Fortune Faded
3 Sexta-feira. Meio dia.
Era horário de almoço, havia saído a pouco tempo do estúdio. Estávamos ensaiando desde as sete e meia da manha, nunca imaginei que minhas mãos ficariam tão machucadas, apanhei para conseguir alguns acordes, mas, felizmente consegui!
Clara não havia ido ao estúdio aquele dia, deveria ter alguma coisa mais importante para fazer, como dar a buceta para o empresário, seu amiguinho fofo. Aquilo me causava náuseas, como pode uma mulher, aparentemente incrível, ser alvo fácil desses idiotas? Prefiro para de pensar nesse assunto.
Segui pelas ruas, e entrei em um pequeno restaurante, seu estilo me lembrava o dos anos 50. Entrei, pedi o meu prato e enquanto esperava a chegada do mesmo, percebi uma pequena movimentação do lado de fora do restaurante. Clara estava chegando com o tal empresário, pareciam um casal, e não de amigos. Ao ver aquela cena, fingi que não tinha visto e que não conhecia nenhum dos dois.
Comi o meu prato tranquilamente, as vezes meu olhar se desviava para o casal de merda, para checar o que eles estavam fazendo, mas uma vez? NOJO. Aquele cara a tratava como uma vadia qualquer.
Até que enfim! O infeliz resolveu ir ao banheiro, para dar uma mijada básica, ou bater uma, sei lá, isso não me interessa. O que me interessava mesmo, naquele instante foi ver Clara sozinha. Eu não sabia se ia falar com ela, ou se abria espaço para ela vir falar comigo.
No momento em que me distraio, sinto uma mão macia tocando o meu rosto, e, cobrindo os meus olhos. E então ouço uma voz dizendo: “Já que ficou tão encantado, deveria saber quem é...” De súbito, ela me beijou. Sim ela me beijou! Nem havíamos nos falado direito, mas como homem é claro que gostei. Seu beijo era calmo, doce como o mel, e me fazia sentir como se não houvesse gravidade, uma pequena sensação de magia.
Eis que o empresário sai do banheiro e me pega beijando sua garota. Que situação perturbadora! Eu na sabia como me portar, já havia pegado vadias na vida, mas ela... Porra ela era diferente! Tinha alguma coisa ali que me prendia.
Pedi desculpas a ele, claro. Ele aceitou e me alertou sobre Clara, pois sabia com quem estava lidando. Clara era sua vadiazinha há anos, sua obrigação era conhecê-la. Os dois abrirão o maior berreiro naquele restaurante.
Clara? Foi humilhada, chamada de tudo quanto é tipo de nome, afinal ela se portou como uma puta que dá a buceta por meros 0,50 centavos. O empresário ameaçou minha saída da banda se me pegasse de novo com ela, mas naquele momento isso não importou tanto. Lembrei de como foi o seu beijo, e meus instintos masculinos começaram a ferver. Eu precisava comer aquela mulher!
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