Fracos

5 Capítulo 5: A passagem secreta


Notas iniciais
Capítulo demorou, mas saiu, e como os dois últimos ele ta grandinho. Fãs de Dramione, vcs vão curtir

Visão de Draco Malfoy

Pansy Parkinson tem uma fama clara sobre ser a vadia da Sonserina, uma pegadora compulsiva que não tem papas na língua e por mais que essa maldita bruxa latina seja uma louca descontrolada e atrevida, eu gosto dela, não de um jeito romântico e meloso, mas do tipo que eu posso xingá-la de vadia e outros não. Isso faz sentido? Não sei, só sei que Pansy é minha amiga.

Não é a primeira vez que meu egoísmo me leva a situações desconfortáveis, eu tenho uma infinidade de exemplos disso, mas desta vez, um idiota sequestrou minha amiga e eu não vou deixar barato, mesmo que eu tenha que me unir a sangue ruim, pois eu não posso deixar Pansy nas mãos de um assassino.

Enquanto eu conto a Granger tudo o que aconteceu, posso ver em seus olhos castanhos um misto de emoções, seus braços estão cruzados e ela respira devagar enquanto assimila toda a informação.

–Faz aproximadamente quantos minutos?

–20 minutos

–Quem mais sabe?

–Astoria estava comigo, nós a procuramos por todo lugar, sem rastros.

A castanha morde o lábio inferior e engole saliva com tanta dificuldade que por um minuto pensei que a sangue ruim estaria passando mal, mas talvez, ela só estivesse pensando seriamente no que me dizer.

–Eu não tenho todo tempo do mundo, Granger – eu digo impaciente – diz o que você sabe, ela pode morrer enquanto estamos aqui.

–E agora você se preocupa com a morte de alguém?

–E você não se preocupa? É tão boazinha

–Achei que o Príncipe da Sonserina só se preocupasse com ele mesmo.

–Eu sou muito surpreendente.

–Até onde você iria por ela? Mataria?

–Escuta aqui, Granger. – eu a empurrei para a parede e a encurralei, fazendo seu corpo magro bater com força nos tijolos, eu sei que ela esta com raiva, mas tento soar ameaçador quando digo – Você queria minha ajuda e agora você tem, eu não sei o que você esta escondendo de mim, mas até onde eu sei Pansy pode estar sendo torturada por esse maníaco agora mesmo, então se não for muito incomodo da sua parte, use essa sua cabeça inteligente em algo mais útil do que triângulos amorosos.

–Sai de perto de mim, Malfoy. Não quero você perto assim de mim, me da nojo.

Qualquer um que nos visse agora teria pensamentos maliciosos, a Granger só esta a uma palma de distância do meu rosto, nossos corpos estão muito próximos, tão próximos que sou capaz de ouvir seus rápidos batimentos cardíacos e sua respiração pesada, ela claramente não esta confortável com aquela posição, e eu nem eu estou.

Afasto-me dela e olho em volta no corredor procurando se mais alguém presenciou a cena, isso só geraria mais fofocas indesejadas. A possibilidade de eu e Granger unidos por qualquer sentimento com mais paixão que o ódio é ridículo.

A morena respirou fundo e disse:

–Trégua Malfoy, nós dois não vamos a lugar algum desse jeito.

–Talvez você tenha razão... – eu respirei fundo tentando me desvencilhar de toda a raiva e ódio que eu senti há alguns segundos atrás – Enquanto estivermos sozinhos trabalhando nisso, vamos fingir que não nos odiámos.

–Não estamos realmente sozinhos, — a morena suspirou, olhou para baixo e depois para mim como se aquilo fosse uma confissão altamente dolorosa – nós precisamos do Blás.

–Blás? –eu repito

Blás? Ela esta falando de Blásio Zabini. Não posso discordar que a ajuda dele seria bem vinda, mas o jeito que ela se referiu a ele demonstrava algum grau forte de intimidade, o que soa estranho quando eu nunca vi a Granger com um sonserino.

Blásio foi ao baile na companhia de Gina Weasley, e agora Hermione Granger se refere a ele com um apelido. Logo Blásio Zabini! Tem mais alguma coisa que eu não sei sobre meu colega de quarto?

–Sim, o Blásio Zabini, ele esta comigo nisso. – ela confirmou – Ele esta no quarto?

–Sim

–Traga ele pra mim, eu vou esperar... Droga! Onde pode ser?

–Terceiro andar, primeira porta a esquerda depois do banheiro feminino, um estúdio de dança.

–Nos encontramos lá em dez minutos.

Visão de Hermione Granger

Draco Malfoy não é confiável, é arrogante, grosseiro e egoísta. Por que eu confiaria nele?

Meu nível de stress está no pico, aquele garoto loiro sempre causa os mesmos efeitos de repulsa e ódio em mim, ele nunca conseguiu ser ao menos educado comigo, e é o primeiro da minha lista de coisas que eu jamais sentirei falta quando eu penso nos meus anos em Hogwarts, e agora o destino me obriga a trabalhar em um caso de assassinato e sequestro em conjunto com ele, isso com certeza só pode ser algum tipo de castigo das forças do universo. E como se não bastasse, terei que reunir coragem para contar minha verdadeira origem para ele e depois torcer para que ele não resolva contar isso para Harry.

“Isso não seria problema se Harry já soubesse” foi o que Gina me disse, e apesar da raiva que eu senti com esse comentário, ela tem toda a razão, para uma garota tão inteligente eu poderia ter sido mais esperta, e ter contado a verdaade para ele pelo menos assim que a guerra teve início.

O estúdio de dança onde Malfoy marcou o encontro é muito aconchegante, a sala é limpa, bem iluminada, e cercada de espelhos e barras de exercícios de dança, por sorte, há também um conjunto de dez poltronas no fim da sala onde eu me sentei com Gina.

Sim, eu trouxe Gina comigo, ela insistiu em vir quando eu contei o que aconteceu com a Parkinson, nenhuma de nós duas tem qualquer laço com a famosa vadia da Sonserina, mas se isso aconteceu com esta garota, podem vir coisas piores por aí. E no fim das contas, Gina pode não ser tão inteligente quanto Blásio e eu, mas não é inútil, sua força e determinação seriam úteis em algum momento.

–Por que trouxe a Weasley? – é a primeira pergunta que Malfoy faz ao entrar na sala com Blásio.

–Não é óbvio? Ginerva insistiu em vir – Blásio respondeu

–Gina, Blásio – a ruiva corrigiu – só Gina, por favor.

Mordo minha língua com força rompendo meu impulso de provocar Malfoy sobre Gina ser mais confiável que ele.

–Vamos logo ao mais importante. Blásio, o que você conseguiu? – eu pergunto ao moreno

Com alguns movimentos de varinha, Blásio soltou uma rajada de luz azul que pintou uma das paredes de espelho, a luz azul se comporta como um borrão vivo no espelho que se adaptaram até virarem números, duas sequências numéricas, a primeira era a de Nott: 4-5-3-5-13-2-18-5 e a outra era nova 14-15-22-5-13-2-18-5.

Blásio abaixou a varinha, mas a numeração continuou no espelho.

–O assassino deixou uma sequência numérica de sangue na parede nos dois crimes, ele fez questão que eles fossem vistos. Theodore Nott foi morto no jardim, mas seu corpo foi arrastado para um corredor do castelo, foi jogado do lado de uma parede de pedra onde seria mais fácil deixar a numeração, na cidadela na Ilha, Scoot Rogers foi encontrado da mesma maneira, mas com uma nova numeração.

–Alguma ligação entre Nott e Rogers? – Malfoy pergunta

–Não, nenhuma até onde sei. Scoot Rogers nasceu e cresceu na Ilha Pégaso, e neste lugar só entram bruxos convidados a morar aqui, sem chance de Theodore Nott ter cruzado na vida com ele antes de Hogwarts ser convidada.

–Qual foi o espaço de tempo entre os dois assassinatos? – eu pergunto

–Quarenta minutos aproximadamente – Blásio responde com segurança.

–Tão pouco... No castelo e fora. Poderiam ser dois assassinos?- Gina pergunta aproximando-se do espelho onde as numerações estavam para olhar mais de perto

–Não,- o moreno respondeu – é o mesmo assassino, eu olhei as anotações da assistente do detetive, foi feito exatamente igual.

–Como fez isso?

–Eu roubei, mas já devolvi, ela não perceberá. A questão é como chegou tão rápido de um ponto para o outro, ele gastou tempo apagando provas, foi muito cuidadoso.

–Eu tenho um palpite, — Draco Malfoy diz por alto e todos nos viramos para ele – Celestina Warbeck me contou que a Ilha Pégaso era porto de Piratas sombrios, deve haver uma rota subterrânea que liga o castelo para a cidade, havia um mapa com todas as passagens que ela guardava na sala dela, e ele foi roubado ontem pela manhã.

–Esplêndido! – Blásio bateu uma palma – Então já sabemos como ele conseguiu e baixa nossos números de suspeitos, o nosso assassino chegou ontem no mesmo navio que nós.

–Mas e a numeração, o que significa?

–Não sabemos ainda, Gina – eu respondo – alguns número como 5 e 13 se repetem, mas não parece uma real sequência numérica.

–Apesar de o assassino chamar de sequência, eu estudei cuidadosamente cada numeração e ainda não achei um significado, não parece ser nada mais que uma combinação de números – Blásio diz com os braços cruzados e olhos vidrados no espelho – a não ser que a sequência ainda não tenha acabado.

–Suponho que sim – eu suspiro

–Mais mortes? – Gina soa preocupada – O que ele quer?

–Pansy é a próxima vítima?

–Suponho que não, Malfoy, – eu respondo – isso quebra o padrão dos assassinatos, este sequestro só esta servindo para ti atrair para isso, esse cara gosta de brincar, é um sádico, e por algum motivo quer você e eu nisso. Blásio, acha que é alguém ligado a nós dois?

–É o mais comum – o moreno deu de ombros

–Você e eu somos completamente diferentes, é quase impossível que nós tenhamos alguém em comum, – Malfoy diz olhando para mim – quem poderia ser?

–Eu não sou o assassino – Blásio anuncia enquanto se senta em uma poltrona

–Ninguém aqui disse que era – Gina o olhou desconfiada

–Eu só estou adiantando o que todos dessa sala com sua mente limitada irão pensar em breve, — ele sorriu – mas eu não fiz isso, você estava comigo, Ginerva.

–É Gina!

–Blásio não é o nosso psicopata, — eu reviro os olhos – qualquer assassinato vindo das mãos dele seria mais pomposo do que simplesmente cortar gargantas e arrancar olhos.

–Ok... Quem mais poderia ser? –Gina perguntou olhando dessa vez apenas para mim e Malfoy

–Não sei... – Malfoy suspira passando as mãos nos cabelos loiros como se fosse arrancá-los, claramente preocupado com a raptada.

–Então o que faremos agora? Estudamos a numeração? Só isso?

– Malfoy vai a diretoria registrar o sumiço da Parkinson, Gina e Blásio vão aonde Nott foi achado, deve ter alguma passagem secreta por lá, eu vou começar a pesquisar na biblioteca sobre olhos de bruxos, — eu começo a passar os deveres de cada um, ninguém me nomeou líder, mas como nenhum reclamou eu decidi continuar — o assassino levou eles intactos, pode ser uma peça importante do mistério. O jantar vai ser servido dentro de meia hora, estejam lá, o assassino provavelmente vai estar lá e vai estranhar o sumiço.

–Acho que esquecemos uma coisa importante

–O que Blásio?

–A Ilha Pégaso é privada, Celestina Warbeck é a dona do castelo e a cidade, nenhum navio ou barco entra e sai sem sua permissão.

–E o que isso importa agora? – Gina esta impaciente com o moreno

–O assassino não pode sair daqui, — eu concluo o pensamento de Blásio em voz alta – Pansy ainda esta aqui, provavelmente presa em uma das passagens secretas do castelo.

Visão de Draco Malfoy

Registrar o sumiço de Pansy não foi fácil, a velha diretora ficou preocupadíssima, fazendo incontáveis perguntas e minhas respostas a deixava ainda mais perturbada com o assunto, por fim, ela só me deixou sair de sua sala quando eu entreguei a carta que eu recebi do assassino, a carta com certeza serviria de evidência mais tarde, mas é claro que eu não contei sobre o que nós estamos fazendo.

Assim que fui dispensado, segui para o salão principal, ainda não é hora do jantar, sou um dos primeiros a se sentar-se à mesa da Sonserina, há algumas cadeiras de distância vejo Gregory Goyle. Gregory sempre foi um lacaio meu, ele não desobedecia minhas ordens, não faltava com respeito, me obedecia feito um cachorrinho e eu sempre adorei isso, até que Vincent Crabbe morreu, então desde esse acontecimento meu cachorrinho começou a ter pensamento próprio e deixou de me seguir, ele também escapou por muito pouco de Azkaban, e agora esta aqui sentado à mesa comigo me ignorando completamente.

–O que esta olhando? – o garoto me pergunta com sua voz grave, ele não espera que eu responda, levanta-se e se senta do outro lado da mesa, muito longe de mim.

–Os tempos mudam, não é? – eu ouço uma voz conhecida, a dona da voz suave e sensual senta-se ao meu lado esquerdo, seus lábios pintados de um tom rosa avermelhado me chamam a atenção imediatamente – Em um minuto você esta nu debaixo nos meus lençóis e no seguinte escolhendo a data de casamento com minha irmã, estou um pouco nostálgica esta noite...

Eu baixo os olhos e vejo seu generoso decote em sua blusa branca, Dafne Greengrass é uma das mulheres mais bonitas que eu já tive na cama, lembranças e a visão privilegiada me fazem sentir um breve arrepio.

–Se oferecendo para mim outra vez, Dafne? – eu dei um sorriso de canto virando meus olhos para outro lugar – Tem um anel de noivado no meu dedo.

–Tem correntes no seu pênis? — ela pergunta sem rodeios, eu não a estou olhando neste momento, mas sei que existe um sorriso malicioso no seu rosto – Você esta calado, eu não me lembrava de que era tão tímido, espero que isso não afete sua performance na cama.

–Nada atrapalha minha performance querida, ela só não será com você – eu a olhei

–Vamos Draco, pare de bancar o certinho, nós dois sabemos que isso não combina com você. Draco Malfoy é um garoto mau, esses olhinhos cinzentos não me enganam. Você não esta com Astoria por amor.

–Não, não estou. Isso importa? – eu dei de ombros – Aqui vai outra verdade, eu nunca mais vou tranzar com você Dafne.

–É, eu temia que não.

–Então por que esta aqui?

–Por que eu deveria ser a próxima Sra. Malfoy, não esta fedelha – ela diz com olhar de nojo, eu não consigo evitar rir – do que esta rindo? Eu sou como você Draco, e seria muito melhor do que ela, eu sei que se nosso pai não tivesse dado ela a você em casamento por causa desse acordo, eu teria sido a escolhida por você, por sorte, acho que essa situação ainda pode mudar para nós.

–A inveja que você tem de Astoria é ridícula, e para a sua informação, eu escolhi casar com Astoria, ficar com você nunca foi uma opção, você sempre foi só mais um depósito de esperma para mim, Dafne.

Minha boca mal havia sido fechada para dizer a última palavra quando fui atingida por um cuspe no rosto vindo da loira.

Dafne estava vermelha de raiva, respirou fundo, apertou meu pulso e disse:

–Você vai se arrepender disso, Malfoy.

Uso um guardanapo para limpar o cuspe do meu rosto enquanto vejo Dafne levantar e se sentar longe de mim com outras sonserinas de sua idade, de longe vejo sua deliciosa bunda balançando e eu quase me sinto arrependido pelo que disse

–Tudo pelo dinheiro. Eu vou conseguir minha fortuna de volta – eu fiquei repetindo para mim mesmo.

Pouco depois, Astoria sentou-se ao meu lado.

–O que estava falando com minha irmã? Ela parecia brava.

–Nada.

–Hum... E como foi a reunião?

–Eu prefiro que não se meta nisso, Astoria.

–Pansy é minha amiga...

–Eu vou cuidar disso, — eu a interrompo – e você pode perder quanto mais tempo quiser me fazendo perguntas, mas eu não vou ti dizer nada.

Astoria não perguntou mais nada depois disso, se calou e provavelmente ficou chateada, mas eu não liguei, melhor chateada do que morta.

Os minutos passam se arrastando e devagar o salão principal começa encher, uma mesa em particular me chama a atenção, a mesa dos convidados para nosso mês de festividades, que por causa do acontecido foi adiado para o próximo dia, amanhã as atividades começariam de verdade, observo que o ministro da magia não esta mais aqui, e nem seus associados.

O foco das atenções da maioria dos alunos é Viktor Krum, o jogador de Quadribol, ele por outro lado também tinha um foco entre os alunos, Hermione Granger. Krum observava a Granger que esta sentada a mesa da Grifnória conversando com seus amigos idiotas, eu sinceramente nunca entendi o que Viktor Krum viu nela, aquela menina parece nunca ter ouvido a palavra maquiagem, usa roupas estranhas, seu cabelo é uma bagunça e aquele jeito de achar que sabe de tudo é insuportável.

Isso só me leva a pensar que os rumores estão certos, a sangue ruim deve ter usado algum tipo de poção do amor nele, somente isso pode explicar o comportamento dele.

Antes do jantar ser servido, a diretora Minerva McGonagall deveria fazer os avisos da noite, e a velha esta muito séria, Celestina Warbeck esta ao seu lado sentada, com os braços cruzados e olhos transmitindo determinação, eu vou ter que ir a sala dela alguma hora, antes que ela me chame.

Finalmente, McGonagall levanta e diz em bom som:

–É de conhecimento geral os tristes acontecimentos da madrugada passada, por causa do acontecido as atividades foram atrasadas por um dia, mas podem ficar tranquilos, amanhã as festividades seguirão normalmente. Esta tarde o corpo de Theodore Nott foi transportado para fora da Ilha, em Londres serão feitos os testes da autopsia e o corpo será velado pela família, o corpo de Scoot Rogers, um cidadão da cidade de Pégaso, Ilha de Pégaso da nossa querida anfitriã Celestina, será velado amanhã pela manhã por sua família. Foi votado pelo conselho que o castelo terá sua segurança reforçada, a partir desta noite, ninguém pode estar fora dos seus aposentos após as 21h, teremos uma patrulha à noite toda, até o amanhecer os corredores, salas e salões serão vigiados por olhos humanos, respeitem nossos seguranças e obedeçam as normas a não ser que queiram sofrer detenção, sem mais anúncios, desfrutem do jantar.

***

Não consigo ficar parado, é quando estou sozinho que sou atingido por inúmeras possibilidades de como Pansy pode estar, o incomodo chega a ser pior que sentir aliança de noivado no meu dedo, eu sei que não serei muito útil, mesmo assim acompanho Blásio e a Weasley em sua missão.

O relacionamento da ruiva e o meu amigo moreno é claramente uma farsa, os dois não parecem ter qualquer tipo de envolvimento romântico, às vezes Blásio parecia muito impaciente com ela, assim como ela é com ele, no fim das contas, eles são um show a parte, é divertido assisti-los.

–Estão sentindo isso? – Blásio pergunta de repente andando de uma coluna para outra.

A Weasley e eu paramos, olhamos em volta por alguns segundos, nos esforçamos para nos escutar ou sentir o que quer que fosse, mas eu não senti nada, e pela expressão da ruiva creio que ela também não.

–O que? – ela pergunta.

–Uma passagem de ar... – Blásio sussurra enquanto encara a parede de pedras, ele apalpa as pedras, bate suavemente procurando alguma porta.

–Eu tenho notícias, — eu ouço a voz de Granger de repente, ela se aproxima com um livro de capa preta e grosso – eu encontrei informações interessantes, já ouviram falar que os olhos são a janela da alma? Isso tem uma base mágica. Roubar os olhos de um bruxo tem um significado forte, é uma maneira de capturar sua alma, uma vez capturada ela pertence a você, e pode ser usada em seus próprios fins, que são geralmente ligados à magia negra. Há uma infinidade de poções e feitiços que utilizam uma arma roubada, eu vou precisar de algo mais específico.

–Muito boa Hermione. – a Weasley sorriu para a amiga arrumando sua mochila nas costas

–Pra que sua mochila?

–O Blásio trouxe alguns materiais caso fosse necessário e pediu para por na minha mochila, ele não é muito atlético.

–A Weasley é os músculos e Blásio é o cérebro... – eu pensei em volta – Estranho.

–Encontraram a passagem?

–Agora mesmo – Blásio respondeu empurrando uma pedra.

A parede range como uma porta de ferro enferrujada, se desloca, recua alguns centímetros para trás e se afasta para abrir passagem. O cheiro é de mofo, ele penetra nas minhas narinas trazendo um desconforto, a sensação é de que as paredes ti engolirão, e se não fosse o bastante, a escuridão não nos deixa enxergar mais que meio metro a nossa frente.

A corajosa Weasley é a primeira a dar um paço para dentro da passagem, no mesmo instante, uma tocha na parede se acende de fogo, mais dois paços e a próxima tocha ascende, as trevas dão lugar a luz e se torna possível ver o corredor.

–Vamos agora? – a ruiva pergunta

“Sim”, “não”, Granger e eu respondemos na mesma hora, nós nos olhamos e ela é a primeira dizer:

–É quase o toque de recolher, o que acontece se formos pegos?

–E o que acontece se a Pansy estiver lá?

–Mione, ela pode estar precisando de ajuda – a Weasley insistiu.

–Tudo bem, faremos isso pela garota. – a castanha se deu por vencida – Então vamos, Blásio vai ficar aqui.

–Eu acho que seria bom que ele fosse...

–Não, Malfoy, não seria nada bom, Blásio é claustrofóbico.

–Eu fico aqui, se um guarda aparecer, eu me escondo no jardim. – Blásio anuncia segurando sua varinha – Eu posso me defender se o assassino aparecer

–Então Blásio Zabini não é tão durão assim – a Weasley sorriu zoando com o rapaz

–Com é mesmo que dizem? Ah... Todo o herói tem sua kryptonita,- o moreno respondeu sorrindo – se você não tem uma, claramente não é um herói.

–Heróis salvam vidas por que é a coisa certa a se fazer, não por que é a caçada é excitante. Se continuar sendo este sociopata bizarro, um dia nós estaremos perseguindo os rastros de assassinatos deixados por você, psicopata.

–Se eu me tornar um psicopata, querida, vocês jamais desconfiarão de mim. Talvez eu seja um sociopata, que mal tem isso? Emoções não acrescentariam em nada o meu intelecto.

–Ah, por favor, sejam menos ridículos – a Granger revirou os olhos.

–Eu não estou interessado se vocês se odeiam, ou se tranzam nas horas vagas, o problema é de vocês, — eu digo com firmeza em cada palavra — normalmente Granger e eu estaríamos tentando se matar em um momento desses, mas nós conseguimos fingir que não nos odiámos por um motivo maior, duas pessoas morreram e uma garota foi raptada, se não estivermos juntos, é capaz de nós morrermos.

–Esse é o ponto que eu quero chegar, esse ser arrogante não se importa se um de nós morrer.

–Ele se importa Weasley, não por causa de sentimentos, mas por que ele não quer perder este jogo. Aceite isso, Blásio é um sociopata, mas esta do nosso lado hoje.

–Aliás, quem teve a ideia de fingir o namoro? – um sorriso irônico escapa dos lábios da Granger, ela põe as mãos na cintura e continua – Ninguém é burro pra acreditar nisso aí, principalmente a mamãe, Blás.

–Mamãe? – eu repito a palavra olhando para a castanha, aquela palavra parecia completamente deslocada no resto da frase.

A castanha só teve consciência do que disse depois que eu repeti a palavra, ela fechou os olhos e respirou fundo, a sua amiga Weasley tornou-se pálida quanto o papel, ao contrário do insensível Blásio que não esboçou nenhuma reação, típico do rapaz.

Olho para o rapaz e a castanha que trocam um olhar cumplice e no estante seguinte as peças começam a se encaixar

–Irmãos...

–Não é o assunto para o momento, nós estamos perdendo tempo – a castanha decide não me olhar ou para qualquer um, apenas seguiu caminho para dentro da passagem secreta.

A Weasley é a próxima a entrar, seguindo a amiga, eu sou o último e capricho no meu olhar de “depois a gente conversa” para Blásio quando passei por ele.

Blásio é a “amizade perfeita” para mim, e eu uso aspas para falar sobre isso por que não é exatamente uma amizade convencional, nenhuma das minhas amizades é, mas este rapaz é um caso a parte. Não existe cobranças, ciúmes, inveja, ou qualquer adjetivo que possa ser associado a sentimentos, por que ele não tem nenhum, ele sempre sabe o que eu quero, eu não preciso dizer, por que seu impressionante dom de dedução o alerta, nós nunca vamos brigar por causa de meninas, por que é possível que ele talvez nem goste da mesma fruta que eu – quem esta perdendo é ele – a verdade é que o que nos une é nosso senso de lealdade um para com o outro.

A passagem secreta só tem uma direção. Nós descemos uma escada em nosso caminho sem dificuldades, pois a tochas encantadas acendiam a cada paço, então chegamos em um ponto em que haviam dois corredores, um a direita e o outro a esquerda, pela primeira vez os dois com o chão de barro.

–Vamos seguir a direita, é o único caminho sem teias de aranha, alguém passou aqui recentemente.

–Espera, Hermione. O que é isso?

A ruiva esta olhando para uma parede, ela passa os dedos com pressa para limpar uma figura na parede, quando ela termina podemos ver a cabeça de um Pirata sombrio retratada na parede.

–É uma forma de indicar o caminho certo ao pirata e enganar os invasores, usado pelos piratas quando projetaram essas paredes há milhares de anos atrás. Pode significar qualquer coisa.

–Os olhos são tão profundos...

A ruiva tocou nos olhos do retratado na parede, de repente o chão tremeu e se abriu debaixo de nós, tudo tão de repente, tão rápido, que não tenho certeza de como aconteceu.

–É uma armadilha!

Sem tempo de nos agarramos a nada, Granger e eu desabamos, caindo na abertura abaixo de nós, um poço com duas vezes o meu tamanho e nada na parede para se segurar, por sorte, a Weasley se agarrou as pedras quebradas nas paredes ao lado do pirata, graças a sua força adquirida pelos anos no Quadribol, ela não caiu, ao contrário da sua mochila que estava apenas sobre um ombro e deslizou de suas costas.

Eu sou o primeiro a cair no chão do poço, batendo violentamente em uma pedra, por conta do espaço pequeno do fundo, Granger cai por cima de mim no mesmo instante em que atinjo a pedra, pode se ouvir um estalo horrível vindo do meu corpo, provavelmente quebrei algum osso, um grito de dor escapa dos meus lábios quando eu sinto o impacto.

–Hermione!

–Gina! – a castanha grita pela amiga levantando-se de cima de mim, mas eu continuo no chão sem conseguir me mover, sentindo apenas uma dor absurda na perna direita.

Da mesma maneira que o poço abriu, ele se fechou acima de nós, a Wesley esta gritando desesperada, é a última imagem que vemos até ele fechar completamente e ficarmos completamente no escuro.

– Lumos Solem, – ouço Granger dizer e uma luz ascende de sua varinha iluminando todo o poço, ela esta ofegante, nervosa, com os olhos para cima olhando o lacre acima de nossas cabeças, ela só olha em minha direção quando eu no chão tento mover a perna e solto um gemido – você esta bem?

–E por acaso eu pareço bem? – eu respondo grosseiramente

A pedra rasgou minha calça, minha pele e deixou um ferimento fundo na minha perna, estou ensanguentado e dói mais do que qualquer coisa que eu já experimentei. Se a Granger não tivesse caído sobre mim, o ferimento não teria sido tão ruim, e de certa forma eu tenho raiva dela por causa disso, não foi intencional, mas eu preciso culpar alguém.

–Hermione! Malfoy! – ouvimos a voz distante de Gina acima de nós – Vocês estão aí?

–Sim! – Granger gritou de volta – Malfoy esta ferido! Chame o Blás!

–Ta!

–E se ele não vier? – eu pergunto à castanha – Ele é claustrofóbico

–Ele vai ter que vir... Não da pra aparatar no castelo, e todos os feitiços que eu consigo pensar serão um perigo pra você ou vai matar nós dois, qualquer desmoronamento e acabou para a gente. – ela sentou-se no chão há alguns sentimentos de mim — Isto dói muito?

–Sim

A castanha desviou os olhos do meu ferimento e olhou em volta, o fim do poço não tinha mais que um metro, um espaço mínimo que nos obrigava a ficar muito próximos, mas também era muito alto. A garota tocou a parede, procurou pelo chão, olhou por muito tempo o teto lacrado, concluiu um pensamento e disse:

–Este poço tem cerca 1,7 metros cúbicos de ar são apenas 20 % de oxigênio para duas pessoas, isto nos da apenas doze horas de oxigênio, depois disso vamos morrer.

–Morrer?! Desse jeito com você? – eu gritei, movendo meu corpo por impulso, soltei um gemido de dor, e mais uma vez voltei a falar, só que com um tom mais baixo e não menos revoltado — Eu não posso morrer Granger, eu tenho muito que fazer.

–Ora, me desculpe, também não estava nos meus planos morrer do seu lado.

–E o que fazemos?

–Esperamos alguém nos resgatar...

–Não... Não pode ser, tem que ter algo que a gente possa fazer.

Pansy Parkinson. Narcisa Malfoy.

As duas mulheres que precisam de mim vivo lutando por elas... Se eu morrer, elas também morrerão.

–Não, não tem, — a castanha virou para mim com os olhos suplicantes – não tem nada, Malfoy, nada que eu possa fazer.

–Não... – eu fechei os olhos e bati minha cabeça contra a parede atrás de mim – Não pode acabar assim

–Gina sabe onde nós estamos, ela vai trazer ajuda e vão nos tirar daqui, nós temos doze horas.

–E o que eles vão fazer? Explodir aquela coisa enorme que serve de lacre? Se fizerem isso nós vamos morrer, esse lugar deve ser algum tipo de câmera mortal que os Piratas usavam.

–Eu sei... Eu não sei como eles farão isso, mas farão.

–Ok... Ok. O que acha? O grande herói Potter vem nos salvar? – eu sou sarcástico – Com seu incrível instrumento de atravessar paredes?

–Você é um idiota, Malfoy. Eu realmente não sei se devo tacar uma pedra no seu ferimento ou ti matar pra sobrar mais oxigênio pra mim.

–Vamos lá, me surpreenda.

A garota de olhos castanhos fez algo surpreendente depois de ouvir meu comentário... Ela riu.

–É, você me surpreendeu – eu admiti em um sussurro

–Às vezes... Eu ti acho engraçado – ela sorria pra mim

Não consegui ter reação. Minha resposta foi o silêncio.

Hermione Granger me acha engraçado?!

–Não me leve a mal, Malfoy. Você sempre fez da minha vida um inferno, às vezes é divertido brigar com você, e eu ti odeio, mas eu não quero que meus últimos momentos de vida sejam assim.

–Esse, Granger, é um daqueles momentos em que nós dizemos verdade por que logo logo vamos morrer? – eu pergunto com um meio sorriso – Patético... Mas eu não tenho pra onde fugir.

–Sim... Me chame de Hermione.

–Tudo bem... – eu respondo tentando ignorar todos os meus instintos Malfoy que queriam que eu fosse superior a sangue ruim até o último suspiro – E eu sou Draco.

–Então... Draco. –ela demorou a dizer meu nome como se apenas o som saindo de sua boca fosse anormal, eu tive a mesma a sensação – Enquanto você esta aqui, sabendo que pode morrer, em que esta pensando?

–Minha mãe esta internada com Lithius, ela não teve melhora desde que foi internada... Eu não tenho dinheiro pra pagar um hospital particular, nem o médico da família.

–Por causa da investigação... Você não pode mover 100% do que tem.

–Só tenho 10%. Minha noiva é filha do juiz que irá me julgar, este casamento faz parte do acordo.

–Você não é tão mau quanto eu imaginava...

–Por que acha isso?

–Fez isso pela sua mãe, e agora pela Parkinson.

–Não se engane comigo, Hermione... – eu paro de falar, então começo a narrar o que eu estou sentindo — Eu não me sinto bem, estou um pouco agitado, e dói mais do que antes, esse lugar é muito pequeno.

–Você deve ter a síndrome compartimental.

–E o que é isso? Não... Pula pra parte importante. Isso é tipo terminal?

–Não. Mas não vai parar de doer, vai ficar pior, pode entrar em estado de choque. – a garota olhou em volta e pegou a bolsa da Weasley que caiu conosco, ela estava procurando algo e provavelmente achou, por que parou e olhou pra mim – Tem uma coisa que eu posso fazer, mas você não vai gostar.

–O que?

–Uma pequena cirurgia.