Força Especial da Marinha
18 Hey, ho, Brasil, here we go
Notas iniciais
- Como estão as pernas? — o Capitão perguntou me ajudando a levantar, minha mãe segurava minha mala e meu pai conversava com Charles de fora. Camilla havia saido para a cidade.
- Bem. — falei e me apoiei em seu braço, ele beijou meu cabelo, pegou a mala da mão da minha mãe e saiu me carregando com ela nos seguindo. — Pronto. — falei para o meu pai.
- Vamos? — ele tomou a mala da mão do Capitão e puxou meu braço para o lado dele — Charles, foi um prazer revê-lo — meu pai falou — Até algum dia.
- Até. — Charles e ele trocaram apertos de mão, o Capitão e ele apenas acenaram um para o outro, minha mãe o abraçou.
- Espero que fique bem. — falei o abraçando.
- Se cuida, baixinha, e não deixe que ele faça nada de errado com você.
- Eu ouvi isso. — o Capitão usava roupas comuns, não estava a serviço, usava uma jaqueta enorme, eu sorri na sua direção.
- Não se preocupe. — falei e beijei sua bochecha — E não deixe que aquela menininha te passe a perna, se ela fizer isso quero ser a primeira a ficar sabendo.
- Pode deixar. — apoiei em meu pai e no Capitão — Boa-viagem para todos.
- Obrigada.
Ele cruzou os braços e nos olhou enquanto entravamos na perua que nos levaria até o aeroporto.
No aeroporto, fiquei sentada o tempo inteiro enquanto meus pais pegavam nossas passagens, os outros já havia voltado para o país alguns dias antes. Entrei no avião, fiquei ao lado da janela, o Capitão ficou ao meu lado, meus pais ficaram na fileira da frente, já haviam contatado um médico que cuidaria de meus machucados e este é da marinha, o que não me impediria de ajudar em alguma coisa se necessário fosse.
Dormi a maior parte do tempo, acordando para comer, e ir ao banheiro que se tornava algo bem engraçado, dificilmente passavamos os dois ao mesmo tempo, e quando eu entrava, tinha de usar os braços para me segurar e poupar as pernas um pouco.
O pouso foi tranquilo, sai com a ajuda do Capitão, esperamos pelos meus pais depois de pegarmos as malas. O carro deles estava no estacionamento do aeroporto, depois de pagarem tudo o que deviam dirigiram para nossa casa.
- E sua família? — perguntei para o Capitão, ele me olhou, eu estava apoiada em seu ombro, percebi quando o encolheu após a pergunta.
- Não tenho pai nem mãe — meu pai nos olhou pelo retrovisor, minha mãe ouvia e sei disso, porque ela inspirou com força maior — tenho um irmão mais velho e uma irmã caçula, ele está na Ásia e ela nos EUA, ambos a estudo e trabalho, então meio que cresci sozinho por aqui. — ele me abraçou quando percebeu que desviei o olhar — Não se preocupe, isso foi bom.
- Desculpa a pergunta, mas o que houve com seus pais? — eu o olhei, ele sorriu de leve.
- Sofreram um acidente de carro em uma viagem, meu pai ficou em como e minha mãe morreu na hora. Estavam indo nos visitar na casa de nossa avó e...
- Ocorreu a enchente que a levou e a Força Especial apareceu pela primeira vez na mídia com a história do menino corajoso que salvou os irmãos e prometeu que entraria para aquela organização e anos após o ocorrido apareceu dando entrevista e cumprindo a palavra. — ele me olhou assustado.
- Conhece sobre minha história?
- Foi isso que fez essa menina querer entrar para a força especial. — meu se intrometeu, Charles o olhou assustado — Você é um grande simbolo para nossa filha. — encolhi-me em meus ombros — Bem, chegamos.
Meu pai puxou o breque de mão que rangeu. Pediu para que fossemos na frente, o Capitão abriu a porta e pessoas pularam gritando pelo meu nome e alguns chorando, Charle beijou meu cabelo mais uma vez e sorriu para mim.
- É bom tê-la viva. — ele falou e me largou aos braços de meus familiares que faziam várias perguntas. E eu tentava responder a todas da forma mais rápida possível.
O Capitão sentou ao sofá, ficou me olhando de longe, estava ao lado de alguns dos meus tios que lhe faziam perguntas também.
Comi um bolo da minha prima, tomei um pouco de refrigerante e subi para o meu quarto, ninguém me viu subindo, eu ouvi o som ficar abafado quando fechei a porta, logo atrás de mim, estiquei a perna e repousei a cabeça no travesseiro. Algumas pelucias empoeiradas ainda estavam sob a poltrona, olhei para a janela que estva aberta, haviam limpado o quarto, mas alguns posteres ainda repousavam na parede, alguns de bandas, alguns de atores, outros de animes, algumas fotos minhas com meus amigos e uma que me fez sentar assustada. Fui até ela no mesmo instante em que a porta se abriu, olhei e era o Capitão, tentei tirar aquilo da parede, mas não fui rápido.
- O que é isso? — ele perguntou e rio, mas foi uma risada gostosa — Sou eu? Eu era tão magrelo assim? — dei de ombros sem graça. — Por que tem um recorte meu do jornal?
- Achei isso agora, nem me lembrava dela — ele rio e me abraçou pelas costas.
- Não imaginava que você tinha tantas manias de adolescentes comuns — ele falou olhando para as paredes e para o chão — Bandas, atores sem camisa, animes e até pelucias. — ele bagunçou meu cabelo e pousou os olhos sobre uma foto, era uma minha com o Charles, ele não perdeu o sorriso, mas logo desviou o olhar, olhei para a foto, era eu e ele sentados no parque com um canudo de chocolate com cada ponta em uma das bocas e riamos daquilo. — Ahm... Você está precisando de ajuda com algo?
- Não, nada. — falei e manquei até a cama, me joguei para trás, após pousar, estiquei o braço e virei a cabeça na direção dele que ainda olhava as fotos. E rio com um.
- Você de coelhinho? — ele apontou para a foto — Você tinha quantos anos?
- 7, eu acho. — falei rindo — Todos ficaram assim, ali — apontei para outra — Está a turma inteira. — Mas só eu usava as orelhinhas no alto da cabeça, todos ficaram com vergonha daquilo.
- Você ainda tem as orelhinhas? — ele movimentou as mãos no alto da cabeça. Apontei para o armário, ele o abriu e pegou a tiara, se aproximou de mim e fez com que eu me sentasse, e a colocou — Muito linda.
Eu fiquei fitando-o sem entender e ele ria e então entendi.
- Ei! — eu falei de forma aguda — Para com isso.
Ele me beijou e voltamos para a festa.
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