Four Keys
1 Prólogo
Notas iniciais
— Diz a lenda que Silvery, a Grande Deusa Suprema, criou o nosso continente, Lillaria, e o resto do mundo que conhecemos. Após isso, devido ao seu poder, ela foi selada em quatro chaves, as chamadas Chaves das Estações — o velhinho pálido e enrugado, com fios de seu cabelo grisalho caindo pelo rosto parou um instante, ao bebericar um gole de chocolate quente. — No centro de Lillaria, no vale Complexo das Estações, ergueu-se uma grande cidade, governada pelos Guardiões das Chaves, uma antiga linhagem que selou Silvery e invocam as Estações pelas suas chaves, mantendo o equilíbrio do mundo até os dias de hoje.
— Como são as Estações, vovô? — perguntou um pequeno e curioso garoto de cabelo castanho e olhos verdes brilhantes, que estava sentado em cima do tapete da sala, envolto em um grande e grosso cobertor que dividia com a irmã, enquanto ouvia atentamente o que seu avô dizia.
— Elas não tem forma física definida, elas ficam seladas no subconsciente das Sacerdotisas do templo de cada estação, pelo período de um ano. A Transição é feita pelos próprios Guardiões das Chaves, que as invocam para o Mundo Humano e depois as colocam no novo corpo hospedeiro.
— Quando eu crescer, vou me tornar o melhor Guardião das Chaves que já existiu! — exclamou alegre Diego, era nítida a empolgação em seu sorriso de orelha a orelha.
— Não duvido nada disso. Mas há um árduo treinamento para conseguir transferir as estações, caso contrário as pessoas podem ser dominadas por elas — os olhos cinzentos aparentavam seriedade, acompanhados do ar sábio que aparentava com o decorrer dos anos.
— São apenas lendas, pai, o senhor sabe disso. Não deveria ficar contando elas para as crianças — interrompeu Rose, contrariada e repreendedora.
— Ah, mãe! Mas essas histórias que o vô Arnold conta são tão legais — suplicou Meredith, a irmã mais nova de Diego, com uma voz manhosa, o que a deixava ainda mais fofa com seus cachinhos castanhos e seus olhinhos cinzentos suplicantes.
— É mesmo, mãe! Vô, por favor, continua! — insistiu Diego.
— Além disso, filha, você sabe que a família de Daniel descendia de Guardiões das Chaves.
Um silêncio pesado se instalou no cômodo, podendo-se ouvir o crepitar das chamas da lareira acesa e o barulho da chuva que se tornava geada ao cair no chão. Rose apresentava um semblante endurecido, emoldurado pelo seu longo cabelo ruivo, os olhos acinzentados cerrados.
— Pai, você sabe que ele não está mais vivo, sabe que não gosto de falar sobre isso e sabe que gosto menos ainda de falá-lo na frente das crianças — disse em tom amargurado, mas ainda entristecido. Ainda não havia superado a perda, apesar de já fazer muito tempo.
— Vô Arnold, de quem vocês estão falando? É do nosso pai? — questionou, inocente, a criança curiosa.
— Meredy, querida, ouviu sua mãe, é melhor não falarmos mais sobre esse assunto.
— Está bem... — resmungou a garotinha.
— Pai, tudo bem, continue as histórias, as crianças gostam bastante. Me desculpe!
— Eu me lembro que você também adorava quando eu contava-as para você — sorriu gentilmente o vovô Arnold.
Pela primeira vez em muito tempo, Rose deu um sorriso singelo, enquanto que o único barulho que se ouvia naquela sala era a voz do velhinho contando velhas lendas que ouviu de seu pai e de seus avós, com o vento frio batendo na janela naquela noite de inverno na casa da família Benke. As duas crianças ouviram atentamente cada palavra da narração, encarando a face bondosa do avô, navegando na imaginação.
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