Four Seasons
7 VI - Blood
Notas iniciais
“Não existem pessoas frias, existem pessoas que aprenderam a bloquear seus sentimentos.” – House
Entrei devagar no edifício espelhado, não falei a ninguém apesar de todos olharem-me, a semana tinha passado rápido e eu tinha recuperado das dores físicas maiores, agora apenas cicatrizes ficavam e alguns hematomas maiores. Passei por Lara e apenas sorri-lhe, ela seguiu-me trazendo pastas nas suas mãos.
– Senhora fez falta aqui – ouvi-a dizer enquanto sentava-me – Trouxe-lhe as pastas com os preparativos para o festival do Japão
– Deixe-os aí, traga-me um café e pode sair – murmurei vendo a correspondência que tinha na mesa, ela assentiu, saiu rapidamente, em menos de dois minutos já voltava com um café. Ia a fechar a porta quando falei-lhe – Lara – ela olhou-me – Obrigada – ela assentiu e fechou a porta
A correspondência já tinha alguns dias, os suficientes para estar atrasada a responder. Iria passar varias horas ali, bebi o café e trouxe uma taça do líquido vermelho para perto de mim.
Os saltos altos embatiam no corredor perto do meu escritório e eu poderia afirmar ser Martha, a porta abriu-se de repente, ergui o olhar, estreitei o olhar lançando um olhar ameaçador.
– Porque só vieste hoje? – ela perguntou sem mais nem menos, ri-me
– O que tens a ver com isso? – ripostei, sua testa errogou em duvida
– Tudo! Precisamos de ti aqui, tiraste umas ferias foi? – fiquei seria o suficiente, levantei-me devagar, andei até ela
– Vamos ver se entendes uma coisa – rosnei – quem manda aqui sou eu, por isso eu falto quando eu quiser – murmurei – E se apetecer-me amanhã já temos outra advogada, estamos certas? – ela assentiu rapidamente – Ótimo
Segui novamente para trás da minha secretaria, Martha mantinha-se em pé no meio do meu escritório, fiz sinal para ela sair. No minuto seguinte já estava sozinha novamente, suspirei e continuei o meu trabalho como se nada fosse, quando dei por mim as horas já tinham passado, não almocei nem jantei, a noite já estava instalada na cidade e eu mantinha-me no escritório.
Os leves passos no soalho identificaram a pessoa, o terror atingiu-me, ele não poderia estar ali! “Maninha?” Ouvi sua voz através da porta enquanto leves toques ecoavam no espaço, suspirei tentando manter o temperamento. Mandei entrar, seus passos leves entraram no duplex, suspirei, “Na cozinha”, disse, guardei as bolsas de sangue e fui até ao fogão vendo se a carne já estava cozinhada. Seu corpo sentou-se e relaxou na cadeira, virei-me e fiquei contra a bancada, cruzei os braços e olhei-o. Seu sorriso era notável.
Notei que seu semblante estava diferente, havia algo de diferente nele, eu sabia disso, “O que foi?” semicerrei os olhos, “Não deveria ser eu a perguntar?”, interrogou-me divertido. Suspirei e desliguei o fogão, dei passos até ele e olhei-o nos olhos. “Não estou para brincadeiras Drew” repreendi-o, ele bufou, “Eu vi-te” ele sussurrou levantando-se indo até à mesa das bebidas, colocando um pouco de baileys no copo, sentei-me com uma taça de sangue, misturado com whisky, dando a aparência de vinho tinto de alta categoria, “É serio? Que ótimo!” revirei os olho.
– Bia tentou tirar-me de lá – sentou-se junto a mim – Mas não conseguiu – respirou fundo, abanou a cabeça como se quisesse tirar a recordação da sua mente – Ficas-te com muitas marcas? – meu corpo ficou inerte, o que ele queria dizer com aquilo? Ele viu-me a ser castigada? – Porque não me disseste que eras
Interrompi-o rapidamente – Tu viste o quê? – senti meu sangue ferver, merda!
– A mãe não ira gostar de saber que és uma sanguessuga – continuou seu discurso, arregalei os meus olhos, o que ele tinha-me chamado? Meu corpo ferveu
– O que chamaste-me?! – urrei, a força que exigi ao levantar-me e prende-lo na parede rasgou-me a pele, pude sentir as cicatrizes rasgarem, a memoria do chicote embater na minha pele fez-me fraquejar, senti todo o corpo ceder à dor, seus braços envolveram-me mas eu não suportava o toque – afasta-te – gemi, merda, preciso de sangue, mas ele está aqui, merda, caralho
O meu corpo cambaleava indo em direção ao frigorífico, Drew insistia em ajudar-me, mas minha repulsa era maior e estava a ficar descontrolada novamente. Procurava o tipo A+ no frigorífico, Merda, praguejei para mim mesma, eu estava a perder sangue à velocidade da luz, e meu lado vampírico já estava a sentir o cheiro de toda a vizinhança, principalmente de um em especial.
– Liv por favor deixa-me ajudar! Estas a esvaziar em sangue! – ele implorou – Merda Olívia! – gritou, senti o meu corpo embater no chão, mil vezes merda – Liv por favor! – vi-o tirar a camisa social – bebe – ele murmurou, neguei, eu não iria torna-lo no meu primeiro, não mesmo – por favor Liv – choramingou aproximando-se mais de mim
– Não Drew – gemi – por favor afasta-te de mim – implorei querendo controlar a situação – por favor maninho – chorei implorando
– Merda Liv – ele gemeu, seus olhos de mel encontraram-se com os meus de sangue – Eu não posso perder-te, prefiro ser sanguessuga a perder-te! – choramingou – Eu… Eu amo-te Liv – sussurrou beijando-me os lábios, merda eu não controlei, seu sangue seu cheiro chamava por mim, mordi seu lábio, e logo um fio de sangue escorreu por entre os nossos lábios
As minhas presas cresceram, segurei seu corpo e inconstei os meus lábios à pele nua do seu pescoço, aquele cheiro embriagava-me, “Por favor Liv”, sussurrou, ele estava-me a tocar… Os meus caninos perfuraram a pele de Drew, e logo uma veia de grande calibre, seu gosto inundou a minha boca, que sensação maravilhosa!
“Liv” seu sussurro fez-me despertar. Lambi o rasto de sangue no seu pescoço, seu peso estava sobre o meu corpo. Chorei agarrando-o contra mim, eu sabia que os meus cortes saíram rapidamente, mas o seu urro de dor acabou comigo, ele tentava suportar tudo aquilo, mas seria impossível.
Encostei sua boca no meu pescoço, ele teria de beber ou ele morreria, forcei-o, ele não tinha controlo, e simplesmente mordeu-me, o pânico desaparecia, seu toque não era tão ardente como o de Ivan ou daqueles chicotes e isso tranquilizava-me, era o meu irmão que estava ali, o meu amado irmão que bebia o meu sangue e era o meu primeiro submisso…
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