Forças Atrativas

4 Julgamentos - Capítulo 3


Muitas falavam, poucos o conheciam. As circunstâncias que o permeavam de uma forma ou de outra, colaboravam o suficiente para incitar o surgimento de rumores e suposições prematuras no que diz respeito à sua conduta. Filho de um homem problemático; bêbado, vagabundo, fora de si — todos os moradores do apartamento o tinham em suas memorias dessa forma — não deveria causar certo espanto nos moradores caso ele seguisse o mesmo rumo de seu pai. Meus prejulgamentos sobre ele, não eram diferentes dos moradores de Monte Castelo, porém, pouco me importava quem ele era ou quem ele deixara de ser. Eu não me sentia no direito de julgar alguém que eu nem sabia o nome.

Enquanto nós estávamos lanchando o assunto sobre a mudança do filho do Edgar corria solta nas línguas de Victor, mamãe e papai. Mamãe comentava sobre as diversas opiniões dos morados do nosso apartamento; os moradores estavam na esperança de que ele causaria as mesmas badernas, ou quem sabe, até piores das do seu pai. No entanto, não ouvia sequer algum barulho do seu apartamento. Pelo jeito amargo que meu papai descrevia o estilo e o perfil dele, notava-se que ele não fora muito agradável em termos de postura e aparência quando fora visto pelo papai.

Anoiteceu rapidamente enquanto eu estava entretida no meu notebook em meu quarto. Mamãe batera na porta do quarto para avisar-me que eles estavam planejando ir, em uma pizzaria, mais tarde.

– Oi filha. Vim aqui saber se você quer ir comer pizza conosco, logo mais. Nós estamos planejando de irmos à Bona pizza, que tal?

– Ótimo! Eu vou sim. Que horas nós vamos?

– 20: 30.

– Vou me arrumar então.

– Ok. Eu quero ver você bem bonita – disse ela sorrindo.

– Vou tentar. (risos)

Confesso que no momento em que ela fechou a porta, eu desabei na minha cama com preguiça de ter que me arrumar. Fechei os olhos e tentei bloquear a vontade de querer ficar em casa e tentei ser mais simples e prática na escolha da roupa para vestir. Vou com uma calça jeans escuro e uma camisa baby look preta e com meu All Star roxo. Quanto à maquiagem, não vou usar hoje.

Todos nós nos aprontamos aproximadamente às 19h55, bem antecipadamente da hora na qual mamãe tinha previsto para sairmos de casa. Ao sairmos do nosso apartamento, enquanto papai fechava a porta, uma pessoa um pouco inusitada, grande alvo de fofocas no prédio, acabara de chegar. No ápice do momento em que todos nós estávamos defrontes a ele, o silêncio constrangedor pairava entre nós e ele. Por fim foi quebrado pela mamãe que se demonstrou naturalmente hospitaleira para com ele.

– Boa noite! Estou certa de que você é novo morador daqui, não é?

– Sim. Sou eu. Meu nome é Morgan, sou o filho de Edgar – disse ele timidamente e sereno.

– Prazer! Sou Helena. E esses são o meu casal de filhos e o meu marido.

Enquanto mamãe apontava para cada um de nós e dizia os nossos nomes, cada um de nós, o cumprimentava reservadamente. Ele sorria e retribuía quase da mesma forma que nós o tratávamos, entretanto, de forma insuficiente e um tanto inexperiente. Mas, no meu ver, era normal. Nós nos despedimos formalmente dele, e partimos para o estacionamento do prédio. Enquanto seguíamos para o tal destino, eu me perdia entre as encantadoras luzes das ruas que se movimentavam na velocidade da luz. Quando chegamos a Bona Pizza, fomos para o 2º andar, e nos acomodamos em uma mesa defronte a uma extensa área verde, onde no seu centro havia uma notável falha côncava na qual era preenchida por uma parte da cidade que, no momento, estava acesa por trás dela. A forma perfeita que o fragmento da cidade se encaixava naquela parte falha da floresta lembrava-me um quebra-cabeça. A noite estava sublime e tudo ocorreu perfeitamente bem.