com Lilá Brown e as outras vítimas.

Em um único movimento abro a cortina e vejo Draco Malfoy montado em sua vassoura, completamente ensopado pela chuva, eu sorrio e abro o vidro, ele entra para o quarto e eu fecho a janela rapidamente para que não molhe dentro.

—O que está fazendo aqui? – eu esfreguei os olhos e depois cruzei os braços na altura do meu peito, eu não estou usando sutiã, estamos à meia luz e não quero que ele veja o bico dos meus seios, não desta forma.

O rapaz retira sua jaqueta molhada antes de responder

—Eu vim ver você.

Visão de Gina Weasley

O restaurante que a Sra. Zabini escolheu para a noite é de puro requinte, ele é escuro

e avermelhado, uma música suave toca de fundo, os garçons usam gravata e ouço apenas cochichos de outras mesas regados ao estalar de taças sendo brindadas.

Por ser de família humilde jamais estive em um lugar como este, por outro lado sinto que Blásio está totalmente à vontade, ele sempre se portou como um verdadeiro cavalheiro inglês e vê-lo neste ambiente se torna ainda mais expressivo, sua mãe não é diferente, ela é uma dama, o que mais faz pensar duas vezes antes de pegar o garfo com a mão errada.

—Então Srta. Weasley, eu soube que é uma atleta disciplinada, quando começou com o esporte? – Sra. Zabini pergunta em um tom cordial, seus olhos me examinam cuidadosamente, desde que chegamos ao restaurante é primeira vez que o assunto se dirige a mim, até agora ele não passava de comentários sobre o tempo chuvoso e a ilha.

—Aos cinco anos com meus irmãos mais velhos – eu sorri e me esforcei para suavizar minhas expressões

—E nunca pensou em fazer outra coisa? – a mulher negra bebericou o vinho em sua taça

Eu engulo em seco. Estou falando com uma médica cirurgiã. Será que ser atleta não é suficiente para ela?

—Não, o esporte é minha paixão. – eu forço uma voz confiante — Eu fiz aula de corte e costura, eu amo design de moda, mas não era o que realmente quero fazer.

—Interessante... – ela bebericou uma taça de vinho, mas não consigo identificar sentimentos em seu olhar – Li seu nome nos jornais, você é a primeira batedora mulher a ser contratada, como conseguiu a oportunidade de ser contratada?

Blásio me olhou estranhamente, notando meu nervosismo, eu estou amaçando um pedaço de guardanapo no meu colo.

—Um olheiro me viu jogar pela Grifnória na copa de Quadribol há dois anos, — eu começo a falar, dividindo minha atenção entre Sra. Zabini e a sobremesa estranha no meu prato, que não sei como cortar para poder leva-la a boca – ele me indicou junto com alguns colegas para fazer um teste, ele foi meu treinador, Josh Lutz.

—Josh Lutz? O descobridor de talentos? – ela pergunta interessada e eu assinto com a cabeça, eu sorrio – Ele é um homem caro.

—Eu recebi uma bolsa do ministério de auxílio a atletas.

Eu me arrependo das palavras assim que elas saem da minha boca, essas bolsas são conhecidas por serem de gente pobre, em algum momento precisarei devolver ao ministério o dinheiro que ele investiu em mim e é um programa problemático, pois a maioria dos atletas inscritos da bolsa não alcança o sucesso e acabam por ficar devendo.

Blásio olha-me de esguelha, então começa a cortar devagar sua sobremesa, como se estivesse me ensinando a fazer corretamente, eu o imito e consigo quase não esmagar todo o doce pelo prato.

—Gina é muito esforçada, o Quadribol ganhou uma grande atleta – é tudo o que Blásio diz, mas é o bastante para me fazer sorrir.

—Não tenho dúvida, filho. – Sra. Zabini abriu um sorriso para o filho.

Solto os talhares no prato e suspiro, então não estou indo tão mal.

—Eu fui aceito em três universidades até o momento, — Blásio começa a falar – meu resultado foi o melhor para o curso de ciência forense.

—Excelente, Blás. – a mulher soa orgulhosa do filho voltando a tomar vinho da taça com tamanha graciosidade que tento imitá-la quando pego a minha – No trabalho tentaram me transferir novamente para o Japão, eu recusei, é claro, estou cansada de Tóquio e é ainda pior esta época do ano.

Surpreendentemente Blásio respondeu a sua mãe em japonês, ela sorriu e o respondeu na mesma língua, eles tem uma conversa rápida e aparentemente engraçada, pois ambos começam a rir.

Eu cruzo as pernas desconfortavelmente enquanto assisto a cena, é a primeira vez que ouço a risada de Blásio, ela é forte, bonita, assim como sua voz grave, seu rosto antes bonito quando sério, se torna lindo quando está suavizado por um sorriso, ele é um homem atraente, porém me faz sentir mal, por que ela não esta sorrindo para mim, ele nunca sorriria de verdade para mim.

Sinto-me excluída. Eles são tão inteligentes e finos!

—Fala outro idioma, querida? – Sra. Zabini pergunta com um tom doce.

—Não... Só inglês...

—Que pena! Você deveria tentar...

Ela foi interrompida pela chegada do garçom, ele tenta, sem perguntar, tirar meu prato, mas eu ainda não terminei.

—O que está fazendo? – eu falo um pouco alto e diminuo o volume da voz quando vejo olhares caírem sobre mim – Eu ainda não terminei, senhor.

—Mas os talheres... – o garçom parece confuso.

—É que ela não conhece etiqueta, — Blásio explica retirando o prato da mão do garçom e pondo de volta no lugar – eu a instruirei, não acontecerá novamente.

O garçom assente com a cabeça e se retira.

Eu não sei o que dizer, não sei o que está acontecendo, estou confusa, então opto por ficar calada.

—Ah não se preocupe, é uma bobagem – Sra. Zabini está sorrindo divertida com a situação, não é de uma maneira malvada, mesmo assim estou constrangida.

—Este é um restaurante de alta classe, — Blásio começa a explicar – se você deixar seus talhares de qualquer jeito o garçom entenderá que você já acabou, se você ainda vai continuar precisa deixar os talhares formando um x no seu prato, ele vai entender.

—Obrigado – eu respondo enquanto ponho o garfo e a faca em um x, estou muito corada.

—Você vai se acostumar – Sra. Zabini me encorajou.

—Obrigado...

Eu movimento meu braço para pegar a taça do jeito certo, mas acabo esbarrando nela e derramo o líquido avermelhado na mesa, Sra. Zabini tenta se afastar, mas não consegue fazer a tempo do líquido escorrer pela toalha da mesa e manchar seu vestido branco.

—Oh Merlin! Desculpe-me! – eu ponho as mãos na boca.

—Meu vestido... – a mulher toca o tecido com tristeza nos olhos escuros

—Não foi minha intenção. Desculpe! Deixe eu lhe ajudar.

Levanto-me bruscamente de meu acento e sinto minha cabeça bater em algo sólido, suprimo um gemido e logo ouço algo se quebrar, eu olho para trás e vejo que acertei minha cabeça em uma bandeja e causei uma bagunça, taças e pratinhos de porcelana quebraram em vários pedacinhos no chão.

Imediatamente todas as atenções do restaurante estão em mim, cochicham e até riem do acontecido.

Eu nunca me senti tão envergonhada na vida.

—Reparo – Blásio agiu rapidamente e concertou todos os objetos com magia.

Baixo a cabeça e saio a passos largos para longe sussurrando “desculpas”, não sei para onde estou indo, mas antes que eu possa me dar conta de que direção eu estou tomando, cheguei ao banheiro feminino.

Olho meu reflexo no espelho e arfo, eu estou bonita, pareço com eles, mas não sou um deles. Sinto-me ainda mais idiota por ter saído correndo, isso pode até ter piorado as coisas, todos no restaurante devem estar se perguntando quem é o patinho feio que causou toda aquela confusão.

O vestido, assim com a louça pode ser concertado com magia, mas meu orgulho não, ele está partido em milhões de pedacinhos.

O que eu estava pensando quando sugeri esse namoro falso? Idaí que sou uma atleta promissora. Não sou uma Zabini! Não são uma garota classuda, extremamente inteligente e elegante, nenhuma roupa que eu uso pode mudar isso, não estou à altura dos dois daquela mesa, mesmo que eles sejam bonzinhos comigo, isso é uma grande enganação, eu nasci em uma família pobre e não sei como fingir que pertenço ao mundo deles.

O que eu estou fazendo? Por que eu estou aqui? Eu nem amo o Blásio! Por que estou me sujeitando a essa humilhação?

Escondo meu rosto com minhas mãos e respiro profundamente algumas vezes.

De olhos fechados tudo que eu penso é que eu gostaria de sumir. Desaparecer!

Um profundo sentimento surge em meu peito, saudades de Harry.

Ele era ciumento e foi um idiota, nós brigamos algumas vezes sim, mas é o bastante para eu dar as costas para a nossa história para sempre? Harry sabe que errou e admite, por que eu não posso simplesmente lhe dar mais uma chance?

Afinal, eu ainda o amo.

Visão de Pansy Parkinson

Eles dependem de mim? Pois estão ferrados. Não consigo imaginar em algo que eu poderia ser útil, mesmo com as palavras da vidente lunática ainda sou uma coisinha pequena em tudo isso.

Segundo ela, a chave me levará até o navio pirata e poderei abrir o cofre, mas como fazer isso funcionar? É só uma chave boba com o nome do capitão escrito, nada instrutivo.

Gina e eu procuramos por pistas aonde encontrei a chave e os ossos do capitão pirata, a busca foi perda de tempo, não há nada lá a não ser muita terra e barro, Crudelis deve ter levado o que procuramos junto com os ossos ou simplesmente as tais instruções não existem e Merlin está brincando comigo.

De qualquer forma, não sei o que fazer.

A tempestade cai do lado de fora e eu a observo pela janela da ala hospitalar.

O gosto da poção de tratamento contra a wanina do meu organismo é exacerbadamente doce e por mais que eu ame sorvetes e bolos de chocolate, é uma poção muito enjoativa, principalmente para se beber todos os dias, mas é a única maneira que eu tenho de me livrar dos efeitos da substancia, como a piora da minha asma.

—Está se sentindo bem, Srta. Parkinson? – a enfermeira de cabelos cinzentos pergunta gentilmente, de pé ao lado da minha maca.

—Sim... – eu não me esforcei para parecer convincente, eu estou mal e no fundo ela não se importa com isso, desviei a atenção da janela e a olhei – Estou muito melhor.

—Você está progredindo com o tratamento, não se preocupe, em breve estará totalmente saudável. Pode deitar por mais um tempo, eu sei que são ervas muito fortes.

—Eu estou bem, obrigado.

Inclinei a poção garganta abaixo e tomei algumas goladas, antes de quase vomitar e parar um pouco com a bebida, é melhor ir devagar, não adianta ter pressa ou vou vomitar e precisar tomar tudo novamente.

Observo a chuva e suspiro.

Como isso aconteceu? Como foi que eu entrei nesta loucura? Eu só estava no jardim quando fui nocauteada e raptada por Crudelis, veja aonde isso me trouxe. Draco vai me pagar por isso um dia.

—Eu sabia que encontraria você aqui...

Eu viro o rosto rapidamente, surpresa para a mulher de olhar frio e cabelos muito curtos.

—Sra. Warbeck...

Ergo-me na cama e sinto minha cabeça rodar com a movimentação brusca, deito-me novamente e fecho os olhos por alguns segundos, buscando fazer com que a sala pare de girar, a poção é um medicamento muito forte.

Eu abro os olhos e a vejo fechar a porta atrás de si com a chave, deixando-nos a sós.

—Cuidado, menina levada, ou irá passar dessa pior. – ela esboçou um sorriso em seu rosto, mas seu tom é sarcástico – Nós precisamos conversar.

Eu controlo minha respiração, tentando manter a calma, mas eu estou com medo, Celestina Warbeck é naturalmente intimidadora e é ainda pior depois da morte de Lilá Brown, eu lembro bem da conversa que as duas tiveram.

—Eu sei que você me ouviu.

—É claro, não sou surda. Mas sobre quando nós estamos falando? – eu uso meu habitual tom ousado.

—Não se faça de desentendida. – ela sentou-se na beira da maca e me olhou profundamente nos olhos – Você estava no corredor ontem e me ouviu conversando com a Srta. Brown.

Puta merda...

—Vocês se falavam? – eu continuei com meu jogo – Lamento pela morte dela.

—Não faça joguinhos comigo, Parkinson. Eu sei tudo que acontece no meu castelo.

—Que bom para você.

—Eu esperava não ter que precisar disso... – ela pegou alguns papeis dentro de sua bolsa azul, aliás, ela sempre está vestida com alguma coisa azul – Mas já que você quer bancar a difícil.

Ela joga os papéis no meu colo, eu ponho meu copo com a poção em cima da mesa e pego os papéis, são fotos, vejo Lilá Brown e ela conversando, eu estou escondida no canto da foto observando as duas.

Que merda!

—Que tipo de doida teria câmeras assim no corredor?

—Sou apenas uma mulher cautelosa. – ela pegou as fotos da minha mão e enfiou na sua bolsa – Eu estou aqui para silenciar você.

—Por que eu obedeceria você? – eu levantei uma sobrancelha – Vocês tiveram aquela conversa e agora Lilá Brown está morta. Por que eu não pensaria que você é a assassina?

—Você é livre para pensar, mas eu não sou Crudelis.

—Os jornais falam de um assassino, ninguém além dos meus amigos o conhece por esse nome.

—Como eu disse, — ela sorriu audaciosamente — eu sei tudo que se passa no meu castelo.

—Então você sabe quem ele é, e deixou tudo isso acontecer.

—Acha que sou tão perversa assim? – ela fez uma careta – Vocês tem uma mente fértil demais sobre mim. De algum jeito Crudelis conhece todos os lugares do castelo que eu mantenho câmeras, ele as inutiliza antes de cada crime, de algum jeito ele conseguiu cópias do meu sistema de vigilância. Ele também roubou o mapa das passagens subterrâneas do castelo, ele só ão as copiou por que o mapa era encantado.

—Se o mapa era encantado poderia ser rastreado... Então por que mandou o Draco descobrir quem roubou?

—Draco Malfoy é um canalhazinho, um comerciante, — ela diz com desprezo — tudo que ele faz ele quer algo em troca, eu sabia que se eu desse o que ele queria, ele ficaria com a boca fechada e daria um jeito de achar meu mapa. O que eu não sabia é que Crudelis, o ladrão, começaria a matar pessoas da minha ilha e colocaria a culpa nele e a Granger. Por um momento achei que fosse Draco o ladrão, mas logo vi que não era ele, as câmeras daquele ponto onde Draco e a Granger foram encontrados haviam sido queimadas, seria estranho o assassino ter se dado a este trabalho e ter continuado ali, não fazia sentido, Draco não era o homem que eu estava procurando. Então aquele Blásio Zabini entrou na minha sala e descobriu que eu quero o Candelabro da visão que está no cofre, isso me fez perder o único que poderia me ajudar, o Draco.

—Isso não responde por que simplesmente não rastreou o mapa.

—Você acha que Crudelis é algum amador? Ele banhou meu mapa em algum tipo de feitiço de bloqueio, um bem poderoso, ele não pode ser rastreado, Crudelis é engenhoso e muito esperto, ele tem todo mundo na palma da mão. Você acha que ele só se comunica com você e seu grupinho?

Eu sorri cinicamente

—Vai me dizer que ele também tem um segredinho seu?

—Eu posso solucionar este pequeno impasse.

—Você tem alguma pista sobre ele?

—Talvez, — ela deu um sorriso presunçoso e cruzou os braços – não se ofenda, mas eu não confio em ninguém.

—Eu também não confio em você, essa conversinha pode ser só uma artimanha para me fazer pensar que você não é ele.

—É, você pode ter razão ou você só está sendo idiota.

—Diz logo o que você quer, Warbeck.

—Não quero você e seus amiguinhos espalhando boatos sobre mim por aí.

É claro, ela não quer ser ligada como suspeita pelo assassinato de Lilá Brown.

A mulher negra levantou-se da maca, respirou fundo e descruzou os braços.

—Eu odeio tanto Crudelis quanto vocês e ele não vai me impedir de ter o que eu quero.

—Por que esse maldito Candelabro é tão importante para você? Para ele eu posso imaginar, mas pra você? O que você quer?

—Isso não é problema seu.

—Por que a Brown estava no seu pé?

—Você não precisa saber disso.

Nós nos encaramos por alguns segundos, eu desviei o olhar e comecei a processar tudo que ela havia me falado.

Celestina Warbeck andou até a porta e tocou na maçaneta.

—Espera! – eu a chamei – Você ainda tem a página do livro sobre o cofre do navio?

—Do livro que vocês roubaram quando Draco e a Granger quase morreram sufocados? – ela perguntou retoricamente com uma expressão ranzinza no rosto – Sim. O que têm?

—Ele cita alguma chave?

A mulher negra estreita os olhos escuros e se aproxima de mim.

—A chave de ouro?

—O que você sabe sobre ela?

—Não muita coisa, é muito vago, — ela cruzou os braços – é uma chave feita de magia negra, ela foi criada pelo capitão. O cofre é impenetrável, você poderia bombardear mil vezes, não importa, ele é selado com magia de sangue, nunca abriria, somente quem possui a chave pode abrir.

Eu concordei com a cabeça positivamente.

—Você a achou?

—Isso não é problema seu.

—Se eu fosse você tomaria muito cuidado, a chave é ainda mais especial por que ela é fiel ao seu dono.

—Como assim?

—Ela só funciona na mão do seu dono, o capitão morreu, então agora você é a dona. Quem quiser a chave precisa matar você.

—Isso quer dizer que agora você quer arrancar minha cabeça?

—Eu não sou violenta. Espere e verá que no momento certo você trabalhará ao meu lado. Fazer com que as pessoas façam o que não querem para o meu benefício, é a minha especialidade.

—Não se iluda, vaca. – eu respondo com a voz firme. Ninguém pode me dominar, nem mesmo ela.

—Não use esse palaveado comigo, fedelha. Esqueceu-se com quem está falando?

—Eu não esqueci, só não me importo. Eu não tinha medo da Dafne e não tenho medo de você.

—Dafne Greengrass era tão feroz quanto um leão de pelúcia. Eu não sou uma amadora.

Ouço barulhos estranhos no lado de fora do quarto, as pessoas estão agitadas, algo anormal deve estar acontecendo.

Ambas desviamos nosso olhar para a porta, quase no mesmo instante, alguém bate duas vezes apressadamente e entra sem permissão, uma enfermeira magrinha de aparência oriental, sua respiração ofegante alerta a urgência do comunicado.

—Sra. Warbeck, a diretora McGonagall pede sua presença.

—O que está acontecendo?

—Um fantasma está provocando tumulto pelo castelo.

—Um fantasma apenas? E por que isso seria motivo de tanta urgência?

—Senhora, ele está assustando os alunos. Ele é o capitão pirata, Killian Bartholomew.

Notas finais
Para o pessoal q está com o coração na mão sobre Gina/Blásio/Harry respira fundo aí!!! Q essa história ta longe de acabar haha
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.