No tempo que se passou ate eu ter que me mudar eu fui me afastando cada vez mais do meu pai. Ele só se importava com sua maldita vidinha com aquela mulher, nada que complicasse isso ele fazia. Mas eu não me cortei mais, eu se quer tive a ideia, esse pensamento "substituir a dor emocional pela física" nunca passou pela minha cabeça. Quando me cortei foi o momento de raiva, eu só queria descontar. E é claro aproveitei ao máximo meu tempo com minhas amigas, ia a casa delas todo dia e dormia la pelo menos uma vez por semana. Mas meus irmãos contaram isso pro meu pai e ele não aceitou, sair de casa todo dia era coisa de vagabundo. Ele insinuava que eu era puta por causa das minhas roupas com decotes, mas eu nem me vestia tão assim, qualquer coisa com mais decote que uma camiseta, colada ou mais pra cima do joelho era coisa de puta. Também fiquei amiga da filha de um amigo da minha mãe, e ele ficou irritado pois ela era " do povo da sua mãe". Eu já não aguentava mais.
Então fomos a chácara do pai dessa minha amiga, a Priscila. Dormimos la e no dia seguinte fomos pra piscina depois do almoço, mas quando estávamos passando pela cozinha minha mãe estava pegando uma cerveja na geladeira. Ela estava meio bêbada e nós paramos pra falar com ela. Mas ela deixou a garrafa cair no chão, voaram cacos pra todo lado. Um caco de uns cinco cms entrou na minha perna. Minha mãe saiu pra pegar uma vassoura e nem viu. Já a Priscila se desesperou, ela fica tonta e desmaia quando vê sangue. Mas eu achei legal ver o sangue escorrendo por minha pele e a dor nem me incomodou. Mas eu queria ir pra piscina então só o retirei de uma vez, a Priscila quase surtou. Ela me pediu pra limpar e eu só passei a mão e corri pra piscina e depois ainda fiquei cutucando, eu não queria que o corte fechasse.
Dai ela começou a me chamar de masoquista. Um tempo depois ganhei um daqueles mini frascos de perfume, que se coloca um pouco do perfume que se esta usando pra repassar na festa. E me falaram para por o que quisesse naquele frasco. Uma pessoa normal teria pensado em por perfume, ou sal, açúcar qualquer coisa teria sido mais normal. Mas eu pensei que ficaria lindo cheio de sangue, seria legal. Quando estava sozinha em casa pequei a faca mais afiada e coloquei sobre meu dedo, fechei os olhos e cortei com a velocidade. Mas assim que doeu tirei ela e quase gritei com a dor, não foi legal. Mas não saiu muito sangue e nem uma gota desceu, porque eu nem sabia como fazer isso e não tive coragem de cortar outro dedo.
Pouco antes de me mudar briguei feio com meu pai, eu queria que ele lutasse por mim, se esforçasse para participar da minha vida. Mas eu já tava cansada de lutar por ele. Chorei por horas e me mudei sem falar tchau. Pra piorar na nova escola me colocaram para sentar no fundo junto com outras alunas novas. No inicio eu me dava bem com elas, mas quando elas formaram amizade entre si as coisas ficaram tensas. Elas eram funkeiras, usavam drogas e viviam em festas cheias de putaria. Eu era estranha por ser rockeira e fui me isolando. Eu não tinha nada pra fazer e descobri que um menino da frente queria ficar comigo. Resolvi me aproximar dele porque não tinha nada melhor para fazer e estava entrando em depressão pela saudade e solidão.
Eu disse pra nossa professora conselheira que meus óculos estavam ruins e precisava sentar na frente e por coincidência o lugar do lado dele era vago. Imediatamente cortei relações com os funkeiros drogados do fundo. Eles fumavam maconha no banheiro da escola e o apelido de uma delas era menina do boquete, eu odiava esse meio. Mas em vez de ficar próxima do menino eu fiquei do grupinho que sentava na minha frente. Eram rockeiros e gostavam de animes, perfeito formei amizade muito rápido. Eram duas meninas, a Amanda uma morena quieta e a Vanna que era bem pequenininha e magrinha, tinha um lado da cabeça raspada. E dois meninos o Guilherme e o Valdo.
Elas se cortavam, a Amanda tinha umas cicatrizes bem fundas. Eu achei legal e acabei falando que também fazia. Conversamos muito sobre isso. Então minha amiga Kariny entrou no meu facebook pois sabia minha senha e falou com o menino, ele falou que com certeza não ficaria comigo e não gostava de mim, nem me conhecia. Eu fiquei com raiva e ao chegar em casa peguei a gilete no banheiro e cortei a ponta de um dedo meu. Saiu pouco sangue, mas eu pus no potinho. Com mais velocidade eu cortei outro dedo e saiu mais sangue. Eu ainda amarrava e desamarrava o dedo pro sangue sair mais rápido. E passei o dente quando começou a parar pra tirar o sangue coagulado. Com isso enchi o potinho todo.
Mas quando fui dormir me senti mal. Eu ficava me perguntando varias vezes "o que eu estou fazendo?" e as vezes me respondia " Eu não sei". Estava fazendo algo horrível e errado por simples vontade de ver sangue. Eu me sentia bem olhando pros cortes e pro potinho. Eu pesquisei sobre isso e falava sobre garotas com depressão e termos genéricos. Mas ninguém fazia porque queria ver sangue.
Depois conversei com a Vanna pelo face, ela me contou que gostava de se cortar, gostava de sentir dor. E eu comecei a pensar assim quando me machucava, é só dor. Eu sem querer apertei meu dedo na gaveta. Primeiro comecei a balançar a mão como todos fazem. Depois parei e fechei os olhos pensando " é só dor" e fiquei sentindo a sensação. É engraçado como pelo simples fato de adotar esse pensamento eu não ligava mais pra dor. Não tinha cuidado com facas nem nada assim, o máximo que aconteceria era me cortar, que mal tinha. Mas continuava me perguntando " o que eu estou fazendo?". Mas eu simplesmente não sei.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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