Já havia passado quase um mês que estavamos dentro dos navios parando outros. Nosso dia de folga estava para chegar e eu estava louca por ele, precisava curtir um momento calmo sobre solos terrestres. Saímos do navio e uma van nos aguardava, teriamos cinco dias no alojamento e depois voltariamos para lá. Descemos e nunca vi aqueles marinheiros tão aliviados, todos estavamos tensos, cada abordagem era uma nova aventura, talvez parassem, talvez nos atacassem, não dava para saber.

Fui par ao quarto com as meninas, saí e fui par ao refeitório, chegamos antes do horário dos jogadores levantarem, eu precisava comer algo decente, cumprimentou o cozinheiro que disse que estava sentindo falta do grupo navegador.

Os jogadores começaram a entrar e se assustavam em nos ver ali, terminei de comer e saí do refeitório, Charles estava a caminho e quando me viu correu e me abraçou. Estava quente em volta de seus braços, eu o afastei sufocada.

- Que bom que você está bem — ele falou e beijou minha testa- No noticiario eu ouvia sobre as abordagens que faziam e isso me desesperava, não dava para saber se todos haviam saído ilesos.

- Mas saiamos, a equipe é muito boa e todos se apoiam. — ele me olhou, estava com um aspecto diferente agora, parecia cansado e preocupado, ele se aproximou, eu me afastei, ele me puxou para perto dele e me beijou, foi algo forte, algo que eu não estava aguardando e por alguma razão meus músculos deixaram que ele o fizesse.

- Yeva... — ele se afastou, eu o olhei — Estou com fome. — eu ri. Ele foi par ao refeitório e eu fiquei ali parada, usava roupas comuns, afinal não estava em serviço, fui par ao meu quarto, onde as meninas começaram a me zoar falando que eu tinha me tornado uma pessoa mole e que não deveria deixá-lo me tratar daquela forma.

Tornei a sair, pensei em andar pela cidade comprar algo para quando eu voltasse ao Brasil ter presentes a todos aqueles mereciam.

- Você está livre hoje? — Charles se aproximou — Não está de uniforme, então é a sua folga...

- É sim — falei e o olhei — Por quê? — ele sorriu, pegou minha mão e começou a me puxar pelas escadas, me puxou até o terceiro andar, abriu a porta do quarto, colocou uma chuteira pendurada na maçaneta e então me olhou. — O que você está querendo?

- Você sabe e eu sei que você quer.

Eu o olhei, eu sabia e talvez eu estivesse precisando, não iria doer fazer aquilo mais algumas vezes com ele, mas ele teria de me prometer que não levaria a nada mais sério entre nós. O acordo foi feito e tudo avançou, acabou comigo acordando deitada sobre ele e seus braços em minha cintura, me levantei, isso não era bom, lembranças e mais lembranças.

- Já vai? — ele perguntou espreguiçando, mas ainda são duas da tarde, dá tempo de mais um round.

- Eu sei. -eu falei sorrindo — Mas vou deixar para depois, tenho coisas a fazer na cidade.

- Vou com você.

- Então se arrume.

Ele tirou a chuteira da porta, comecei a descer as escadas e encontrei o Capitão, ele estava de roupas comuns e essa era a primeira vez que eu o via daquela forma.

- Senhor! — eu o cumprimentei, ele olhou para Charles e depois para mim.

- Não estamos em serviço, Yeva, pode em chamar pelo nome.

- Certo... Charles. — ele sorriu.

- Estão indo até a cidade? — confirmei — Irei com vocês.

Esperamos por ele encostados ao parapeito, eu não tinha certeza como reagir com o Capitão enquanto estavamos na folga. Ele saiu do dormitório no momento em que três jogadores passavam por mim e Charles e faziam brincadeiras dizendo, agora, entender o porquê da chuteira na porta, o Capitão me fitou, fingi não perceber, ninguém me proibiu de fazer o que fiz, não havia nenhuma regra e eu estava na minha folga, então, não havia problema algum.

Andamos pela cidade, comprei lembranças para Stela, Jude, minha mãe, meu pai, Laila e Mandela, comecei a ter dificuldade com as sacolas enormes, sentamos de fora de um restaurante, ninguém havia almoçado ainda, coloquei as sacolas em uma cadeira a minha frente.

Charles pediu ara mim e o Capitão, disse que ali tinha pratos maravilhosos. O Capitão nos observava, as conversas giravam em torno da cidade e de como era o nosso tempo de colegial o que deixava o Capitão desconfortável.

- Vou andar por ai — ele falou e me olhou — Vai precisar de ajuda?

- Não, está tudo bem Cap... charles.

- Certo. Até mais tarde.

Confirmei.

Charles me ajudou a carregar as sacolas, na volta encontramos o meu grupo de marinheiros indo para a cidade com alguns jogadores que os levava para se divertirem. A temperatura voltou a cair, Charles deixou que eu passasse o meu braço pela sua jaqueta, era estranho fazer aquilo que tinhamos costume na época em que namoravamos. Ele me entregou as sacolas em frente a meu quarto, permitiu que quando eu voltasse para a missão aquelas sacolas ficassem com ele. Charles se aproximou, entrou no quarto comigo e fechoua aporta.

- Ei! — eu falei olhando-o.

- Quer deixar a chuteira ali fora?

- Digamos que não é assim com a gente? — eu sorri, peguei o cap e o coloquei de fora.

Arrumamos tudo e saimos para jantar, o cap foi colocado no lugar, e assim que entramos no refeitório pude perceber Tainá e Sara me zoando de longe, o Capitão nos fitava, Charles se sentou conosco assim como mais dois jogadores que tentavam se aproximar de Sara e Tainá que pediam a minha ajuda para conseguir algo com eles.

Mas a semana passou rápido e logo estavamos de volta ao nosso trabalho.