Forgotten Roses - Epílogo: Reencontro
1 Reencontro
Notas iniciais
A história não ficou tão espetacular assim, mas esse epílogo foi feito mais pra gente se despedir de vez de "Forgotten Roses".
Até lá embaixo e espero que gostem. :)
Fazia algum tempo que Ib passou a ter esses sonhos estranhos. Quadros que a perseguiam, manequins ganhando vida, perturbadoras bonecas azuis... E o mais estranho era que isso tudo o parecia muito familiar, e nos sonhos ela sempre sabia para onde correr, o que deveria fazer...
Era como se quisesse se lembrar de algo, mas não sabia bem do que deveria se lembrar.
A moça se encontrava sentada em um banco no jardim de sua casa, observava o céu azul recordando de alguns detalhes do sonho, refletindo seu significado.
"Nossos sonhos são baseados nas nossas experiências e medos, tente descobrir o que eles significam e talvez você possa controlar o sonho." Foi o que disse Garry.
Mas não importava o quanto ela pensasse no que aquilo tudo significava, continuava sem entender e aquela sensação estranha não ia embora.
A única coisa que sabia era que aqueles sonhos haviam começado depois da visita da galeria de Guerttena. Engraçado, ela nem se recordava direito do que aconteceu lá.
Sentiu seu celular vibrar, e desistindo de tentar decifrar o sonho leu a mensagem:
"Quer ir até a cafeteria comigo? Me liberaram mais cedo do trabalho hoje."
"XOXO"
~ Garry
Imediatamente respondeu:
“Claro, encontro você lá.” Desligou o aparelho e foi até o local marcado.
...
O dia estava lindo mas Ib sentia uma sensação estranha, como se estivesse sendo observada. Não demorou muito para começar a ver vultos.
“Calma, é só coisa da sua cabeça.” Disse a si mesma.
A sensação de calafrios piorava. Imagens estranhas passavam por sua cabeça sem ela querer, e estas se assemelhavam muito ao sonho... Ouviu vozes estranhas, seres (pois não sabia se eram humanos) desconhecidos praguejando ou pedindo socorro. Desesperada começou a correr tomando outra rota da que deveria tomar para chegar até o local do encontro.
Apoiou-se em seus joelhos tentando recuperar o fôlego.
-Mocinha, você está bem?
Ela não havia reparado onde estava. Se encontrava em um parque, algumas crianças brincavam lá e Ib parou de correr ao lado de um homem com cabelos louro pálidos. Tinha com ele materiais de pintura, uma tela com um desenho de uma vela apagada. Ao lado desta estava uma tela em branco, da qual o homem parecia estar prestes a pintar.
Encarava o homem com curiosidade, parecia conhecê-lo de algum lugar. Minutos depois lembrou-se de responder:
-Ah, sim não foi nada. Só... Coisa da minha cabeça...
-Tem certeza, Ib?
Espera... Como ele sabia seu nome?
Ao olhar para seu rosto sentia um tipo de déjà vu. Ela tinha certeza de nunca ter visto aquele homem, mas em algum canto de suas lembranças ele parecia estar presente.
-Quem... é você?
O homem se levantou, apanhou suas coisas deixando para trás apenas um quadro. Parou ao lado de Ib, sem olhar para esta.
-Meu nome não é importante, você já me conheceu um dia. Disse que iríamos nos reencontrar, não disse? Aquele quadro vai ajudar vocês. Bom, as crianças estão esperando. Até algum dia. – E foi embora.
Porém, quando Ib olhou para trás o homem não estava mais presente. Que história era aquela? Será que estava sonhando de novo?
Olhou para o quadro: era aquele quadro da vela.
“O que eu faço com isso?” Pensou. Por fim, pegou a peça e a cobriu com um pano que aquela pessoa tinha deixado para trás.
Ao andar com aquilo em mãos percebeu que o desconforto de mais cedo havia passado. Mesmo assim continuava a se sentir perseguida.
Depois de caminhar por algum tempo reparou que na rua da cafeteria não havia ninguém, sendo que aquela rua era uma das mais movimentadas da região (principalmente naquele horário). Viu uma borboleta laranja passar. Ela era tão bonita, e sua cor era tão viva que parecia não estar ali de verdade, parecia não ser daquele mundo... Porém, o estranho era que sentia-se bem só de admirá-la.
Uma figura de cabelos roxos persegue a borboleta e ambos logo somem de sua vista. O que raios Garry estava fazendo?? Sem pensar muito foi atrás dele.
Aqueles vultos estavam de volta, agora tomando forma. Eram os monstros de seus sonhos!
A garota acelerou o passo, agora apavorada. As ruas eram sombrias, e o céu estava escuro mesmo que fosse de dia. Aquilo era mesmo um sonho ou era real? Implorava para que pudesse acordar de uma vez.
“Vocês nunca mais acordarão. Ficarão presos conosco aqui para sempre neste pesadelo.” Ouviu uma voz maligna ecoar em sua cabeça. Logo monstros começaram a persegui-la.
Correu com o resto de força que tinha até alcançar Garry. Ele estava parado no meio da rua, enquanto aqueles monstros aproximavam-se deles.
-Garry, temos que sair daqui! – Gritou Ib, tentando puxá-lo para que corresse.
O rapaz tremia se recusava a andar, até que caiu no chão inconsciente.
Garry era pesado demais. A garota amaldiçoou-se ser tão fraca. Não iria deixa-lo, agachou-se e o abraçou no chão, tentando de alguma forma protege-lo dos monstros que estavam quase em cima deles.
Gritos. Os monstros gritavam enquanto uma chama os consumia.
-Rápido, levantem! Isso não vai durar por muito tempo. – Gritou um rapaz pálido de cabelos negros, ajudando Garry a se levantar. Correram até um beco onde duas garotas o esperavam com um isqueiro na mão. A mais velha tinha em uma das mãos um fósforo aceso, onde aquela borboleta de antes estava pousada.
-Por favor, me dê o quadro. – Pediu o rapaz, colocando Garry deitado.
A garota obedeceu, colocando-se ao lado de Garry que acordava.
-Garry, tudo bem com você?! – Perguntou preocupada.
-Está tudo bem, desculpe... – Antes que pudesse fazer um discurso de duas horas pedindo perdão a garota o calou com um selinho, em seguida o envolvendo em um abraço apertado.
O rapaz de cabelos negros desembrulhou o quadro e o estendeu a garota. A borboleta voou até o quadro e pousou na vela. Uma luz começava a envolver toda a cidade, e as três pessoas comemoraram. Ib e Garry observavam tudo sem entender.
-Agora sim, aqueles monstros não vão mais nos perseguir! – Comemorou a garotinha.
Espera... Aquelas eram as pessoas que haviam encontrado na galeria um mês atrás!
-Vocês...
Tudo começou a desmanchar como se fosse areia. Então a garotinha e o rapaz gritaram ao mesmo tempo.
-Nós vamos nos encontrar outra vez!
...
Era uma bela manhã, estava sentada no sofá. Provavelmente teria dormido.
“Nossa, que sonho esquisito...” Pensou, suspirando aliviada.
Contudo, se assustou ao olhar para a parede e se deparar com um quadro que não estava ali: uma vela com uma chama laranja viva, dando a impressão de que poderia tocá-la e sentir seu calor.
O telefone vibrou com uma nova mensagem:
"Quer ir até a cafeteria comigo? Me liberaram mais cedo do trabalho hoje. Vou te apresentar um colega meu. Ele trouxe umas amigas, vocês vão se dar muito bem."
"XOXO"
~ Garry
Olhou para o quadro novamente. Sem entender muito bem apenas respondeu:
“Já estou indo. Aposto que vamos nos dar bem.”
Notas finais
Vou sentir saudade de vocês, sério.
Muito obrigada por acompanharem.
Fui!
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