Notas iniciais
Descupem a demora. Tava uma loucura na minha escola.

Não tinha nem suado direito. Não. Estava completamente seca. 23 homens pra mim não era nada. Não posso nem chamar isso de aquecimento (sem querer me gabar). Me chamo Suzana, aos meus 18 anos fui fazer minha inscrição no exército. Eu mesma me alto declaro como uma louca, afinal, uma garota nunca, em qualquer hipótese, se alistaria para o exército. Mas eu fui capaz de cometer essa loucura, para poder ajudar minha pequena e pobre família.

Ali, naquela sala, diante de mim, estavam dois homens uniformizados me encarando sem parar (eles nem piscavam).

–Seu... seu nome, menina?- gaguejou um deles.

–É Suzana. Senhor.- disse eu com muito respeito. Ele parecia ser de algum cargo importante.

–Bem,- continuou -vamos até a minha sala, Suzana. Te passarei os detalhes mais precisamente.

Fui até o vestiário colocar minhas roupas normais. Depois segui o homem com seu parceiro que não tirava os olhos de mim, mesmo andado no corredor. Ele até deu alguns tropeços, digo... VÁRIOS tropeços.

Chegando na salinha abafada do homem, que na verdade era um sargento (era o estava escrito na plaqueta em cima da mesa dele), me sentei na cadeira e ele se sentou na dele e o "camarada dos tropeços", continuava me encarando com os olhos arregalados.

–Bem,- começou o senhor sargento -não é muito comum recebermos jovens garotinhas para fazer parte da nossa "comunidade". Entretanto, você demonstrou excelentes resultados em todos os nossos testes. Muito melhor do que a maioria das pessoas aqui em seus primeiros dias.- Ele abriu uma gaveta de um armário atrás dele e pegou alguns papéis. -Eu só preciso que você complete esse espaços, em branco, que estão aqui.

Nesses espaços pediam nome completo, número do RG, CPF, número para contato, até meu tipo sanguíneo. Sem contar os vários espaços que pediam minha assinatura.

Terminei e o Sargento disse que dentro de duas semanas eu receberia uma carta que estaria escrita o dia e a hora para o meu primeiro dia de trabalho.

Sai.

Estava andando de volta pra casa, quando decidi passar no pet-shop no centro onde uma amiga trabalhava. Chegando lá, entrei e um sininho tocou quando passei pela porta.

–Pet-shop da Madame Shirley, em que posso ajudar?- disse uma voz feminina-Hm? Você aqui?! Que surpresa!- disse a menina de olhos castanhos, baixinha (como eu) e de cabelo preto e curtinho. Era Ana. Minha única amiga desde o colegial.

–Eu resolvi dar uma passada por aqui, já que estava por perto.

–Ah! É mesmo! Você ia se inscrever pro exército.- disse ela cutucando a própria testa com o dedo indicador –Conseguiu?

–Sim. Já faz um tempinho.

–Que bom!- Ela deu um pulinho — Quando você começa?

–Eu ainda não sei- disse eu esfregando os dedos no queixo. Nesse momento, eu pensava que não poderia mais sair de casa nas próximas duas semanas, pois mamãe costurava peças de fantasias para o Teatro Municipal, papai trabalhava na loja de brinquedos e Mary, minha irmãzinha de cinco anos, tinha a escola de tempo integral.

–Suzana?- disse Ana, interrompendo meus pensamentos.

–Sim?

–... — Ana me encarava como se estivesse analisando meu rosto.

–Algum problema?- disse eu colocando a mão no rosto por instinto.

–Você não está feliz?

–Como assim?

–Você finalmente conseguiu um emprego que vai ajudar sua família e não é um emprego qualquer. Nenhuma garota teria esse privilégio, como você tem, de estar em um emprego como esse.

–Mas o que eu posso fazer? Eu posso ser a única mulher que se inscreveu no exército, mas e daí?

–Você poderia sorrir. – Quando ela falou essa palavra, “sorrir”, meu coração bateu forte. Muitas pessoas já me questionaram porque que eu nunca sorrio. Eu não consigo sorrir. Eu simplesmente não sei sorrir. Eu posso ser considerada a criatura mais séria da face da terra. Vários já me perguntaram se eu estou sempre entediada, mas não é nada disso. Eu passei por momentos tão aflitos em minha vida. Todos cheios de amargura, solidão e tristeza. Eu nunca senti felicidade para poder sorrir. Minha família sempre fazia de tudo para me fazer sorrir, principalmente papai (ele é o mais animado, por sinal). O único momento que eu fiquei perto de estar feliz foi quando Mary nasceu. Eu fiquei “feliz”, porque eu não iria mais ficar sozinha em casa, mas quando Mary começou a ir pra escola o sentimento de solidão voltou. Eu amo muito minha família. Faria de tudo por eles, mas eu não posso ser a filhinha sensível e frágil que o papai quer que eu seja. Eu sinto pena que ele tenha que se esforçar para me animar.

–Me desculpe Ana. – eu disse em uma voz baixinha.

–Eu já sabia. – ela disse num tom mais baixo ainda. Ela virou o rosto fazendo uma expressão de decepção. Eu fiquei triste por ela. Ela era uma das pessoas que mais queria me ver sorrir. Nesse momento, senti umas lágrimas brotando em meus olhos, mas me esforcei para segura-las.

–Bem, eu... eu já vou. Apontei para a saída com o polegar. – Eu vou passar aqui amanhã se não for te incomodar.

–Imagina! Pode passar quantas vezes quiser. Eu gosto de te ver. – Ela inclinou a cabeça de leve dando um grande sorriso no final.

–Até, então.

–Até. – ela deu um tchalzinho. Sai da pet-shop.

Notas finais
Vou postar três vezes por semana agora, mas pode ter semana q eu poste mais ou menos ou nem poste, mas eu não vou deixar de postar, tá? E vcs não deixem de comentar ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.