Fotos Trocadas, Destinos Entrelaçados
3 Capitulo 3
Notas iniciais
Enquanto Clara admirava as fotos que lhe foram entregues por engano, em Santa Teresa Marina tentava não matar sua sócia.
_VANESSA! – gritou a fotografa assim que conseguiu parar de olhar para a misteriosa morena da foto – Eu espero que você tenha um seguro de vida, porque eu vou te matar!
_Que isso Marina! Você está ficando doida? – falou a ruiva quase caindo da cadeira em que estava sentada, tamanho foi o suto que levou – Eu acho que essa exposição está te deixando muito estressada...
_Doida você vai me ver se você não resolver em 30segundos a merda que você fez! – disse Marina jogando as fotos em cima da mesa em que Vanessa estava conversando com Gisele
_Do que você está falando Marina?
_Olha dentro do envelope e você vai descobrir! – falou a morena bastante irritada – Não, melhor, deixa que eu te explico a situação: VOCÊ PEGOU AS FOTOS ERRADAS!
_Oi?
_É isso mesmo Vanessinha! A sua incompetência arruinou a minha exposição!
_Calma Marina, não precisa falar assim com a Vanessa. Deve ter acontecido algum engano na entrega das fotos, tenho certeza que a culpa não foi dela. Agora se acalma mulher! Essa exposição está realmente te deixando muito estressada.
_Okok, você tem razão Gi –concordou marina com a prima – Mil desculpas Van, eu não queria descontar meu nervosismo em você – falou enquanto abraçava a amiga – Mas tudo que eu menos precisava no momento era de um problema.
_Tudo bem Marina, eu te conheço e sei que você não fez por mal. Agora me dê esse envelope aqui que eu vou lá naquela loja resolver o problema. Eu te disse que aquele lugar era horrível.
_NÃO! –quase berrou a fotografa quando a amiga tentou pegar as fotos, assustando não só as colegas de trabalho como a ela mesmo – Quer dizer, a loja já deve estar fechada essa hora então não tem porque ir ate lá agora. Então vai a qualquer shopping e tenta revelar essas fotos sem serem foscas mesmo. E o mais rápido que der porque eu tenho que entregar essas fotos em 2 horas
_ Ok chefinha! – a ruiva acatou a ordem da chefa, apesar da reação dela ter deixado Vanessa com uma pulga atrás da orelha – Você é quem manda. – disse ela enquanto ia saindo do estúdio
_Vanessa!?
_Eu?!
_Vê se pega as fotos certas dessa vez! – e como resposta Marina recebeu da sócia o dedo médio apontado em sua direção.
_Bem feito! – ria Gisele da falsa cara de indignação da prima e da resposta mal criada de Vanessa
_Mas essa ruiva esta muito abusada mesmo! Ta a fim de perder o emprego! – disse a fotografa alto o suficiente para que a sócia ouvisse do lado de fora do estúdio.
_Vá à merda Marina! –gritou Vanessa já dando partida no carro.
_Mas vocês duas são uma comedia mesmo! – gargalhava Gisele da situação
_Comedia? Você fala isso porque não conhece a peça igual eu conheço. Então, vamos voltar ao trabalho? Temos muita coisa pra fazer até a abertura da exposição na sexta.
_Mas nem pensar! Trabalhamos o dia todo e já passou da hora de encerrar o expediente! Amanhã nos continuamos – falou já pegando suas coisas e se despedindo da prima com um abraço – Adeus priminha!
_Gisele! Volta aqui!
_Tchau Marina! Até amanha! –disse ela já saindo do estúdio
_Nossa ninguém me respeita mais nesse lugar mesmo.
Quando a fotografa se viu sozinha voltou a admirar as fotos que lhe foram entregues por engano e quanto mais ela olhava, mais se encantava com a beleza simples da moça misteriosa além do fato de Marina poder jurar que a morena falava com o olhar e tinha um sorriso fácil, dada as expressões dela nas fotos. Uma questão que não saia da cabeça da fotografa era sobre a identidade do rapaz que aparecia ao lado da morena misteriosa nas fotos e principalmente porque a provável chance deles serem namorados a incomodava tanto.
Após muito admirar e pensar sobre a identidade e personalidade de uma pessoa que ela nem conhecia, mas que tanto prendia a sua atenção, Marina decidiu ir dormir e após deixar um bilhete para Vanessa foi se deitar.
Os dias que antecederam a exposição foram bastante corridos tanto para Marina que estava a mil com a organização dos últimos detalhes quanto para Clara que tinha que lidar com o nervosismo do amigo e com uma nova leva de tartarugas que tinham chegado bastante debilitadas no aquário em que trabalhava.
Foi então, de mansinho, que o grande dia chegou trazendo consigo um misto de sentimentos tanto para a fotografa, que mal podia esperar pelo seu retorno ao cenário da arte brasileira, quanto para a bióloga que ainda tentava se preparar para a pedreira que teria que enfrentaria para ajudar o melhor amigo.
_Clarinha! – gritou Cadu enquanto entrava no quarto da amiga – Você já esta pronta?
_Estou terminando a maquiagem senta e espera!
Quando Clara olhou o amigo pelo espelho, tomou um belo susto, pois ele vestia um terno slim preto acompanhado de um colete de mesma cor todo abotoado e uma camisa social branca por baixo. Sua gravata era fina e igualmente preta, assim como a calça e os sapatos
_ Senhor Carlos Eduardo, tenho que comentar que o senhor esta extremamente quente com essas roupas. Impecável dos pés a cabeça. Aposto que farei inveja em todas aquelas peruas recalcadas essa noite. Adorei o jeito que você arrumou o seu cabelo besha!
_Serio? Nossa, obrigado! Passei horas escolhendo essa roupa! E tive que usar 1kg de gel no cabelo para ele ficar com essa aparência de “acabei de der uma boa rodada de sexo”!
_Você esta de parabéns! Se eu não soubesse que você gosta de moços essa noite eu me candidataria para você me levar para a sua cama!
_Nossa Clara! Vá de reto satanás! Da um arrepio só de pensar numa coisa dessas – disse fazendo o sinal da cruz ate ter um pente arremessado em sua direção – Ai Clarinha! Sem violência! Eu juro que ainda te enquadro na lei maria da penha!
_Você é um escroto isso sim! Pronto, terminei! – falou se virando para o amigo
_Nossa agora eu que digo que se eu gostasse de mulher hoje eu tentaria te arrastar para a minha cama! – disse o chef enquanto observava à amiga
Clara estava magnifica num vestido azul marinho que batia no meio de suas coxas com as costas nuas e a saia volumosa, a parte da frente que era presa ao pescoço da morena possuía um generoso decote. Já seu cabelo estava preso em um coque, mas deixando alguns fios soltos e a franja que geralmente era usada reta na testa hoje era usada lateralmente valorizando assim o belo rosto da morena.
_Aé né?! Agora quem não quer mais ir pra cama com você sou eu! Me destrata e depois acha que vai me ter tão fácil assim!? Pode ir tirando o cavalinho da chuva! – disse a bióloga com uma falsa cara de brava
_Quer me enganar? Me da uma bala querida! –disse o chef já rindo da reação que a amiga teria com a frase a seguir – Assume logo que você é sapatão e que é por isso que não quer ir pra cama comigo! Ou você acha que eu não te vi olhando aquelas fotos que mandaram pra gente por engano nesses últimos dias?
_Para com isso Cadu! Eu já disse que gosto da mesma fruta que você! – afirmou clara toda desajeitada e envergonhada por ter sido pega no flagra – E eu estava olhando porque achei elas lindas! – a morena só não disse ao amigo que a admiração pelas fotos tinha gerado nela uma vontade inexplicável de conhecer a pessoa que tinha um jeito de olhar o mundo tão peculiar como aquele revelado nas fotos
_Me engana que eu gosto! – continuou implicando com a amiga
_Cala a boca!
_Não esta mais aqui quem falou – terminou a provocação rindo – Posso usar seu spray fixador?
_Você não merece, mas como eu sou uma amiga muito boa, pode usar – falou clara enquanto colocava sua argola gigante na orelha e um delicado colar com pingente de golfinho.
_Obrigado Clarinha! Você é um anjo e eu adorei sua maquiagem e seus acessórios – elogiou a maquiagem leve composta por olhos esfumaçados e com uma suave sombra prata e nos lábios um batom rosa bem natural que apenas realçava sua boca – E minha cara namorada, hoje definitivamente seus peitos farão uma pequena aparição!
_Logico que adorou, foi você quem escolheu! – disse a morena enquanto tapava o busto com as mãos – E para de falar desse decote porque estou quase trocando de vestido por causa dele!
_Não da pra negar que eu tenho um ótimo gosto e nem por cima do meu cadáver você tira esse vestido! O que é bonito tem que ser mostrado! Se eu tivesse um pelo par de seios igual aos seus, meu decote seria bem maior!
_Mas que viado mais assanhado esse que eu fui arrumar! Mas mudando de assunto, eu ainda não entendi porque nos temos que ir vestidos pra festa num simples jantar com a sua família...
_Nada é simples quando se trata da minha família. Você vai entender quando chegarmos à poderosa mansão dos Castellar Lugon – falou terminando de passar o spray no cabelo – Vamos então namorada? – disse o chef oferecendo o abraço a sua amiga e namorada de mentira
_Claro namorado!
E foi nesse momento em que Clara descobriu que ainda sabia rezar, pois foi rezando o caminho todo para que nada desse errado e todos acreditassem na farsa deles.
Enquanto Clara e Cadu dirigiam rumo à mansão dos Castellar Lugon, Vanessa e Gisele, que vestiam terninhos pretos por estarem ali a trabalho, aguardavam Marina chegar à mesma mansão para dar as ordens finais a cerca de como seria sua entrada no salão de festa.
_Faltam 30 minutos para a abertura da exposição e a Marina ainda não chegou! Depois ei que sou a irresponsável!
_Calma Van, hoje é o dia dela! Não tem festa sem ela, então se acalme.
_Ok Gisele, mas eu espero que a Marina não demore muito porque eu já estou perdendo a paciência.
_Ouvi meu nome? – Anunciou Marina enquanto entrava no salão da mansão
_UAL! Prima do céu! Você está maravilhosa! Simples e bonita!
E ela realmente estava. Marina vestia um trajava um vestido branco longo de alças finas que tinha um caimento solto, mas que acentuava bem o corpo da fotografa. Seu cabelo estava todo jogado para o lado caindo sobre os ombros e sua franja lateral caia delicadamente sobre sua testa. A maquiagem era leve e natural, nos olhos esfumaçados com uma sombra cinza clara quase imperceptível e nos lábios tinham um vermelho matador, que deixava a boca da fotograva mais atraente que o normal.
_Como dizia minha mãe: “Menos é mais” – disse Marina – Obrigada pelo elogio Gi!
_Você vai arrasar hoje! Mas precisamos resolver os últimos detalhes antes dos convidados começarem a chegar – emendou Gisele – Alguma orientação sobre a luz e a posição dos painéis?
_A posição dos painéis esta boa – falou enquanto observava os grandes painéis, que estampavam suas obras, posicionados no amplo salão que possuía dois andares e imensas janelas laterais com um chão de madeira que dava um toque especial ao local – Agora sobre a luz, eu quero que você deixe todo o salão sobre uma meia luz e os painéis bem iluminados! Eles são a atração da noite!
_Tudo anotado chefinha! – disse Gisele enquanto anotava as instruções da prima em seu mine caderno – Agora sobre a sua entrada, eu sugiro que você apareça descendo as escadas, porque vai dar uma maior visibilidade de quem você é tanto para a imprensa como para o publico.
_Pode ser – concordou Marina
_Sendo assim, já lá pra cima porque os convidados já estão chegando. – ordenou Gisele enquanto empurrava a prima na direção das escadas
_Okok, já estou subindo mulher! Não precisa me empurrar! – antes de subir Marina passou ao lado de Vanessa, que não tinha falado nada desde que a fotografa chegara, pois ainda estava hipnotizada pela beleza da ex, e sussurrou para que só a ruiva ouvisse – Fecha a boca Vanessinha, senão vai entrar mosca!
Do alto das escadas Marina conseguia ouvir o barulho da parte de baixo do salão que estava lotado de críticos, imprensa e admiradores. Entretanto os pensamentos da fotografa estavam novamente voltados para sua misteriosa morena dos olhos falantes. Marina tentava se lembrar em que ponto dos últimos dias começou a intitular a morena das fotos como a sua morena quando foi tirada de seus devaneios por Vanessa:
_Vamos Marina, chegou a hora de você fazer a sua entrada. Todos os convidados já chegaram e os anfitriões da festa estão questionando quando você aparecerá
_Claro, pode descer que eu estou indo logo atrás.
Quando os sapatos de Marina tocaram o primeiro degrau da escada, uma chuva de flashes caiu em sua direção chamando para si a atenção de todos os presentes no salão. Durante a descida, Marina sorria para todos, apesar de não enxergar ninguém devido à intensidade dos flashes. Apenas quando desceu o ultimo degrau da escada que conseguiu enxergar alguma coisa do lotado salão e quando já se preparava para mais uma chuva de flashes, Marina teve uma visão que tirou o ar de seus pulmões, pois a morena que lhe tinha roubado os pensamentos nos últimos dias adentrava o salão de braços dados com o homem das fotos que tanto irritava a fotografa.
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