Four Seasons

10 VIII - Fix You


Notas iniciais
Olá meus anjos, como estão? Se sei que à 20 dias que não posto, mas houve aquele problema do site, e depois eu não tive tempo para escrever pois comecei a tirar a carta de condução. Espero que gostem, beijinhos!

“Lights will guide you home

And ignite your bones

And I will try to fix you” – Coldplay

O balanço do chicote de couro sobre a minha pele fazia rajadas de vento frio, eu teria resistido a tudo se eu pudesse pelo menos ter controlado o meu desejo naqueles pequenos segundos.

Mantinha a mente em Drew, eu rezava para que ele não estivesse ali e mesmo não acreditando em Deus, eu implorava que se ele existisse acabasse logo com aquela dolorosa tortura. A prata ainda queimava-me a pele e eu sentia todas as minhas feridas abrirem de novo, urrei com a quinquagésima chicotada de couro com partículas de prata.

O salão estava em silêncio total, apenas o som do chicote a embater na minha pele e o meu grito eram ouvidos, estava pendurada pelos braços numa espécie de forca, mantinha as pernas abertas, a pele pálida já vermelha de sangue já estava rasgada, o olhar encarnado de odeio, pavor, faminto de vingança assombrava as bestas, que mantinham-se afastadas o máximo possível, os punhos cerrados já com os nós brancos da força exercida, o maxilar trancado e um rosto serio de quem já tinha sofrido o suficiente, e já não estava a gostar da brincadeira.

Urrei quando senti a prata chocar contra a parte superior do tórax fazendo-me curvar de agonia. Os dentes afiados brancos estavam salientes cercados de sangue, querendo espalhar seu veneno por aqueles imbecis que continuavam-me a torturar.

Não sentia o meu corpo, devagar os meus pulmões foram parando, como se fossem uma pilha no fim, já não sentia os meus batimentos cardíacos. Procurei Drew, mesmo com a visão embasada vi seus olhos negros quase lava olharem-me com pavor, “I’m so sorry” dei o meu último suspiro na esperança de ele poder-me ouvir, então fechei os olhos, sentido tudo ir-se e sentir-me pesada com o meu corpo suspenso no ar sofrendo aquele fogo.

– ALEXANDRE! – ouvi gritarem, levantei os olhos encontrando-o a decapitar uma das besta que chicoteava-me, ele parou na minha frente e varreu e estrangulou quem aproximava-se, até mesmo Beatriz que aproximou-se tentando tira-lo dali.

Seu corpo estava com marcas de dentes de bestas que o tentaram deter, mas nada havia adiantado, ele continuava em pé, com seus olhos dirigidos a Ivan, que tentava intervir, estavam cara a cara, e ninguém intrometia-se mais, teria de ser amo contra submisso.

– Ivan – sua voz rouca estava diferente, mais grossa rouca e ameaçadora, seu maxilar travado e seus punhos fechados, Imperium era ele e não Drew.

– O que queres Imperium? – Ivan sussurrou, senti uma pontada, tossi, sangue, merda!

– Afasta-te de Renesmee – ele rugiu

– Ela chama-se Olívia! – Ivan grunhi-o como se aquilo tivesse incomodando-o, até a mim incomodou-me

– Não! Ela é a encarnação de Renesmee – senti uma pontada e grunhi sentido a dor alastrar-se, as mãos suaves de Drew tocaram-me na bochecha, sorriu-me – Vou tira-la daqui, espere – seus olhos caramelos avermelhados nas extremidades voltaram num reflexo rápido até Ivan que iria atacar – O que acha que está a fazer? – a voz forte rugia mantendo Ivan estático. – Fica longe dela!

– Não desta vez Imperium – Ivan tentava lutar, o meu amo estava totalmente paralisado, e mesmo sendo um dos vampiros mais velhos dos E.U.A e mais experientes quando se fala em batalhas, ele estava ali, parado.

– Desta vez sim – Imperium sussurrou – Renesmee, a minha Renesmee morreu por tua culpa, ela foi roubada de mim, tu – ele gemeu – tu tiraste-ma, e levaste-a a este mundo insano e imundo de sanguessugas e sádicos – ele chutava as palavras com nojo.

Senti o corpo pesado, o sono abateu-me, eu que nunca sentira sono desta vez, se não fosse para sempre, eu iria dormir com vontade. Pequenas gotas salgadas soltaram-se dos meus olhos, então não era só Drew que tinha uma encarnação? Eu também, e estava destinada a morrer tal e qual como Renesmee? Que até à minutos atras eu não sabia que existira uma Renesmee.

Ouvi gemidos e urros, mas estava demasiado fraca para levantar-me e ver quem estava a ser alvo de ataque, se fosse Drew eu saberia não era? Mas nossa ligação pode ter terminado por eu estar tão fraca e mesmo morta. “Não lhe toques” senti algo puxar-me mas logo meu corpo foi solto, fiquei suspensa. “Arde no inferno Ivan!” ouvi o grunhido de Imperium.

Meu corpo leve foi levantado, os meus braços voltaram a ficar caídos, ouvia a respiração e súplicas de alguém que pegava-me como se fosse de porcelana. “Renesmee! Por favor!”

“Kyou umareta,

Kanashimi ga, sora maiagaru, Sora wa mezame

Kaze wo yobi, kono mune wa funueru,

Anata wo mamoritai, Unmei ni sawarita

Koboreta namida mune no kubomi wo,

Yorokobi de mitashitai no,

Its a Tender rain,

Anata no moto e kono uta ga, Todokimasu you ni,

Donna ni tooku ni hanaretaitemo,

Shinjiteru tsutawaru koto.”

A voz suave cantava sussurrando nos meus ouvidos, sentia água cair sobre a minha pele, as gotas salgadas sobre os meus lábios, o cheiro a um jardim acabado de ser molhado pela chuva e aquela voz melodiosa como um sopro de vento. “Por favor Liv, volta para mim…” a mesma voz suplicante e abafada pelo choro sussurrou-me.

Abri os meus olhos, senti o leve cetim aquecer-me, aquela sensação era tão boa, suspirei. Estava escuro, então apercebi-me que estava no meu caixão, e que aquele cetim fino e quente era o que abrigava-me quando eu sentia-me triste e fraca.

“Drew” lembrei-me, será que ele estava bem? Queria-me levantar, mas eu não tinha forças, nem para levantar a tampa do meu caixão. Ouvi de leve uma melodia, aquela que fez-me viver.

– Drew! – chamei, mas nada, apenas aquela melodia, a lua invadi-o o espaço pequeno e reconfortante do meu caixão, então aqueles olhos caramelos transbordados de água apareceram. Seus olhos brilharam ao ver-me, seu sorriso apareceu

– Liv? – sussurrou, assenti sorrindo – Oh Liv! – suspirou abraçando-me, o cheiro a terra molhada, aquele cheiro delicioso de chuva e fresco

– Shiu está tudo bem agora – sussurrei afagando seu cabelo, seu choro sessava em fungos constantes – Está tudo bem – murmurei

Ajudou-me a sair, agarrei no cetim, metendo-me quente, eu nem suportava o meu próprio peso, tentei ir até ao espelho, “Meu Deus”, sussurrei assustada com o meu aspeto, eu estava acabada, sem duvida muito melhor do que antes, mas estava desfeita. Deixei cair o cetim vendo o meu corpo inteiro, as minha cicatrizes estavam a saradas, mas então as marcas ficariam, e a prata ainda estaria a ferir-me.

– Quanto tempo? – sussurrei – Quanto tempo fiquei ali? – perguntei

– Uns dias – ele desviou o olhar, olhei-o através do espelho

– Quantos? – sussurrei, eu sei que não recuperava tão rápido, e ele estava apenas a ocultar a verdade, “333 dias” seu sussurro foi baixo para que eu não o ouvisse, mas isso não adiantou – Desculpa – gemi sentindo as minhas pernas cederem, seus braços agarraram-me

– Tudo bem, estás bem? – ele olhou-me preocupado, assenti, ele deitou-me dentro do caixão preto brilhante – Vou buscar algo para vestires – ele disse tapando-me com o lençol de cetim

Olhava-o, seus olhos caramelos estavam dirigidos à televisão que dava algum tipo de serie, estava tudo muito mudado. Drew acarinhava as minhas pernas enquanto eu olhava-o.

– Eih Drew – chamei-o, seus olhos dirigiram-se a mim, seu sorriso transpareceu – Como está a mãe? – ele suspirou

– Ela descobriu – ele murmurou desviando o olhar – Mas ela aceitou, ela vem cá todos os fins-de-semana, mas eu nunca permiti que ela te visse naquele estado – ele disse, ela apenas trazia comer, limpava a casa e acariciava o caixão, lava as tuas roupas e as minhas – ele disse – Ela sempre tentava abrir o caixão, mas então Imperium lançou sei lá o que no caixão para que ela não conseguisse abrir, ela queria sempre tratar de ti, mas Imperium e eu sabíamos que não era boa ideia, tu precisavas de repouso e cuidados diferentes dos que ela iria dar-te – olhou-me – estavas tão destruída que sempre que eu tinha de tratar de ti eu chorava e queria fugir, mas Imperium sempre ajudava-me e então ele sacrificou-se dando seu corpo

– Vocês são a mesma pessoa – sussurrei notando que ele não aceitava esse facto, ele sorriu

– Não, eu sou eu, ele é ele, Imperium só utiliza o meu corpo, nada mais – ele murmurou – Eu aprendi a controla-lo, mas quando se trata de ti, eu nunca consegui isso – ele murmurou, sorri, ele levava aquilo tão asserio

– Drew – sussurrei, estávamos em silencio à mais de dez minutos e eu não sabia á quanto tempo estava sem beber sangue e isso estava a fazer-me uma falta desnaturada, ele olhou-me – Há bolsas de sangue? – sussurrei, não controlei, e poderia sentir já os meus olhos ficarem vermelhos e os meus caninos saírem, ele negou

– Já não precisas de bolsas de sangue – ele sussurrou, olhei-o – agora tens-me a mim Liv – ele sorriu-me, neguei – Não resistas – ele riu – Tu sabes que queres-me – ele subiu por cima de mim – Bebe Olívia – ele sussurrou, inspirei seu pescoço, beijei-o sentido a pulsação contra a sua pele

– Amo-te – sussurrei antes de perfurar sua pele e sugar o seu delicioso sangue.

Notas finais
Os versos que encontram-se no meio da fanfic são versos de uma musica chamada Tender rain de Rena Maeda.