Forms of love
1 Prólogo
Notas iniciais
Prólogo
Sexta feira, 20 de dezembro, 10 am. 5 dias para o natal.

É uma manhã gélida de inverno. Uma brisa fria, comum nesta época do ano, proporciona um leve movimento aos meus cabelos avermelhados. Também aumenta de leve o frio em minha nuca, acentuando a sensação gelada que proporcionou as lágrimas caídas sobre minha face. Alguns misteriosos raios de sol entram pelas vidraças, perfurando minha pele sempre tão pálida e deixando um tom avermelhado por onde as mesmas jazem. Meus olhos queimam como se estivessem pegando fogo e minha cabeça parece ter uma bomba relógio dentro de si. Novamente me perco em mais uma entre as incontáveis crises de choro que já tive. O ar me falta e minhas pernas parecem gelatina, impossibilitando uma explicação racional sobre ainda me manter de pé.
Levanto-me bruscamente, já não aguentando mais aquele ambiente mórbido. Corro para fora logo após abrir bruscamente as enormes portas de madeira do prédio onde me encontrava. Seco as várias lágrimas que escorriam pela minha face com a manga da blusa e me sento nas escadas que ficavam logo à frente. Sinto-me como se estivesse sufocando. Presa no fundo do mar, em um enlouquecido debater para voltar à superfície e encontrar o oxigênio. Só que agora, eu não sabia se queria realmente o oxigênio de volta.
Tudo aconteceu tão rápido. Em um dia eu estava feliz. Havia alcançado, aliás, um nível de felicidade que nunca tinha sequer imaginado antes. Eu deveria ter previsto. Coisas extremamente boas não acontecem para pessoas comuns como eu. Na verdade, coisas boas nunca aconteciam para mim. Quando tudo começou a dar certo, eu deveria ter me preparado. Tudo estava prestes a desmoronar. E não iria ser uma queda pequena.
Escuto as portas se abrirem rapidamente atrás de mim e fecho meus olhos com firmeza, sentindo os soluços me tomarem novamente. Coloco minha cabeça por entre as pernas e deixo que as lágrimas fluam violentamente. Uma mão toca delicadamente as minhas costas. – Querida. – Fala, com cuidado, aquela voz familiar. Sinto-me afundar ainda mais em minha tristeza com aquele carinho. Uma dor inquietante arde dentro de mim. Me levanto, pouco enxergando pelos olhos marejados. Desço correndo os degraus a minha frente e não paro quando escuto gritarem por mim. Pelo contrário, corro ainda mais rapidamente. Não faço ideia de para onde ir, nem se tenho realmente um lugar para que possa ir. Só não posso continuar ali.
Fale com o autor