Fotos Trocadas, Destinos Entrelaçados
7 Capitulo 7
Notas iniciais
_Devo dizer que você esta linda na foto do jornal – disse Marina desligando o telefone
_Oi? Que foto? – perguntou a bióloga sem entender nada – Marina? – chamou à morena, mas percebeu que a fotografa já tinha desligado – Ótimo! A maluca solta a bomba e desliga. – falou Clara sozinha caindo de costas na cama rindo e balançando a cabeça de um lado para o outro – O que esta acontecendo comigo? – indagou a morena ao perceber que ainda sorria com o telefonema de Marina.
Clara ainda ficou alguns bons minutos rindo para o teto e tentando entender o porquê da fotografa mexer tanto com ela até que sentiu seu celular vibrar avisando que uma nova mensagem tinha chegado. Seu sorriso ficou ainda maior quando viu que a mensagem era de Marina lhe avisando o endereço e o horário em que a bióloga deveria aparecer.
_CADU!
_O que foi? – perguntou o chef aparecendo na porta do quarto da morena – Hoje é o dia de gritar com o Cadu e eu não estou sabendo?
_ Você não tem nada para me contar não? – perguntou a morena sentando-se na ponta da cama virada para a porta
_Não. Eu deveria ter? – respondeu o amigo com uma cara de inocente
_Deveria – retrucou a bióloga com uma voz fria e controlada
_Tipo o que? – perguntou o chef cruzando os braços em frente do peito em um claro sinal de desafio
_Tipo o fato de estarmos no jornal? – perguntou a bióloga cruzando as pernas e arqueando a sobrancelha
_Ah! Isso... – respondeu o chef com descaso
_Quando pretendia me contar? Quando eu saísse na rua e desse de cara com a minha cara estampada no jornal? – disse Clara com um olhar frio ficando frente a frente com Cadu
_Quando você resolvesse sair de casa, até porque deve ter uns 3 ou 4 fotógrafos lá em baixo doidos para conseguir uma foto da mulher que roubou o coração do herdeiro Castellar Lugon. – respondeu o amigo rindo da cara de desespero da amiga
_Nossa mais que ótimo! Simplesmente maravilhoso! Somos o que agora? Artistas? –questionou Clara exasperada jogando as mãos para o alto
_Não, mas já era esperado que isso acontecesse
_Já era esperado? Então porque você não me contou? Você sabe o quando eu odeio esse tipo de exposição e eu definitivamente não quero fazer parte desse mundo de fofocas e mentiras! – declarou a bióloga com a cabeça dentro do guarda roupa enquanto procurava uma toalha de banho limpa
_Calma Clara! Sem desespero. Daqui a pouco eles te esquecem. Até porque nosso namoro tem prazo de validade então quando terminamos você não será mais noticia – falou o chef se apoiando no batente da porta
_Assim espero
_Sabe de uma coisa Clarinha?
_O que?
_Você é estranha! A única mulher que eu conheço que não gosta de chamar atenção – disse Cadu implicando com a bióloga
_Estranha vai ficar a sua cara se você não sair daqui agora! – retrucou Clara empurrando o amigo e fechando a porta do quarto na cara do chef
_Olha a Lei Maria da Penha! – Gritou Cadu do corredor
_Vai à merda Cadu! – gritou Clara de dentro do quarto enquanto ia tomar seu banho
Uma hora mais tarde Clara se olhava no espelho do quarto aprovando sua escolha de roupa
_Cadu você viu a chave do meu carro? –perguntou a morena ao entrar na sala
_Ta em cima do balcão a chave daquela furreca – respondeu Cadu que estava estirado com a cara no sofá
_Ei! Olha como você fala do meu carro!
_Pelo amor de deus Clara! Você dirige um fusca azul mais velho que você!
_Isso não quer dizer nada. Ele está inteiro e lindão.
_Tenha a santa paciência! Com o dinheiro que você ganha já podia ter comprado duas Mercedes, mas não, prefere andar de fusca!
_Gosto não se discute! E deixa meu neném em paz! –disse a bióloga pegando a chaves em cima do balcão
_E aonde você vai assim fantasiada de anos 70? – perguntou o chef levantando a cabeça
_Oi? – falou a morena olhando para o próprio corpo
_Essa jardineira com esses óculos John Lennon e essas alpargatas
_Vai implicar até com a minha roupa agora?
_Não, você esta linda. Só queria saber para onde a senhorita vai tão alternativa desse jeito.
_Vou trepar – declarou a morena brincando com o amigo e caminhando em direção a porta – e se esse alternativa foi um elogio, obrigada!
_Use camisinha! –disse o chef entrando na brincadeira – Sou muito novo para ser tio!
_Sempre uso gato! – respondeu piscando para o amigo enquanto fechava a porta
Enquanto Clara dirigia para Santa Tereza, Marina estava no meio de um ensaio para a Vougue do Brasil
_Gi, ajeita aquela luz para mim – pediu a fotografa enquanto mirava sua câmera em direção a uma das modelos – Gilese! To falando com você menina – exclamou irritada olhando na direção da prima que falava ao telefone
_Ok, estaremos te esperando amanha – disse Gisele encerrando a conversa que estava tendo ao telefone – Calma Marina, eu sou uma só. Não da para eu cuidar da sua agenda e te ajudar no ensaio ao mesmo tempo.
_E onde esta aquela ruiva que não esta aqui trabalhando? –questionou Marina pendurando a câmera no pescoço e indo ela mesma acertar a luz
_Ainda está no quarto com a tal da Flavia – respondeu a assistente já atendendo ao telefone que tocava novamente – Estúdio Meirelles, boa tarde...
_Mas nossa, que fogo é esse – comentou sozinha a fotografa voltando a mirar a câmera na direção das modelos – Meninas, mais um pouco pra direita – orientou as modelos prosseguindo com o ensaio, mas logo precisou de ajuda com o cenário – Gisele, desliga esse telefone um pouco e vem me ajudar. Depois você termina de cuidar da minha agenda
_A Marina só tem horário na terça -feira agora – disse Gisele ao telefone – Ok, estaremos te espe... EI! O que você esta fazendo? – protestou quando o telefone foi arrancado de sua mão pela prima
_Tentando conseguir a sua digníssima atenção – falou a fotografa colocando o telefone no bolso calça
_Parabéns! Ela é toda sua – disse a assistente cruzando os braços em frente ao peito
_Muito obrigada, agora eu preciso de ajuda com o cenário – retrucou Marina apontando para o local em que as modelos se encontravam
_E eu preciso fechar a sua agenda já que você quer se dedicar a próxima exposição a partir de terça-feira. Anda Marina, me devolve o celular – falou Gisele estendendo a mão na direção da prima
_Depois você vê isso, agora anda logo que só falta essa ultima seqüência de fotos para encerrar esse ensaio que já era para ter terminado uma hora a trás
_Está com presa por quê? – perguntou Gisele já ajeitando o cenário – Tem algum compromisso que eu não estou sabendo? – perguntou a assistente já do lado da prima
_Na verdade tenho – respondeu Marina já voltando sua atenção para o ensaio – Meninas, nessa ultima seqüência eu quero que vocês abusem da sensualidade! – orientou a fotografa novamente as modelos, colocando a câmera na frente de seu rosto – Inclusive, acho que meu compromisso acabou de chegar – disse Marina à Gisele quando ouviu um barulho de carro
_Nossa senhora, você tem um encontro com o Godizilla e eu não estou sabendo? – brincou Gisele
_Oi? – perguntou Marina sem entender a piada da prima por ainda estar concentrada no ensaio
_Godizilla, o lagarto gigante que destrói cidades – explicou Gisele revirando os olhos e se jogando em uma das poltronas do estúdio
_Eu sei, eu sei, mas porque eu teria um encontro com ele? –perguntou a fotografa ainda com a câmera grudada no rosto
_Será por causa do barulho ensurdecedor que esse carro fez ao chegar?
_Claro, Claro – respondeu a fotografa apesar de não ter ouvido o que a prima disse, sua concentração estava presa nos momentos finais do ensaio – Isso meninas! Ta ficando lindo
_Credo! Aposto que nem ouviu o que eu disse – murmurou Gisele sozinha
_Oi? – perguntou a dona de uma voz suave que colocava a cabeça para dentro do estúdio de Marina
_Oi! Pode entrar – respondeu Gisele ainda jogada em uma das poltronas
_Licença – disse Clara ao adentrar o estúdio e se dirigir para onde Gisele estava sentada – Os seguranças da casa me disseram que eu encontraria a Marina aqui, nos temos assuntos a resolver...
_AH! Você é a moça do jornal! – exclamou a assistente quando viu Clara
_Ai! Nem me lembre disso – disse a morena colocando as mãos na frente do rosto em um claro sinal de vergonha – Me chame de Clara – completou estendendo a mão na direção de Gisele
_Prazer Clara, sou Gisele – disse estendendo a mão e complementando a bióloga – Então Clara, o que te trás aqui?
_Vim a pedido da Marina, temos um assunto a tratar – respondeu Clara se sentando na poltrona ao lado de Gisele cruzando as pernas bronzeadas – Então, onde ela esta?
_Bem ali no meio das modelos – respondei Gisele apontando para o cenário à frente – o ensaio já esta acabando, daqui a pouco ela vem falar com você.
_O..ok – gaguejou Clara quando reparou o ambiente sensual em que o ensaio acontecia. Com varias modelos vestindo apenas calça jeans e soutians rendados em um cenário que remetia a um clube de motoqueiros, Clara percebeu o quanto Marina estava confortável e concentrada no trabalho. A morena observava admirada a paixão com que a fotografa segurava a câmera e se sentiu incomodada quando essa ajeitou o cabelo e a posição de uma modelo – Ela parece extremamente confortável no meio de tantas mulheres né? – perguntou a bióloga para Gisele não conseguindo esconder o sarcasmo e a pontada de ciúmes em sua voz recebendo como resposta a risada da assistente – Esta rindo de que?
_De nada – respondeu Gisele balançando ainda e balançando cabeça negativamente – Eu só fico impressionada com o poder de sedução que a Marina tem sobre as pessoas
_Estou percebendo, olha como essas modelos estão quase se jogando em cima dela – disse Clara olhando fixamente para o ensaio e não percebendo que Gisele se referia do poder que a fotógrafa tinha sobre a própria bióloga
_Então Clara, porque você dirige um Godizilla ambulante? – puxou assunto a assistente brincando e fazendo Clara rir
_Ei! Não fala mal do meu fusquinha! Mas Godizilla foi criativo, nunca ninguém tinha chamado ele assim
_Como não? Você já ouviu o barulho que ele faz? – questionou Gisele virando na direção da morena com uma cara perplexa
_Lógico que sim! É o barulho do motor que faz de fusca um fusca
_E qual foi o crime que você cometeu para ter que dirigir ele? –perguntou a assistente brincando
_Talvez eu tenha matado algumas assistentes que não gostam de carros clássicos – respondeu a bióloga entrando na brincadeira
_Devo chamar a policia? – questionou Gisele rindo
_Não, hoje eu estou de folga – respondeu a morena também rindo
_Interrompo? – questionou Marina parando em frente às duas morenas com uma sobrancelha arqueada o que fez com que elas parassem de rir.
_De forma nenhuma prima, a Clara só estava me contando seus feitos criminosos
_Então já que não interrompo você poderia acompanhar as meninas aos trocadores e depois pedir para que o motorista as leve de volta para o hotel?
_Claro – respondeu Gisele já se levantando e saindo do estúdio com as modelos deixando assim as morenas a sós
_Então você sempre tenta impressionar as mulheres com esse jeito bandida de ser? – perguntou a Marina com a voz baixa e provocativa ao mesmo tempo em que colocava uma mão em cada braço da poltrona que a bióloga estava sentada ficando assim frente a frente com a morena lançando-lhe um olhar que quase despia Clara
_E esta dando certo? – retrucou a bióloga usando o mesmo tom que a fotografa enquanto aproximava seu rosto do de Marina olhando fixamente para os lábios vermelhos da fotografa e ficando tão perto que suas respirações se misturavam fazendo a tensão entre as duas ficar palpável
_Definitivamente sim – respondeu Marina de forma lenta e sensual abrindo um sorriso de canto de boca um tanto quanto safado assim que os olhares cheios de desejo das morenas se encontraram
_Marina! – chamou Vanessa entrando no estúdio impedindo assim que os lábios das morenas se encontrassem já que as duas se separem imediatamente ao ouvirem a voz da ruiva
_O que foi Vanessa? – perguntou Marina com a voz embargada devido à tensão ainda presente no ar – Quer me matar de susto?
_Não, só queria perguntar se posso tirar o dia de folga – respondeu a sócia – mas vejo que atrapalho – completou a ruiva ao notar a presença da bióloga
_Imagina Van, você não atrapalha nunca – disse a fotografa educadamente, mas fuzilava a amiga com o olhar – Clara essa é Vanessa, minha sócia e Vanessa essa é a Clara, uma amiga
_Prazer em te conhecer Vanessa – disse Clara indo ate a ruiva e estendendo a mão
_O prazer é todo meu – respondeu Vanessa educadamente – Então chefinha, posso tirar o dia de folga?
_Você praticamente já tirou, porque o ensaio de hoje já acabou há unas 20 minutos –disse a fotografa olhando reprovadoramente para a sócia – Mas como eu sou uma chefa boa, você pode ir
_Obrigadinha – falou uma animada Vanessa abraçando a fotografa – Eu acho que encontrei minha pessoa certa Marina – completou a ruiva surrando no ouvido de Marina
_A Flavia? – perguntou a fotografa assim que a amiga terminou o abraço e recebeu um aceno de cabeça afirmativo da ruiva que tinha os olhos brilhando – Então o que você esta fazendo aqui ainda? Vai lá curtir o dia com ela!
_Obrigadinha! – disse a ruiva correndo para fora no estúdio deixando Clara e Marina sozinhas novamente
_Você aceita alguma coisa para beber? – ofereceu Marina quebrando o silencio que se instaurou entre as duas
_Só uma água, por favor – respondeu Clara e Marina prontamente foi pegar um copo para a morena
_Aqui – disse a fotografa estendendo o copo para a morena
_Obrigada! Essa sua sócia é sempre animada assim?
_Não, só quando transa! – declarou Marina fazendo Clara engasgar com a água que estava tomando devido a naturalidade com que a fotografa abordou o assunto
_Entendi – disse a bióloga quando se recuperou e como resposta obteve um sorriso infantil da fotografa que agora estava olhando algumas fotos jogadas sobre sua mesa usando óculos de grau com uma armadura grossa que na opinião de Clara deixava a fotografa ainda mais sexy – Então, eu trouxe suas fotos... – declarou Clara pegando o envelope com as fotos dentro de sua bolsa
_Ah sim, as fotos... – disse Marina ainda concentrada nas fotos em cima da sua mesa
_Aqui estão – falou Clara se aproximando da mesa e colocando o envelope em frente ao rosto da fotografa conseguindo então sua atenção já que tampou a visão que Marina tinha das fotos que estava olhando tão concentradamente – Não lembro se disse na exposição, mas suas fotos são lindas, Marina! Fique completamente apaixonada – completou a bióloga olhando Marina com admiração
_Obrigada! Você não sabe como eu fico feliz em ouvir isso de você – agradeceu Marina pegando o envelope que Clara entendia abrindo um enorme sorriso – As suas também são encantadoras – falou Marina apontando para as fotos de Clara que estavam espalhadas por sua mesa
_Que nada! São apenas fotos comuns de viajem – disse a morena recolhendo as fotos em cima da mesa – Mas as suas sim, são encantadoras!
_Você gostou de verdade? – questionou a fotografa ajudando a bióloga a recolher as fotos espalhadas
_Sim – respondeu Clara já guardando suas fotos dentro da bolsa
_São suas então – falou a fotografa entregando o envelope à morena enquanto recostava na mesa ao lado de Clara
_Serio? – perguntou a bióloga olhando perplexa para Marina
_Sim – respondeu a fotografa abrindo um sorriso genuíno
_Obrigada Marina! Nossa, eu não sei nem como agradecer – disse Clara abraçando Marina no impulso e depositando um beijo estalado na bochecha da fotografa
_Esse beijo serve. Por enquanto... – falou roucamente olhando nos olhos da morena trazendo assim tensão de volta
_Eh... Eu ach..acho que vou embora – gaguejou Clara fazendo um esforço sobrenatural para não olhar para a boca vermelha e convidativa da fotografa – Já esta tarde e o Cadu deve estar me esperando – completou a bióloga falando a primeira coisa que veio a mente para fugir do olhar penetrante de Marina
_Claro, espero que seu namorado não se importe de eu ter te roubado para mim essa tarde
_Não se importa não – disse Clara rapidamente já andando em direção a porta
_Então talvez eu te roube para sempre – falou alto a fotografa fazendo Clara parar de costas para ela no meio do estúdio
_Esqueceu que a ladra aqui sou eu? – retrucou a bióloga provocativamente olhando por cima do ombro para Marina e saindo logo depois a passos largos do estúdio parando somente já dentro do carro – Senhor o que foi isso? – questionou Clara sozinha encostando a testa no volante do carro
O final do sábado passou sem grandes emoções tanto para Clara quanto para Marina e o domingo chegou trazendo consigo uma frente fria que acordou a bióloga mais cedo do que o habitual. Clara enrolava na cama quando seu celular vibrou anunciando a chegada de uma nova mensagem que fez a morena sorrir ao perceber de quem era.
Marina: “Bom dia ladra :D”
Clara: “Bom dia :P”
Marina: “Devo esperar sua visita hoje? Já que aos finais de semana você disse que costuma roubar fotografas ricas e irritantes”
Clara: “E você é uma fotografa irritante?”
Marina: “Eu posso ser se isso implicar você me fazer uma visita com a sua arma rs”
Clara: “E com isso você acabou de entrar na minha lista de próximas vitimas kkkk”
Marina: “Então quer dizer que a senhora tem uma lista de mulheres inocentes que estão prestes a serem atacadas?”
Clara: “Sim, e você é a primeira kkkk”
Marina: “Devo me sentir privilegiada?”
Clara: “Só se você gostar de ser roubada”
Marina: “Você já me roubou (:”
Clara: “Oi?”
Marina: “As fotos e minha infância destruída kkkk”
Clara: “Ah sim kkkkk desculpa pelos golfinhos”
Marina: “Só desculpo depois que formos mergulhar com eles!!!! Quando será? Você não desistiu né? Porque eu já ate sonhei com isso!!
Clara: “Ai meu deus! Você não ainda não esqueceu isso?”
Marina: “NÃOOOOO!!! De jeito nenhum! Você vai realizar meu sonho de criança *-*”
Clara: “Okok adolescente! Podemos mergulhar lá no aquário na quarta as 15 horas que é mais vazio”
Marina: “OBA!!!!”
Clara: “Quantos anos você tem Marina? 12?”
Marina: “Para a sua sorte e felicidade eu já sou maior de idade”
Clara: “Parabéns! Já pode entrar em um cabaré!”
Marina: “Não preciso disso gata ;)”
Clara: “Imagino que não precise mesmo rs”
E assim seguiu todo domingo, com as morenas trocando mensagens durante todo o dia enquanto cumpriam suas respectivas rotinas que no caso da fotografa era dar entrevistas para jornais e revistas e no da bióloga passar o dia todo embaixo das cobertas até que o domingo se despediu dando lugar a uma nublada segunda feira.
_Esse tempo só pode estar de brincadeira comigo – disse a morena quando chegou à cozinha já uniformizada e viu pelas enormes janelas da sala o tempo fechado – Ué, onde será que aquele viado se meteu? – questionou Clara sozinha ao notar que o amigo não estava na cozinha como de costume, mas percebeu que o chef tinha deixado um bilhete na geladeira – “Clarinha, hoje é dia de peixe no bistrô então tive que madrugar para comprar peixe fresco. Hoje o dia vai ser cheio então o jantar é por sua conta. Beijos no seu amigo gostoso! P.S: talvez você deva olhar o jornal de hoje antes de sair para o aquário, sua paixão esta na capa ”– leu a bióloga em voz alta já olhando para o balcão a procura do jornal sorrindo ao ver a foto de Marina na primeira pagina.
Clara: “Bom dia! Vi sua matéria no jornal, devo pedir autógrafos?”
Marina: “Só autografo na pele rs”
Clara: “Talvez eu tenha uma coxa disponível para seu autografo ;)”
E assim como o domingo, a segunda e terça também passaram com as morenas grudadas ao celular trocando mensagens ora divertidas ora provocativas. Então foi em um piscar de olhos uma quarta feira nublada invadiu o Rio de Janeiro.
Já era 3 da tarde e Clara guiava um pequeno grupo de crianças pelos corredores do aquário que eram como cúpulas de vidro blindado que passavam por dentro dos tanques de forma que os animais nadavam acima das cabeças dos visitantes. A bióloga respondia a todas as perguntas sobre os animais com tanta alegria e entusiasmo que as crianças estavam vidradas nela e em todo o ambiente.
_Alguém tem uma ultima pergunta? – questionou a morena ao pequeno grupo de crianças que assim como ela ainda estavam vidrados nos animais que nadavam a cima de suas cabeças
_Eu tenho – disse uma voz doce assustando Clara já que a morena sabia muito bem a quem pertencia a voz – Queria saber qual é o animal preferido da nossa ilustre guia, já que os golfinhos não são
_Tartarugas, eu gosto das tartarugas – respondeu a morena encontrando o olhar penetrante da fotografa que estava infiltrada o meio das crianças – Então crianças, o passeio acabou! – disse Clara voltando sua atenção novamente para as crianças e ouvindo seus lamentos e pedidos para darem somente mais um volta pelo aquário – Por mais que eu queira dar mais uma volta com vocês eu não posso, porque os papais de vocês estão esperando todos no saguão central, mas ninguém sai daqui sem me dar um abraço bem apertado e um beijo bem estalado! – declarou a bióloga se agachando enquanto as crianças corriam ate ela dando beijos e abraços
_Quer um beijo meu também? – perguntou Marina com um tom sensual
_Achei que o frio tinha te espantado e você não vinha mais – respondeu a morena mudando de assunto enquanto se levantava ficando frente a frente com a fotografa tentando evitar o olhar que tinha dominado seus sonhos nos últimos dias
_Nem se caísse fogo do céu eu fugiria do nosso mergulho – disse a fotografa abrindo um enorme sorriso infantil e dando pulinhos iguais ao de uma criança
_Exagerada –disse Clara esbarrando de brincadeira com o ombro em Marina – Vamos então? –perguntou a bióloga estendendo a mão para a fotografa
_Vamos! – respondeu Marina animada agarrando a mão de Clara enquanto a morena as guiava pelos corredores do aquário
_Marina, para de pular um pouco! Você esta parecendo uma bolinha de energia – pediu a bióloga quando chegaram ao saguão principal do aquário que era uma enorme cúpula também de vidro blindado dela saíram quatro corredores e a cima dela, nadavam enormes baleias.
_Desculpa, mas esse lugar é incrível! Olha essa luz azul! Esse lugar definitivamente merece uma foto – desculpou-se enquanto girava olhando em volta admirada
_É incrível mesmo –falou a morena sorrindo ao ver a cara de felicidade que Marina fazia – mas nós não estamos aqui para olhar! Você está vendo esses quatro corredores? –perguntou recebendo como resposta um aceno afirmativo da fotografa – Então, um deles vai para o tanque das baleias e esse você não pode entrar. Outro leva para o tanque dos tubarões, outro para o dos golfinhos, das tartarugas e outros animais e o terceiro para a área onde estão os pingüins. Em qual a senhorita gostaria de mergulhar?
_Pode ser em todos? –perguntou Marina com ou olhos brilhando
_Pode – respondeu Clara rindo do lado criança da fotografa que tinha tomado conta da situação – Me segue
Depois de alguns muitos minutos as duas já estavam vestindo todo o equipamento e Clara explica a Marina como agir no fundo do tanque.
As morenas mergulharam primeiro no tanque dos tubarões e não ficaram muito tempo já que Marina não conseguia soltar o braço de Clara devido ao medo que sentiu. Logo depois foram para o tanque dos golfinhos, das tartarugas e outros e nesse ficaram mergulhadas bastante tempo. A fotografa se divertia nadando agarrada nas barbatanas dorsais dos golfinhos que faziam acrobacias em frente a ela para conseguir os peixes que a fotografa carregava. Enquanto Marina se divertia com os golfinhos Clara nadava com as tartarugas e as arraias ao mesmo tempo em que retirava algumas amostras de água, corais e da areia no fundo do tanque para análises futuras. Quando o cilindro de oxigênio deu sinais de que estava acabando Clara procurou Marina e as duas subiram para superfície do tanque
_Isso foi demais! – exclamou Marina sentada na borda do tanque balançando os pés que estavam dentro da água ainda com a roupa de mergulho – Você tem o melhor trabalho de todos os tempos Clara! – disse a fotografa olhando com os olhos brilhantes para a morena que estava ainda dentro da água
_Não é sempre assim – respondeu rindo a bióloga – têm dias que eu passo todo o expediente trancada no laboratório analisando amostras como essa – completou a morena subindo para a borda do tanque e mostrando os tubos de ensaio para Marina – Agora vamos tirar essas roupas que ainda temos pinguins para alimentar!
_Calma bióloga, não costumo ficar pelada no primeiro encontro, mas para você eu posso abrir uma exceção – disse brincando a fotógrafa enquanto seguia Clara para o banheiro
_Palhaça – retrucou Clara rindo com Marina
Alguns minutos depois as duas já estavam de roupa trocada alimentando os engraçados pinguins.
_O que você mais gostou Marina? – questionou a bióloga que estava sentada de costas para a fotografa cuidando de um pinguim que estava com a nadadeira cortada – E você amiguinho? Onde cortou essa nadadeira? – falou a morena com o pequeno animal
_Definitivamente do silencio e da luz – respondeu Marina que estava de frente para um pelotão de pingüins – Quem quer peixe? Olha o peixe minha gente! – perguntava a fotografa imitando um feirante enquanto jogava os peixes que estavam dentro do balde para os pingüins como quem faz uma galinha gorda.
_Achei que você gostaria mais dos golfinhos – falou Clara ainda concentrada em cuidar do pingüim machucado
_Eles são legais também, mas a paz que o silencio e aquela luz azulada me trouxe foi indescritível. Deve ser muito relaxante poder ter isso todos os dias... – disse Marina colocando o balde agora vazio no chão e olhando para a bióloga que colocava o pingüim novamente no gelo – Ainda mais nessa correria que a gente vive. Ter momentos de paz como esses são raros
_E você descobriu meu pedacinho de paz no meio da cidade grande – declarou a morena levantando e olhando no fundo dos olhos da fotografa
_E acho é que eu me descobri um pingüim – retrucou a fotografa olhando para baixo e apontando o batalhão de pingüins que a rodeava evitando assim o olhar da morena que lhe roubara os pensamentos dos últimos dias – Olha como eles já me aceitaram! – completou Marina andando ao lado de um e imitando o deito que eles andavam
_Você é a pior pingüim de todos os tempos! A pior! – disse rindo a bióloga olhando para imitação que Marina fazia – Só cuidado para não cair pingüim Marina! Esse gelo costuma derrapar!
_Que nada! Estou no meu habitat natural! – brincou a fotografa, mas quando foi dar mais um passo caiu de cara no gelo
_Ai meu deus! – exclamou Clara já correndo para onde Marina estava caída – Marina? Ta tudo bem? – perguntou a morena se abaixando ao lado da fotografa
_Calma Clara! Esta tudo bem! – respondeu Marina enquanto sentava no gelo e sentia algo quente escorrer pelo seu pescoço
_Tudo bem uma ova! Você ta sangrando Marina! Cortou o queixo! – disse Clara desesperada analisando o ferimento e ajudando a fotografa a se levantar – Mas para a sua sorte o corte não foi fundo! Vamos para o saguão que eu vou fazer um curativo nisso!
_Você disse sangue? –perguntou a fotografa ficando amarela – Eu sou fraca para ver sangue! Eu acho que vou vomitar...
_Pelo amor de deus Marina! É só um pouco de sangue! Prende a respiração e agüenta ai que já estamos chegando – disse a Clara enquanto rebocada a fotografa que tinha o corpo fraco devido à vertigem causada pelo sangue – Senta aqui, coloca a cabeça entre as pernas e tenta não desmaiar que eu já volto com a caixa de primeiro socorros – ordenou ao mesmo tempo em que colocava Marina sentada em um dos bancos do saguão que estava vazio no momento
_Essas coisas só acontecem comigo... –murmurou sozinha a fotografa tentando não vomitar
_Voltei! –disse a morena sentando de frente para Marina com as pernas cruzadas em forma de borboleta – Olha pra mim Marina! – pediu a morena e obteve como resposta a fotografa ficando de frente pra ela na mesma posição em que a bióloga estava. Marina tinha sangue escorrendo pelo pescoço e manchando um pouco da blusa – Isso pode doer um pouquinho... – disse Clara antes de começar a passar um algodão com um pouco de anticéptico limpando o pescoço e o ferimento da fotografa
_AI! AI! Ai Clara! – protestava Marina enquanto Clara passava o algodão na ferida – Já está bom isso! Não precisa me torturar! – continuou protestando enquanto a bióloga ria do seu pequeno surto infantil e começava a fazer um pequeno curativo – Prometo ser uma menina boa daqui pra frente
_Você? Uma menina boa? Você é problema certo Marina. Está escrito na sua testa! – retrucou Clara terminando o curativo e olhando intensamente para Marina
_Talvez eu seja... –respondeu a fotografa presa no olhar da morena.
A proximidade entre as duas era tanta que Marina jurava poder ouvir o coração acelerado de Clara, suas respirações se misturavam fazendo com que a tensão entre elas crescesse chegando a um ponto que era quase impossível resistir. A tentação era boa demais para negar e nenhuma das duas queria se negar ao prazer. Quando a língua de Clara passou por seu lábio inferior molhando-o, Marina não resistiu e puxou a morena para um beijo que tirou o fôlego das duas. Suas línguas lutavam entre si como em uma batalha para ver quem ganha, seus lábios se encaixavam perfeitamente e a corrente elétrica que passava pelo corpo de ambas era indescritível. Quando o oxigênio começou a faltar as duas se separaram e Marina mordeu o lábio inferior de Clara puxando-o para si ao mesmo tempo em que seu olhar encontrava o de Clara e via que eles refletiam o mesmo desejo que ela sentia, mas como em um passe de mágica Clara levantou se afastando da fotografa
_Marina... Eu... Não... Você... Eu nunca... – gaguejou sem conseguir formar uma frase coerente – Eu... Eu vou indo – disse Clara ainda gaguejando e saindo atordoada do saguão deixando a fotografa sem reação.
Marina observou Clara ate que ela saísse do seu campo de visão e com um sorriso no rosto deitou no comprido banco do saguão levando às mãos a boca onde a pouco tinham estado os lábios da bióloga. Apesar de Clara ter fugido logo após o beijo, Marina sabia que o desejo que ela tinha pela morena era recíproco e por isso ela não desistiria de conquista-la
_Melhor você se cuidar caro Cadu! Time Marina entrou em campo e eu não vim para perder! –exclamou sozinha a fotografa rindo alegremente enquanto observava acima de si algumas baleias passarem nadando
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