Fracos
17 Capítulo 17: Homem e mulher
Notas iniciais
Visão de Rony Weasley
A má notícia é que o mestre Solomon irá pegar pesado comigo.
A boa notícia é que não fui expulso.
A má notícia é que a mulher que eu amo esta se agarrando por aí com o meu inimigo, ela não é quem eu achei que fosse.
A boa notícia...
Bom, eu não achei uma boa notícia sobre isso.
Eu gostaria de poder dizer que eu estou aliviado, eu gostaria de poder dizer que eu estou livre, mas esse com certeza não é um dia feliz para mim, honestamente ele nem chega a ser bom, eu estou com raiva, muita raiva.
Será que eu não salvei vidas o suficiente? Não dei esmolas o suficiente? Xinguei demais os meus inimigos? Vamos! Alguém precisa me dizer o que eu fiz! Precisa ter uma razão para as coisas continuarem tão erradas na minha vida, isso não esta certo.
—Você é pontual – mestre Solomon me observou
—Eu preciso disso.
Eu larguei minha mochila em qualquer lugar e me aproximei dos sacos de areia pronto para o treinamento.
—Por que precisa? – Solomon não esboçou emoções quando me perguntou com os braços cruzados
—Eu quero ser auror – eu respondo enquanto ponho minhas luvas de boxe.
—Por quê?
—Isso é mesmo necessário?
—Por quê? – ele repetiu com a voz mais grave
—Por que eu quero... – eu não sabia o que responder e seu olhar penetrante fazia-me sentir como o garoto assustado de onze anos novamente, ele poderia ser Snape em outro corpo e uma nova disciplina – Eu quero mostrar que eu tenho valor.
—E você tem valor?
—Cla-claro.
—Você não parece muito seguro disso.
Sim, eu tenho valor. Eu só não sei como dizer isso sem parecer um imbecil.
Abaixei a cabeça fitando o saco de areia na minha frente, pus as mãos na cintura e disse:
—Mestre Solomon, ninguém espera grandes coisas de mim, — eu levanto minhas mãos e começo a disparar uma serie de socos e chutes de longa e curta distancia no saco de areia, sendo prestativo, mestre Solomon o segurou para mim – mas eu não sou só o amigo de Harry Potter.
Eu não disse mais nada, apenas comecei a mostrar o que eu sabia.
Se não sei me expressar, acho que mostrar o que eu sei fazer me faz parecer menos idiota do que eu estou me sentindo.
Soquei, chutei, cotovelei inúmeras vezes, eu não sabia o que ele devia esperar de mim, então demonstrei tudo o que eu tinha, afinal quem sabe ele só ainda não me expulsou por que esta pensando se eu valo a pena, de qualquer forma não posso arriscar.
—Você tem a mão pesada, filho.
Foi à única coisa que ele comentou depois de que eu cansei e parei para respirar.
—Eu tenho treinado, — eu dei um meio sorriso, ofegante continuo – eu quero muito fazer isso.
—Deve estar se perguntando por que eu não o expulsei, — ele cruzou os braços me fitando, no entanto transpira relaxamento – você tem raiva, não tem técnica, é um valentão e burro, eu vi o que quase fez com Legyel e a maneira pessoal como encara suas lutas nas aulas, ontem aquelas drogas deixaram claro que você é uma bomba relógio.
O que eu devo responder?
—Então por que eu ainda estou aqui?
—Por que você teve a sorte de eu gostar de você. Você tem potencial, você ataca com força, não recua, isso intimida seu adversário, mas enquanto você não tiver técnica é tudo o que você tem, um bom lutador não pode depender apenas da própria força, pois a técnica vence a força.
—A técnica vence a força, — eu repeti o que ele disse e assenti com a cabeça – então não vou ser expulso?
—Se eu ver você tomando aquilo outra vez sim. Entendido?
—Sim.
—Aprenda a gostar de mudanças, por que quando eu acabar com você, você será um homem.
Visão de Astoria Greengrass
Eu preciso de um drink.
“Asty é da companhia de Balé, eles querem que você compareça a um teste final nessa sexta de manhã, você é uma das dez finalistas agora, sua bolsa vai ser integral.”
Eu consigo ouvir claramente a voz de Pansy na minha cabeça. Este foi um momento inesquecível, eu fiquei muito feliz pelos cinco minutos seguintes até ler o que Crudelis deixou para mim.
Meu Merlin, meu coração quase saltou pela boca. Não sei como Draco consegue suportar isso.
Pensy acha que minha irmã é Crudelis...
Dafne, Crudelis? Eu agonizo ao pensar nesta possibilidade, seria isso possível?
Dafne é uma Greengrass até o último fio de cabelo. Eu já a vi pisando em bons costumes e moralidade desde o café da manhã a hora de dormir, eventualmente usava humilhação para deixar as pessoas dentro dos limites do que ela desejava, minha irmã nunca teve surtos de consciência, seu coração de gelo é inabalável.
Ou seja, é uma suspeita em potencial, essas coisas provam que ela é assassina? Eu não sei, mas também não duvido.
—Rony... – pausei fechando os olhos, eu respiro profundamente, abro os olhos e prossigo – Não sou ninguém pra dizer isso, mas essa não é atitude certa.
—Eu pelo menos tomo alguma, eu não tenho medo de lutar pelo o que eu quero.
A minha cabeça dói ao recordar deste diálogo. Naturalmente alguém no meu lugar se defenderia, diria mil coisas para justificar seus atos, mas eu o que tenho a dizer? Cada sílaba das palavras de Rony estão certas, pior, são leves.
Pansy esta dormindo na cama ao lado, eu não quero acordá-la, então com muita cautela abro seu armário e retiro uma garrafa de uísque.
Não me entendam mal, eu não sou alcoólatra, consumi bebida alcoólica apenas três vezes em toda minha vida e nunca o bastante para que eu soubesse o que é realmente ficar bêbada, mas eu gosto da sensação de segurança para ser eu mesma que eu sinto toda vez que eu engulo uma dessas bebidas que descem queimando minha garganta, Pansy costuma dizer que é uma dose de confiança liquida.
Eu estou nervosa, muito ansiosa. Meu noivado e audição para escola de balé estão marcados para o mesmo dia e minha irmã mais velha pode ser uma psicopata, eu tenho o direito de beber hoje, mesmo que seja muito cedo.
Para não deixar suspeitas, eu ponho dentro da minha garrafinha de água e sigo para a sala de espelhos. Já faz tempo a última vez que eu parei para dançar de verdade, os preparativos para o noivado tem tomado meu tempo livre e eu não tenho nem ao menos me alimentado corretamente.
—Bom dia, bailarina trouxa.
Sou surpreendida por minha irmã sentada confortavelmente na poltrona da sala de espelhos, são apenas 5h da manhã, o que ela faz aqui tão cedo?
—Bom dia... – eu respondo insegura parada estática ao lado do batente da porta
Imediatamente penso no que ocorrido, Pansy havia dito que iria sair para “acabar com isso” sobre achar que minha irmã é Crudelis e saiu do quarto, mas ainda não falou comigo se resolveu ou não, na verdade nem tocou mais no assunto e eu estava cheia de coisas na cabeça para lembrar-me de perguntar.
—Bom... Alguma coisa aconteceu?
—Eu tinha alguns assuntos pendentes a tratar, — ela suspirou arrumando sua impecável blusa rosa, cor que ela usa frequentemente – e você veio dançar, é claro.
—Eu não danço mais.
Dafne riu pelo nariz, seu movimento de cabeça me fez finalmente notar seu cabelo, curto, muito curto para uma garota vaidosa como ela, seus fios mal passavam dos ombros e estavam muito repicados, uma franja completa o corte, um visual moderno e arriscado demais para a Dafne que eu conheço.
Sobretudo, seus olhos azuis são os que mais me atraem a atenção, eles estão marcados com um delineador negro e lápis de olho preto, resultando um olhar marcante em seu rosto de porcelana que naturalmente é sempre visto com uma maquiagem leve de boneca, ideal para a beleza de uma Greengrass.
—Querida, não minta, você não é boa nisso.
—Você é.
—É um dom, — a loira tombou a cabeça para o lado esquerdo, me fitando e suspirou — é o que se espera de uma futura advogada como nossos pais.
Eu dou três passos a frente e bebo uma golada de uísque, esperando que milagrosamente a bebida me trouxesse um pouco de coragem para fazer as perguntas certas, ela sorri como se gostasse do que vê e isso me faz parar no mesmo momento afastando a garrafa dos meus lábios trémulos.
—Cheiro de uísque, — ela cantarolou levantando da poltrona – bebendo, irmãzinha?
Não sei o que devo responder.
Eu tento dar mais um passo a frente e sou surpreendida por uma sensação estranha, meus joelhos e meus pés estão pesados e parecem demasiadamente lentos, fora do meu controle.
Uso toda força que eu tenho para levantar meu pé direito, avidamente tentando fugir da armadilha invisível, infelizmente tudo que eu sinto é uma dor insuportável nos músculos da minha perna, eu ponho as mãos no joelho e tento puxar, ao mesmo tempo em que me esforço para tirá-la outra vez do chão, sobretudo ao menos arrastá-la, mas ela parece pesar uma tonelada, por fim desisto.
Eu encaro Dafne, a loira esta com seus olhos azuis voltados para uma nuvem negra quase dois metros acima da minha cabeça, não sei que feitiço maligno é este, mas sem dúvida é...
—Arte das trevas – balbucio.
—Eu aprendi alguns truques novos durante a guerra, — a loira brinca com a varinha em sua mão – eu podia ensiná-los para você qualquer dia.
Ergo minha varinha e começo a ataca-la, mas a nuvem acima da minha cabeça impede que meus feitiços ultrapassem um raio de um metro.
—Se eu fosse você parava com isso, mais alguns feitiços e essa coisa acima da sua cabeça irá começar a ti atacar.
—Por que esta fazendo isso comigo? Eu nunca ti fiz nada!
Em um aceno de varinha minha irmã desgrudou meus pés do chão, porém a nuvem continuou sob mim.
—Por que Pansy me encontrou ontem e você sabe por quê.
Crudelis... Por favor, não... Que vida de merda! Isso não esta acontecendo!
Não! Não!
—Crudelis, — eu balbuciei o nome de forma furiosa, meu coração palpitou e minha respiração alterou-se – como pôde? Assassina!
Eu joguei meu corpo para frente e me bati em um escudo invisível, mas não desisti, eu queria tocá-la, eu queria feri-la, eu queria acabar com aquela expressão cínica no seu rosto.
—Você matou Nott! Cadela! Um membro da sua própria casa!
Cerrei meus punhos e soquei vezes seguidas o escudo que não se moveu, mas isso não me impediu de continuar tentando alcança-la.
—Raptou Pansy! Por causa do meu casamento?!
A avalanche de emoções desceu sobre mim e uma raiva insuportável tomou conta do meu corpo. Tudo isso por que ela não é a próxima Malfoy? Seu motivo é nojento e desprezível. Não consigo aguentar calada. Dessa vez Dafne foi longe demais.
Com minha varinha bombardeei varias vezes seguidas o escudo, entretanto meus ataques não formaram se quer um arranhão.
Dafne por outro lado pareceu surpresa com meu surto repentino, incomum para uma garota tão calma.
—Eu ti odeio! Eu ti odeio! Eu não sou a vergonha da família, é você! É você! É você!
A nuvem acima da minha cabeça começa a se mexer e trovejar, raios parecem se formar.
Deito-me no chão em posição fetal tentando inutilmente me defender.
Eu não sei quando comecei a chorar, mas estou soluçando, não é tristeza, é raiva, eu não acredito que isso esta acontecendo, por anos eu tentei inutilmente estar fora do caminho da minha irmã, para não ser atacada pela sua mania de estrelismo e bastou estar noiva do homem que eu amo para ela simplesmente querer causar o amargedom.
Dafne é assassina! Assassina! Nunca se importou comigo e é por isso que vai me matar agora.
Eu esperei pelos raios que me matariam, mas nada veio, pelo contrário tudo parecia estar em perfeita paz. O que aconteceu?
De repente minha varinha voou da minha mão, levanto os olhos e vejo que a nuvem sumiu, o escudo também e fui vítima de um expelliarmus de minha irmã.
Dafne se aproxima e aponta à varinha na minha direção, eu estou de joelhos na sua frente, estática, tentando entender por que ela simplesmente me salvou da morte para novamente ameaçar a minha vida.
Talvez ela não queira me matar... Apenas apagar minha memória. Isso seria muito bom.
—As-as-si-na. – eu pronunciei devagar cada sílaba fitando seus olhos azuis – Vamos, faça.
A loira sorriu torto, tirou o momento para analisar as feições do meu rosto, moveu a varinha em sua mão e pressionou em meus lábios, olhou em meus olhos castanhos e disse:
—Finalmente, enfim você se tornou uma mulher.
—Faça logo, vadia.
—Não.
—O que? – eu pisco os olhos e a encaro incrédula.
—Eu normalmente apagaria sua memória, mas eu não quero. – ela baixou a varinha e me olhou com muita seriedade — Fique comigo.
—O que?
—Fique comigo.
Ficar com ela? Não. Isso não faz sentido.
—O mundo bruxo e o trouxa esta com os dias contados, mas nós podemos estar juntas quando isso acontecer.
—Por que estão com os dias contados? O que você fez?
—Em breve Mérope Gaunt estará entre nós.
—Gaunt?
—A matrona, mãe de Voldemort.
O que? O que mais eu não sei? O que esta acontecendo?
Dafne ofereceu sua mão para que eu levantasse, mas ignorei e me levantei sozinha.
—Você esta organizando o fim do mundo.
—Não, — ela sorriu me corrigindo com doçura na voz – um novo começo onde nós poderemos ser rainhas, refazer o mundo das cinzas a nossa imagem, um mundo melhor.
—Você é impossível. Esta matando e ferrando a vida de pessoas pensando em ser rainha no novo mundo? Você é muito nojenta. Dafne nossa família é rica, você é bonita, saudável e vai ser a próxima chefe da empresa do papai um dia.
—E quem disse que eu quero isso? – Dafne fez uma careta, respirou profundamente e passou os dedos no cabelo nervosamente – Eu não quero ser advogada, eu não quero ser uma patricinha para sempre, eu não quero nem ser uma Greengrass. – a loira cruzou os braços, cambaleou dando um passo para trás e continuou — Eu odeio ser uma Greengrass. Eu só sou assim pelo papai e a mamãe, eu não queria decepcioná-los, ser a única mulher da família a não cursar direto e ganhar concursos de beleza, é por isso que eu tinha tanta raiva e inveja de você, por que você mesmo com tudo que papai fazia, nunca parou de dançar, nunca se vendeu para concursos de beleza idiotas, eu não tenho essa coragem, eu não tenho nada, nem escolha.
Outra vez estou chorando.
É muita informação, eu não consigo processá-la.
—Fique comigo Astoria... Perdoe-me por tudo que eu ti fiz, foi à inveja e o desejo de ser igual a você.
Não consigo pensar direito, não consigo nem mesmo me mexer. Ninguém nunca me admirou, muitos menos sentiu inveja, o que só me faz pensar que a abelha rainha esta brincando comigo.
—Você esta mentindo.
—Eu sou a primogênita. Acha que papai passou dos limites quando jogou a garrafa em você? Você não tem ideia do que ele faria comigo... Ele diz para as pessoas que é orgulhoso de mim, mas quando estamos sozinhos ele me trata como uma fracassada, não pense que foi a única que levou uma surra por desobediência.
Sinto um silencio assombroso nos abraçar neste momento. Jamais fui próxima de minha irmã, eu não a odeio... Eu só... Honestamente não sei o que eu sinto. Eu poderia odiá-la por tudo o que fez comigo, se Dafne não tivesse abrido a boca sobre o balé um dia eu poderia ter filhos, apesar disso eu quero amá-la, eu quero ter uma irmã. Meu Merlin... Sou ridiculamente carente.
Após alguns segundos de silencio, Dafne levanta sua mão devagar e toca minha bochecha carinhosamente, a expressão do seu rosto é suave, sua testa não tem linhas de expressão, seus lábios se curvam em um pequeno sorriso, seus olhos azuis são amáveis, ela nunca me olhou desse jeito antes.
Ainda estou me perguntando como corresponder a este carinho quando ela vem em minha direção para um abraço, é quando me dou conta que isso é sua maneira de me convencer a simplesmente me sentar e assistir o fim do mundo ao seu lado, eu recuo.
—Não vou ficar com você, — eu reluto contra meus desejos de reconciliação e nego com a cabeça – não desse jeito irmã, este não é o caminho.
—Este é o único caminho, assim nós seremos livres.
—Eu não posso conviver com isso.
—Tudo bem, — ela suspirou e concordou com a cabeça – mas eu posso.
A suavidade em seu rosto desapareceu e novamente vi a Dafne voraz que eu conheço, a loira ergueu sua varinha em direção a minha testa e disse:
—Estou orgulhosa de você irmã, se tornou uma mulher finalmente, quando o mundo estiver acabando, eu ti salvarei para ficar comigo. Obliviate.
De olhos fechados, me silencio.
Ouço os passos lentos de Dafne indo em direção à porta atrás de mim, devagar, sem pressa, ao ouvir o som da porta se fechando, abro os olhos.
Mal sabe ela que seu obliviate em mim é ineficaz.
Visão de Rony Weasley
—Que calor...
Não encontro nuvens no céu, nem muitos pássaros, o sol nasceu no horizonte há poucos minutos, prometendo que hoje será um longo dia quente de verão na Ilha Pégaso, o ideal para passar horas mergulhando no lago da propriedade do castelo ou o mar que cerca a ilha.
Eu estou pensando em tomar o café da manhã e em seguida nadar no lago, seria bom, já fiz isso outras vezes e tem sido muito relaxante, principalmente quando eu estava sob o efeito da droga.
A droga... Pílulas do crescimento são perigosas, mas eu não ligava se algumas ervas do preparo são altamente toxicas em grandes quantidades, na verdade ainda não ligo, Mestre Solomon é um grande lutador e parece que com essas aulas particulares vou aprender muitos golpes novos, mas não acho que sejam o bastante para ganhar nota máxima na prova – que é o que eu preciso para passar, graças ao meu desastroso teste de feitiços – eu não vou toma-las agora, mas guardar, podem ser úteis.
Eu sei que tenho sorte de não ter sido expulso e mais sorte ainda de não ter sido preso, mamãe me mataria, mas não posso evitar, eu quero vencer, estou desesperado.
Não sei como Crudelis descobriu, não sei mesmo, mas me sinto um pouco melhor quando penso que ele poderia ter me entregado de primeira e não fez isso.
Ainda tem isso sobre Hermione... Estou chateado e também com raiva, não sei o que Harry esta pensando disso, mas é traição, aposto que foi por isso que ela terminou comigo, eu não fui o bastante para ela e parece que aquela doninha quicante é, fico enojado só em pensar que ela também esta engando Viktor. Será que eu devia contar a ele? Ele parece gostar dela... Coitado.
Talvez... Eu deva conversar com Astoria sobre isso, ela é muito serena e isso me acalma... Isso claro se ela não esta com raiva de mim por ontem... Que situação idiota.
Eu estou muito soado, com calor e dor nas mãos, eu preciso de um longo banho e fazer uma refeição bem reforçada, depois eu penso nisso, só espero que eu não encontre Hermione a mesa, isso seria insuportável.
Uma luz estranha passa rapidamente na frente dos meus olhos e passa por mim, fico assustado com a coisa que surgiu muito de repente, viro-me para seguir a luz com os olhos e vejo uma bola de energia azul flutuante virar um corredor.
Pelas barbas de Merlin... O que é isso? Eu devia segui-la? E se for perigosa?
—Rony...
Ouço uma voz quase inaudível de tão baixa sussurrar meu nome.
Todos os fios ruivos do meu corpo se eriçam em um mistura de nervosismo, medo e curiosidade, eu giro no mesmo lugar olhando em volta a procura de quem quer seja o ordinário que esta me pregando uma peça.
—Rony!
A voz repetiu com mais força, fazendo-me girar o corpo em direção ao corredor que a bola azul acabara de passar.
—Isso só pode ser brincadeira... – murmurei
Pego minha varinha do bolso e me encosto à parede, ando em passos leves em direção à bola azul pronto para atacar o que quer que seja.
Rapidamente viro o corredor com as pernas trincadas e o braço erguido para um duelo, mas onde esta aquela coisa?
Na parede vejo o quadro do tal capitão pirata da tripulação dos Piratas sombrios e percebo que estou no corredor da entrada da sala do tesouro, a janela da parede oposta esta aberta, a luz do sol ilumina o ambiente e eu tenho certeza que estou sozinho, então após alguns segundos parados finalmente abaixo a guarda.
Será que foi um fantasma? Provavelmente. Fantasmas eram comuns em Hogwarts, nada para me preocupar.
Da parede surge a bola azul de energia novamente
—Rony – a voz ronronou, uma voz elétrica, aguda, muito desagradável de se ouvir, mas não assustadora.
O que devo fazer? Correr? Atacar? Me defender?
A luz seguiu caminho no corredor, em direção contrario a que eu estava, eu estou decidindo se devo segui-la, quando a coisa começou a ficar maior, mais reluzente, parecia que ia explodir, dei passos para trás assustado, porém percebi que estava na verdade mudando de forma.
A coisa se transformou em alguém. Homem ou mulher? Não sei dizer, esta de capa e de costas para mim e apesar da forma, ainda é uma coisa energética, disparando descargas de eletricidade nas paredes, no chão, no teto, no quadro, embora não queimasse.
Isso não é um fantasma. Seria uma criatura? Eu prestei atenção nas aulas de Hagrid, mas não me lembro de ter ouvido algo sobre isso. Eu queria muito que Hermione estivesse aqui agora, ela saberia o que é.
—Meu Rony... – a voz elétrica diz com uma pontada de carinho. “Meu”, deve ser uma mulher.
—Hermione? – eu perguntei automaticamente e no segundo seguinte me senti um idiota por ainda estar apaixonada pela garota que pisou em meus sentimentos
—Vocês precisam de ajuda, encontrem o navio...
Assim como magicamente apareceu, a coisa despareceu sem terminar sua mensagem.
Visão de Harry Potter
Acordar e não ver Rony roncando na cama ao lado tornou-se normal, então não estranhei não vê-lo quando levantei pontualmente as 6h30 da cama.
Eu estou aliviado, a noite anterior foi demasiadamente estressante, Rony testava meus limites de paciência, pois estava com raiva e chateado sobre Hermione, por pouco nós não discutimos, provavelmente por que eu estava chocado demais com a notícia para tomar uma posição.
É difícil engolir uma notícia como essa. Hermione e Malfoy até onde sei sempre se odiaram, não suportavam a presença um do outro e a ideia de um beijo ocorrer entre os dois seria repugnante para ambos, sobretudo isso mudou radicalmente.
Em outro momento eu teria reagido como Rony, não tão agressivamente, mas me sentiria da mesma maneira, no entanto a carta do meu pai mudou minha capacidade de compreensão.
Eu tento não pensar nisso, pois algo merece mais atenção que “os namorados” da minha meia irmã.
Gina Weasley.
A linda ruiva jogadora de Quadribol merece mais da minha atenção do que qualquer outra coisa, eu não vou desistir do amor da minha vida, o Rony pode ficar se lamentando pelo fim do seu namorado, mas eu não, eu vou reconquistá-la custe o que custar.
Só que... Não sou um Dom Juan, eu não sei como fazer para reconquistá-la, mas eu conheço alguém que aparentemente sabe tudo sobre relacionamentos e ela vai saber o que fazer, assim espero.
Eu espero pacientemente no corredor, encostado a parede, olhando fixamente a passagem da Sala comunal da Sonserina. Não sei quantos minutos esperei, aproximadamente vinte minutos talvez, por que meu estomago começou a roncar.
As pessoas passavam por mim e me olhavam curiosamente para saber o que Harry Potter fazia ali e eu tentava fingir que isso não me incomodava.
Até que finalmente a vi, Pansy Parkinson, caminhando ao lado de Draco Malfoy, eles pareciam estar conversando sobre alguma coisa, ela foi a primeira olhar pra mim, juntou as sobrancelhas e deu um meio sorriso, neste exato momento me arrependi de ter esperado. O que eu estou fazendo? Nós não temos a menor intimidade.
A morena ficou na ponta dos pés, encostou-se no amigo e lhe falou algo no ouvido, o Malfoy olhou para mim e depois para ela desconfiando, sem jeito eu fiquei de costas para o a casal de amigos me perguntando como foi que eu tive a ideia absurda de pedir ajuda para a vadia da Sonserina, eu com certeza já tive ideias mais inteligentes que essa.
O loiro passou andando por mim e senti um toque no meu ombro, virei-me para a morena que sorria largamente para mim.
—Eu pensei no que você disse...
—Shi! – ela fez som de silencio pondo um dedo na minha boca – Aqui não, tem muita gente.
Alguns sonserinos passaram por nós e a Parkinson disfarçou olhando para outro lado, quando eles desapareceram virando o corredor ela segurou meu braço e saiu me puxando pelos corredores até uma sala que eu suponho ser mais segura para conversar do que lá fora, afinal não é normal ver Harry Potter e a vadia da Sonserina de papo no meio do corredor.
A sala que a morena me trouxe é de aula, provavelmente só será posta em uso no mês que vem quando as aulas começarem oficialmente, Parkinson tranca a porta e eu ajeito meus óculos pensando no que dizer.
Ela se vira para mim e eu abro a boca para começar a falar, mas antes que eu consiga pronunciar uma palavra, Parkinson esta com os lábios nos meus, a morena cola nossos corpos e me puxa pela nuca, sou pego de surpresa, dou alguns passos para trás até bater em uma mesa e ela avança comigo.
A morena move seus lábios pressionados aos meus deliciosamente, eu cedo ao contato abrindo passagem para sua língua e mordo seu lábio inferior, eu enlaço meus dedos atrás da sua cabeça em seus cabelos e a puxo para mim, com a outra mão a seguro forte pela cintura, devagar vou descendo inseguramente até tocar sua bunda, quando ela não reage negativamente, a aperto, de Parkinson escapa um baixo gemido.
O beijo é interrompido por ela para começar a morder minha orelha e meu pescoço, eu fecho os olhos e aproveito o carinho enquanto a aperto com a mesma intensidade em minhas mãos, eu estou excitado, começo a sentir a cueca apertada e ela percebe, não recua, move os quadris ardilosamente na mesma região.
Sinto-me torturado, a seguro firme e coloco sentada em cima da mesa, me encaixo no meio das suas pernas e ataco seus lábios enquanto ao mesmo tempo seguro um dos seus peitos com a mão e aperto fazendo movimentos circulares, sem a pretensão de ser cuidado, eu a quero.
Ouço seu gemido abafado em meus lábios e suspiro de prazer, ela começa a massagear meu pênis por cima do tecido da minha calça e isso me enlouquece.
Em um momento rápido ela corta o beijo e usa suas duas mãos para tirar sua blusa, eu encaro seus grandes seios cobertos por um delicado sutiã vermelho, lindos.
—Parkinson – eu mordi o lábio
—Pansy – ela me corrigiu
Subo meus olhos dos seus seios para seus olhos castanhos que me fitam maliciosamente e neste momento percebo o que eu estou fazendo, esta é Pansy Parkinson, não é por ela que estou aqui.
—Merlin, eu não posso fazer isso – eu recuo um passo.
—O que?
—Vista-se, por favor – eu tampo meus olhos e me viro de costas
Sinto meu pênis pulsando na minha calça pedindo por mais e eu uso todas as minhas forças para me concentrar em não ataca-la outra vez, isso só pioraria as coisas, não é ela que eu quero.
—O que aconteceu? – ela pergunta desentendida
—Já se vestiu?
—Sim
Viro-me para a garota com os seios cobertos pela blusa e respiro profundamente aliviado em não tem ninguém a mais aqui.
—Por que parou?
—Não foi pra isso que eu ti procurei, — eu suspirei cruzando os braços – aliás, finge que isso nunca aconteceu.
—Tem certeza? – ela sorriu maliciosamente – Nós podemos nos divertir muito.
—Eu tenho – eu uso todo o meu bom senso para responder fitando a parede, completamente incapaz de olhá-la agora que a latina me olha com malicia... Por mil dragões, eu não havia parado para notar analiticamente as mudanças da ex garota buldogue, é compreensível que tantos homens tenham caído a seus pés, Pansy Parkinson é muito atraente – eu vim para pedir ajuda com a Gina.
—É mesmo? Que fofo! Você é uma raridade, sabia? – ela pulou sorrindo da mesa para o chão, eu fico assustado com a naturalidade que a morena encarou a mudança de ares. Ela é louca! – Então você quer impressionar a garota?
—Sim.
—Eu sei a maneira perfeita, você sabe qual o prato favorito dela?
—Sei... – respondo desconfiado
—O prepare você mesmo, faça um jantar casual, mesmo que você não saiba cozinhar, vai impressionar a garota.
—Parece uma boa ideia, obrigado.
—De nada – ela respondeu arrumando o cabelo – eu vou ti ajudar a preparar o lugar, hoje à noite, marque com ela as 20h na árvore grande do lago, eu vou ti encontrar as 18h30 na cozinha do castelo, esteja com o prato principal e o resto preparado, os elfos vão ti ajudar.
—Vai mesmo me ajudar?
—Homens como você são raros, — ela suspirou – ela tem sorte. Até Harry.
Sem “mas”, Pansy saiu pela porta como se nada houvesse acontecido.
—Até Pansy – eu disse baixinho, por que ela já havia ido embora.
Visão de Hermione Granger
—Não esta com fome? – Gina perguntou preocupada após alguns minutos do nosso silencioso café da manhã – Você precisa se alimentar.
—Eu estou sem apetite – eu declarei afastando o meu prato intocado de perto de mim.
O “presente” de Crudelis não sai dos meus pensamentos, minha noite foi longa e mal dormida, assim como meu dia promete ser igualmente ruim.
Desvio os olhos do prato e observo meus colegas da Grifnória e outros do castelo em suas mesas conversando e saboreando seu desjejum. Merlin, eu nunca pensei que sentiria tanta inveja de cada um deles, simples bruxos em suas vidas simples e problemas simples de serem solucionados.
Agora eu, o que tenho de simples? Há complexidade até em meu nome. Hermione Granger, Hermione Zabini ou Hermione Potter? Sou todas essas pessoas e no fim das costas nem sei quem eu sou direito, tudo o que eu quero é ter uma vida livre, mas ao que parece a merda da vida esta determinada a fuder comigo.
Sou uma grande imbecil, se eu não tivesse feito o que eu fiz, Crudelis não poderia me chantagear e me fazer de marionete tão facilmente, mas eu fiz e agora posso a qualquer momento ser presa.
Burra! Burra! Burra!
—Ei, sei que estamos passando por um momento difícil, mas não podemos jogar a toalha agora – Gina diz com segurança tocando em meu ombro.
Eu sei, eu sei, mas esta tão difícil!
—Eu sou tão burra, Gina, – eu cobri meu rosto com as mãos e respirei fundo tentando evitar as lagrimas de desespero e raiva – se eu tivesse...
—Sem essa Hermione, você fez o que precisava fazer, Harry esta vivo por causa das decisões difíceis que você tomou ao longo da sua vida, – a ruiva segurou meu queixo e puxou meu rosto para olhá-la em seus olhos azuis – você é uma heroína.
Heroína? Como ela pode me chamar de heroína?
—Obrigado, — eu afastei sua mão do meu rosto e desviei o olhar, não estou chorando, mas estou muito perto disso – mas não é como me sinto. Sabe, eu quase joguei Draco no fogo por querer matar Crudelis, mas agora sou eu que estou pensando em mata-lo.
—Não culpo você, — ela riu friamente – acho que todos nós sentimos vontade de mata-lo, eu também recebi uma carta, lembra? Ele pode acabar com minha carreira.
—É, mas você não tem coragem de matar alguém, eu tenho.
Nós nos olhamos por alguns segundos e desviamos o olhar uma da outra, este é um assunto muito delicado.
O momento tenso foi interrompido pela chegada de Harry, o moreno sentou-se na nossa frente e começou a encher seu prato de comida, foi neste momento que percebi que fiquei tão preocupada com Crudelis que esqueci sobre o que Harry deve estar pensando sobre Draco e eu... Da pra ficar pior?
—Bom dia! – ele deseja sorrindo
—Bom dia – Gina e eu respondemos em uníssono.
O moreno sentiu a tensão da nossa resposta e seu sorriso foi desaparecendo até morrer completamente, eu o encarei esperando por alguma reação mais digna de um homem que descobriu que sua meia irmã estava se agarrando com seu maior inimigo, mas não achei vestígios disso.
—Bom... – eu comecei colocando meus cotovelos na mesa – Sobre ontem...
—Esta tudo bem, Mione – o moreno me interrompeu com um tom sereno.
Bem? O que esta acontecendo? Ele devia estar furioso comigo!
Gina e eu nos entreolhamos abismadas com a reação simplória do rapaz.
—Não esta com raiva? – Gina perguntou
—Não, quer dizer... – ele sacudiu a cabeça, fechou os olhos e se remexeu na cadeira procurando as palavras certas – Eu não gosto do Malfoy, nem um pouco, eu também não confio nele, não gosto que se envolva com ele sendo solteiro ou não, mas você é adulta e sabe o que faz.
—Poxa... Isso é...
—Inacreditável – Gina esta tão incrédula quanto eu
—É, — eu concordei – isso não é normal...
Harry sorriu em resposta
—E Rony?
—Bom, ele não, ele esta com raiva e chateado, — o sorriso de Harry despareceu outra vez – Rony acha que você o traia com o Malfoy, isso é verdade?
—Claro que não. Malfoy e eu acontecemos depois.
—Então vocês tem mesmo alguma coisa?
—Não, — eu neguei com a cabeça, então fiquei confusa. Nós temos alguma coisa? — quer dizer, sim. É uma coisa que aconteceu de repente, eu não estou com ele.
—Mas vocês ficaram.
—Sim
Impossível. Nós estamos mesmo tendo essa conversa?
—Hermione, você gosta do Malfoy? – o rapaz pergunta diretamente
Eu sei a resposta para essa pergunta, mas me emudeço.
Isso realmente importa? Gostar ou não do Malfoy não faz diferença na situação que eu estou vivendo.
Gina riu ao perceber que não sou capaz de responder, eu não havia admito meus sentimentos em voz alta nem mesmo para minha melhor amiga, imagine para Harry Potter.
—Isso é hilário – a ruiva se diverte engarfando uma fatia de fruta do seu prato
—Go-gosto – eu gaguejei ao responder e fiquei vermelha de vergonha ao ver que minha resposta só fez Gina rir mais.
—Muito? – Harry insistiu em uma resposta mais completa
Incapaz de responder eu apenas concordei com a cabeça, Harry arregalou os olhos surpreso.
—Mas isso não importa, — eu tentei me explicar – eu vou dizer para ele que isso nunca mais vai acontecer, afinal ele é comprometido e Astoria é uma ótima pessoa.
—Ele gosta de você? – Harry tentou parecer despreocupado quando me fez a pergunta enquanto colocava açúcar em seu suco, mas isso só o fez parecer mais interessado no assunto.
—Draco sente algo por mim, isso é evidente, mas não o bastante para desistir do noivado com Astoria, — eu digo mais relaxada enquanto observo o loiro na mesa da Sonserina cercado por Pansy, Astoria e Blásio – ele precisa desse casamento, é pela mãe dele e depois de tê-la vista tão debilitada do hospital, eu entendo.
—Acha que ele pode se apaixonar por você?
—Draco não acredita em amor.
—Bom, eu acredito – Gina diz – e acho que tudo é possível.
—Não importa, nem Crudelis nos quer juntos.
—Como assim?
—Ontem à noite Crudelis me mandou uma carta, ele pediu para ficar longe do Draco romanticamente falando.
—Isso é estranho. O que ele tem haver com isso?
—Não sei, talvez ele só não queira o Draco feliz.
—Ele é feliz com você?
Nunca me perguntei isso. Será que posso fazê-lo feliz?
—Isso eu não sei. Isso é tão estranho, por que não está furioso comigo? Diga a verdade, Harry.
—Papai iria querer que eu cuidasse de você.
—Nossa, — eu estou surpresa – era isso que tinha na carta?
—Sim e outras coisas mais, – ele olhou de relance para Gina que desviou o olhar do rapaz – eu só quero ser um bom irmão para você e um homem melhor.
—Você já é um bom homem
—Sempre fui limitado a um confronto final com Voldemort, acontece que isso não foi o final da minha vida, tem outras coisas que eu preciso fazer.
—Bom dia meninas!
Lilá Brown se aproximou muito animada, com um sorriso no rosto, sacudindo uma pasta cheia de papéis na mão, as irmãs Parvati estão em seu encalço e por fim Luna Lovegood, com os braços lotados de caixas, papéis e coisas brilhantes que de longe acho que são enfeites de ornamentação.
—Bom dia Harry também! – Lilá cumprimentou o moreno que sorriu em resposta – Quero falar com você Gina, você se inscreveu na equipe de ornamentação e nós temos uma reunião essa tarde, podemos contar com sua presença?
—Claro – a ruiva respondeu sorrindo
—Perfeito! Nós vamos arrasar! Quer ajudar também, Hermione?
—Com que?
—Nós somos da equipe de ornamentação do concurso de talentos que vai fechar o primeiro mês na ilha, se esqueceu, bobinha?
Ai meu Merlin! Como foi que eu esqueci? O primeiro mês da Ilha é de aulas livres e o segundo começa o ano letivo normal, nós estamos aqui provisoriamente apenas por três meses até voltarmos para Hogwarts.
—Esqueci, completamente. Desculpe meninas, mas eu preciso estudar, eu tenho uma prova para a faculdade, já é depois de amanhã.
—Ah sei, — Lilá desanimou – mas tudo bem. Até mais tarde, Gininha.
Lilá e as Parvati saíram animadas e Luna veio logo atrás, não aguentando o peso das coisas soltou tudo do meu lado no chão.
—Que dor de cabeça, — a loira coçou os olhos e depois sorriu para nós do seu jeito sonhador – oi.
—Oi, você também vai ajudar? – Gina perguntou
—Sim. Cadê seu namorado? São tão fofos.
Só Luna para achar Blásio e Gina um casal fofo, todo mundo ainda acha estranho isso do meu irmão ter uma namorada.
—Hermione, eu tive uma ideia para ti animar! – Gina bateu palminhas, animada – Por que você não canta no show de talentos?
—Que piada de mau gosto, tem um maluco por aí me acusando de assassinato , tenho uma super prova chegando e você quer que eu perca tempo cantando em um show de talentos? – bufei.
—Ranzinza.
—Você canta? – Harry ficou surpreso – Achei que só tocasse.
—Pois eu prevejo que você será a melhor parte da noite – Luna diz orgulhosa
—Prevejo?
—A Luna esta fazendo adivinhação – Gina explicou
Revirei os olhos. Odeio essa matéria, que tipo de disciplina estúpida é essa que livros não ajudam?
—Eu tenho o papel da inscrição aqui – a loira tirou um papel de dentro de uma caixa
—Não, desculpe. – eu neguei com a cabeça e desviei o olhar para o meu prato de comida – Eu amo cantar, mas esse não é o melhor momento, tem muitas coisas acontecendo, talvez não seja uma boa ideia.
—Sempre vai parecer que não é o melhor momento, — Gina usou seu tom sábio – sabe o que não é justo? Você finalmente tem liberdade e esta deixando um assassino tomar conta da sua vida. Seja no campo profissional ou amoroso, não deixe ninguém passar por cima do que você quer, se você ama precisa lutar.
De todos os conselhos que Gina já me deu, este foi o melhor.
—Tem razão — eu concordei balançando a cabeça positivamente
Eu preciso conversar com Draco e deixar claro o que esta acontecendo estre nós. Eu estou apaixonada e estou sofrendo por não poder tê-lo, mas eu estou sofrendo sozinha? Tudo o que eu quero é pelo menos ter certeza do que ele sente por mim, mesmo que um romance entre nós seja impossível dada às circunstâncias.
Eu esperei ansiosamente durante anos para ser liberta do meu compromisso com meu irmão, ele finalmente acabou, eu estou livre, Crudelis e todo o resto não pode tirar isso de mim.
Visão de Gina Weasley
Hermione aceitou meu conselho de braços abertos.
A garota mais inteligente que eu já conheci esbanja um olhar determinado e um sorriso presunçoso — uma expressão que não vejo há muito tempo -, eu não tenho duvidas da sua capacidade, ela irá surpreender a todos, Hermione provará que é mais do que uma sabe tudo, cantando.
No fim do café da manhã Hermione deixou seu prato quase intocado, porém parecia mais energética do que nunca e saiu alegando estar interessada em repassar uma matéria em especial para a prova que se aproxima, ela é uma aluna muito esforçada.
Eu estou divagando sobre o orgulho que eu sinto de minha amiga e supondo o que a moça poderia cantar, até que percebo um par de orbes verdes me fitando, claro, como eu não percebi que a saída de Hermione me deixa sozinha com Harry?
Torcendo para que ele tenha esquecido ou simplesmente desistido de conversar, eu abandono a fatia de melancia do meu prato e ando com passos exageradamente rápidos em direção à porta principal do Salão, eu ouço o rapaz me chamar por meu nome e estou decidindo se devo ignorar ou não quando sinto uma mão no meu braço que me impede de continuar meu caminho.
Por favor, Harry, eu não preciso viver isso de novo.
—Você disse que poderíamos conversar
—E nós estamos conversando – eu respondi com um meio sorriso forçado girando pelos calcanhares para ficar de frente com o rapaz
—Você sabe do que eu quero falar.
—Eu sei?
Eu estou forçando minha voz e meus gestos para parecerem normais e despreocupados, aposto que qualquer um acreditaria que estou completamente relaxada, mas suspeito que Harry não, este garoto me conhece mais que qualquer um.
—Sim, — ele assentiu com a cabeça — Você tem pensando nisso tanto quanto eu.
Droga, Harry! Por que agora? Eu estava indo bem tentando me esquecer de você enquanto tenho uma quedinha impossível pelo meu namorado falso.
Quedinha, sim, quedinha, só isso.
—Você está errado, — eu retruco – eu não tenho pensado em você.
Mentira! Eu penso em Harry o tempo todo.
A reação de Harry a minha mentira descarada foi de um homem com coração ferido, pela primeira vez ele em nossa conversa ele desviou o olhar, enfiou as mãos no bolso e respirou fundo antes de olhar para mim outra vez.
—Tudo bem, — ele empurrou os óculos subindo o nariz para mais perto dos olhos — me encontre hoje às 20h no lago.
—Eu sou comprometida, Harry.
Harry fixou os olhos em algo atrás de mim, algo que o deixou com uma rápida expressão de raiva e frustração, eu olho rapidamente sob os ombros na mesma direção do garoto de olhos verdes e encontro Blásio levantando da mesa da Sonserina e seguindo em nossa direção.
—Você não o ama. – ele diz com perícia — Vamos fazer assim, se você aparecer hoje é por que você sente alguma coisa por mim e talvez nós tenhamos alguma chance.
Que golpe baixo...
Assustadoramente o rapaz começou a aproximar seu rosto do meu.
Harry quer me beijar, aqui, agora. Eu estou congelada, sem ação, um lado de mim quer empurrá-lo e dizer que eu não esqueci todas as nossas brigas passadas, outro quer puxá-lo pela blusa e guia-lo eu mesmo até minha boca, estou louca de saudades do seu beijo avassalador e seu abraço mágico que me faz esquecer todos os problemas.
No meio do caminho, Harry elevou os lábios para beijar em vez de minha a boca a minha testa, eu tremi.
—Eu vou fazer diferente dessa vez, — ele sussurra com os lábios na altura dos meus olhos – eu mudei.
Sua aproximação me afeta, seus lábios são convidativos, a temperatura do seu corpo me aquece, seu hálito quente, tão perto da minha pele, me deixa arrepiada, tudo nele é desejável.
Mas ele está louco se acha que vou ficar aqui e agir como uma menina apaixonada.
Blásio se aproximou e antes que ele dissesse algo eu o segurei pelo braço e andei em direção à porta, deixando o moreno para trás.
Merlin, eu me sinto tão idiota, porque não importa o quanto eu tente fugir, Harry sempre tem os mesmo efeitos sobre mim, eu ainda o amo, mas esse maldito orgulho me impede de dar a ele outra chance. O que eu estou esperando? Harry esta quase implorando por mim e eu o quero, por que simplesmente não posso dar meu braço a torcer pelo menos uma vez?
Droga, por que eu não acho alguém para conseguir seguir em frente? O máximo que eu consigo é uma paixonite impossível por Blásio Zabini, uma atração idiota que eu teria vergonha de admitir até mesmo para Hermione em voz alta e Blásio então... Tenho certeza que riria de mim por dias, ele é tão... Superior. Blásio elogiou meu trabalho uma vez, não da para explicar com palavras o quanto eu fiquei feliz, mas eu sei que não tenho chances reais com ele.
Então, eu deveria ir hoje?
—Ainda tem sentimentos por ele, suponho – Blásio afirma despreocupado, apesar de a frase sugerir interesse no assunto o rapaz nunca pareceu tão indiferente, parecia como alguém que pergunta a um colega se ele esta gostando do dia ensolarado apenas por que está claramente entediado. Isso, Blásio esta parece entediado.
—Não seja ridículo – eu reviro os olhos e suavizo o aperto da minha mão em seu braço ao perceber que estou o segurando com força demais
—Ele tem
—Quer mesmo falar sobre isso? – eu estou incomodada em falar sobre isso logo com alguém que também faz meu coração bater mais rápido.
—Você consegue seguir ordens e não por em risco essa operação? Você esta horrível, Ginerva. Harry afeta seu corpo e ti faz inútil para mim, eu preciso de sua mente limpa para seguir as minhas ordens.
—Você é direto demais – eu reclamei, ele é tão sincero e com isso tão rude! Por que eu tenho uma queda por ele?
—Eu estou ti falando a verdade, isso não é ser gentil?
—Não Blás, isso com certeza não é gentil.
Blásio formou uma expressão confusa no rosto que parecia ser um “eu tentei” e deu de ombros.
O rapaz negro parou de andar no meio do corredor, olhou em volta e empurrou uma pedra na parede, um ranger baixo se seguiu e a parede abriu em nossa direção como uma porta, revelando um espaço de um metro de diâmetro onde apenas uma pessoa caberia, eu.
—Suba por esse túnel horizontal, então vire a primeira a esquerda, o quarto do detetive O’hanoly é o quinto acima da sua cabeça.
—Como descobriu esse lugar? – eu dou um meio sorriso ao pensar que Blásio jamais entraria em um espaço tão pequeno, sua claustrofobia o faz precisar de mim para inúmeros trabalhos corporais.
—Elfos sabem de tudo. Agora suba, nós temos vinte e cinco minutos, abra a porta para mim por dentro e tente não fazer nenhuma bobagem
—Você é muito mandão, eu sou sua dupla, não sua assistente.
—Você o que eu quiser, deixe de ser chata.
Blásio esta sem paciência comigo, sua testa esta franzida e seus lábios em uma linha reta, eu adoro isso.
O rapaz virou-se para ir, mas eu o segurei.
—Epa! Não esqueceu nada?
—Não tem ninguém olhando – ele revirou os olhos
—E se tivesse? – é claro que não tem ninguém olhando e isso é besteira, mas eu adoro que ele me beije na bochecha toda vez que vai embora para simular carinho, faz eu me sentir melhor sobre tudo isso, é uma recompensa.
—Tanto faz.
Blásio beijou minha bochecha rapidamente e saiu grunhindo um: “garota insuportável”.
—Na próxima vez eu ti dou um beijo – eu cantarolei entrando no espacinho
—Vai logo!
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