Forgotten Faces

2 Tears Of Negligence


Notas iniciais
Hey pessoal, bom eu realmente gostaria de saber o que vocês estão achando da história. Então manda uma review, e falando se acha que tem algo que precisa ser melhorado, ou apenas falando se ta gostando ou não . Tudo para agradar vocês ! 8D

Ok estava quase me dando por vencida, como andar no meio do nada iria fazer alguma diferença, e também, por que ele iria querer me ver? Afinal, quando realmente nos importamos ou gostamos de alguém nós procuramos, corremos atrás. Eu sei que agora ele tinha responsabilidades maiores do que servir de refúgio para uma patética garota com problemas internos, no fim nada passava de pena. Era isso, a explicação que faltava para me mostrar o porquê de tudo não passar de idiotice. Pelo menos serviu de propaganda para a banda, agora com certeza alguma revista legal viria atrás da gente.

Preparei-me para dar meia volta, mas nesse exato momento uma figura alta surgiu do nada e cambaleante, se jogou em cima de mim. Com o susto caímos os dois no chão, minha roupa ficou bastante molhada por causa do sereno da grama.


– Mas que porra é ess...- A figura se levantou e finalmente pude ver quem era . Seus olhos azuis de ressaca procuravam um ponto fixo para conseguir desembaçar a visão, a careca refletia as luzes dos refletores que iluminavam o parque de trailers. A camisa polo preta que usava fedia a vodka e elementos não identificáveis, demorou um pouco, mas finalmente consegui tira-lo de cima de mim.


– Zach ... Zach Blair ?! Ai meu Deus o que aconteceu com você?! — Não é todo dia que o guitarrista do Rise Against cai provavelmente trêbado em cima de você.


Ele estava deitado na grama coçando os olhos irritados pela luz e murmurando alguma coisa sobre nunca mais beber ''Mijo do Diabo".

– Eu tche conhezo...?- Ele finalmente olhou para mim e pareceu me ver. — Se não conhezo, sou um idiota- Ele sorriu tortamente- Prazer, Zach..Zach..Zach...

–Zach Blair !- Eu disse impaciente, o que diabos esse cara tomou?!


Izo mesmo mocinha... Como vozê sabe ? É alguma fã neurótica daquelas que sequestram o ídolo? -Se levantando, dava gargalhadas da própria piada. Escorei-o até que chegasse a um ponto de equilíbrio em que conseguisse manter suas pernas sozinho. — De qualquer modo, tenho que voltar lá pra dentro, não sei como, ia para o banheiro e vim parar aqui — Ele olhava para todos os lados tentando achar o caminho de volta enquanto ajeitava sua roupa.


Festa? Festa! Zach estava saindo da reunião das bandas, pronto, estava ai minha chance! Agora só tinha que dar um jeito de fazê-lo me levar até lá, e é claro, as meninas também.

– Pois então, temos que voltar agora não é? Você sabe do jeito que está lá dentro, daqui a pouco não resta nem álcool etílico para a gente.

Entrelacei meu braço no dele, e lancei um olhar malicioso para o mesmo. Agora era a hora do jogo começar.

– V-você estava lá?! Não me lembro de ter visto você lá, na verdade acho que não me lembro de muita coisa... — Ele pôs a mão na cabeça, acariciando a careca pensativamente.

–Isso é uma pena, porque eu me lembro direitinho de você. E é claro que eu estava, sou da banda de abertura, aquela feminina, que sendo modesta, arrasou e surpreendeu todo mundo. – Arqueei minha sobrancelha direita como uma indireta bem... Direta. Zach arregalou os olhos, e esboçou um sorriso de canto.

– Então acho que estamos perdendo muito tempo por aqui, vamos voltar e tomar alguma coisa, talvez conversar melhor- ele então me puxou para frente, levando-me para o caminho da festa.


– Mas eu tenho um problema!- Tive que interrompe-lo, era um mal necessário.
Ele olhou para trás me encarando nos olhos, esperando que eu explicasse.

– Minhas amigas, elas ficaram no trailer e eu esta indo chama-las. Por que você não vem comigo? Não vai demorar nada- Tinha que dar certo, ele precisava vir para que entrássemos todas com ele.


– Não acho uma boa ideia, talvez fosse melhor nos encontrarmos lá dentro. Apesar de que entrar com você seria muito mais prazeroso – Ele sorria enquanto percorria meu corpo com o olhar. Não acredito, que tarado !


– Mas imagino que seria ainda mais se você entrasse com cinco mulheres lindas, seria considerado nada menos que um Deus levando todas nós lá para dentro, cá entre nós, só tem homem naquela porra. – Conversava de frente com ele, tentando parecer o mais convincente e sexy possível.

– É... Não tem jeito- Ele levantou ambas as mãos para cima simbolizando sua rendição- você venceu gata, onde é o trailer das suas amigas?

Lexie não demorou a abrir a porta, e seus olhos quase saltaram de órbita quando viram quem era minha companhia.
–Ele é ...?


– É, e é melhor deixarmos as explicações de lado- Zach se jogava em cima de mim, mal consegui aguentar-se em pé. De qualquer modo só precisaríamos dele até passarmos pela entrada, depois ele poderia cair bêbado onde quisesse.


– Você é realmente linda...- Ele tentou dar um sorriso ao olhar para Lexie, mas a tontura que deveria estar sentindo não o deixava olhar para um lugar fixo.

– Você pediu para eu dar meu jeito e eu dei caramba! Agora vamos antes que ele apague em algum lugar.

–Só temos um problema, Rose e Cristina estão apagadas no chão da cozinha boiando em uma mistura de saliva e álcool.- ela Indagou.


– E eu com isso?! Chama a Eleonora e vamos! Menos gente, menos responsabilidade- Eu já estava realmente impaciente.


Lexie assentiu com a cabeça e gritou para Eleonora se apressar, logo já estávamos os quatro andando rumo a concentração. Zach estava escorando-se em mim e em Eleonora, que estava visivelmente irritada com a situação. Finalmente chegamos à entrada de um trailer gigante de cor azul metálica. A música alta ecoava por todo o pátio e dois armários... Digo... Seguranças estavam petrificados do lado da porta. Engolimos em seco e tentamos ajeitar Zach da maneira mais apresentável possível. Chegamos bem à frente da porta, mas os seguranças não moveram um músculo para dar passagem.

Pigarreei esperando que eles compreendessem a situação, nada. Nem um mínimo movimento se quer. Zach olhou para os caras com seu tonto olhar e sorriu, mas isso de nada adiantou. Agora ele não conseguia falar, mal se mexia! Eleonora não aguentou.

– Aqui, vão dar passagem ou ficar ai de enfeite de porta? Desculpa, mas as vagas de anões de jardim não exigem ter dois metros de altura. – Ao mesmo tempo foi puxando todos para a entrada.


Um olhar insatisfeito se formou na cara do mais largo. Ele levantou uma prancheta preta e perguntou.


–Nomes...

–O que ?- Perguntei confusa.

– Nomes! Para entrar, tem que esta na lista. — Sua expressão era séria e assustadora. Agora não entraríamos nunca, Zach apagara em nossos braços, e sem ele não tínhamos autoridade nenhuma para fazer algo.


– Relaxem rapazes, as garotas estão aqui a meu pedido, Zach foi apenas busca-las como um bom amigo, mas parece que não aguentou a viagem toda.- Um cara alto e musculoso surgiu entre a porta. Usava um boné para trás e uma camiseta rasgada do Motorhead, seus dois braços eram cobertos por tatuagens, e assim que os dois seguranças o viram por cima do ombro, abriram espaço sem contestar.


–Vamos, a festa é de todos- Ele estendeu o braço nos chamando para dentro- E deixem ele comigo, irei bota-lo em algum canto sossegado.

Entregamos o moribundo Zach para o misterioso cara tatuado, fomos andando por um pequeno corredor e finalmente chegamos à sala principal. Com a luz batendo diretamente em seu rosto pude finalmente ver quem era, e com a descoberta, perder totalmente o fôlego. Não era ninguém mais que Matt Shadows, ou Matt Sanders como costumávamos chamar na época.

– Então fiquem a vontade, a bebida aqui é liberada e, é sempre bom ter mais companhias femininas no meio de tanto marmanjo assim. – Ele sorriu aquele mesmo sorriso de anos atrás, fazendo com que Lexie não resistisse, e sorrisse de volta.


– Obrigada pelo que fez pela gente, foi realmente gentil – Agora Lexie era doce e mostrava sua melhor expressão de gratidão para Matt,ela remexia nos cabelos loiros acariciando-os vagarosamente. Não acredito que ela já estava flertando com alguém!

Matt sorriu, e parecia ter retribuído o agrado de lexie. Virou-se então para eu e Eleonora despedindo-se e nos deixou em meio aquela multidão e barulhada.


– É ele não te reconheceu, muito menos de longe achou familiar – Eleonora começou.


– Cala a boca, você sabe que não é com ele que estou preocupada. – Revirei os olhos e comecei a procura. Não sabia o que era pior: Ele não me reconhecer, ou eu não reconhece-lo. E se nenhum dos dois conseguissem se reconhecer? Quer dizer, eu sei que ele não faz a mínima ideia de que estou aqui, mas se ele me visse por algum acaso, saberia quem eu sou?


– Bom, agora só depende de você. Eu vou achar algo pra beber e passar o tempo até vocês resolverem o que fazer da vida, não é todo dia em que estamos rodiadas de músicos famosos e bêbados.- Eleonora então sumiu em meio a multidão, não me dando chance nem ao menos de dizer algo.

Tateei os lados procurando por Lexie, mas também não a encontrei. “Filhas da puta” foi a única coisa que pude pensar naquele momento. Andei entre vários corpos suados, muitas pessoas lá também não passavam de roadies ou amigos desconhecidos. Eu precisava de uma bebida, precisava me acalmar e pensar em um bom jeito de começar a procura. Meia hora se passou e eu não havia feito nenhum progresso, além de ter avistado Lexie conversando intimamente com Matt em um canto afastado do trailer. Eu estava cansada, exausta para falar a verdade. Encostei-me em um balcão, e peguei um copo de Whisky quando subitamente alguém gritou bem perto de mim :

–Jimmy seu puto me devolve essa merda! – Um homem baixinho de moicano longo pulava com as mãos para cima tentando inutilmente agarrar uma garrafa de Jack Daniel’s que estava sendo segurada por uma figura bem mais alta.

Estava extremamente alto, tudo bem que eu não posso falar nada com meus 1,74 metros. Seu cabelo era negro e tinha uma franja caída sobre a testa, seus olhos eram do mesmo azul cristalino de anos atrás, mas seria mesmo ele? Eu ouvi direito? Logo depois um sorriso infantil se formou em seu rosto, largo e descontraído, nesse momento eu tive certeza, era ele, não tinha como duvidar, apesar das diversas tatuagens e a cor do cabelo, era o mesmo Jimmy do passado. Cerrei o punho nervosa, ele estava ali diante de mim apenas a alguns passos afrente. Senti um vazio no estômago, não conseguia me mover novamente. Assisti a cena em que todos riam do pequeno tentando escalar Jimmy atrás de sua preciosa garrafa, mas tudo que eu conseguia ver era seu rosto, sua expressão de felicidade, as maçãs do rosto relaxadas como de costume, porém estavam mais desenhadas agora. Seus lábios finos esticavam-se em cada gargalhada, nada parecia ser capaz de tirar a alegria daquele momento.

A palhaçada acabou minutos depois, assim que o baixinho enfezado conseguira escalar toda a extensão do longo tronco de Jimmy. O grupinho se dispersou, indo cada um para um lado, deixando-o ali, parado com apenas uma garrafa vazia na mão. Meu estado de choque ainda não me permitia pensar em uma boa abordagem, mas não precisei chegar a esse ponto. Jimmy se levantou e veio andando em minha direção, exatamente em cima de mim. Nervosa com sua aproximação, virei-me de costas e debrucei no balcão de alumínio atrás de mim, derrubando algumas garrafas vazias que estavam ali por cima. Ele havia me visto?! Era impossível, ele nem se quer olhou para mim!


– Com licença... — Senti uma grande mão úmida encostar em meu ombro. É agora, a hora da verdade, ele me reconheceu, mas não faço ideia do que falar pra ele ! Isso não fazia parte do roteiro. Definitivamente não!


– Olááá!? Alguém morreu em cima desse balcão?- Agora ele sacudia meu obro para frente e para trás. Fiz força para não me mexer, talvez ele desistisse e fosse embora, não era uma situação muito improvável não é? – Escuta, eu só quero pegar uma cerveja, que está bem dentro do isopor embaixo de você, não vou encher mais o seu saco depois que estiver longe daqui com apenas uma garrafa de Heineken, e pode deixar, não mordo. –Ele deu uma risadinha e esperou minha resposta. Nada.


Então era isso? Tanto terror por uma garrafa de cerveja? Isso significa que esse idiota nem sequer olhou para a minha cara antes de chegar aqui?! Eu apenas estou na frente da caixa de cerveja dele, nada de mais. Relaxei a musculatura, ia dar o fora dali sem ter que encara-lo. Mas algo inesperado aconteceu


– Você está bem moça? Precisa ir para o pronto socorro? – Nesse exato momento ele me puxou para trás, fazendo-me virar e encara-lo bem de frente. Meu coração parou, os olhos estavam bem arregalados e consequentemente assustados. Ele continuou a me fitar por um bom tempo com seus límpidos olhos azul sem entender nada, mas mesmo assim não se movia e continuava a analisar meu rosto.


– Eu te conheç...

– Jimmy. – Não aguentei, não podia mais esperar, todo aquele silêncio estava me matando. – Sou eu...

Sua expressão continuou confusa por mais alguns segundos, a fixa ainda estava caindo, ele parecia não acreditar. Suas sobrancelhas formavam um desenho tenso em sua testa, ele apertou os lábios como se não quisesse falar o que estava óbvio.


–Não é verdade, impossível... Isso é alguma brincadeira?! Eu estou em coma alcoólico?- Sua voz soava falhava ente uma palavra ou outra. — Isso... Não é verdade.

– Não jimmy , eu tô aqui cara na sua frente. A velha Jacky, lembra? – As palavras me fugiam toda hora, não conseguia pensar em um jeito mais sutil de conversar. Tentei esboçar um sorriso que saíra meio torto, mas era o melhor que eu podia fazer na situação.

Outro silêncio. Agora sua cara de abobalhado fitava freneticamente meu rosto. Sua boca mexia como quem fosse dizer algo, porém nada saia. A situação estava constrangedora, passei a mão pelo negro cabelo jogando-o para trás o calor lá dentro estava começando a me afetar. Cruzei os braços então e tive que começar.


– É, quanto tempo! Seria o que? Nove anos? Mais, não? Mas em fim, eu sinto como se te visse todo dia. – Uma gargalhada nervosa escapou nesse momento. – Afinal o rosto de vocês está em toda parte. E hey! Você acredita que o Matt nos botou pra dentro e nem se quer me reconheceu? Eu sei que estou meio diferente, mas vamos lá não é nada surreal...

Ele continuou me encarando, sério, rígido. Parei de falar, vi que isso não ajudaria tanto. Ele então levando o rosto e suspirando respondeu:

– sim, nove anos. –Uma grande pause se seguiu então, ele coçou a cabeça e mordeu o lábio. Então agarrou em minha mão e me puxou em meio a toda aquela muvuca. – Venha, vamos para um lugar mais reservado.


Sentir sua mão cálida na minha foi uma sensação nostálgica, de fato. Arrepiei-me por completo antes de ser deixada levar por ele. Assim que Jimmy virou de costas, percebi uma tatuagem diferente em sua nuca, uma algema? Continuamos a andar por um bom tempo, várias pessoas cumprimentavam e abraçavam Jimmy, cochichavam em seu ouvido, e o mesmo disfarçava.

Chegamos a um quarto bem afastado, nos fundos do trailer, havia uma cama de casal estreita, prateleiras de madeira embutidas que estavam adornadas de garrafas e embalagens de narcóticos. Duas micro janelas entreabertas ventilavam o local, tornando-o bem mais fresco que o resto. No chão pude ver alguns pacotes de camisinha largados, o que me deu certo nojo. Jimmy sinalizou para que sentássemos na cama e então encarou-me diretamente nos olhos.

– Jacky. Oque você está fazendo aqui? Como entrou aqui?


– Pera ai... Eu finalmente te encontro, depois de anos... Eu finalmente tenho notícias suas, consigo ver você a única merda que você quer saber é como eu entrei na porra da festa?! Acontece, seu idiota, que a MINHA BANDA foi a porra da banda de abertura. Fui EU quem tocou doze músicas para abrir a porra do SEU show! E você nem se quer sabia que eu estava viva, quem diria com a banda!- Não, ele só podia estar brincando, me levantei da cama e agora gritava cara a cara com ele, mas por mais incrível que pareça ele continuava quieto, apenas ouvindo. – Filho da puta, FILHO DA PUTA! Eu tive o mínimo de preocupação para vir aqui, eu tinha que provar para mim mesma que “ele não mudou, só estava ocupado demais”, mas não! Era exatamente ao contrário, você é mais um desses artistas metidinho que não liga pra mais porra nenhuma a não seu o sucesso e seu próprio pau fabuloso!- Chutei a lata de lixo cinza que estaca perto da cama, estava muito irritada, muito, se pudesse espancaria aquele infeliz até a sua morte, e daria seus membros para lobos famintos do Alasca. – Eu fui tão idiota, de achar que um dia você se importou, de achar que você era diferente de todas aquelas pessoas nojentas do meu bairro, da minha casa! Mas você é igual, usa enquanto quer depois joga fora, simplesmente foda-se eu,não é? – Extravasei minha raiva acumulada, agora sentada na cama de novo, cobri meu rosto com as duas mãos, a cabeleira caia em meu rosto e então as lagrimas vieram, tentei segurar ao máximo, mas acompanhando estavam soluços que eu sempre odiei.


Jimmy se aproximou para segurar meu ombro mas eu não queria, não queria mais pena nenhuma que viesse dele.


–NÃO TOCA EM MIM. – Ele então afastou a mão que havia estendido. Aquilo o torturou, rasgou-o por dentro, eu sabia que ele odiava não poder fazer nada em situações como essa, sempre foi muito afetivo.


– Vanilla Poison...- Ele falou finalmente. – Sua banda é Vanilla Poison.

Levantei finalmente meu rosto, podendo enxergar a hora em que ele mordeu seu lábio inferior e coçou a cabeça dando-se por vencido.

– Eu sabia, na verdade sei há bastante tempo. Mas também sei como é preciso dedicar-se totalmente á uma banda, por isso achei que seria melhor se eu não importunasse. Você ia quer que eu estivesse por perto o tempo todo, e eu não poderia. Não porque eu não iria querer, mas porque você ia precisar do seu tempo. Então, por mais que eu quisesse, não podia te procurar, eu te prendia ao passado Jacky, eu te prendia a toda aquela dor que você sentiu durante anos! Eu pensei que indo embora, levaria suas lembranças comigo, assim ficaria mais fácil de você seguir em frente.

– Antes da banda você já estava desaparecido há muito tempo. Eu não aguentei mais, só ficava naquele inferno esperando que um dia você fosse voltar, para falar comigo, tinha medo de sair de lá e você nunca mais aparecer! – Alguns soluços escaparam. –Até que não aguentei mais, meu pai já tinha passado dos limites, ele espancou minha mãe Jimmy, ele veio para cima de mim. Eu pulei a janela, e corri, fui até a doca da praia e esperei até três da manhã! Foi quando voltei... Entrei silenciosamente pela janela do meu quarto, juntei o que cabia na mala, pequei as economias da cozinha e sai... Eu não ia mais suportar aquela tortura, para mim, depois disso você tinha me abandonado. Para mim você só havia se cansado de mim, e agora estava totalmente dedicado á banda, o que não era ruim sabe – esfreguei meus olhos, limpando as lágrimas que ainda lutavam em sair, porém já havia me acalmado bastante. –Mas dói ser abandonada, dói muito. E você Jimmy, era a única coisa que eu queria ter levado de lá, a única lembrança boa que eu tinha daquilo tudo! Você nunca foi a minha ligação com a dor, e sim a que me afastava dela!


A agonia estava estampada em seus olhos, ele estava encarando seu passado, seu monstro criado, e eu era esse monstro. Mas eu precisava disso, mesmo que isso o machucasse, eu precisava botar para fora, se não morreria com essa dor sozinha. Sua mão apertou o lençol bagunçado da cama, logo depois ele se aproximou novamente, retirando algumas mechas de cabelo do meu rosto. Minha maquiagem estava um nojo provavelmente, mas ele me olhava com tanto peso, com tanta culpa. Eu não queria mais suportar aquilo. Era algo que precisávamos fazer, deixar fluir, deixar que tudo se revelasse, mesmo que aos poucos, sabíamos que era o certo.

Encostei-me em seu peito, ele acariciou meu cabelo, encostou seu lábio no topo de minha cabeça, e ficou assim por muito tempo. Senti um tremor em seu tronco, seria um soluço? Ele estaria chorando? Não queria pensar nisso, não seria bom. E mesmo que fosse verdade, ele precisava tanto daquilo quanto eu.

Notas finais
Eai pessoas ! Bem, esse ficou realmente grande, mas queria botar tudo, para não cortar o clima no meio sabe HAUEHEUEHUEAHUAHUE, enfim espero que tenham gostado e se quiseram perguntar ou comentar algo fiquem a vontade :D
Espero ter agradado !