Forte, 30 de Agosto
1 a ignorância é uma benção
Forte, 30 de Agosto
Meu amigo,
A ignorância é uma benção.
Não me ama e nem me amará.
Estou apaixonada pelo lado de fora.
Se ele não me responder eu aceito que ele não é pra mim.
Aceito.
Aceito demais.
Acredito nesses sinais do destino.
Só preciso de uma ilusão pra continuar.
Ao mesmo tempo que amo eu não quero.
Leandro.
Hiro.
I don't know.
Estou tão sentida.
Tão mergulhada em sangue.
Tenho um coração aflito.
Uma tristeza ancestral.
E é isso que sou.
Calada eu não erro.
Ca-la-da.
O que combinamos?
Nada mudou verdadeiramente.
Não é por ter mudado de escola que você pode mudar de jeito.
Você é tão burra.
Tão metida.
Meus colegas sentem pena de mim.
A estranha querendo ter mais atenção que nós na aula de Redação.
Preciso ser menos participativa.
Volte a ser invisível.
Nada realmente mudou.
Nunca vou mudar aqui dentro.
Não é algo que pode ser removido como um risco de caneta na pele.
Suspiro profundamente como se o chão estivesse prestes a desabar nos pés.
Apenas poera se amontoando na minha cabeça enquanto o longo e negro professor fala algo sobre tabelas pra próxima aula.
Pra que isso, cara?
Meu coração se esvazia quando eu o olho.
Bem vazio.
Cheio.
Só há esperanças quando chego em casa e ligo meu skype.
Um coração?
Coração?
Aonde?
O que?
Aqui?
Acho que não;
Pois não.
Disponha.
Coordenadora quebrando o fluxo da aula.
Queria lhe quebrar o pescoço moreno.
Prossiga.
Meu coração é de mentira.
Meu semblante é uma idiotice.
Tanta mentira quanto a minha criação.
Estou achada.
Perdida.
Achada.
Perdida.
Achada.
Bem achatada.
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