Forte, 27 de Agosto
1 eu realmente não estou ligando pra muita coisa
Fortal, 27 de Agosto
Meu amor,
Eu realmente não estou ligando pra muita coisa e isso é prejudicial.
Eu os vejo: cheios de vida na quadra.
Eu também fazia toda essa barulheira?
Tenho certeza que estou feliz do meu modo.
Não sou e nunca fui uma maritaca louca.
Eu vejo garotos passando e poucos voltando.
O que há de tão importante além da porta da Coordenação?
Homens que parecem crianças e crianças que parecem adultos.
O que farei com essas coisas mortas?
Me sinto numa eterna fila de açougueiro.
As coisas não fazem eco em mim.
O que será que há nessas cabecinhas?
Só penso em crânios vazios; vazio e com abelhas nervosas.
Não há muito o que fazer quando as abelhas se instalam.
Doença degenerativa de abelhas.
Gostaria de não ser eu e então esse colégio teria outro sabor.
Minha pequena e miserável aparência.
Tenho uma aparência fraca.
Estou sem miníma vontade de ficar nessa cadeira azul que mal cabe meu traseiro seco.
Estou sem a mínima vontade de ir além da porta e ouvir zumbidos adultos.
Eu gostaria de desaparecer, sabe? Não que em algum momento eu seja notada.
Pra eles, sou um tijolo.
Estou no máximo que posso.
Eu sou um tijolo.
Eu olho pra um lado e olho pro outro.
Acho que me sinto feliz.
Não tenho meus colegas do meu lado ou obrigações além de sentar meu rabo nessa cadeira.
Eu não gosto das pessoas.
Eu não gosto da minha aparência.
Eu me sinto meio pesada.
Gosto do lugar que estou.
Eu gosto da sensação.
Meio triste e desolador.
Meio com paz e angustiante.
Estou na fila do abatedouro.
Eu não posso lutar já que sou um tijolo e eu sou um tijolo.
Não há beleza onde estou.
Não há beleza em nada.
Ivina
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